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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Assim Nasce uma Estrela



Confesso que comecei a ver com algum preconceito. Não tanto como antes, porque entretanto já tinha ouvido dizer muito bem dele, mas Assim Nasce uma Estrela tem ali uma combinação de coisas que me desagradam à partida: uma história cliché e previsível - que o é, vamos todos admitir -, um quase-musical - que é melhor que um musical, mas ainda assim... - e a Lady Gaga.


Estava muito pronta para não gostar do filme, para resistir à moda de dizer maravilhas sobre ele, de gozar com a história melo-dramático-coiso, mas correu tudo mal. 


Eu gostei do filme. Pronto, já disse.


Se é a última Coca-Cola no deserto? Se fiquei assoberbada? Se vou recomendá-lo a todos os meus amigos? Bom, isso não. E acho que é um filme para ser nomeado para os Oscars? Também não, mas o Black Panther está na lista, portanto, why not?


O filme conta a história de Jackson, um cantor famosíssimo, mas em decadência devido ao álcool, drogas e depressão, que conhece Ally numa feliz coincidência, quando vai a um bar e a ouve cantar La Vie en Rose. Os dois apaixonam-se e Jack ajuda Ally a tornar-se, também ela uma estrela. Porém, os comportamentos autodestrutivos de Jack trazem o drama e o desespero para a história. Não vou fazer spoilers, mas a história é, basicamente esta. Uma história de amor que é toda flores e unicórnios no início e que termina mal... Muito mal.


Portanto, tal como eu disse no início, um cliché. E não há nada de errado em ser um cliché super previsível, até porque o que importa é como a história é contada, bem como todos os pequenos pormenores que são acrescentados ao filme e que o tornam especial. São aqueles pequeninos apontamentos do nosso quotidiano, de como as relações reais são que faz com que seja fácil de gostarmos e de nos relacionarmos com esta história. E aqui é preciso dar a mão à palmatória: a Lady Gaga está muito bem neste filme. Mesmo, mesmo muito bem. Como cantora e como atriz. A miúda tem talento, é genuína, e é perfeita para este papel de Ally. Merece, sem dúvida, a nomeação para Melhor Atriz - mas não merece ganhar, está bem? É só mesmo a nomeação! Conseguimos vê-la por trás de toda aquela produção das perucas estranhas, das maquilhagens exageradas e dos vestidos de bife do lombo. Que bom que é vê-la assim. Já o Bradley Cooper, que dizer, ele está sempre bem, sempre muito dentro da personagem, por vezes até de forma perturbadora.




As músicas são bonitas, muito mais bonitas de ver no filme do que de as ouvir na rádio sem contexto. E mais uma vez, a Lady Gaga está de parabéns. Escusado será dizer que a minha favorita é La Vie En Rose, que nunca achei poder gostar quaaaaaaase tanto de uma versão como da original. E olhem que a Madonna tentou e não deu certo. Depois de a ouvir cantar isto - e eu sei que ela cantaria tão bem ao vivo como na gravação - só consigo pensar: como é que esta rapariga anda a cantar "Ra Ra Ra a a, Roma Roma Ma" e outras porcarias que só escondem o verdadeiro talento dela? Que pena que é.


Assim Nasce uma Estrela é um filme bonito de se ver, com um guião consistente e com diálogos belíssimos e esses sim, muito pouco cliché. O Bradley Cooper fez um bom trabalho não só como ator, mas também como realizador - que grande estreia nestas andanças. Há ângulos bonitos, há luz e momentos absolutamente deliciosos do ponto de vista técnico. Podemos dizer que o filme vale no todo, pelas músicas, que não sendo extraordinárias, são perfeitas para o contexto, pelos atores, pela história, mesmo cliché,... Bom, é um todo.


Esta cena e a que se sucedeu aos Grammy's foram as minhas favoritas.


Sei também que este filme já foi adaptado várias vezes e eu não vi, nem me lembro de ouvir falar de nenhuma delas, portanto, não posso comparar. Mas posso dizer que esta versão acompanha o avanço dos tempos, do meio, do marketing, da criação de personas - e ninguém sabe melhor sobre isso que a própria da Lady Gaga! - e do negócio virado para o lucro, sempre o lucro.


Vale a pena ver.


Assim Nasce Uma Estrela
(2018)
de Bradley Cooper
com Bradley Cooper, Lady Gaga e Sam Elliott


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Leave No Trace


Leave No Trace é um filme profundo, mas calmo, sobre a dificuldade de nos integrarmos, de ultrapassarmos traumas e de estabelecermos barreiras entre o amor incondicional e o egoísmo.


É uma história contada de forma inteligente, sem floreados ou rodeios, sem romantizar nada nem ninguém. Um guião de falas escassas, apenas as necessárias. E não precisamos mesmo de mais. Conseguimos perceber tudo pela profundidade das personagens e dos seus modos. A banda sonora é muito, muito discreta, para não dizer quase inexistente. Na verdade, tudo o que é secundário é perfeitamente dispensado, e por isso, não precisa de existir em demasia ou de todo. Tal como acreditam os protagonistas.


No fim do filme ficamos "só com o essencial", um sentimento de compreensão por um pai que tenta fazer o melhor que pode e que sabe, mas não consegue parar de fugir dos seus medos, e uma filha que gostava de ter um local, por mais simples que fosse, para chamar casa.


A jornada de ambos acaba por se ir separando, com o tempo, porque ambos precisam de coisas diferentes, mas nunca duvidaram do quanto precisam um do outro. E, por vezes, a melhor forma de amar, cuidar e respeitar o outro, é deixá-lo ir.


Dentro do género, continuo a preferir sempre o meu eterno Capitão Fantástico, mas este Leave No Trace, merece mesmo ser visto! Com interpretações belíssimas de ambos os atores, com cenas repletas de momentos de grande profundidade, dúvida e tristeza.


Um filme aparentemente simples, onde não existem dramas intensos, tiros, violência, cenas desconfortáveis, mas cheio de pormenores profundos, inteligentes e heartbreakers.


Sem julgamentos. Apenas compaixão.


Leave No Trace
(2018)
de Debra Granik
com Ben Foster e Thomasin McKenzie



quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

You


Já que a semana passada vos falei de um filme - lembram-se? Não? Então revejam aqui o que eu disse sobre o BlacKkKlansman: O Infiltrado - esta falo-vos de uma série. A mais recente queridinha da Netflix chama-se You e tem como protagonista o Lonely Boy mais famoso da televisão, Penn Badgley, ou então Dan Humphrey, mais conhecido por Gossip Girl.


You é uma visão twisted sobre o amor e as relações numa época em que a vida gira à volta das redes sociais.


Joe Goldberg (Penn Badgley) é o dono de uma livraria e é absolutamente apaixonado por livros, especialmente os raros e primeiras edições. Tudo estava normal até Beck (Elizabeth Lail) entrar na sua loja e arrebatar o seu coração. Os dois trocam algumas palavras e nós, espectadores, sabemos sempre o que o protagonista está a pensar, já que ele é o narrador. Percebemos no momento que há ali uma crescente obsessão. A partir daí Joe simula, manipula, persegue, rouba, e faz coisas muito piores para conseguir ter o amor de Beck - não é difícil de fazer aqui um paralelo com a personagem de Penn em Gossip Girl, pois não?




É claro que que Joe é um psicopata encoberto pelo ar de um homem sensível, carinhoso e com bastantes problemas do seu passado. Mas Beck não se fica atrás. Esta personagem é uma miúda frágil, insegura, que deseja a atenção dos homens - super daddy issues! - que vive uma vida que não pode suportar para tentar mostrar ser alguém que não é. Joe consegue perceber tudo isso no momento em que se senta em frente ao computador e vasculha vida de Beck através das redes sociais. Consegue até encontrar a morada e muitas outras informações pessoais - é aqui que nos perguntamos que raio andamos nós a postar online de forma inocente e que pode ser tão, mas tão perigoso se essas informações caírem nas mãos erradas...


A série está cheia de clichés, mas serve para nos mostrar que devemos ter muito cuidado com aquilo que escolhemos partilhar nas redes sociais.


Quanto à série em si, apesar de ser bastante cliché e, por vezes, óbvia, tem momentos de tensão, de suspense e consegue captar a nossa atenção, mais para o meio da temporada, não logo no início. A perversidade e a doença de Joe vai tornando-se mais grave e assustadora a cada episódio. Mas ao mesmo tempo, vemos que também pode ter bom coração ao ajudar o seu pequeno vizinho Paco. Já Beck mantém-se uma mulher confusa, que não sabe o que quer, que encontra sempre forma de piorar uma situação e que não percebe quando está a ser manipulada, quer por Joe, quer pelas amigas. Em particular pela Peach (Shay Mitchell), que é uma bitch - mas que, admito, é a minha personagem favorita de todas - que tem uma estranha obsessão por Beck, mas ainda assim parece ser a que mais se importa com ela. Nesta série nenhuma personagem é só boa ou só má. Há um misto de ambas as características que nos leva a gostar ou a não gostar da mesma personagem em menos de um episódio... Como na vida real, certo?




A série tem falhas, não é memorável, mas é um bom corta-sabores para passarem de uma série mais complexa para outra.


Ah! E quanto às histórias de haver por aí muito mulherio a suspirar por um Joe Goldberg nas suas vidas, penso exatamente o mesmo que em relação ao Christian Grey: COI-TA-DAS!


You
de Greg Berlanti e Sera Gamble
Com Penn Badgley, Elizabeth Lail, Shay Mitchell



quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

BlaKkKlansman: O Infiltrado


BlaKkKlansman é uma história dos anos 70 sobre um jovem negro que sonha ser polícia, sem se importar com a descriminação racial que reinava naquela altura.


Ron concretiza o seu sonho de entrar na academia e, rapidamente, começa a marcar a diferença na missão de desmascarar a seita Ku Klux Klan. E como é que decide fazer isso? Entrando em contacto telefónico com um elemento da seita e fazendo-se passar por um homem branco, racista, que partilha dos mesmos ideais. 


Rapidamente é aceite no grupo.


Isto parece o início de uma anedota, mas a verdade é que esta história é verídica, o que torna tudo muito mais surreal.


Depois deste primeiro contacto bem sucedido, era preciso arranjar um "rosto branco" para Ron se apresentar aos seus novos comparsas. É aí que entra o seu companheiro Flip, que se faz passar por ele e ambos atuam em conjunto para conseguirem infiltrar e conhecer ao pormenor a hierarquia, os elementos envolvidos e os movimentos da seita. Sempre com Ron ao telefone e Flip a aparecer nas reuniões.




Ambos conseguem entrar em contacto com vários elementos e participar em eventos importantes, o que faz com que pudessem descobrir os seus planos de ataque a tempo de os evitar.


Spike Lee pega numa história verídica e narra-a de forma leve e descontraída, sem a tornar desrespeitosa ou leviana. Pega numa história caricata, mas horrível e transforma-a numa espécie de comédia-negra, com um diálogo irrepreensível, com factos verídicos misturados à ficção, com violência e com muita desumanidade. E ainda assim, BlacKkKlansman é um filme que chama a atenção para esta época  triste e violenta da América de uma forma original, sem ser dramática ou pesadona.




Eu não acho coincidência este filme ter saído nesta altura em que existem Trumps e Bolsonaros aos pontapés. E acho cada vez mais importante que apareçam filmes destes. Muitos e bons. E que sejam de visualização obrigatória nas escolas deste mundo fora, porque o mundo está a ficar cego de ódios vários e a história tende a repetir-se. E isso assusta-me.


Quanto à realização, acho que o Spike Lee fez um trabalho brilhante. Há dinamismo, há comédia, há drama, há suspense, um guião cómico e inteligente e o elenco é soberbo. Spike Lee mostrou-nos uma nova forma de contar histórias e eu aconselho-vos mesmo a ver.


BlacKkKlansman: O Infiltrado
de Spike Lee
com John David Washington, Adam Driver, Topher Grace, Jasper Paakkonen, Laura Harrier 



domingo, 30 de dezembro de 2018

Top Cinema de 2018

Não poderia terminar o meu ano sem fazer um Top 5 dos meus filmes e séries favoritos do ano, certo? Foi um ano fértil em cinema, como sempre, o que prejudicou grandemente as minhas leituras - uma vergonha. Mas vamos lá falar sobre o que de melhor vi em 2018. Se ainda não viram, tratem disso o mais rápido possível!


Os meus 5 filmes favoritos
Aviso que estou com alguns problemas de memória e é muito provável que me tenham escapado alguns bem bons! O que é mais do que certo é que o primeiro foi o mais marcante para mim.


Em 5º lugar

Deadpool 2
Nunca falha. Adoro Deadpool porque é tudo aquilo que menos esperamos ver num super-herói. Adoro o conceito e em particular o guião, que não seria nada sem a brilhante interpretação do fofo do Ryan Reynolds. Mas deixo já aqui escrito que tudo, e mesmo TUDO, o que é Marvel está no meu Top sem ser preciso mencionar.


Em 4º lugar

BlacKkKlansman: O Infiltrado
Foi o último filme que vi este ano e fiquei muito espantada pela forma que o Spike Lee pegou num assunto horrível, violento e vergonhoso e transformou-o num filme incrível como este. BlacKkKlansman é leve sem ser superficial, é engraçado sem ser desrespeitoso, capta a alma de ambas as partes e inclui interpretações maravilhosas. Conta uma história hilariante - que até me custa acreditar que é real - que merece destaque. Não vou contar muito mais. Só quero que não deixem passar muito tempo sem verem este filme. Ok?


Em 3º lugar

O Quadrado
Já falei imenso deste filme aqui. É sueco, esteve nomeado para os Oscars e é maravilhoso.


Em 2º lugar

A Quiet Place
O segundo melhor filme do ano. Não é uma masterpiece pelo tema, mas da forma como é abordado. Achei maravilhoso a forma de como foi explorada a comunicação e a extraordinária capacidade de adaptação do ser humano. É um filme de terror que fala de muito mais do que simplesmente aliens. Na verdade eles nem são o foco do filme. E nem precisamos de falar sobre o incrível trabalho da Emily Blunt e do seu super marido John Krasinski - que neste caso é ator e realizador. Vale TÃO a pena ver A Quiet Place...


Em 1º lugar

Call Me By Your Name
Acho que ainda não sei descrever este filme e o quanto me fez chorar como uma Maria Madalena. Leiam o que escrevi aqui. Comecei por dizer, em fevereiro, que achava que este seria o meu Capitão Fantástico de 2018. E foi mesmo.


Menção Honrosa

Tully
Podia fazer tantas menções honrosas, mas não ia ficar bem sem falar de Tully. Comecei por achá-lo bonito e simples, mas quando o filme terminou é que compreendi de facto a qualidade do que tinha acabado de ver. Tully é obrigatório para todas as mães, maridos e filhos. É um filme tão cru e real que arrepia. Vale tão a pena!


As minhas 5 séries favoritas
Este foi, sem dúvida, um ano de séries. De novas séries e de continuação de séries antigas. Selecionei as minhas 5 favoritas.


5º lugar

Suits
A nova temporada já não conta com Mike nem com a Rachel, por motivos mais do que óbvios, mas a série foi reforçada com Katherine Heigl. Continua a ser uma história interessante e com casos que entretém e nos mantêm coladinhos ao ecrã, sempre com a maior pinta de sempre.


4º lugar

Gossip Girl
Vai ser sempre a minha série do coração - e o Sex and the City, claro - e a Blair e o Chuck vão ser sempre o meu couple goals, e esta cena será sempre uma das minhas favoritas. Mas fora preferências pessoais, esta série tem toda uma produção surreal, que vai dos cenários ao guarda-roupa e às voltas e reviravoltas do script. É uma série light, para desenjoar das séries mais pesadonas como eu já vou referir em baixo, ou dos filmes mais intensos. É uma série para fazer sonhar, também. E também foi por isso que a revi bem no final de 2018, para me relembrar de algumas coisas da vida que já me tinha esquecido...


3º lugar

The Crown
Foi uma agradável surpresa. Comecei a ver The Crown quando as minhas outras séries tinham terminado e não sabia o que fazer. Fiquei tão viciada e tão interessada nesta história da Coroa Britânica e na história particular da Rainha Elizabeth, que aguardo ansiosamente o regresso, já no início do próximo ano!


2º lugar

Handmade's Tale
É assustadora. Praticamente um terror psicológico que me tem incomodado cada vez mais, porque vejo que se está a fazer caminho para que este guião se transforme cada vez mais em realidade. E não deve haver nada mais assustador do que isto. Se há série que toda a gente deveria ver - e refletir muito a sério sobre ela - é esta Handmaid's Tale. Vejam, mas preparem-se para ficar incomodadas... Afinal, o cinema serve para isso mesmo não é?


1º lugar

Black Mirror
Quem nunca viu Black Mirror deve fechar este blog imediatamente e tratar de resolver este assunto. É só das melhores coisas que tenho visto por aí. De verdade. Ninguém deveria passar para 2019 sem conhecer esta série. Ninguém. Há coisas aqui surpreendentemente possíveis e viáveis. Estaremos preparados? Venha de lá a próxima temporada!


Menção Honrosa

Sharp Objects
Já falamos sobre esta série aqui. Não era justo não a mencionar.


E a vossa lista é muito diferente da minha?



sábado, 29 de dezembro de 2018

Bird Box



Quando estive em Berlim, no final de novembro, tropecei nos preparativos de uma premiere dum filme da Netflix Bird Box. Ainda não tinha ouvido falar, mas depois de pesquisar, apercebi-me que entravam atores como a fofa da Sandra Bullock, a Sarah Paulson e ainda John Malkovich. Podia ter-me cruzado com eles, mas não aconteceu, infelizmente.


Esta semana fui pôr os filmes em dia - já que tive que terminar Gossip Girl - e encontrei esse mesmo. Fui espreitar. Gostava muito de vos dizer que o filme é incrível e super-tudo, mas a verdade é que é só mais do mesmo. Aviso já que este post contem spoilers!




Começamos com Malorie (Sandra Bullock) grávida e sem grande vontade de ser mãe a deparar-se com o apocalipse. Algo está a "consumir" as pessoas e a torná-las suicidas. Depois de ver a sua irmã a atirar-se para a frente de um autocarro, Malorie refugia-se numa casa, juntamente com um grupo bastante heterogéneo - e muito estereotipado, diga-se - de pessoas que também conseguiram escapar. Percebem mais tarde que não podem olhar para o exterior ou serão possuídos também por algo ou alguém - who knows? - e em breve cometerão suicídio. Escusado será dizer que apenas Malorie escapa com vida, certo? Ela, o seu filho, que entretanto nasce, e a filha de uma rapariga que também pertencia ao grupo e que deu à luz ao mesmo tempo que Malorie e que esta lhe prometeu que cuidaria dela se algo lhe acontecesse. Em suma, o filme gira em torno da sobrevivência e da adaptação dos hábitos diários ao novo estilo de vida. Tapar janelas, usar vendas no exterior, aprender a ouvir o que os rodeia... 


O filme decorre ao longo de 5 anos. Começa com Malorie a conversar com as duas crianças - de 4/5 anos - sobre uma aventura perigosa que terão que fazer para conseguirem sobreviver, claro, sem nunca tirarem as vendas. E depois vamos intercalando entre o passado, quando tudo começou e Malorie ainda estava grávida, e o a viagem de 2 dias de barco, às "escuras", sozinha com duas crianças e 3 pássaros numa caixa, para encontrar abrigo numa comunidade que nem tinha a certeza que existiria.




O maior problema deste filme são as pontas soltas que até são interessantes em alguns contextos, mas neste caso, é só desleixado e preguiçoso. Nada é respondido no final do filme: quem ou o quê provoca estes sintomas de loucura? de onde vieram? como podem ser combatidos? essas criaturas não poderiam entrar nas casas? porque é que algumas pessoas são imunes ao suicídio? porque é que também têm o mesmo efeito se forem vistas através das câmaras de vigilância? quem são as pessoas que se cruzaram com Malorie na casa? para onde foi o casal que fugiu? porque é que as duas deram à luz no mesmo momento? porque é que o Gary fazia tanta questão de olhar para os bebés? como é que conseguiram criar 2 crianças saudáveis ao longo de 5 anos se quase nem conseguiram sobreviver a uma visita ao supermercado que ficava a 800 metros? como é que ao longo dos anos ainda tinham água, luz, gás? quem criou a comunidade para onde Malorie foi? porque é que as criaturas não entram ali? porque é que os pássaros reagem daquela forma? reagem assim por causa das criaturas ou por outro motivo?


Como vêem, o que não faltam são perguntas que não foram respondidas. Além desta critica, aponto outra que também já li várias vezes por aí: a similaridade ao A Quiet Place, que já vos falei aqui e que foi dos filmes mais fixes que vi este ano. A premissa é a mesma: neste não é permitido olhar, no outro não é permitido falar/fazer sons.


Mas não me interpretem mal. Eu gostei do filme, apesar de todas estas críticas, especialmente porque a prestação da Sandra Bullock é, como sempre, muito boa e convincente, tal como a fotografia, os cenários, a luz... Além disso, há momentos de tensão e de entretenimento. É um filme de domingo. Se quiserem um a sério, então aconselho o A Quiet Place... Não se vão arrepender ;)



quarta-feira, 31 de outubro de 2018

10 filmes para o Halloween


Hoje vai haver sessão de cinema lá em casa? Mas ainda não sabem que filme é que vão passar? Se são como eu, então têm alguma dificuldade em escolher filmes de terror porque nunca os acham suficientemente bons. Certo?


Compreendo bem a vossa luta. Por isso mesmo, decidi dar-vos 
10 sugestões mesmo à maneira para a noite mais assustadora do ano!


Não são os típicos filmes de terror, aviso já! Alguns são thrilers, suspense e algum terror psicológico mas nada de banhos de sangue... Bom, mais ou menos. Vamos lá por partes:



A Quiet Place

Foi um filme que adorei ver! Tem história, conteúdo, personagens fortes e muita expressividade. Resumindo a história e sem dar spoilers: o mundo foi invadido por uma espécie de alliens que reagem ao barulho e esta família que vemos na imagem conseguiu sobreviver e manter uma vida "normal", apesar de estar constantemente em alerta máximo. O mínimo barulho pode ser fatal. É mesmo interessante ver como é que a raça humana se adapta e se habitua a novos contextos. Vale mesmo a pena e este filme está neste top e não é por acaso ;)



Fragmentado

Se ainda não viram, não sei do que estão à espera. Este filme não é bem terror mas deixa-nos os nervos em franja. É provavelmente o melhor trabalho do James McAvoy e é uma excelente alternativa para quem não gosta nada de filmes de terror tradicionais mas ainda assim gosta de sentir algumas palpitações. Vejam! Se não for hoje, vejam noutro dia.



Foge

Já falei sobre este filme aqui
É um bom exemplo de como um filme de terror pode ter qualidade... E muita!



Aniquilação

Nunca falei sobre este filme no blog, mas confesso que dificilmente vou esquecê-lo. Acho que tem os condimentos certos para um bom filme: bons atores, boa história, suspense, algum drama, picos de adrenalina e, esteticamente falando, Aniquilação é maravilhoso... Já para não falar no girl power máximo. Gostei mesmo muito deste filme da Netflix.



It

Podem ler a minha opinião mais aprofundada sobre o It aqui.
Este filme talvez não seja apropriado para os mais sensíveis. Da lista é, talvez, dos mais violentos. Mas não lhe podemos negar a qualidade. Dentro do género de filme de terror mais tradicional, este é bastante acima da média.



Hereditário

Espíritos não é bem a vossa cena? Então esqueçam. Passem para o filme a seguir (ou também é melhor não, mas já lá vamos!). Mas se gostam de um bom filme assustador com tudo a que têm direito - cultos, bruxas, feitiços, espíritos, mortes estranhas e muitos, muitos sustos - então este é mesmo o vosso filme. Daqueles à maneira e bem feitinhos.



The Haunting of Hill House 

É a única série da seleção e perfeita se quiserem uma grande maratona assustadora. Falei sobre esta história aqui. Leiam melhor e dediquem-se a esta série.



mãe!

Também não é assunto novo no blog, como podem perceber aqui. Se não gostam de monstros nem de espíritos, esta poderá ser a vossa melhor escolha.



A Casa da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares

"E se houver crianças por perto?" perguntam vocês. É justo. Há que arranjar aqui uma solução para apresentar um bom filme de terror sem lhes causar problemas com o sono. E não deve haver melhor opção que este maravilhoso conto do Tim Burton, com muita magia e, claro, alguns monstros à mistura - e nem todos são maus ;) Um filme lindo para mostrar aos pequenos, com valores e lições de moral para levarmos todos para a vida.



Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street

Já que estamos a falar no Tim Burton, vamos continuar. Podia enumerar imensos filmes dele, que todos têm a sua dose de terror, mas este deve ser o mais sangrento de todos eles. Não aconselho a pessoas sensíveis de estômago! Aviso também que é um musical, um estilo pouco apreciado pelas maiorias, mas em contrapartida podemos ver o Johnny Depp, e melhor, a Helena Bonham Carter e o Alan Rickman em grande. É talvez o meu filme preferido do universo deste incrível e excêntrico realizador.


Então, já decidiram? ;)

Feliz Halloween, pessoas!


terça-feira, 30 de outubro de 2018

7 filmes que tenho mesmo que ver

Já sabem que o cinema é uma das minhas grandes paixões e um dos meus hobbies favoritos. Quando esta altura do ano se aproxima eu vou ficando cada vez mais ansiosa. Simplesmente porque é nesta altura que começam a surgir os melhores filmes - porque os Oscars estão à espreita, né?


Por isso, decidi selecionar 7 filmes que eu não quero perder até ao final do ano e que vão estrear no cinema em breve. E que bela mixórdia que temos aqui: biografias, fantasia, thrilers, super-heróis, ficção científica... Há para todos os gostos! Fiquem atentos também!



Bohemian Rhapsody
Uma celebração à banda mais carismática, os Queen. Mais especificamente ao excêntrico vocalista, um génio da música moderna, Freddie Mercury, interpretado por Rami Malek. E senhores, mal posso esperar para ver esta interpretação! Sempre que ouço a Bohemian Rhapsody fico arrepiada. Sempre. E só por isso, só se pode tratar de algo muito especial... Não vou perder certamente. 

Estreia no dia 31 de outubro.
Vejam o trailer aqui.



O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos
Para dar aquele espírito mais natalício, é claro que não podemos esquecer um clássico. Já todos conhecemos a história do Quebra-Nozes - pessoalmente já vi umas 500 vezes a versão da Barbie - e todos nós gostamos, certo? Vamos ver como é que corre desta vez. Pela pontuação desconfio que não venha grande coisa, mas eu já aprendi que isso não diz tudo ;) Vamos ter esperança!

Estreia no dia 31 de outubro.
Vejam o trailer aqui.



Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald
Estou mesmo, mesmo, mesmo muito ansiosa por este. Não é o Harry Potter, mas dá para sossegar a ânsia. Dá para ter um cheirinho da magia e daquele mundo de que vos falei esta semana. Venha de lá mais um conto fantástico e novas aventuras do grande Newt!

Estreia no dia 15 de novembro.
Vejam o trailer aqui.



Suspiria
O primeiro motivo pelo qual me sinto atraída por este filme é o realizador. Luca Guadagnino foi também o realizador de Call Me By Your Name e vocês sabem o quaaaanto amei esse filme. Depois mete a Tilda Swinton que dá sempre aquela aura macabra e bela a uma história. Há a questão da Dakota Johnson que gostava de a ver num filme "a sério", sem ser amarrada às gravatas de um ricaço qualquer. Por fim, toda a beleza estética do filme - vejam o trailer! Quanto à história, parece-me - repito, parece-me - um Black Swan 2.0, mas só vendo é que vou ter a certeza. E se assim for, não está nada mal!

Estreia no dia 22 de novembro.
Vejam o trailer aqui.



Aquaman
Pronto, é um super-herói e por isso já sabem que estou batida no cinema, certo? E não adianta dizer que não presta, meus amigos! Vejo na mesma. E eu sei que este mete muitos tubarões - demasiados tubarões, para ser franca - e que isso vai provocar-me mini-ataques de ansiedade, mas depois temos o Khal Drogo e o universo volta a equilibrar-se.

Estreia no dia 13 de dezembro.
Vejam o trailer aqui.



High Life
Parece-me uma abordagem interessante ao assunto "sobrevivência humana". Provavelmente um bocadinho mais à frente do que já vimos em Passageiros e de forma mais negra, onde vamos poder questionar-nos sobre coisas que nunca sequer equacionamos. Pelo menos, é o que eu espero. E é sempre um gosto voltar a ver o Robert em ação - não me lixem, cada uma com a sua panca, tá?

Estreia no dia 13 de dezembro.
Vejam o trailer aqui.



O Regresso de Mary Poppins
Mais uma vez, voltar ao imaginário infantil e mágico com um super plus: a Emily Blunt. Tem tudo para ser um grande filme, não acham?

Estreia no dia 20 de dezembro.
Vejam o trailer aqui.



quarta-feira, 24 de outubro de 2018

The Haunting of Hill House



Podem ler este post à vontade. Não vou dar spoilers
Não pretendo fazer uma crítica à série mas aconselhar-vos a ver ;)


A semana passada comecei e acabei uma série incrível. Provavelmente já ouviram falar da nova série de terror da Netflix: The Haunting of Hill House. A primeira temporada tem 10 episódios com mais ou menos 1 hora cada e não sei se haverá continuação, mas pela forma que terminou, penso que não há motivos para isso.


A série está IN-CRÍ-VEL!


E sim, é de terror. Mesmo terror. Daquele terror psicológico que te deixa a pensar no "E se...". Eu sempre vi filmes de terror e eles nunca me afetaram particularmente, à exceção de um, o primeiro. Depois do grandessíssimo susto e de um mês (pelo menos) de pânico, medo de tudo e pesadelos constantes, acho que fiquei imune aos filmes de terror. Acho-os sempre previsíveis e básicos, sem grande história por trás e com poucos elementos que me fazem identificar com as personagens ou com o contexto. Por isso é que posso estar em casa sozinha a ver um filme destes ou até mesmo ir ao cinema... Não perco o sono nem morro de medo.


Mas isso não aconteceu com Hill House... 


A história conta dois tempos, o passado e o presente. Começamos por conhecer a família Craine: a mãe Olivia (Liv), o pai Hugh e os seus cinco filhos: Steven, Shirley, Theodora (Theo) e os gémeos Nell e Luke. Liv é arquiteta e Hugh é construtor e ambos tinham a missão de, naquele verão, reconstruir Hill House para posteriormente a vender a bom preço e com o dinheiro, construir a "casa permanente", para a família. Para os ajudar estão lá os estranhos Mr. e Mrs. Dudley que cresceram e viveram sempre próximos de Hill House mas que não se aproximam da mansão durante a noite.


(Theo, Steven, Nell, Luke e Shirley no presente. Atrás, Hill House)


As cinco crianças começam a ter comportamentos estranhos e a ver monstros durante a noite ao que os pais atribuíram, naturalmente, a pesadelos e imaginação fértil. Mas tudo muda quando os próprios pais começam a vê-los também.


A série foca-se no passado, quando os irmãos pequenotes habitaram Hill House com os seus pais e o presente, com as vidas construídas e com os traumas bem visíveis. Em cada episódio conseguimos conhecer melhor as várias personagens e vão sendo dadas algumas pistas sobre o que se passou em Hill House naquela fatídica noite.


(Shirley no passado em Hill House)


Os estranhos vizinhos avisam que a casa devora as pessoas que habitam nela, que é um monstro e que ninguém estará seguro enquanto habitarem lá. Mas claro, nunca ninguém ligou aos avisos. Associavam os barulhos aos canos ou às janelas velhas... Na verdade é que não era nada disso que fazia barulhos durante a noite e a resposta estava por detrás da estranha porta vermelha que não abria.


(Nell e Shirley no passado em Hill House)


A série está mesmo muito bem feita principalmente porque todos os sustos - assustadores! - são imprevisíveis. O equilíbrio entre o susto, o pânico e o suspense é tão bem feito que eu dou por mim a suster a respiração várias vezes ao longo de um um episódio só. Não são sustos à filme de terror, que acontecem quando estamos a contar mas damos aquele salto da cadeira. Não são cenas aterradoras, demoradas, como se estivessem a pressionar uma ferida e nós ficamos naquele pânico prolongado em que queremos tapar os olhos mas não nos conseguimos mexer. E depois tudo acalma e volta ao "normal" para voltarmos a descer ao pico do terror. Mas é um terror suportável, quase como se estivéssemos a ser estimulados a enfrentar os nossos medos ali, por isso, ao longo dos episódios vamos aprendendo a lidar com isso, a compreender, a conhecer e, no final, já compreendemos, tal como os irmãos, o que se passa naquela casa.


Hill House mexe com os nossos medos profundos, da infância. O medo do escuro, de ficarmos sozinhos, o medo da morte, o medo da ausência, o medo do desconhecido, o medo das emoções e o medo da nossa própria mente. É por isso que nos conseguimos ligar imediatamente com as personagens e com a história.


(Liv no passado em Hill House)


Esta série deu-me mesmo arrepios, fez-me ter pesadelos na primeira noite - apesar de não me lembrar do sonho - e fez-me pensar. O que não é mau. Um filme que nos faz pensar é um filme que vale mesmo a pena ver e guardar no coração. O mesmo acontece com uma série. Tão cedo não me vou esquecer de Hill House nem dos irmãos nem da mensagem bonita que a série tem.


(Hugh, Theo, Shirley, Steven e Luke no presente)


Não quero fazer spoilers, por isso é que não contei nada nem mostrei imagens reveladoras, quero que vejam. E vejam mesmo com medo, mesmo que não apreciem filmes de terror. Vejam. Vale a pena. Prometem? É que ainda por cima o elenco é maravilhoso, os cenários são lindíssimos e a história é tão bem contada que vos vai apetecer devorar os 10 episódios de uma só vez, acreditem... Mesmo com medo ;)


(Hill House)


The Hauting of Hill House
(2018)
de Mike Flanagan
com Carla Gugino, Michiel Huisman, Victoria Pedretti, Oliver Jackson-Cohe, Elizabeth Reaser, Kate Siegel, Timothy Hutton