quarta-feira, 4 de setembro de 2019

4 X 4



Voltamos ao tema "festas" porque tenho reparado que há muito boa gente cheia de festanças que nunca mais acabam. Ora são os amigos que casam, os primos, as bodas de ouro dos avós, batizados, you name it. O meu instagram/facebook anda inundado de outfits de cerimónia. Dei por mim a pensar "Mãe do céu, há carteira que resista a isto?". E depois pus-me a pensar que se andamos todos a pregar a palavra da sustentabilidade, é também nestas alturas que a devemos pôr em prática, correto? Especialmente se temos 2094 festas em que a maioria dos convidados nem sequer são os mesmos. Será que não dá para apostar num vestido e usá-lo de formas diferentes, combiná-lo com estilos e cores diferentes? E não dá para pedir os brincos emprestados à mãe e as carteiras e sapatos às amigas? Eu já fiz isso, naquela altura em que ia a festas, em 1967, quando ainda não era cool pedir coisas emprestadas. Agora é, portanto, siga reutilizar.


Não ia estar aqui a debitar uma teoria sem a colocar em prática, pois não? Claro que não. Por isso, escolhi 4 vestidos todos muito diferentes entre si (um mais romântico e curto, um mais descontraído, um mais divertido e jovem e o último mais clássico e elegante) sem recursos a tons demasiado claros ou aos pretos (para não quebrar "regras" e para vos provar que não é por o vestido ser amarelo que não vão poder usá-lo de várias formas e feitios!). Peguei nessas 4 peças e conjuguei cada uma delas em 4 looks diferentes. Ou seja, de seguida, apresento-vos 16 conjuntos de festa para usar com pinta e elegância, com base em tendências e a pensar na sustentabilidade do Planeta e da nossa carteira.


VESTIDO VERDE ÁGUA
Vestido H&M
O vestido tem um ar romântico e é perfeito para casamentos. Na primeira imagem conjuguei-o com tons mais neutros e escolhi peças elegantes, como os brincos no primeiro look e todas as peças do segundo, peças essas que podem ser usadas com praticamente todas as cores. 
Brincos Mango | Clutch Amarela H&M | Sapatos H&M
Travessão Zara | Clutch Parfois | Sandálias Uterque

Já nesta segunda imagem, optei por um look mais descontraído (para usar em batizados ou comunhões), mas igualmente bonito. Por fim, uma grande tendência: estas bandoletes que parecem jóias (A-DO-RO!) e que fazem a festa toda. 

Brincos Zara | Carteira Aldo | Sapatos Zara
Bandolete Zara | Clutch Parfois | Sandálias Zara


VESTIDO AZUL ESCURO
Vestido H&M
O vestido mais escuro de todos e também o mais simples, pedia acessórios mais wow. Na primeira imagem vemos as sandálias mais divertidas da estação, combinadas com peças mais versáteis e com uma fita acetinada super-tendência. Já no look da direita, mantemo-nos nos tons azuis, combinados com preto (eu sei que há muita gente que se sente mais confortável com os pretos).
 Fita Zara | Brincos Parfois | Clutch Casa Batalha | Sandálias Uterque
Brincos Uterque | Laço Cabelo Stradivarius | Clutch Parfois | Sapatos Mango

Numa onda mais clássica, mas sempre com um twist, o vestido combinado com acessórios dourados e pretos e ao lado, em tons de vermelho-rosa-pêssego que apesar de ser uma combinação inesperada, resulta bem (e esta carteira da Zara a imitar as Bottega?).
Brincos Uterque | Clutch Parfois | Sapatos Zara
Brincos Zara | Carteira Zara | Cinto Parfois | Sandálias Zara


 VESTIDO AMARELO
Vestido H&M
Um dos vestidos mais cool, mais vaporoso e mais fresco de todos. Não é para todos os gostos (por causa da cor e do modelo), mas é para os meus. E amarelo nunca deve ser combinado com cores escuras ou nhecas. É uma cor com vitamina, por isso, temos a obrigação de manter o conceito. Aqui está conjugado com laranjas e dourados (numa versão mais descontraída, para festas na praia, por exemplo, para comunhões, batizados ou outras festas mais simples). À direita, um look mais elaborado e super-fun.
 Travessões e Clutch H&M | Sandálias Aldo
Brincos e Clutch Parfois | Sandálias Mango

Mas e se quiserem algo mais formal? Também se arranja. No conjunto da esquerda, a clutch é a jóia. É romântico, elegante e ainda assim jovem e leve. Do outro lado, um look à casamento real (estas headpieces lembram-me sempre a realeza) que eu gosto, desde que não seja too much e sempre conjugadas com outras peças mais simples - a ideia não é criar um conjunto temático, certo? É também uma ideia para quem prefere usar salto mas não ficar com vertigens!
Brincos Zara | Clutch Bijou Brigitte | Sapatos H&M
Headpiece Parfois | Clutch Uterqüe | Sapatos Zara


VESTIDO AZUL CÉU
Vestido H&M
Se há azul que eu gosto é este. E se há modelo de vestido que eu gosto, é este também: decote cruzado, plissado e com aquele comprimento midi perfeito. Gosto tanto que levei ao extremo a utilidade do vestido. Um look mais simples e versátil - mas quase a fazer lembrar Handmaid's Tale, right? À direita o look que eu usaria sem dúvida: uma clutch que é MA-RA-VI-LHO-SA, umas sandálias e uns brincos simples e um pequeno detalhe com a headpiece. Não era preciso mais nadinha.
Clutch Zara | Cinto Parfois | Sapatos H&M
Headpiece Parfois | Clutch Bijou Brigitte | Brincos Parfois | Sandálias Bimba y Lola

Depois tinha que criar um conjunto mais clássico e elegante, como se fosse para ir a um casamento mais sério. E à direita, um conjunto divertido e inesperado. É bonito mas confortável e jovem ao mesmo tempo.
Fita Zara | Brincos Parfois | Clutch Casa Batalha | Sapatos H&M
Brincos Zara | Clutch Parfois | Sapatos Zara


Qual destes vestidos e conjuntos é mesmo a vossa cara?





segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Who's with me?

Museu do Picasso, Barcelona


Todos os posts neste blog são simplesmente uma perspetiva de quem os escreve. Não tenho qualquer conhecimento científico ou académico sobre moda, decoração, cinema, arte, ambiente... Nada. Sou apenas uma pessoa curiosa e com gostos diversificados que gosta de os partilhar desta forma. Dito isto, deixo claro que esta é a MINHA opinião sobre este assunto e que respeito todas as outras.


Vamos então esclarecer uma coisa: eu gosto de fotografar momentos felizes. Não sou a pessoa que está sempre com o telemóvel pronto para o disparo - devia estar mais vezes, confesso -, mas quando uma coisa é bonita e transmite alguma emoção, por vezes eu filmo ou fotografo. A maioria das vezes não é para partilhar nas redes sociais nem para mostrar a outras pessoas. Levantem a mão as pessoas a quem eu já mostrei as fotografias de viagens - garanto-vos, são quase nulas. Acho sempre que isso é um aborrecimento para quem está a ver e nunca conseguimos transmitir a mesma emoção do que estar no local, portanto, abstenho-me de fazer swipe dos meus álbuns. A maioria das vezes tiro fotografias para mim ou, no máximo, para o blog. E é só. 


Porém, gosto de ser livre para o fazer quando e onde quiser. Essa é a questão.


Em Madrid fui visitar o Museu Reina Sofia, onde está a Guernica. Eu e o meu irmão estávamos mesmo entusiasmados com a ideia de poder ver de perto aquela obra - que ele procurou sem sucesso no Museu do Picasso em Barcelona. No momento em que chegamos à sala, a monumental obra de arte impôs-se sobre nós. Fiquei uns largos minutos a apreciar todos os pormenores em silêncio e a relembrar-me das minhas aulas de História da Arte. Depois percebi que ninguém estava a tirar fotografias e achei aquilo estranho. Olhei à minha volta: zero informação sobre a proibição de fotografia. Pelo sim e pelo não, fui questionar o vigilante ao lado. Disse-me, de forma simpática e cordial, que ali era proibido fotografar aquela peça, bem como em outras salas, mas podia fotografar em algumas. A verdade é que não vi uma única placa ou informação a proibir a captura de imagens.


Bauhaus, Berlim


Noutro dia decidimos ir ao Museu do Prado. Estivemos quase 1 hora na fila ao calor para entrar e a multidão acabou por me desanimar um bocado, bem como ter o tempo limitado (1 hora para ver tooooodo aquele museu). Não ia com intenção de tirar fotografias porque estava mais focada em encontrar as obras que eu queria mesmo ver, entre elas As Meninas de Velázquez, claro. Fiquei fascinada com a dimensão (não sabia que era tão grande) e com todo o espetáculo que estava a ver à minha frente. Eu dou muito valor a estas coisas e vivo aquilo com toda a intensidade possível. 


Fico extasiada a ver obras que estudei apenas nos livros e que de repente se materializam e eu constato que há seres extraordinários no mundo que conseguem criar tais obras de arte. 


Olhei à minha volta e vi várias pessoas a tirar fotografias - uma, inclusivé, com um tablet - e eu decidi fazer o mesmo. Ainda antes de abrir a câmara tive uma voz feminina a gritar-me aos ouvidos "NO PICTURES ALLOWED!!!" e a olhar para o meu telemóvel, quase pronta a arrancá-lo das minhas mãos para se certificar que não consegui nem uma fotografia - que, infelizmente, não consegui. Gritou-me tão alto e foi tão repentino que o meu telemóvel saltou-me das mãos com o susto, só para terem uma ideia. O meu irmão que estava mais atrás relatou-me outro momento semelhante, desta vez com um funcionário a um senhor. O mesmo "crime" e a abordagem igualmente bruta e agressiva. Levei aquilo mesmo a mal. Fiquei mesmo muito magoada com a situação, até porque, mais uma vez, em LADO NENHUM informava que era proibido. Nem em placas, nem no bilhete, nem em avisos à entrada, nem o próprio staff. Nada. Pelo menos de forma visível.


Isto levou-me a pensar que hoje há uma corrente anti-fotografias que me está a começar a enervar, porque assumem que quem tira fotos é fútil e apenas o está a fazer para postar nas redes sociais. E eu irrito-me sempre com preconceitos e com fundamentalismos, sejam eles sobre o que forem e de que forma sejam impostos. Sou sempre apologista do: desde que não prejudique o outro, cada um deve fazer o que quiser sem ser vítima de julgamentos.


Esta situação deixou-me tão desconfortável que fui pesquisar sobre esta proibição das fotos nos museus - não me lembro de ter sido proibida de fotografar num museu anteriormente - e percebi que eu não sou a única revoltada e que o Caso Prado é bastante famoso pela abordagem super agressiva.


Museu do Picasso, Barcelona


Posto isto, decidi pesquisar os motivos que levam os diretores de museus a impedirem os visitantes a fotografarem as obras - ou até o edifício que, para mim, é muitas vezes também uma obra de arte que merece ser apreciada. Então cá vão algumas delas:


1. É proibido fotografar porque... danifica a obra.
A típica justificação. Normalmente referem-se à foto com flash, claro. Mas alguém faz questão de tirar uma foto com flash num espaço interior? Não. Claro que ninguém está interessado em ficar com uma fotografia péssima. Em todo o caso, será que as máquinas de jornalistas, cineastas e fotógrafos contratados são tão absolutamente especiais que não danificam as peças? Hum... Cá para mim isto só pode ter um nome: bruxedo. Agora a sério, já não tem justificação possível.


2. É proibido fotografar porque... assim as pessoas ficam mais atentas às obras.
Irrita-me só de escrever esta frase. Que visão mais redutora da questão. Desde quando é que alguém que dedica tempo a tirar uma fotografia a uma obra vai deixar de a apreciar? Não será o oposto? Não será que vai continuar a apreciá-la mesmo depois de sair do museu, da cidade, do país? Se alguém não tiver intenção de prestar atenção à obra, não o vai fazer quer tire uma fotografia quer não tire. Simplesmente vai passar ao lado. O facto de tirar uma fotografia demonstra, por si só, interesse e atenção. E as pessoas que consideram que devem tirar uma fotografia ao quadro "só para dizer que estiveram ali" e para publicar nas redes sociais têm - admirem-se - o mesmo direito que os outros a fazê-lo! Que choque, não é? A pessoa ser livre de ter este comportamento... Realmente... Desde quando é que isso me vai prejudicar, incomodar, impedir de ver a obra? Não vai, senhores, não vai. Eles tiram a foto e vão à vidinha deles e pronto, sobrevivemos todos. Este preconceito para com as pessoas que fotografam tudo irrita-me. Eu não sou assim, mas também não tenho o direito de criticar nem julgar quem o faça, até porque eles não estão a prejudicar ninguém e cada um é que sabe como prefere abordar a sua visita a um museu ou a outro sítio qualquer.


3. É proibido fotografar porque... quem quiser recordações compra os livros e os postais na loja no final da visita.
E eu compro. É um hábito meu comprar um (ou vários) postais, por vezes livros, dos museus que visito. É a minha recordação, como outras pessoas gostam de comprar um íman de frigorífico. Portanto, esta justificação é absurda porque eu gosto de levar fotos tiradas por mim também. Sabem quantas fotografias tirei no Prado? Zero. E, por isso, sabem o que comprei na loja do Prado? Nada. Uma coisa não invalida a outra e os verdadeiros interessados podem fazer ambas as coisas. Além disso, os postais e os livros não refletem a nossa experiência, não transmitem emoções e sentimentos, não são personalizados. Como é que um amante de arte - assumo que um/uma diretor/a de um museu é apaixonado/a por arte - não entende a importância destas questões?


4. É proibido fotografar porque... assim o Museu pode controlar a sua própria imagem.
Há quem defenda que as fotografias dos turistas podem ser tão feias e de mau gosto - ainda podemos falar sobre mau gosto nos dias de hoje? - que podem desmotivar quem as vê a visitar o museu em questão. Acho, de novo, uma ideia estapafúrdia. Se virem uma fotografia desfocada ou completamente desenquadrada da Mona Lisa vão perder o interesse de a ver ao vivo? Acho difícil. Além disso, se formos por essa perspetiva então não podemos tirar fotografias em viagem, em restaurantes, em parques, em lado nenhum nem a nada para não desmotivar os outros a repetir a nossa experiência, especialmente se os nossos conhecimentos de fotografia forem nulos. É só parvo, não é?  Isto assumindo à partida que tiramos fotografias para postar nas redes sociais - o tal preconceito de que falei. Mas mesmo que seja a verdade, porque não tiram partido das partilhas? Afinal, é publicidade gratuita! Preferem comunicar apenas as imagens institucionais e chatas ou nada? Não é muito mais interessante perceber que o museu tem vida, que cada pessoa interpreta uma obra à sua maneira - e há maneiras tão criativas! Que a partilha poderá levar novos públicos ao museu - públicos que de outra forma não teriam acesso àquela informação - e é uma forma de democratizar o acesso à arte - ou será que é isto que estão a tentar evitar? Hummm... A falta de visão e a estagnação é coisa que me apoquenta e que não combinam nada com a arte.


5. É proibido fotografar porque... não é assim que se aprecia um Museu ou uma Obra de Arte.
Esta é a minha favorita, confesso. A primeira questão que se impõe aqui é: mas quem é que nós somos para definir como é que o outro se deve ou não se deve relacionar com a arte? Que direito temos nós de afirmar o que é certo e o que é errado? Tira-me do sério este pretensiosismo... É como ir ao museu com uma pessoa que me diz "Tu achas piada a isto porque percebes de arte. Eu não percebo nada!" Toda a gente entende arte porque a arte é emotiva e espera-se que crie uma reação em quem está do outro lado. Quando me perguntam sobre um quadro abstrato: "O que é que é isto?" eu respondo sempre "É o que tu quiseres que seja." O que a arte tem de especial é que não tem regras, fronteiras, linhas que separam, não tem limitações à imaginação nem respostas certas ou erradas. O que importa é o que nos faz sentir, mesmo que seja o oposto da intenção inicial do artista. Por isso, dizer que se eu tirar uma fotografia estou a depreciar ou a desrespeitar uma obra de arte deixa-me revoltada. Ninguém tem o direito de limitar a minha experiência e muito menos de me dizer como devo e não devo comportar-me perante uma obra. Está tudo errado.


Museu do Design, Londres


A ideia de que a arte é elitista e que só os intelectuais vão a museus é uma ideia tão do passado que já cheira a mofo, mas parece que há quem persista nisto, o que é uma pena. Eu levo uma visita a um museu muito a sério e é sempre um acontecimento no meu dia que sei que me vai deixar feliz. Tento visitar museus em todos os sítios quando viajo, porque acredito que também é uma forma de conhecer o país e de tornar a experiência mais rica. Respeito totalmente o local, as obras, os artistas e as pessoas que lá trabalham, porém, não sou nada a favor destas políticas. São elas que afastam os públicos da cultura - e todos sabemos o perigo que é quando um povo não tem cultura - e mantém-se a ideia de que num museu "tudo é proibido". Não podemos tirar fotografias, não podemos comer, não podemos beber, não podemos falar alto, não podemos sentar-nos, não podemos andar rápido... É tão desconfortável ter todas estas condicionantes que tornam a experiência super restritiva e muito pouco memorável, ou pior, memorável pelos piores motivos. E aí sim, em vez de estarmos focados nas obras de arte, estamos constantemente a ver se não pisamos o risco e se estamos a transgredir uma regra que nos será gritada ao ouvido.


Esta é outra questão: o staff. Um dos comentários que mais ouvi na minha família foi o quão intimidantes pareciam os colaboradores dos museus que visitamos. Pessoas com caras absolutamente fechadas, "de poucos amigos", diga-se, com um ar muito snob, todos vestidos de fato preto muito formal, que traçam logo ali um entrave enorme a quem os queira abordar. Este staff deveria ser aberto, disponível e prestável para interagir com o público, ceder informações e dados importantes sobre a exposição, o artista ou sobre o museu e não servirem meramente de polícias mais preocupados com quem tira o telemóvel do bolso!


Tate Modern Museum, Londres


Mas voltando à questão inicial, outra das coisas que me aborrece é que 


as obras não são propriedade de quem cria estas regras, especialmente se falarmos em museus públicos, mas sim do povo! 


Por outro lado, também não concordo que se façam sessões fotográficas, que se leve o stick ou tripés e toda uma artilharia pesada para fotografar. É preciso existir cuidados quando falamos em museus, claro que sim, e eu defendo-os com unhas e dentes. Não devemos avançar as barreiras, tocar nas obras, fotografar com flash, comer ou beber perto das peças, encostar, usar mochilas grandes que poderão provocar acidentes, etc. Prevenir sempre e só. Depois disso, é deixar que o museu se torne um espaço de exploração, de descontração, de descoberta do maravilhoso e do mágico.


Tomemos como exemplos museus como o Tate Modern ou o Design Museum em Londres - Londres é sempre um exemplo para mim - em que os espaços têm vida porque são literalmente vividos pelo público que vai lá apenas para trabalhar no computador a usufruir da vista, encontrar-se com amigos, ler um livro, fazer uma pausa do trabalho, you name it. Em particular, o Tate tem uma vida que é um exemplo a seguir, é um museu que aproxima, que educa e que cria uma ligação tão especial com o público que o faz querer voltar. Novos e velhos, estudantes, crianças, pessoas de mobilidade reduzida, londrinos e turistas, pessoas claramente interessadas na arte e curiosos em busca de serem surpreendidos, visitantes sozinhos e grupos de amigos... Cabem lá todos. Farto-me de tirar fotografias no Tate e, adivinhem, nunca me cansei do museu porque já lá fui duas vezes e parece-me que não vou ficar por aqui.


Tate Modern Museum, Londres


Se os governos e entidades querem tornar a cultura mais acessível, aproximem a arte do público. E isso não tem necessariamente que ver apenas com o preço dos bilhetes, mas com a abolição destas regras ridículas e de um staff datado e snob. Isso não vai desvalorizar a arte, o museu ou a cultura no seu todo. Muito pelo contrário! 


Convido todos os museus a tirarem partido das vantagens da era das redes sociais e aproveitem a viagem até ao século XXI. Ficamos todos a ganhar, não acham?