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terça-feira, 24 de março de 2020

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Anda uma pessoa aqui sempre presente há anos a sugerir-vos o melhor que há para ver, ler, ir e vestir e vocês são incapazes de retribuir... Acho uma desfeita tremenda. A semana passada fiquei em choque: como é que foi possível ao longo de tanto ano decorrido não haver uma única alma que se levantou, que se tivesse chegado à frente e me tivesse avisado. Ninguém. E isso dói, sabem? Ao longo de todos estes anos, que eu sempre achei que existia aqui uma relação de carinho e amizade, não houve uma pessoa que me oferecesse duas chapadonas bem dadas nas fuças por ainda não ter visto Sherlock. I mean, quem precisa de inimigos, né?


Como assim eu só vi Sherlock a semana passada, hum? 


Como? Tanta série e filme manhoso que já vi sem necessidade e Sherlock nunca me chamou a atenção. Como? E agora que acabou, que faço eu à minha vida? Quem é que poderá substituí-lo? Ajudem-me porque eu não estou a saber lidar.


Eu tenho um problema - talvez #Freudexplica, não sei - que quando gosto mesmo muito de alguma coisa, seja o que for, eu não consigo parar de gostar. E gosto muito intensamente. A minha sorte é que não gosto assim de tanta coisa desta forma, tá? Tenham calma. Com as séries e com os livros acontece-me algumas vezes. Quando gosto mesmo muito, não consigo parar de ver e ler e fico muito apegada às personagens e às histórias. O problema é que quando acaba - e acaba muito rapidamente porque eu não consigo parar - parece que é um amigo que vai para longe e com quem muito provavelmente vou deixar de ter contacto. Aconteceu-me isto recentemente com Peaky Blinders e agora, numa escala mais pequena, com Sherlock.




Não é especialmente o meu tipo de série, mas tenho que dar a mão à palmatória: que série do caraças! Entretem, faz-nos rir, põe-nos a pensar e a tentar descobrir pistas, ensina-nos algumas coisas, faz-nos desejar sermos mais inteligentes e, claro, faz-nos também apaixonar pelo autista/sociopata Sherlock Holmes - ou sou só eu?! De verdade que fiquei completamente fixada na personagem principal por toda a sua complexidade e por não ser propriamente boa pessoa. Eu sou sempre mais apologista dos vilões ou dos anti-heróis do que dos bonzinhos. São sempre tão mais interessantes... E interessante podia ser o nome do meio de Sherlock. E isto é mesmo curioso, termos uma ligação assim com uma personagem, mas não propriamente com o ator. Por exemplo, acho que o Sherlock é um gatsooo, mas o ator não - god no!!! Na mesma medida que casava fácil com o Tommy Shelby e não queria nada com o Cillian Murphy. Isto acontece só comigo? Não sei, mais uma vez, talvez #Freudexplica. Ou talvez isto se explique por eu estar sempre mais interessada no intelecto e na personalidade do que propriamente na parte física (que em ambas as personagens, à exceção do penteado, é exatamente igual entre o ator e a personagem que interpreta).


Para além de Sherlock Holmes, fiquei muito apaixonada pela série por se passar em... LONDRES! 


E adivinhem quem ficou com umas saudades terríveis daquela cidade fantástica? Eu. E não adianta dizerem "Ah mas ainda em fevereiro estiveste lá, é impossível teres saudades!". Chiu, eu é que sei e digo-vos que tenho saudades de Londres todos os dias. E agora tenho mais 2 spots para visitar na minha próxima estadia - que eu queria que fosse em maio, mas não me parece porque #coronavirus, né? Mas a sério, vejam Londres através da série e não se vão desiludir.


Mas vamos ser profissionais e siga fazer uma crítica construtiva à série.
Se não quiserem spoilers, fiquem por aqui. Mas duvido que queiram ficar ;)


Sherlock


A série decorreu entre 2010 e 2017. É ligeiramente diferente das outras séries porque cada episódio tem 1h30 de duração - que eu papei a uma velocidade pouco recomendável, até porque quando dei por mim e já não havia mais Sherlock para ninguém *snif* - e todos foram pensados como se fosse um filme. Parece que os episódios quaaaase que não estão interligados, mas no final percebemos que estão e estão muito bem cosidos uns aos outros. Sherlock tem 4 temporadas e 13 episódios (3 temporadas com 3 episódios e 1 temporada com 4).

A história é baseada nos livros de Arthur Conan Doyle mas reinterpretada. As aventuras de Sherlock Holmes e o seu fiel companheiro Dr. John Watson acontecem em Londres dos tempos modernos, mas não se enganem, todos os episódios têm referências à obra original! É quase como uma caçada às pistas escondidas nos cenários e aos detalhes que as personagens vão dizendo. Tecnicamente, tudo está muito bem construído, bem montado e obriga a que o espectador esteja constantemente atento. Isto porque a dinâmica de acontecimentos é muito rápida, porque o Sherlock fala MUITO rápido e porque tudo parecem peças de puzzle que nos vão dando ao longo da narrativa e que, normalmente, se encaixam no final do episódio. Os atores foram escolhidos a dedo para o papel, especialmente os três principais (Benedict, Martin e Mark). I mean, produção e atores britânicos, né? Nunca falham.



Sherlock Holmes (Benedict Cumberbatch - já consigo dizer o nome dele quase sem me enganar!) é um químico/detetive (consultor) mestre na teoria da dedução, o que faz com que apenas com a observação consiga avaliar uma série de aspetos da vida da pessoa - creepy, mas muito interessante. É claramente um sobredotado com zero aptidões sociais - que vão crescendo muuuuito lentamente quando encontra em John o seu primeiro amigo -, mas sem grande cultura geral. E isto é tão incrível: Sherlock descobre todos os mistérios e sabe sempre como se desenvencilhar de todos os problemas e parece sempre a pessoa mais inteligente e superior da sala, mas não sabe quem é Madonna ou Margaret Thatcher e não conhece o Sistema Solar. Segundo ele, não ocupa o seu cérebro com informações insignificantes e que nada contribuem para a sua vida, o que vai de encontro à minha "teoria" de que ser inteligente não é a mesma coisa que ser culto ou interessante. É egoísta, egocêntrico, arrogante, inconveniente e cheio de traumas de infância. Tem qualquer coisa de autista e é absolutamente imprevisível, o que nos garante algumas gargalhadas bem altas, como nesta cena em que se recusa a vestir-se, mesmo estando em Buckingham Palace. É também um viciado em substâncias ilícitas, como seria de esperar. Está sempre bem vestido e quase que conseguimos cheirar o perfume incrível que tem (imagino eu).




John Watson (Martin Freeman) é um soldado e médico que regressa a Londres ferido em combate numa missão no Afeganistão e encontra-se à procura de alojamento. Um amigo informa-o que conhece uma pessoa que procura um companheiro para dividir casa e apresenta-os. É assim que Sherlock e John se conhecem e começam a partilhar o 221B Baker Street, um apartamento simpático  alugado à querida e muito peculiar Mrs. Hudson. John é claramente um homem atormentado pela guerra - o suposto ferimento numa perna que o leva a usar uma muleta é imediatamente identificado por Sherlock como psicossomático. É uma pessoa decente, de grandes valores morais, amigo leal e desenvolve uma amizade com Sherlock da forma como nunca ninguém o conseguiu fazer. É o seu grande companheiro de aventuras que são descritas e publicadas no seu famoso blog. Ao longo do desenvolvimento do rumo da sua vida, Sherlock encontra-se sempre presente, em melhores ou piores fases. John descobre o amor ao lado de Mary, que não é bem o que aparenta ser. Uma curiosidade interessante: os atores eram, efetivamente, um casal na vida real e têm 2 filhos em comum. Divorciaram-se em 2016.




Mycroft Holmes (Mark Gatiss) começa por nos ser apresentado como o arqui-inimigo de Sherlock que tenta corromper John a fornecer-lhe informações sobre o seu recente colega de casa em troca de dinheiro (claro que a proposta foi rapidamente recusada). Mais tarde, John conta a Sherlock o encontro que teve com Mycroft este diz-lhe que é a pessoa mais perigosa e poderosa de Inglaterra. Mycroft é, afinal, o irmão mais velho de Sherlock, com quem não tem uma relação fácil. Mas não se enganem... É mesmo a pessoa mais perigosa e poderosa de Inglaterra e apesar de raramente o admitir, tem um sentimento de proteção enorme para com o irmão. É igualmente brilhante - há várias referências que indicam que é "o irmão inteligente" - e trabalha para o Governo britânico, o que se torna muito útil quando tem que safar o irmão de situações, digamos, complexas. É anti-social, muito solitário e vê no irmão o seu único "amigo" ou a única pessoa que o compreende, mesmo sem nunca o admitir.




Há outras personagens muito interessantes na série, como a Mrs. Hudson - que merecia uma série só dela -, a Mary Watson ou a Molly Hooper - que não aparece na história original e estava previsto que só entrasse numa cena, mas a atriz fez um trabalho tão notável que ficou até ao fim da série. Quanto aos vilões, claro que Jim Moriarty é o mais temível por ser tão brilhante como Sherlock, mas com a psicopatia elevada ao cubo.




Depois há aquela história toda Sherlock-Irene Adler que é maravilhosa. Ela, uma mulher lindíssima e inteligente na mesma proporção, que ganha a vida a ser dominatrix de gente importante, acaba por se interessar por Sherlock, mesmo numa situação pouco propícia a isso. Por sua vez, Sherlock tem zero jeito para relações sociais, muito menos amorosas - como comprova a personagem de Molly, a eterna apaixonada - e depara-se com sentimentos e emoções que nunca tinha experienciado  A cena em que ele decifra o código do cofre e ainda o código para ter acesso ao seu telemóvel é só incrível e que eu só entendi mais à frente - que é como quem diz, quando fui ler sobre a série, claro. O código de 4 números é 7437, que nos teclados dos telemóveis antigos formam a palavra SHER (de SHERlock), mas o segundo sentido é sherLOCK. Lock de fechado/selado, entendem? Não é brilhante? E todo o "romance" à volta destes dois é tão out do que estamos habituados a ver por aí que acaba por ser entusiasmante - e por nunca existir um desfecho concreto, claro.




Um fun fact da série, para além de John e Mary serem mesmo um casal, é que os atores que fazem de pais de Sherlock e Mycroft (na imagem em cima) são os pais na vida real de Benedict Cumberbatch. Outro aspeto interessante (para mim) é que entre 2012 e 2014, os dois atores principais da série estiveram a gravar a trilogia Hobbit. Martin Freeman era Bilbo, o hobbit, a personagem principal, e Benedict deu voz e corpo a Smaug (o dragão) e ao Necromancer.

Acreditam agora quando eu digo que investigo tudo ao pormenor? E sabem o que faço quando acabo de ver uma série que adoro por amor? Volto a ver o primeiro episódio para me recordar como tudo começou e os detalhes que fui perdendo. O primeiro episódio foi revisto. Um dia revejo o resto.




Agora preciso de outra série verdadeiramente viciante. Any ideias? Não vale coisas do sobrenatural ou viagens no tempo tipo Dark e Stranger Things. Já tentei e não-obrigada. Comecei a ver Sons of Anarchy, mas parece-me um investimento demasiado longo e não me cativou, nem ao quarto episódio, logo, vou abandonar. Gosto de vários estilos, desde que tenha uma boa história, uma boa produção e boas personagens. Difícil? É o mínimo que podem fazer por mim, já que andam há 10 anos a esconder-me esta série.

Help!





sábado, 7 de março de 2020

Super Women

É impossível não vir aqui para falar do Dia da Mulher. É das datas que mais prezo e mais me alegra celebrar. Mas celebrar convenientemente, com factos, alteração de comportamentos e perspetivas, com reflexões e inspirações e não com flores e vouchers para 1 hora no spa. Queremos igualdade, queremos ser ouvidas e ter acesso às mesmas oportunidades e não ser superiores e ultrapassar os homens. Não tenham medo, não é isso que se pretende ;)


Decidi assinalar e celebrar o Dia da Mulher aqui no blog de uma forma que me diz muito: através do cinema. 


Juntei então 10 filmes com histórias de mulheres poderosas! A maioria deles é inspirado em pessoas reais, o que torna tudo muito mais inspirador. Amanhã é um bom dia para ver ou rever alguns da lista...



MULHER MARAVILHA

A Mulher Maravilha é Diana (Gal Gadot), uma guerreira amazona com um coração puro, que se junta aos humanos para os ajudar a travar uma grande guerra. No meio de esquemas e manipulações às quais Diana não estava preparada para enfrentar, descobre a sua verdadeira missão no mundo e o seu poder é, finalmente, revelado. Wonder Woman é muito mais do que um filme de super-heróis. É uma história de humanidade, de generosidade de determinação e da luta pelo que é correto que não deixa ninguém indiferente.



OCEAN'S 8

Num registo mais cómico e soft, Ocean's Eight conta-nos a história de 8 mulheres que se unem com o único propósito de serem bem sucedidas no assalto do século durante a MET Gala. O elenco é de luxo e maioritariamente feminino: Cate Blanchett, Sandra Bullock, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Sarah Paulson, Rihanna, Mindy Kaling, Awkwafina, etc. Contem com algumas gargalhadas, com cenas intensas, com esquemas bem montados e com um grupo de ladras que compreende que quando se unem, só dá bom resultado (ou mau, depende do ponto de vista!).



MAD MAX
A ESTRADA DA FÚRIA

Para quem gosta de filmes mais futuristas, Mad Max é um filme de excelência por si só, mas temos mesmo que destacar o papel de Charlize Theron, ou Furiosa. Esta rebela-se contra o "regime" e lidera um grupo de mulheres em busca de melhores condições de vida, longe daquele inferno desértico e árido e de ideologias patriarcais.



KILL BILL
VOL. 1 E VOL. 2

Beatrix Kiddo (Uma Thurman) é uma assassina contratada e apaixonou-se pelo homem errado, que também era o seu "patrão": Bill. Depois de ter sido traída pelos seus colegas a mando dele, Beatrix inicia uma busca frenética por vingança, custe o que custar. Um dos filmes mais intensos e icónicos de Tarantino.



00:30 HORA NEGRA

Iniciamos agora as histórias reais. Maya (Jessica Chastain) é uma agente da CIA que tem como uma das primeiras missões da sua carreira a captura do homem mais procurado do mundo: Osama Bin Laden. A busca trona-se obsessão, até que a sua paciência é recompensada e são reveladas evidências do paradeiro dele, mas Maya é a única que acredita a 100% nisso. Estará errada? Um filme realizado por Kathryn Bigelow, a primeira mulher a vencer um Oscar na categoria de Melhor Realizador com o filme "Estado de Guerra" em 2010. Portanto, é um filme duplamente feminista!



AS SUFRAGISTAS

A história inspiradora de mulheres trabalhadoras e nada privilegiadas de uma sociedade britânica cada vez mais radical, que se rebela e luta pelo direito ao voto da mulher. É o melhor filme para se ver no Dia da Mulher e reviver tudo aquilo pelo que temos vindo a reivindicar e que, por vezes, tomamos como certo. Além disso, o filme tem como estrelas Meryl Street, Helena Bonham Carter e Carey Mulligan.



BATALHA DOS SEXOS

A mítica Batalha dos Sexos ocorreu numa das partidas de ténis mais vistas de sempre (90 milhões de espectadores em todo o mundo), em 1973, entre a então atual campeã mundial feminina, Billie Jean King (Emma Stone) e o ex-campeão mundial Bobby Riggs (Steve Carell). Esta "batalha" esbordou as linhas do campo de ténis, pois foi um confronto de ideologias e uma luta intensa contra o machismo e um grito de revolta contra o patriarcado que assombrava os eventos desportivos e de alta competição. Ao mesmo tempo, serviu como ponto de partida para auto-descobertas e abertura de novas portas e de novas oportunidades. Inspirador!



ELEMENTOS SECRETOS

Este filme quase que dispensa apresentações, mas vou resumir em poucas linhas tudo aquilo que estas figuras representam. Uma equipa de mulheres afro-americanas é contratada pela NASA para integrar no U.S. Space Program. As descobertas feitas por estas mentes brilhantes, em tempos de segregação e discriminação de género, foram tão extraordinárias que conseguiram levar os EUA mais longe (ir ao espaço e acabar com algumas barreiras raciais). Estas mulheres são Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson) - que faleceu o mês passado, com 101 anos! -, Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe).



LIVRE

Cheryl (Reese Witherspoon) embarca numa busca pelo seu "eu" numa caminhada solitária de mais de 1000 quilómetros, com nenhuma preparação física, mas determinada em dar um novo rumo à sua vida e lutar contra fantasmas. Esta aventura vai ensiná-la a lidar com os perigos que uma mulher sozinha enfrenta, e com todas as outras dificuldades do percurso, mas no fim, tudo faz sentido.



RBG

Por fim, mas não menos importante, o documentário que conta a história absolutamente inspiradora de Ruth Baden Ginsburg, Juíza da Suprema Corte dos EUA, que lutou contra o preconceito e discriminação e se tornou um ícone. O documentário esteve nomeado para os Oscars de 2019 e eu nunca mais me vou esquecer desta história e desta mulher brilhante e absolutamente poderosa, que lutou contra todas as mentes tacanhas e pequenas e se sagrou campeã mundial de inteligência, discrição, sensatez e elegância. Depois podem ver a versão filme com "Uma Luta Desigual", mas não é a mesma coisa. Vejam esta história e deliciem-se!


Por fim, uma nota especial para esta série que eu nunca me vou cansar de sugerir:


HANDMAID'S TALE

Fundamental, obrigatória! Todas as pessoas, especialmente as mulheres, deviam ver esta série para perceberem onde é que podem chegar determinadas ideias, determinadas atitudes, ameaças, ideologias... E quão simples é irmos caindo nestas novas "normas". Let's rise!
Vejam!


Feliz Dia da Mulher,
suas Extraordinárias!





terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Oscars 2020



Foi dos anos que mais me custou ver os Oscars porque estava mesmo muito cansada (com umas 3 horas de sono), mas também mantive-me firme até às 4h30 da manhã porque precisava mesmo de saber quem ia ser consagrado o Melhor Filme. Vamos lá então ao resumo da madrugada!




Fiz as minhas previsões na semana anterior e, mesmo sem ter visto alguns dos filmes nomeados (e não me refiro só à categoria do melhor filme, claro), penso que já tinha visto uma amostra considerável que me iria permitir ter uma visão clara dos vencedores da noite. Acertei em 10 categorias e em 2 troquei-lhes os vencedores: achei que o 1917 venceria o Oscar de Melhor Edição de Som e afinal foi Ford Vs Ferrari; por sua vez, apostei neste último para vencer o Oscar de Melhor Mistura de Som e ganhou 1917. Não foi uma aposta certeira em ambas as categorias, mas falhei por pouquíssimo. Quanto ao Oscar principal da noite, acreditava que seria 1917 a levar a estátua para casa, não que já o tivesse visto, mas por causa de todo o hype e por tudo o que me foram descrevendo sobre o filme (que é uma obra de arte técnica). Mas dentro de mim, estava a torcer por Parasitas, apesar de achar que era impossível ganhar, especialmente depois de Bong Joon Hu ter ganho a melhor realização. E esta foi a minha grande surpresa da noite. Não por achar que não tem competência para vencer (tem, senhores, tem toda a competência!), mas porque achava que a Academia não iria ter coragem para entregar a estatueta mais importante a um grupo de sul coreanos que rompeu totalmente com o estilo Hollywood com o seu ParasitasFiquei genuinamente feliz e senti que a Academia me estava a compensar por não ter dado o Oscar ao Call Me By Your Name há uns 2 anos - ainda guardo ressentimento, que fazer? Além disso, considero-o um filme genial, como já fui escrevendo aqui no blog e no instagram. Talvez esta visibilidade permita que mais gente sinta curiosidade e alargue os seus horizontes cinematográficos e possa sair desta bolha americana de filmes de Hollywood.




A vitória de Joaquin Phoenix e Brad Pitt, como Melhor Ator e Melhor Ator Secundário, respetivamente, é mais do que merecida e estava praticamente garantida. Foi uma pena o Adam Driver ter concorrido no mesmo ano de Joker. Ele fez um trabalho brilhante em Marriage Story e merecia mais reconhecimento. Renée Zellweger e Laura Dern levaram as estatuetas de Melhor Atriz e Melhor Atriz Secundária. Não me posso pronunciar sobre a primeira porque ainda não vi o filme. Aliás, nesta categoria foi um desastre já que apenas vi 2 filmes: Bombshell (Charlize Theron) e Marriage Story (Scarlett Johansson), e tenho a dizer que por ter gostado tanto do último filme, gostava muito que a estatueta fosse recambiada para as mãozinhas da Scarlett. O mesmo poderia dizer sobre a sua prestação em Jojo Rabbit em que adorei a sua personagem e todo o conceito que estava incutido nela, mas a Laura Dern mereceu o reconhecimento.




Sobre os Argumentos Original e Adaptado, tenho a dizer que não foi uma surpresa ver o prémio ser entregue a Parasitas, porque se há argumento original, é este (um trocadilho que é bem verdade). A surpresa veio no argumento adaptado, entregue a Jojo Rabbit. Gostei de ver, sim senhora, é uma excelente categoria para se vencer e o filme tem uma premissa extraordinária (apesar de alguns detalhes que vão falhando). Mas confesso que aqui estava a torcer por Mulherzinhas da Greta Gerwig.




Sem surpresas nenhumas, Toy Story 4 ganhou o Oscar de Melhor Filme de Animação, Hair Love de Melhor Curta de Animação e Parasitas o Melhor Filme Estrangeiro. A banda sonora também não enganou e acabou nas mãos da querida Hildur Guðnadóttir - que foi uma agradável surpresa perceber que é uma mulher! - e que criou a banda sonora de Joker. Claro que Rocketman tinha que ter um galardão - não que concorde, mas tinha que ser... o Sir Elton John não saía dali de mãos a abanar, não é? - e por isso entregaram-lhe o prémio de melhor canção com (I'm Gonna) Love Me Again. Gostava muito que tivesse sido a música Stand Up do filme Harriet a vencer.




Quanto aos documentários, apenas vi Democracia em Vertigem e fiquei maravilhada com a qualidade da informação e a clareza dos dados demonstrados. Mas quem levou o Oscar para casa foi American Factory. Estou com mesmo muita curiosidade de ver Honeyland, que uma amiga me recomendou por retratar a Macedónia (um país que gostaria de conhecer) e depois de ver o trailer, gostava de ter a coragem de ver The Cave. Foi Learning to Skateboard in a War Zone (If You're a Girl) que venceu o prémio de Melhor Curta Documental. The Neighbor's Window levou o Oscar de Melhor Curta Metragem.




Falando agora das categorias mais técnicas, obviamente que 1917 ia levar para casa o prémio de Melhor Cinematografia, mas foi com algum espanto que o vi a vencer o de Melhores Efeitos Especiais (estava a apostar as minhas fichas no Rei Leão... ou até mesmo em Avengers: Endgame). Bombshell e Mulherzinhas venceram nas categorias de Melhor Caracterização e Melhor Guarda Roupa, respetivamente. Foram os únicos Oscars que levaram para casa e foram merecidos! Ford Vs. Ferrari ganhou a Melhor Edição e, por fim, Era uma vez em... Hollywood recebeu o segundo Oscar na categoria de Melhor Produção.

O claro vencedor da noite foi Parasitas com um total de 4 Oscars arrecadados, sendo todos em categorias ditas principais! Well done! A seguir, com 3 prémios ficou 1917 e com 2 Oscars cada, Joker, Ford Vs. Ferrari e Era uma vez em... Hollywood.




A cerimónia teve alguns momentos altos da noite. Começou bem, com uma apresentação da gira e talentosa Janelle Monaé que cantou Come Alive e fez algumas alterações à letra original. A atuação da Idina Menzel (ou Elsa do Frozen) em Into the Unknown foi das mais bonitas, porque juntou as diferentes Elsas de vários países que fazem a dobragem de Frozen. Cantam todas a mesma música, cada uma na sua própria língua. Foi um momento lindo de interculturalidade muito bem conseguido. Depois houve a belíssima atuação da Cynthia Erivo com a música nomeada Stand Up de Harriet. A Billie Eilish esteve bem na sua interpretação de Yesterday dos Beatles durante o In Memoriam.




Quanto aos discursos, gostei muito do da Laura Dern, do Brad Pitt e da Hildur Guðnadóttir. O do Joaquin Phoenix foi comovente, mas dramático. O homem não sorri uma única vez, o que é pena... Houve outros discursos bonitos e todos bastante rápidos, à exceção da Renée. Gostei imenso daquele acting entre a Maya Rudolph e a Kristen Wiig para a apresentação de algumas categorias ligadas à caracterização. Foi um diálogo esperto e bem conseguido!




Sobre coisas que desgostei da cerimónia: os longos e constantes intervalos - quase que desisti ali já a meio - e a atuação do Eminem. Eu sou fã dele desde que me lembro de gostar de música, mas ontem não senti que aquele fosse o local, o momento nem o público certo. Pareceu-me que se deram alguns problemas técnicos e o próprio Eminem aparenta estar embaixo de forma e a apresentação da mítica Lose Yourself ficou muito abaixo das suas competências. O que também estava muito "abaixo" eram as suas calças... Juro! Estive toda a atuação preocupadíssima com isso. E aquela barriguinha de 6 meses também é desnecessária.


No geral, não posso dizer que a cerimónia dos Oscars é algo de maravilhoso. Não é. É uma seca na maioria das vezes, mas o que importa é que continue a existir e que esta homenagem aos filmes e aos artistas continue a ser feita sempre com orgulho, rigor e respeito pela arte e pela vontade de contar histórias.





segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Countdown para os Oscars 2020



Quase a chegar uma das madrugadas mais esperadas do ano, vamos lá falar, ainda que resumidamente, sobre alguns dos filmes nomeados (ainda me falta ver O Irlandês, 1917 e Mulherzinhas). Se quiserem que esmiuce melhor algum deles, é só dizer!


8,1 IMDb

Posso dizer-vos que este foi dos meus filmes favoritos dos últimos tempos. É o meu sucessor de Call Me By Your Name. Daqueles filmes que me deixaram tão feliz de os ter visto que nem os quero rever, com medo de perder a magia. Sei que esta opinião não é consensual e que muita gente achou uma história simples, parada, sem grande conteúdo… Eu fiquei assoberbada pelo trabalho do casal (Scarlett Johansson e Adam Driver) que mereciam ser cobertos de prémios e nomeações para o resto da vida. Os diálogos são do melhor que vi nos últimos tempos no cinema. Reais, comuns (tão comuns que são mesmo difíceis de passar para a ficção), asfixiantes, como a vida também o é, por vezes… E os pequenos detalhes… Que maravilha de detalhes que nos vão dando… Quando tento falar de Marriage Story fico sempre longe de transmitir o que penso e o que senti ao ver o filme. Faltam-me palavras no meu vocabulário para exprimir todas as emoções, todos confrontos internos que fui sentindo. Este filme é quase uma câmara ligada e a vida a acontecer à frente, cheia de imprevistos, de desilusões, de ilusões, de amores que (nunca realmente) acabam, de famílias que se desintegram, de lutas de corações partidos em mil bocadinhos, de tristeza profunda por se falhar num projeto de vida…

Tenho mesmo que referir os meus dois planos favoritos da história, porque carregam em si toda a história do filme em 10 segundos: o momento em que juntos fecham o portão que avariou e o olhar que ambos trocam (na fotografia em cima). Um de cada lado, separados, afastados e a fecharem-se… Que triste que foi aquela cena minúscula, sem uma palavra, só com o olhar. E no final, quando ela lhe aperta, muito naturalmente, os cordões, que representa precisamente o oposto: a redenção, a paz de espírito e o conforto em saber que aqueles corações vão sempre ficar unidos, de uma maneira ou de outra.

Marriage Story é uma delícia de filme e vai ter sempre um canto muito, muito, muito especial no meu coração.


7,7 IMDb

O Tarantino é mestre. Ponto final. Não aceito que digam o contrário e chiu, porque o blog é meu. Podem identificar-se com este estilo ou não, mas é impossível dizer que os filmes são maus. Se disserem, tomo isto como uma ofensa e deixamos já de ser amigos.

Fui ao cinema no verão ver esta obra prima que juntava SÓ dois dos meus atores favoritos E um dos meus realizadores favoritos: parecia um sonho! E o filme é, de facto, um momento delicioso. Não é  um filme TÃO Tarantino (e os fãs dele irão compreender o que quero dizer), mas é indubitavelmente dele. A trágica história é conhecida do público em geral: Charles Manson e Sharon Tate. Porém,  o realizador decide misturar no enredo a vida de um ator em declínio (Leonardo Di Caprio) e do seu amigo, companheiro, guarda-costas e faz-tudo (Brad Pitt). Há cenas brilhantes, cheias de humor, segundas interpretações, com pitadas de referências da época e o cenário é absolutamente espetacular e fiel à Hollywood Western. Porém, nada nos prepara para o fim do filme, que apesar de já conhecermos a história, nunca nos podemos esquecer que estamos perante uma obra de Tarantino!


8,6 IMDb

Esta obra prima do cinema tem tanto de genial como de alucinado (talvez uma coisa esteja diretamente ligada à outra). Não ia com grande expectativa, mas a sinopse deixou-me intrigada (ainda nem se falava na possibilidade deste filme ser nomeado para coisa nenhuma). Fiquei de boca aberta no final com a originalidade do guião, da forma como a história é conduzida e as peças interligadas - aqui não há pontas soltas - e tudo faz sentido, ainda que seja um sentido absurdo... É uma caricatura perfeita do modo de vida coreano (aliás, o realizador já veio comprovar isso) onde o fosso entre classes é tão profundo que leva um lado a cometer as maiores loucuras para passar para a outra margem. Acima de tudo, Parasitas é um filme que nos faz questionar valores, pontos de vista, contextos, pormo-nos no lugar da outra pessoa e agradecer aos santinhos por não sermos ela.
Se querem um filme totalmente out of the box para ver, não procurem mais!


8,2 IMDb
Christian Bale é dos meus atores favoritos (meu e de meio mundo, claro) e, por isso, fiquei curiosa com este filme. É uma história verídica de um antigo piloto e de um engenheiro mecânico e piloto que aceitam o desafio da Ford para criar um carro capaz de vencer a Ferrari na prova Le Mans que dura 24 horas! As personalidades de ambos e, claro, o projeto praticamente impossível tornam o filme totalmente delicioso e viciante. Queremos sempre ver mais, saber o que acontece depois, sofrer com eles,... É um ótimo filme, com excelentes atores e boas imagens.


8,0 IMDb
Este era o filme que eu mais aguardava para ver (agora é Mulherzinhas) porque mete a Scarlett Johansson e o tema é a II Guerra Mundial. O trailer do filme é surreal e ainda aguça mais a vontade de o ver porque é, admirem-se, uma comédia! E vocês perguntam "Como assim, uma comédia quando o tema é o nazismo?" Claro que quando começamos a ver o filme entendemos que nada daquilo é, de facto, cómico, mas um sarcasmo e uma paródia aos últimos dias de Hitler no poder e a forma como as crianças eram disciplinadas para pertencer e abraçar aquela ideologia. No meio existem momentos bem tristes, sem nunca serem dramáticos. Na verdade também não há momentos extremamente cómicos... O filme fica ali no limbo, sem ser carne nem peixe e sem um ponto alto. Fiquei apaixonada com a personagem de Scarlett, apesar de achar que não lhe foi dado o protagonismo e o final merecido (há muitas coisas que ficam por explicar) e de Taika Waititi (realizador e ator no papel de Hitler) que é uma lufada de ar fresco. Não é uma obra de arte, mas de uma coisa podem ter a certeza: é um filme muito original!


8,2 IMDb
Posso arriscar dizer que este foi um dos filmes mais incríveis que vi para os Oscars (ali no top 3). De verdade. Eu sei que o Natal é o meu ponto fraco, mas fiquei realmente deliciada depois de ter visto Klaus. A história é tão bem contada, tão fresca, tão nova, tão maravilhosamente encadeada pelos pontos certos que é daqueles filmes que devem ser vistos sempre que nos esquecermos das coisas mais importantes da vida: os amigos, a generosidade, o dar sem esperar receber, a solidariedade, a partilha e o conhecimento. Arrisco-me a dizer que se tiverem que ver só um filme desta lista, aconselho-vos a verem este. No domingo vou torcer para que ganhe o Oscar de melhor Animação.


Sobre o Joker, já vos falei dele neste post. Também já vi outros filmes nomeados para outras categorias e aconselho-vos vivamente a ver Bombshell (relata o escândalo de assédio sexual na Fox News) e Os Dois Papas (um filme quase introspectivo do momento de transição do Papa Bento XVI para o Papa Francisco). Não gostei de Knives Out (demasiado longo, óbvio e aborrecido). Adorei o documentário Democracia em Vertigem que fala sobre a história do Brasil durante o governo de Lula e de Dilma, até Bolsonaro. Fiquei com uma perspetiva totalmente diferente do que se passou. Aconselho!


E que filmes incríveis é que vocês têm andado a ver?





quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

2019: o best of!

Ainda sobre 2019, achei importante fazer um apanhado das coisas memobouas que fui lendo e vendo, mais que não seja para me recordar delas no futuro. Também costumam fazer o vosso best of ou nem por isso? Vejam lá se concordam com o meu:


Os melhores filmes que vi em 2019
Quando vi Green Book achei que o ano estava fechado por ali. Enganei-me. Chegou o Era uma vez em... Hollywood e eu fiquei tola com a genialidade e personalidade do Tarantino (mais uma vez) e com as interpretações fenomenais dos três atores principais. A seguir vi Parasite e, sem saber ao que ia, fiquei assoberbada. Que história tão absurdamente maravilhosa que nem dá para explicar, tem mesmo que ser vista. Depois veio a jóia do ano: Joker, sobre o qual já falei no blog e já vi 2 vezes. Esta obra de arte está taco a taco com Marriage Story. Foi dos últimos filmes que vi em 2019 e fiquei maravilhada com a beleza das relações humanas (e as suas constantes metamorfoses) e com a dura realidade que afeta qualquer um de nós. É toda uma história feita de amor e cumplicidade a um nível tão real que mói. Senti por Marriage Story o mesmo que quando vi Call Me By Your Name: que me vão acompanhar para a vida. Foi um filme que tocou ali nas profundezas da alma e é uma bela obra de arte. Menção honrosa para Avengers e Star Wars (óbvio!!!).


As melhores séries que vi em 2019
Vi imensas séries em 2019, mas estas foram as que mais me surpreenderam. Peaky Blinders vai ficar confortavelmente no meu top de séries por largos anos, acredito. Nunca me tinha acontecido ficar tão viciada numa série como com esta ao ponto de a ver toda numa semana (e não, não estava de férias!). Black Mirror não teve a melhor temporada de sempre, mas ainda assim, mais genial do que a grande maioria (ao contrário, por exemplo, de Game of Thrones). Handmaid's Tale é das melhores coisas que existe na TV e, como já disse antes, deveria ser de visualização obrigatória. The Crown voltou em grande com a Olivia Coleman e com a Helena Bonham Carter, o que por si só, já é um acontecimento e merece estar no pódio. Por fim, The Witcher foi a minha surpresa mais recente. Vi a primeira temporada num ápice e estou a aguardar ansiosamente novidades. Se gostam do mood Game of Thrones, então é ponham-na na lista. E não, Vikings não está sequer numa menção honrosa... 


As melhores séries-documentais que vi em 2019
Chernobyl é, sem sombra de dúvidas, a mais incrível série documental do ano. Consegue explorar esta tragédia e explicar tudo ao detalhe como se nós, meros espectadores, tivéssemos 4 anos. Fenomenal. Mindhunter foi outra série que devorei. Baseada em factos verídicos - claro, caso contrário não estaria nesta categoria - e cheia de detalhes on point que demonstram o desenvolvimento da investigação através de perfis (digamos que é o que deu início a Mentes Criminosas). When They See Us é assustador. É a história verdadeira de 5 rapazes que foram injustamente acusados de uma violação e de todos os erros, falhas e preconceitos que aconteceram ao longo da investigação que permitiram que isto acontecesse. Vale a pena ver. É por histórias como estas que eu sou muito pouco crente na ideia da pena de morte... Mas isso é outra discussão. A última série que vi (em 2 dias) foi Unbelievable. Uma investigação real sobre um violador em série. Está extremamente bem feita, com grandes atrizes (especialmente a Toni Collette). Por fim, um documentário de verdade (não uma encenação), Free Solo. Já escrevi sobre este documentário aqui no blog e acho-o um boost de motivação e inspiração. Perfeito para ver no início do ano! Além disso, está tecnicamente perfeito - não foi à toa que venceu o Oscar, não é?


Os melhores livros que li em 2019
Mataram a Cotovia foi o melhor livro que li em 2019 e dos meus favoritos de todo o sempre. A escrita é simples e muito rica ao mesmo tempo, cheia de detalhes, mas sem ser aborrecida, faz com que o leitor se sinta dentro da história, a correr em frente ao portão do vizinho ou a ir bater-lhe à porta com as mãos a suar. É absolutamente maravilhoso. Gostei tanto que o li em 2 dias. Depois vem O Deus das Moscas. Uma amiga disse-me que quando pensa em terror, pensa nesse livro e eu concordo com ela. É terrível quando nós vemos o que seríamos capazes de fazer numa situação semelhante. Um livro marcante, sem dúvida. O Admirável Mundo Novo é um clássico obrigatório. Não é de leitura fácil, mas vale a pena. Eu não sou fã de ficção científica, mas ainda assim fiquei assoberbada com esta obra. Venha agora o 1984, que já está na minha mesinha de cabeceira. O Grande Gatsby é a minha história de amor favorita e o Jay Gatsby é das personagens que mais gosto. O livro é uma delícia (e pequenino, lê-se num instante!). Por fim, Sapiens: Uma Breve História sobre a Humanidade é um livro que me acompanhou ao longo de quase todo 2019 - é muito grande e é quase uma enciclopédica, sentia a necessidade de ir lendo outros livros entretanto. Ainda não o terminei, mas faltam-me nem 50 páginas, portanto já posso falar sobre ele. É obrigatório para quem quer saber mais sobre tudo, sobre onde viemos, sobre a génese das coisas, sobre a criação de conceitos e preconceitos, tudo. É um ótimo livro de cultura geral que eu aconselho a toda a gente.


E o vosso best of qual é?





segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Joker

Joker


Joker. O fucking filme.


Sempre estive no team dos que diziam que "ninguém ultrapassará Heath Ledger como Joker. Nunca. Ninguém." Acreditei piamente nisso mesmo quando vi que Jared Leto ia interpretar a personagem em Suicide Squad. Acho-o muito bom ator, mas não... Ninguém ia ultrapassar Heath. Foi quando saiu a notícia de que Joaquin Phoenix ia ser o próximo Joker que as minhas crenças desmoronaram e a vida provou de novo que eu não sou feita para ter ideias fixas. Caraças, é que o Joaquin Phoenix deve ser o único ator que eu imaginava a fazer de Joker como ninguém - e pisco aqui o olho ao Jake Gyllenhaal também, vá. Quando saiu a notícia, um primo enviou-me uma mensagem a perguntar-me "Será que vai ser bom?" e eu respondi-lhe "Vai ser o melhor de todos."


E é. Já estava à espera que fosse um filme do caraças, mas não esperava que me deixasse verdadeiramente desconfortável. E eu acho que Joker é isso mesmo: um filme muito desconfortável. Senti-me indisposta, inquieta - constantemente a trocar de posição na cadeira -, realmente incomodada e profundamente triste com o que estava a ver. 


Acho que Joker é dos filmes que melhor retrata o que é sofrer de uma doença mental e de solidão.


Mas para dar um contexto, - se é que ainda é preciso - Joker é o grande inimigo de Batman - e se ainda não viram os filmes do Christopher Nolan, não sei o que andam a fazer nesta vida - e o que verdadeiramente se chama de psicopata. Não demonstra qualquer emoção, entusiasma-se no meio do caos, não tem qualquer problema em inflingir dor a si próprio ou aos outros... Enfim, um pesadelo. E sempre foi assim que conhecemos Joker - só Joker, sem nome ou apelido - como se ele aparecesse do nada, assim, doido varrido e desejoso de deixar um rasto de sangue por onde passava. Neste filme ficamos a conhecer Arthur Fleck, ou Happy, o nome que a mãe o tratava. Arthur é um homem bom e muito só, que toma conta da mãe doente e que durante o dia trabalha como palhaço profissional, mas sonha com uma carreira em stand-up comedy. Arthur sofre também de uma doença mental que o faz rir sem se conseguir controlar em situações de medo ou de pânico, o que o deixa em maus lençóis várias vezes. Arthur é o "esquisitinho". Todos nós conhecemos um, certo? É aquela pessoa que não faz mal a ninguém, mas também não se consegue expressar, não consegue criar uma ligação "normal" e que acaba por se isolar. Todos nós conhecemos um Arthur, não conhecemos? Pois... Foi nisso que eu estive a pensar durante todo o filme. Todos nós já fomos injustos, rudes, indelicados, incompreensivos, de julgamento rápido com pessoas que não conhecemos ou que não conseguimos entender porque são muito "diferentes" de nós.




Joker é um filme FUNDAMENTAL para os dias que correm. É uma facada no coração, é um estalo na cara de cada um de nós, que nos julgamos sempre tão superiores ou que andamos sempre tão distraídos e que não nos conseguimos pôr no lugar do outro. Eu saí do cinema tristíssima. Tão triste que nem conseguia chorar. Um criminoso não nasce - à partida - um criminoso. Um criminoso - à partida! - nasce de um contexto familiar disfuncional, de experiências sociais traumáticas, de constantes negações, do bullying generalizado, da incompreensão, dos nomes depreciativos... Um criminoso é feito de cada uma dessas camadas e mais algumas. Tal como Joker.


Este filme teve de tudo: uma família disfuncional, traumas de infância, maus tratos, discriminação, "colegas" chicos-espertos, bullying (que hoje em dia se considera cyber-bullying), desilusões, desemprego, crise, roubos, espancamentos... Tudo. Foi nesta panela de pressão que se cozinhou Joker. E esta evolução Arthur-Joker foi tão clara, tão explícita, tão real que me deixou apavorada. 


Qualquer um pode tornar-se um psicopata. Qualquer um.


Joaquin Phoenix fez um trabalho fenomenal  - e o Oscar já é dele. Perdeu mais quilos do que devia ser permitido, mudou a sua expressão facial - os olhos mais tristes que eu já vi -, o riso macabro, o jeito de andar... Nada ali era Phoenix. Era tudo Arthur. Mas no meio de tudo isto, não podemos comparar com Heath Ledger por dois motivos: 1) porque o Heath era o Joker, já com todo um passado que não foi explicado e o Joaquin construiu a personagem, o que nos torna mais empáticos. 2) porque neste filme o Joker é a personagem principal e o Joker de Ledger era uma personagem secundária (o Batman era a principal). Portanto, não vamos cair em comparações - por mais difícil que seja, que eu também já cometi esse erro logo no início do texto.




Este filme é também essencial nos dias que correm porque fez com que se debatessem assuntos muito sérios sobre as doenças mentais (e como a sociedade não está preparada para lidar com elas), sobre o bullying e também sobre a exposição à violência. Há quem acredite que ver filmes como Joker vai aumentar a probabilidade de nos tornarmos todos psicopatas e imitarmos o seu comportamento. Eu tenho uma opinião sobre isto, que vai de encontro ao que os estudos dizem: não há relação. Tanto não há como eu não vejo todas as pessoas da minha idade e mais novos a falar com árvores - e olhem que fomos altamente expostos a doses exageradas de Floribella! Li num post do Nuno Markl no seu Instagram que dizia o seguinte: "... a mim só me faz espécie que as pessoas que consideram Joker um filme capaz de inspirar 'lunáticos' a matar 'gente sã', não veja que, se calhar, também está aqui um filme capaz de inspirar 'gente sã' a estender a mão a 'lunáticos' antes que seja tarde demais". E, no fundo, isto diz tudo sobre Joker.


Depois também há quem defenda que este filme está diretamente relacionado com o ser uma crítica direta a Trump. Eu cá não acho isso. Eu acho que Joker é um abre-olhos para a sociedade no geral: olhem como é que o vosso país vai ficar se continuarem a votar em imbecis como o Trump. E acreditem ou não, mas este filme fez-me ter um cuidado redobrado e ajudou-me a tomar uma decisão sobre em quem votar no domingo e sobre aquilo que eu quero evitar numa sociedade.


Há tanto, mas tanto para dizer sobre o Joker e em particular sobre o trabalho fenomenal de Joaquin Phoenix e Todd Phillips, mas gostava mesmo que fossem ao cinema ver com os vossos próprios olhos. Preparem-se para ficarem arrepiados do início ao fim. Eu ainda estou.




Ah e todos os candidatos aos Oscars de 2020: foi um mau ano para vocês concorrerem. Em 2021 há mais.


quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Must-See

É indiscutível que eu sou uma fanática por cinema. Adoro filmes, séries e até documentários. Desde que sejam de qualidade e/ou abordem uma temática que me interessa, eu estou nessa. Mas os próximos tempos trazem novidades maravilhosas que eu não quero, de todo perder. Nem quero que vocês percam. Por isso, apontem aí na vossa agenda:

SÉRIES


No campo das séries não podemos ignorar o lançamento da 5ª temporada de Peaky Blinders - que já saiu no Reino Unido - que acontece em outubro, by order of Peaky Blinders, claro. Já não dá para aguentar as saudades da família Shelby, pois não? Ainda por cima, esta temporada vai ter um upgrade: Sam Claflin.



A 17 de novembro voltamos a entrar pela porta da frente do Buckingham Palace e acompanhar o dia a dia da Queen Elizabeth. Estou a falar, claro, de The Crown. Adorei ver a série e aguardo a nova temporada. Desta vez vamos ter um avanço no tempo e Olivia Coleman vai substituir Claire Foy no papel principal de rainha. Mas as boas notícias não acabam aqui... A "minha" Helena Bonham Carter também vai fazer parte do elenco e transformar-se em Princesa Margaret!


Estamos conversados a nível das séries. Vamos falar de filmes:


FILMES


Começo por um que já estreou em agosto e que eu sublinho e risco até furar a página que é OBRIGATÓRIO! Não entendam isto como uma sugestão, mas como uma ordem, um dever cívico. Toda a gente deve ver Once Upon A Time... In Hollywood de Quentin Tarantino. Nunca escondi aqui que sou mega fã deste senhor ao ponto de levar o meu pequeno irmão, há 10 anos, a ver o Sacanas Sem Lei no cinema. Ficou chocado, claro - era tão novinho e não estava pronto para aquela violência -, mas imediatamente convertido a esta religião Tarantiana. Somos seguidores fiéis e claro que já tratamos de ir ao cinema ver a sua mais recente obra de arte. Talvez dedique um post só a este filme. Aqui deixo só mesmo a nota: IDE, MEUS FILHOS, ide e saboreiem o que se faz de melhor no cinema dos dias de hoje.

P.S. Ainda não estás convencida? Olha que entra o Brad Pitt E o DiCaprio. Sim. "E". Ambos "os dois". Estão a dar tudo... É a loucura!



Se há filme que eu estou a fazer risquinhos na parede para assistir é Joker. Tem todos os ingredientes que se pede para que seja um filme do caraças: Joaquin Phoenix, Joaquin Phoenix e Joaquin Phoenix. Pronto... Há outras coisas extraordinárias neste projeto também, tais como ter vencido um Leão de Ouro em Veneza, ter sido ovacionado por 8 minutos no mesmo festival, oferecer-nos uma perspetiva diferente da personagem ao público, torná-la mais real, mais humana e fácil de "acreditar" e, por isso, de nos envolver. Enfim, acho que o Joaquin Phoenix teve um desafio épico: recriar esta mítica personagem que foi brilhantemente desempenhada por Heath Ledger e que eu acreditava ser quase impossível de superar. Pensei isto até anunciarem o nome de Phoenix para o papel. Aí disse logo que ia ser O Joker. E tenho provas escritas!!! Venha de lá outubro para isto!



Eu acho que ainda não tinha dito aqui, mas quando fiquei órfã de série (depois de devorar 4 temporadas de Peaky Blinders em 1 semana) não sabia que fazer. Uma noite lembrei-me de ir cutucar o episódio 1 de Downton Abbey que tinha ficado a meio há algum tempo - não me despertou grande interesse na altura, mas decidi dar-lhe uma segunda oportunidade. Em pouco tempo liguei-me àquela família de verdade e só me apetecia tratar o meu Pai por "Papáah!", como só a Mary consegue pronunciar, e usar luvas até ao cimo do braço. Foi com espanto, pela coincidência, que percebi que o filme de Downton Abbey estava prestes a estrear! Agora aguardo ansiosa para voltar a encontrar-me com os meujamigos todos, como a Mary, a Cora, a Anna, a Daisy e, especialmente, a Tia Violet!



Não é segredo que sou mega fã de Frozen - sou a Elsa! -, da história do Frozen, das personagens do Frozen, das músicas do Frozen, dos brinquedos do Frozen... Já perceberam, não já? Claro que mal posso esperar pela segunda parte desta história! A ver se volto a ser "comidinha de cebolada" com o enredo... Alguém desconfiou das intenções daquele príncipe manhoso no primeiro filme? Eu fiquei em choque!



Last, but not the least, O Pintassilgo. Provavelmente ainda não ouviram falar. Eu própria mal me apercebi que este filme ia acontecer, mas chamou-me a atenção porque eu já li o livro - um pequeno calhamaço de umas 800 páginas, se bem me lembro. Não fiquei apaixonada pela história nem pela escrita, mas lembro-me que gostei e entreteve-me ao longo de uma semana de férias no Algarve. Quero ver para dar imagem àquilo que imaginei na minha mente e para ver obras de arte, que é o que se quer desta vida, né? Isso e uvas docinhas e fresquinhas.