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terça-feira, 8 de outubro de 2019

I want YOU... to VOTE!



Ponderei muito sobre se devia ou não escrever este post sobre as Eleições Legislativas, mas acho que este blog deve tornar-se cada vez mais um veículo de mensagem sociais em que eu acredito - e que vocês se podem identificar ou não - e não apenas falar de assuntos que eu adoro (moda, cinema, decoração), mas que não influenciam ou esclarecem de forma significativa os outros. Acho mesmo que aqui pode caber um pouquinho de tudo. Este blog não tem expressividade nenhuma, não chega às massas e também não influencia ninguém, mas eu acredito que se houver uma pessoa a ler estes textos pode, pelo menos, refletir.


E refletir sobre uma situação é o que eu espero do outro e de mim própria.


Portanto, aqui estou eu a falar de política, assunto sobre o qual eu não domino, nunca dominei e não me interesso particularmente. Mas tenho estado cada vez mais atenta ao que se vai passando e nestas eleições estive, honestamente, muito indecisa. Primeiro porque havia 21 partidos! 21! Eu não consegui ler os manifestos de todos eles. Cheguei a sábado e decidi que tinha que optar por aqueles em que eu estava inclinada a votar e assim foi - sim, porque eu não tenho partido, da mesma forma que não tenho religião ou outras crenças fixas! Tomei a minha decisão em consciência. Conheço o partido em que votei, as ideias que defende,... Não posso dizer que concordo com TUDO, mas com a maioria.


Este ano existiram trabalhos verdadeiramente notáveis na área do jornalismo para descomplicar este assunto e para que o eleitorado se sentisse mais informado e capaz de decidir. O Público e a Renascença são exemplos excelentes dos meios de comunicação social que são ainda o que nos salvam neste meio de jornalismo de sarjeta. Ao mesmo tempo, criou-se a plataforma Política para Todos, do qual me socorri vezes sem conta. Tivemos humoristas como o Guilherme Geirinhas a falar sobre estas "coisas chatas com humor". Tivemos o Ricardo Araújo Pereira a entrevistar os candidatos no seu programa "Gente que não sabe estar" e até a Joana Marques no seu "Extremamente Desagradável" ou o "Uma Campanha Alegre", ambos da RR. Isto para não falar dos tradicionais debates televisivos e dos tempos de antena.


Informação não faltou, minha boa gente. Informação da boa, daquelas que nos davam a papinha toda feita e ainda nos divertiam, mas nem assim conseguimos baixar a abstenção. Na verdade, os números aumentaram quando comparados com 2015 e isso deixa-me muito chateada porque eu não consigo compreender o porquê deste desinteresse. Não peço que leiam os manifestos eleitorais de todos os partidos. Não peço que sejam 100% conscientes na votação. Nem sequer peço que votem num partido. Podem chegar lá e votar em branco.


Caraças, mas votem...


Tenho ouvido várias pessoas a dizerem-me: "Votar para quê? Eles são todos iguais!" ou "Ó, nem me chateio com isso. Não ganho nada em votar...". Primeiro, acho absurdo alguém que se queixa que o país está mal servido no que à política diz respeito, não ir votar. Meus amigos, isso não é um ato rebelde nem uma forma de protesto. Isso é só estúpido. Protesto é ir e votar em branco, mas exercer o nosso direito sem nunca abdicarmos dele. Vocês entendem que há pessoas a morrer no mundo a lutar para exercerem este direito que nós, descaradamente, tomamos como certo? Ainda para mais, estar descontente e não mexer o rabo do sofá para mudar um bocadinho do país é só burro. Desculpem, mas é. É desculpa de mau pagador. O voto é uma das poucas armas que o povo tem a seu favor e nós, tristes, desperdiçamos e entregamos, literalmente, o ouro ao bandido. São também as pessoas que não votam que passam a vida a reclamar do governo, dos impostos, das taxas, da corrupção. Só me apetece armar-me em Bruno Aleixo e dizer: "Não votaste, pois não? ENTÃO CALA-TE!". E a segunda afirmação, só merece um valente par de estalos. Tenho ouvido muito isto de que é preciso beneficiar quem vota, para aliciar os cidadãos e reverter os números da abstenção. Eu não digo que isso não iria resolver parte do problema, mas irrita-me que isso seja uma verdade. É a mesma história que "eu só começo a reciclar quando tiver benefícios com isso". Minha gente, o benefício é vivermos num Planeta habitável. Espantem-se! A lógica com o voto é a mesma. Vocês não precisam de receber nada em troca, só precisam de ir à urna uma vez por ano (e às vezes nem isso) para votar, dar a vossa opinião. Só. Demora-vos uns 2 minutos, se ainda estiverem a ponderar em quem votar. Era o que faltava ganharmos alguma coisa com isto. No futuro queremos o quê? Um subsídio para quem diz "Bom dia, Por favor e Obrigado"? Poupem-me.


Não vos vou mentir, estas eleições deixaram-me muito abalada. 




Os números da abstenção foram chocantes e ainda por cima temos agora um partido fascista no Parlamento. Isto é um pesadelo para mim, que nunca acreditei que em Portugal isto fosse acontecer novamente. Eles defendem TUDO aquilo que eu mais abomino. Posso enumerar algumas das ideias que defendem: a castração química de pedófilos, a proibição constitucional da eutanásia, a pena perpétua, a proibição do casamento homossexual, a reavaliação da presença de Portugal na ONU, a extinção do cargo de Primeiro Ministro (cujas funções devem passar para o Presidente), o fortalecimento das fronteiras e um reforço da carga policial nesse sentido (me-do!) ou a desresponsabilização do Estado por assuntos como Saúde, Educação ou Transportes. Já estão em pânico como eu? Acredito que grande parte dos votos neste partido (mais de 66 mil!!!) deveram-se ao cabeça de lista, André Ventura. É comentador de futebol na CMTV e, portanto, tem alguma visibilidade. Acredito mesmo que algumas pessoas - e eu quero acreditar que foi a maioria - não defende os ideais do Chega - nem os conhece, sequer -, mas reconheceu o rosto e até concorda com alguns bitaites sobre futebol e deu-lhe o voto. É esta a minha esperança, que estas 66 mil pessoas se apercebam do que fizeram e que ponderem melhor nas próximas eleições. Ainda falta referir que aqui está uma prova de como o "jornalismo" rasca, sujo, imoral (CM) pode trazer consequências MUITO graves para um país.

Por fim, não posso deixar passar em branco a ascensão de partidos pequeninos, que defendem minorias (Livre, Iniciativa Liberal e PAN). É um alívio ver que podemos estar a acordar para novas opções mais próximas do povo, da realidade do país e das mudanças da sociedade. É um avanço enorme termos uma Assembleia onde "cabemos" todos ao elegermos, por exemplo, uma mulher negra e gaga - com uma campanha muito interessante. É um grande UFA! saber que teremos no Parlamento partidos a defender o fim das touradas e dos animais em circos, a defender o ambiente, as minorias étnicas, os homossexuais, partidos feministas - no REAL conceito e não no conceito "Capazes"... Enfim, partidos que defendem a inclusão, a diferença e a inovação. Vou ficar de olho nestes três, sem nunca desviar a atenção do outro...




O post já vai longo e eu prometi que não me ia alargar muito sobre este tema, porque não me sinto confortável a falar sobre política. Porém, como já tinha dito, desta vez eu estudei muito bem a minha lição, como também tinha dito que ia fazer no post sobre a Amazónia, lembram-se? Eu não me esqueci!


Eu sei que este post não vos vai fazer ir votar - até porque quando houver novas eleições já nem eu me vou lembrar que escrevi este texto -, mas espero que vos faça refletir.


E, por favor, votem. Por favor!



segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Who's with me?

Museu do Picasso, Barcelona


Todos os posts neste blog são simplesmente uma perspetiva de quem os escreve. Não tenho qualquer conhecimento científico ou académico sobre moda, decoração, cinema, arte, ambiente... Nada. Sou apenas uma pessoa curiosa e com gostos diversificados que gosta de os partilhar desta forma. Dito isto, deixo claro que esta é a MINHA opinião sobre este assunto e que respeito todas as outras.


Vamos então esclarecer uma coisa: eu gosto de fotografar momentos felizes. Não sou a pessoa que está sempre com o telemóvel pronto para o disparo - devia estar mais vezes, confesso -, mas quando uma coisa é bonita e transmite alguma emoção, por vezes eu filmo ou fotografo. A maioria das vezes não é para partilhar nas redes sociais nem para mostrar a outras pessoas. Levantem a mão as pessoas a quem eu já mostrei as fotografias de viagens - garanto-vos, são quase nulas. Acho sempre que isso é um aborrecimento para quem está a ver e nunca conseguimos transmitir a mesma emoção do que estar no local, portanto, abstenho-me de fazer swipe dos meus álbuns. A maioria das vezes tiro fotografias para mim ou, no máximo, para o blog. E é só. 


Porém, gosto de ser livre para o fazer quando e onde quiser. Essa é a questão.


Em Madrid fui visitar o Museu Reina Sofia, onde está a Guernica. Eu e o meu irmão estávamos mesmo entusiasmados com a ideia de poder ver de perto aquela obra - que ele procurou sem sucesso no Museu do Picasso em Barcelona. No momento em que chegamos à sala, a monumental obra de arte impôs-se sobre nós. Fiquei uns largos minutos a apreciar todos os pormenores em silêncio e a relembrar-me das minhas aulas de História da Arte. Depois percebi que ninguém estava a tirar fotografias e achei aquilo estranho. Olhei à minha volta: zero informação sobre a proibição de fotografia. Pelo sim e pelo não, fui questionar o vigilante ao lado. Disse-me, de forma simpática e cordial, que ali era proibido fotografar aquela peça, bem como em outras salas, mas podia fotografar em algumas. A verdade é que não vi uma única placa ou informação a proibir a captura de imagens.


Bauhaus, Berlim


Noutro dia decidimos ir ao Museu do Prado. Estivemos quase 1 hora na fila ao calor para entrar e a multidão acabou por me desanimar um bocado, bem como ter o tempo limitado (1 hora para ver tooooodo aquele museu). Não ia com intenção de tirar fotografias porque estava mais focada em encontrar as obras que eu queria mesmo ver, entre elas As Meninas de Velázquez, claro. Fiquei fascinada com a dimensão (não sabia que era tão grande) e com todo o espetáculo que estava a ver à minha frente. Eu dou muito valor a estas coisas e vivo aquilo com toda a intensidade possível. 


Fico extasiada a ver obras que estudei apenas nos livros e que de repente se materializam e eu constato que há seres extraordinários no mundo que conseguem criar tais obras de arte. 


Olhei à minha volta e vi várias pessoas a tirar fotografias - uma, inclusivé, com um tablet - e eu decidi fazer o mesmo. Ainda antes de abrir a câmara tive uma voz feminina a gritar-me aos ouvidos "NO PICTURES ALLOWED!!!" e a olhar para o meu telemóvel, quase pronta a arrancá-lo das minhas mãos para se certificar que não consegui nem uma fotografia - que, infelizmente, não consegui. Gritou-me tão alto e foi tão repentino que o meu telemóvel saltou-me das mãos com o susto, só para terem uma ideia. O meu irmão que estava mais atrás relatou-me outro momento semelhante, desta vez com um funcionário a um senhor. O mesmo "crime" e a abordagem igualmente bruta e agressiva. Levei aquilo mesmo a mal. Fiquei mesmo muito magoada com a situação, até porque, mais uma vez, em LADO NENHUM informava que era proibido. Nem em placas, nem no bilhete, nem em avisos à entrada, nem o próprio staff. Nada. Pelo menos de forma visível.


Isto levou-me a pensar que hoje há uma corrente anti-fotografias que me está a começar a enervar, porque assumem que quem tira fotos é fútil e apenas o está a fazer para postar nas redes sociais. E eu irrito-me sempre com preconceitos e com fundamentalismos, sejam eles sobre o que forem e de que forma sejam impostos. Sou sempre apologista do: desde que não prejudique o outro, cada um deve fazer o que quiser sem ser vítima de julgamentos.


Esta situação deixou-me tão desconfortável que fui pesquisar sobre esta proibição das fotos nos museus - não me lembro de ter sido proibida de fotografar num museu anteriormente - e percebi que eu não sou a única revoltada e que o Caso Prado é bastante famoso pela abordagem super agressiva.


Museu do Picasso, Barcelona


Posto isto, decidi pesquisar os motivos que levam os diretores de museus a impedirem os visitantes a fotografarem as obras - ou até o edifício que, para mim, é muitas vezes também uma obra de arte que merece ser apreciada. Então cá vão algumas delas:


1. É proibido fotografar porque... danifica a obra.
A típica justificação. Normalmente referem-se à foto com flash, claro. Mas alguém faz questão de tirar uma foto com flash num espaço interior? Não. Claro que ninguém está interessado em ficar com uma fotografia péssima. Em todo o caso, será que as máquinas de jornalistas, cineastas e fotógrafos contratados são tão absolutamente especiais que não danificam as peças? Hum... Cá para mim isto só pode ter um nome: bruxedo. Agora a sério, já não tem justificação possível.


2. É proibido fotografar porque... assim as pessoas ficam mais atentas às obras.
Irrita-me só de escrever esta frase. Que visão mais redutora da questão. Desde quando é que alguém que dedica tempo a tirar uma fotografia a uma obra vai deixar de a apreciar? Não será o oposto? Não será que vai continuar a apreciá-la mesmo depois de sair do museu, da cidade, do país? Se alguém não tiver intenção de prestar atenção à obra, não o vai fazer quer tire uma fotografia quer não tire. Simplesmente vai passar ao lado. O facto de tirar uma fotografia demonstra, por si só, interesse e atenção. E as pessoas que consideram que devem tirar uma fotografia ao quadro "só para dizer que estiveram ali" e para publicar nas redes sociais têm - admirem-se - o mesmo direito que os outros a fazê-lo! Que choque, não é? A pessoa ser livre de ter este comportamento... Realmente... Desde quando é que isso me vai prejudicar, incomodar, impedir de ver a obra? Não vai, senhores, não vai. Eles tiram a foto e vão à vidinha deles e pronto, sobrevivemos todos. Este preconceito para com as pessoas que fotografam tudo irrita-me. Eu não sou assim, mas também não tenho o direito de criticar nem julgar quem o faça, até porque eles não estão a prejudicar ninguém e cada um é que sabe como prefere abordar a sua visita a um museu ou a outro sítio qualquer.


3. É proibido fotografar porque... quem quiser recordações compra os livros e os postais na loja no final da visita.
E eu compro. É um hábito meu comprar um (ou vários) postais, por vezes livros, dos museus que visito. É a minha recordação, como outras pessoas gostam de comprar um íman de frigorífico. Portanto, esta justificação é absurda porque eu gosto de levar fotos tiradas por mim também. Sabem quantas fotografias tirei no Prado? Zero. E, por isso, sabem o que comprei na loja do Prado? Nada. Uma coisa não invalida a outra e os verdadeiros interessados podem fazer ambas as coisas. Além disso, os postais e os livros não refletem a nossa experiência, não transmitem emoções e sentimentos, não são personalizados. Como é que um amante de arte - assumo que um/uma diretor/a de um museu é apaixonado/a por arte - não entende a importância destas questões?


4. É proibido fotografar porque... assim o Museu pode controlar a sua própria imagem.
Há quem defenda que as fotografias dos turistas podem ser tão feias e de mau gosto - ainda podemos falar sobre mau gosto nos dias de hoje? - que podem desmotivar quem as vê a visitar o museu em questão. Acho, de novo, uma ideia estapafúrdia. Se virem uma fotografia desfocada ou completamente desenquadrada da Mona Lisa vão perder o interesse de a ver ao vivo? Acho difícil. Além disso, se formos por essa perspetiva então não podemos tirar fotografias em viagem, em restaurantes, em parques, em lado nenhum nem a nada para não desmotivar os outros a repetir a nossa experiência, especialmente se os nossos conhecimentos de fotografia forem nulos. É só parvo, não é?  Isto assumindo à partida que tiramos fotografias para postar nas redes sociais - o tal preconceito de que falei. Mas mesmo que seja a verdade, porque não tiram partido das partilhas? Afinal, é publicidade gratuita! Preferem comunicar apenas as imagens institucionais e chatas ou nada? Não é muito mais interessante perceber que o museu tem vida, que cada pessoa interpreta uma obra à sua maneira - e há maneiras tão criativas! Que a partilha poderá levar novos públicos ao museu - públicos que de outra forma não teriam acesso àquela informação - e é uma forma de democratizar o acesso à arte - ou será que é isto que estão a tentar evitar? Hummm... A falta de visão e a estagnação é coisa que me apoquenta e que não combinam nada com a arte.


5. É proibido fotografar porque... não é assim que se aprecia um Museu ou uma Obra de Arte.
Esta é a minha favorita, confesso. A primeira questão que se impõe aqui é: mas quem é que nós somos para definir como é que o outro se deve ou não se deve relacionar com a arte? Que direito temos nós de afirmar o que é certo e o que é errado? Tira-me do sério este pretensiosismo... É como ir ao museu com uma pessoa que me diz "Tu achas piada a isto porque percebes de arte. Eu não percebo nada!" Toda a gente entende arte porque a arte é emotiva e espera-se que crie uma reação em quem está do outro lado. Quando me perguntam sobre um quadro abstrato: "O que é que é isto?" eu respondo sempre "É o que tu quiseres que seja." O que a arte tem de especial é que não tem regras, fronteiras, linhas que separam, não tem limitações à imaginação nem respostas certas ou erradas. O que importa é o que nos faz sentir, mesmo que seja o oposto da intenção inicial do artista. Por isso, dizer que se eu tirar uma fotografia estou a depreciar ou a desrespeitar uma obra de arte deixa-me revoltada. Ninguém tem o direito de limitar a minha experiência e muito menos de me dizer como devo e não devo comportar-me perante uma obra. Está tudo errado.


Museu do Design, Londres


A ideia de que a arte é elitista e que só os intelectuais vão a museus é uma ideia tão do passado que já cheira a mofo, mas parece que há quem persista nisto, o que é uma pena. Eu levo uma visita a um museu muito a sério e é sempre um acontecimento no meu dia que sei que me vai deixar feliz. Tento visitar museus em todos os sítios quando viajo, porque acredito que também é uma forma de conhecer o país e de tornar a experiência mais rica. Respeito totalmente o local, as obras, os artistas e as pessoas que lá trabalham, porém, não sou nada a favor destas políticas. São elas que afastam os públicos da cultura - e todos sabemos o perigo que é quando um povo não tem cultura - e mantém-se a ideia de que num museu "tudo é proibido". Não podemos tirar fotografias, não podemos comer, não podemos beber, não podemos falar alto, não podemos sentar-nos, não podemos andar rápido... É tão desconfortável ter todas estas condicionantes que tornam a experiência super restritiva e muito pouco memorável, ou pior, memorável pelos piores motivos. E aí sim, em vez de estarmos focados nas obras de arte, estamos constantemente a ver se não pisamos o risco e se estamos a transgredir uma regra que nos será gritada ao ouvido.


Esta é outra questão: o staff. Um dos comentários que mais ouvi na minha família foi o quão intimidantes pareciam os colaboradores dos museus que visitamos. Pessoas com caras absolutamente fechadas, "de poucos amigos", diga-se, com um ar muito snob, todos vestidos de fato preto muito formal, que traçam logo ali um entrave enorme a quem os queira abordar. Este staff deveria ser aberto, disponível e prestável para interagir com o público, ceder informações e dados importantes sobre a exposição, o artista ou sobre o museu e não servirem meramente de polícias mais preocupados com quem tira o telemóvel do bolso!


Tate Modern Museum, Londres


Mas voltando à questão inicial, outra das coisas que me aborrece é que 


as obras não são propriedade de quem cria estas regras, especialmente se falarmos em museus públicos, mas sim do povo! 


Por outro lado, também não concordo que se façam sessões fotográficas, que se leve o stick ou tripés e toda uma artilharia pesada para fotografar. É preciso existir cuidados quando falamos em museus, claro que sim, e eu defendo-os com unhas e dentes. Não devemos avançar as barreiras, tocar nas obras, fotografar com flash, comer ou beber perto das peças, encostar, usar mochilas grandes que poderão provocar acidentes, etc. Prevenir sempre e só. Depois disso, é deixar que o museu se torne um espaço de exploração, de descontração, de descoberta do maravilhoso e do mágico.


Tomemos como exemplos museus como o Tate Modern ou o Design Museum em Londres - Londres é sempre um exemplo para mim - em que os espaços têm vida porque são literalmente vividos pelo público que vai lá apenas para trabalhar no computador a usufruir da vista, encontrar-se com amigos, ler um livro, fazer uma pausa do trabalho, you name it. Em particular, o Tate tem uma vida que é um exemplo a seguir, é um museu que aproxima, que educa e que cria uma ligação tão especial com o público que o faz querer voltar. Novos e velhos, estudantes, crianças, pessoas de mobilidade reduzida, londrinos e turistas, pessoas claramente interessadas na arte e curiosos em busca de serem surpreendidos, visitantes sozinhos e grupos de amigos... Cabem lá todos. Farto-me de tirar fotografias no Tate e, adivinhem, nunca me cansei do museu porque já lá fui duas vezes e parece-me que não vou ficar por aqui.


Tate Modern Museum, Londres


Se os governos e entidades querem tornar a cultura mais acessível, aproximem a arte do público. E isso não tem necessariamente que ver apenas com o preço dos bilhetes, mas com a abolição destas regras ridículas e de um staff datado e snob. Isso não vai desvalorizar a arte, o museu ou a cultura no seu todo. Muito pelo contrário! 


Convido todos os museus a tirarem partido das vantagens da era das redes sociais e aproveitem a viagem até ao século XXI. Ficamos todos a ganhar, não acham?

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Amazónia



Era impossível não vos falar sobre a tragédia que está a acontecer na Amazónia. Sinto que é fundamental estarmos informados e esclarecidos sobre tudo isto para que possamos tomar atitudes e não apenas partilhar uma fotografia e um hashtag #prayforamazonia. É que rezar não apaga fogos e gostos ou partilhas nas redes sociais nunca fizeram muito na luta pela defesa do ambiente, portanto, está na hora de sabermos mais para fazermos melhor. Foi nesse sentido que mergulhei em artigos, reportagens e textos de opinião para entender melhor a profundidade deste assunto.


A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo, com 5 milhões e meio de quilómetros quadrados e não só é casa da maior biodiversidade registada numa só área no Planeta, como também de vários povos indígenas. Só para terem a noção da sua dimensão, a Amazónia abrange territórios do Brasil, Perú, Colômbia, Bolívia, Venezuela, Equador, Guiana, Guiana Francesa e Suriname. Mais importante que isto: é responsável pela produção de 20% do oxigénio que existe na atmosfera. E está a morrer, logo, estamos todos a morrer.


Fala-se muito da desflorestação da Amazónia, por isso, acho importante iniciarmos por aí e depois irmos desdobrando este assunto noutros temas igualmente importantes. Já sabemos que a desflorestação significa a perda de densidade de floresta, mas porque é que isso é mau? Porque as florestas são importantíssimas para a absorção de GEE (gases efeito estufa) e, por isso, mantêm o nosso Planeta mais habitável. Os registos comprovam que até 2014 a desflorestação diminuiu, porém, com o governo da Dilma os números voltaram a subir e prevê-se que 2019 seja o ano mais catastrófico. Segundo os dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a primeira quinzena de julho registou um desmatamento de 1 000 quilómetros quadrados, mais 68% do que todo o mês de julho de 2018.




Claro que a desflorestação da Amazónia também tem uma percentagem de causas naturais (é muito fácil iniciar um fogo numa área seca e já desflorestada), apesar de ser mínima. Existe também uma grande fatia relacionada com a exploração da madeira, de minérios e petróleo, mas 40% deve-se à exploração dos terrenos para a pecuária (pasto) ou cultivo de soja (já lá vamos!). Existem empresas legais que têm acordos legais com o Governo, que se comprometem a proteger uma percentagem desse terreno, porém, há um sem fim de casos de apropriações ilegais de áreas que resultam em confrontos violentos com as comunidades indígenas que ali habitam.


Tudo isto complicou com o início do governo de Bolsonaro porque este defende uma política mercantilista totalmente ultrapassada (o que não é de admirar) e mostra-se muito pouco preocupado com as questões ambientais. O problema reside na exploração de recursos naturais da Amazónia para desenvolver a economia brasileira (daí já termos ouvido falar de auto-estradas, barragens e outras ideias semelhantes para serem construídas na floresta). O Brasil é um país pobre, em desenvolvimento, cheio de problemas sociais, políticos e económicos. Num país onde a segurança é já quase um mito urbano e a fome é a realidade de milhares de famílias, a proteção da Amazónia não é uma prioridade. Vai daí que em 2008 a Noruega e a Alemanha acharam que estava na hora dos países desenvolvidos se unirem para apoiar e para protegerem um património importante para o Planeta. Criaram então o Fundo Amazónia para apoiar a proteção e o desenvolvimento da floresta através de projetos ambientais ligados a estados, municípios e iniciativas privadas, num valor total de 771 milhões de euros, quase todos doados pela Noruega. Porém, o presidente do Brasil achou por bem extinguir os comités responsáveis pela gestão do fundo e a desrespeitar o acordo inicial, especialmente quando o assunto era a apresentação dos resultados obtidos. A Noruega já avançou que vai cancelar o apoio, o que é compreensível, mas muito preocupante. Entretanto, Emanuel Macron reuniu na cimeira do G7 os 7 países mais ricos do mundo para estabelecer um acordo para a criação de um fundo global para combater os incêndios na Amazónia. Até ao momento que escrevi este post ainda não havia conclusões deste encontro.


Somado a isto, temos um Ministro do Ambiente brasileiro acusado de fraude ambiental (how ironic!), um governo a perdoar multas ambientais e o lobby fortíssimo dos agricultores (que é do interesse do governo porque simboliza mais lucro). Estão aqui todos os ingredientes para dar asneira. Claro que Bolsonaro foi eleito por uma maioria, logo, ele não pode ser a única pessoa responsabilizada por estes atos, mas sim toda a sociedade, especificamente quem votou nele e quem nem sequer votou. Isto leva-nos, no entanto, a questões sociais que estão ligadas aos problemas políticos e ambientais do Brasil e é fundamental compreendê-las.


Infelizmente, o Brasil não tem uma população educada, informada e consciente das suas responsabilidades e das consequências dos seus atos a nível global, porque muitas vezes nem acesso à internet tem. Num país em que é preciso lutar por segurança e comida, as questões ambientais são altamente secundárias na lista de prioridades de um brasileiro. E isso também é compreensível. Sem educação e informação, claramente não se tornaram eleitores conscientes, responsáveis nem esclarecidos (isso já não acontece em países desenvolvidos como Portugal, quanto mais...).




A questão que se impõe é:
O que é que nós podemos fazer para ajudar?

A minha pesquisa sobre este tema deveu-se a esta questão: que raio é que eu posso fazer? Então fui procurar respostas. Depois achei que deveria partilhar isto convosco, que também é uma forma de apoio. Foi com este objetivo que escrevi este post, para partilhar o que é possível fazermos para preservarmos a Amazónia e o nosso Planeta, já que não podemos ir apagar os fogos... E não, não é partilhar uma fotografia no Instagram. Também não é usar um hashtag qualquer. Podemos fazer muito melhor que isso!


1. ASSINAR UMA PETIÇÃO
É a medida mais fácil de pôr em prática. Eu assinei esta petição "Impedir o desmatamento e exploração da Amazónia!". Vocês podem fazer o mesmo ou outra.


2. ESTAR INFORMADO/A
Parece simples, mas não é bem assim. Sejam curiosos, pesquisem, questionem-se, fundamentem as vossas opiniões e comportamentos com informações credíveis, sólidas e claras.


3. VOTAR!!!
Há eleições à porta e nós temos mesmo que nos convencer que votar é uma grande responsabilidade. Já nem falo apenas no ato de votar, mas o de votar em consciência. É cada vez mais imperativo que se conheça os manifestos eleitorais dos partidos, que se estude as suas estratégias e prioridades. Só assim seremos capazes de votar em consciência plena no partido que melhor se adequa àquilo que nós acreditamos.


4. CONSUMIR DE FORMA CONSCIENTE
Estamos um pouco cansados de ouvir isto, mas não se compreende ainda muito bem o impacte que um consumo desenfreado ou pouco esclarecido tem a nível global. Já nem falo apenas de consumir menos, que isso já é óbvio, mas precisamos de consumir bem. Antes de comprarem, percebam de onde vem o produto e tomem uma decisão consciente. Claro que não podemos votar nos Estados Unidos da América, nem no Brasil, nem na Coreia, nem em lado nenhum fora de Portugal. Então é impossível influenciar esses países a tomarem medidas diferentes. A pergunta é: será mesmo impossível? Consumir de forma consciente é, sem dúvida, uma forma de "voto" e isso pode mesmo influenciar políticas de produção, importação/exportação e investimentos. Quando estamos a falar de alimentos é bem mais fácil descobrir a sua proveniência e perceber que os produtos são nefastos para o Planeta, não pela sua constituição, mas pela sua produção. O que nos leva ao quinto ponto:


5. CONSUMIR MENOS CARNE
Este ponto dá pano para mangas e foi por isso que o deixei para o final. É a medida mais importante de todas: consumir menos carne ou excluí-la totalmente da nossa alimentação. Está mais do que provado que a indústria agropecuária é responsável por mais emissões de GEE do que as maiores petrolíferas do mundo. Somado a isto, 40% da área da Amazónia desflorestada serve essa mesma indústria através de pasto e campos de cultivo de soja. Uma curiosidade que descobri com as minhas pesquisas é que existe uma enorme produção de soja no Brasil (e noutras florestas no Planeta) para alimentar os animais, logo, quanto mais crescer o negócio, maior a necessidade de alargar os campos de cultivo. A produção de soja na Europa tem uma regulamentação muito rigorosa. Não existe produção de soja trangénica e a preservação do solo é assegurada (até porque ninguém minimamente esperto quer acabar com o seu próprio negócio, correto?). Aqui está mais um exemplo do que é consumir de forma consciente: escolher soja europeia é mais sustentável (por todos os motivos e mais alguns) do que soja proveniente de outras zonas do mundo, especialmente provenientes de florestas. Os produtores de gado misturam a soja na ração para criar um alimento mais barato e igualmente nutritivo e benéfico para os animais, mas como o negócio da agropecuária é um dos maiores do mundo, a grande maioria da criação de soja destina-se a este fim. Sabendo nós que quase metade da desflorestação da maior floresta tropical se deve à criação de gado para consumo, então há alguma coisa de errado neste quadro. É fundamental tomarmos a consciência, de uma vez por todas, que o consumo exagerado de carne não faz bem ao Planeta nem à saúde de ninguém. Idealmente deveríamos alimentarmo-nos à base de plantas e vegetais, dieta que não traz quaisquer problemas de saúde, muito pelo contrário, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) e nutricionistas. Aconselho-vos a verem o documentário What the Health (2017) e verão todas as vossas dúvidas esclarecidas sobre este assunto. Não é tão in-your-face como o Cowspiracy (que também aconselho), mas dá-nos perspetivas muito claras daquilo que andamos a fazer ao nosso corpo. Se quiserem, posso até um dia falar sobre os vários documentários sobre alimentação / ambiente que já vi... Bom, mas estava a dizer que este tipo de dieta não pode ser imposta de um dia para a noite porque há quem não tenha condições para a adotar. Imaginem uma família brasileira sem acesso à internet ou outros meios de comunicação alargados. Se lhes fosse vedado o acesso à carne, como é que iriam sobreviver de forma saudável sem meios de pesquisa e sem terem conhecimentos sobre alimentos igualmente nutritivos? Iriam acabar por alimentar-se à base de arroz e batata, o que iria trazer outros problemas nutricionais. Não é isso que se pretende, por isso é que é fundamental que este passo seja dado por pessoas esclarecidas, com acesso à informação, a um sistema de saúde competente e à liberdade de escolha. Não digo que devemos todos deixar de comer carne (acho difícil isso acontecer), mas reduzir bastante e consumir de forma consciente, que é como quem diz: diz-me de onde vens, dir-te-ei se te como. A carne portuguesa é muitas vezes criada em pasto e com uma produção mais ou menos sustentável. Então podem perguntar-me se estão a comer carne portuguesa, não estão a contribuir para o desmatamento da Amazónia. Não necessariamente. Esses animais podem estar a ser alimentados por soja brasileira e aí a porca torce o rabo. Questionem o vosso talho sobre os fornecedores, a proveniência da carne, a alimentação dos animais, etc. Nós temos o direito de saber o que metemos no nosso corpo, certo? O consumo consciente é exatamente isto.




O post já vai longo, mas eu tenho ainda a dizer que tenciono pôr em prática tudo aquilo que vos descrevi aqui. Quanto ao consumo, já tenho escrito várias coisas sobre isto. Estou cada vez mais consciente do consumo da indústria da moda e, por isso, fiquei muito feliz com esta notícia. Em questões ambientais estou a criar hábitos sustentáveis, mas há sempre muito mais coisas que deveríamos estar a fazer. Sobre a carne, penso que já partilhei convosco que me comprometi a não comer carne durante um mês (em março ou abril). Nunca vos cheguei a contar essa minha experiência, mas a verdade é que desde o início deste ano que reduzi drasticamente o consumo de carne por questões ambientais. O mês Zero Carne foi passado de forma muito tranquila e quase nem me apercebi desta "restrição", apenas quando ia jantar fora - e custa não comer o meu rico arroz de pato, vá. De resto, zero stress, zero problemas, zero ansiedade, zero sacrifícios. E continuei a fazer exercício e uma vida absolutamente normal. Aumentei o consumo de cogumelos, feijões e grão de bico, bem como de fruta e frutos secos. Hoje em dia como carne, mas de forma muito esporádica - e com tendência a diminuir. O que vos quero dizer com a minha experiência é que não é preciso acordar de manhã e mudar tudo de forma radical nem entrarmos em histeria ou fundamentalismos.


Um passo de cada vez, mas passos sustentados e sustentáveis ;)


Informem-se, consumam de forma consciente, votem e reduzam a carne no vosso dia a dia. São coisas tão simples de fazer tendo em conta os estragos que já fizemos à nossa Natureza...


Espero que este post tenha sido esclarecedor! É também para isso que cá estou.





quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Eco Férias



O ambiente sempre foi um assunto muito importante para mim. Não especificamente o ambiente em si, mas o consumo exagerado e inconsciente, particularmente da água. Desde que li o livro Diário das Minhas Viagens da Angelina Jolie em 2007, tinha eu 14 anos, que me apercebi que a água que eu tinha na torneira não era uma coisa banal. Era um luxo. Já falei sobre isso aqui neste post e não queria repetir-me. Por favor, vão lá ler esse texto também ;)


Devido ao meu trabalho, à responsabilidade que todos nós temos e ao conhecimento que fui absorvendo, estou a transformar-me numa autentica defensora do ambiente. Sem fundamentalismos nem julgamentos, mas sempre atenta e sempre consciente das coisas que me rodeiam. Poderei fazer um post sobre as minhas dicas no dia a dia, pode ser que vos dê novas ideias! E o ideal era criarmos aqui uma partilha de conhecimentos, o que acham? ;)


Mas este não é o meu propósito de hoje. 


Com a chegada do mês de agosto é importante falarmos de férias sustentáveis. 


Sim, porque não basta fazer a reciclagem em casa e depois ir de férias e esquecer todos esses hábitos, certo? O Turismo Sustentável é uma forma de encarar as viagens. Tal como o nome indica, pretende que a pegada ecológica de um viajante seja muito reduzida. Isto é, sempre que viajamos para outros países (ou mesmo dentro do nosso país), é importante compreender o contexto, questionar e, acima de tudo, respeitar e preservar o ecossistema. Eu deixo algumas dicas para ajudar:




DICAS PARA AS COMPRAS

- Levem um saco de pano. Digam não aos sacos de plástico descartável e façam-se sempre acompanhar por um saco de pano (ou de plástico reutilizável) na mochila para todas as eventualidades. Sabiam que um saco de plástico descartável demora mais de 400 anos a decompor-se?

- Levem uma garrafa reutilizável. Optem sempre por encher uma garrafa (preferencialmente reutilizável) do que comprar engarrafada. Há muitos países onde beber água da torneira é seguro e até apresenta mais qualidade (como em Portugal). Mas claro que se forem viajar para a Índia, por exemplo, este comportamento é totalmente desaconselhado. Pesquisem primeiro antes de lá chegarem.

- Comprem artesanato. Toda a gente gosta de levar uma lembrança para casa quando vai de férias, certo? E porque não optar pelo artesanato feito com produtos locais e pelas mãos das pessoas locais? É a lembrança mais genuína e valiosa que podem comprar. E assim estão a preservar a economia e a cultura local. Tenham em atenção para que essas lembranças não sejam feitas com materiais retirados da natureza como corais, chifres de animais e outros exemplos. Se for o caso, não comprem! 




DICAS PARA O ALOJAMENTO

- Digam não às trocas diárias de toalhas e roupas de cama. Independentemente do sítio em que ficarem alojadas, não se esqueçam de referir que não querem que os lençóis e toalhas de banho sejam trocadas diariamente. O impacto que esse hábito tem nas comunidades envolventes é enorme. Há hotéis a consumir mais energia e água num mês do que as comunidades vizinhas durante o ano. Afinal de contas, quantas vezes mudam os lençóis da vossa cama durante a semana?

- Piscinas em zonas desérticas? Huumm... Se escolherem um país onde a água é vista como um bem escasso e precioso (Cabo Verde, por exemplo) e o hotel onde vão ficar alojados tem piscina, então perguntem-se de onde vem aquela água. Provavelmente das reservas das comunidades envolventes. É injusto, não é?  Optem por resorts/alojamentos sem piscina ou com piscina de água salgada.

- Poupem como se estivessem em casa. Não é por não estarmos em casa que podemos deixar luzes ligadas, o ar-condicionado a funcionar mesmo quando não está ninguém ou tomar banhos de imersão. Sabemos que “já está pago”, mas a fatura final é encaminhada para o nosso ambiente, que é partilhado por TODOS nós. Em férias, já sabem, façam como se estivessem em casa.

- Escolham alojamentos centrais. Se escolherem um alojamento muito próximo dos sítios que querem visitar, vão poupar dinheiro no transporte, porque vão conseguir ir a pé para todo o lado. O Planeta também vai beneficiar com esta atitude. 




DICAS PARA AS REFEIÇÕES

- Comam em bares e restaurantes locais. Para além de ficarem a conhecer a gastronomia, vão proporcionar uma ajuda na economia local. Além disso, por norma, sítios menos turísticos são sempre mais acessíveis. Evitem as grandes cadeias de restauração.

- Prefiram produtos da época e regionais. Tal como devem fazer em casa, escolher produtos da época é mais sustentável e saudável. Se os produtos forem regionais, melhor ainda, já que o processo de transporte e distribuição dos mesmos é inexistente ou reduzido. Por exemplo, se estiverem no centro da Europa, a probabilidade de terem um peixe fresco no menu é reduzida e, se houver, sabem que este é congelado e importado. Ao comer produtos locais, vão evitar muitas emissões de gases efeito estufa provocados pela produção e distribuição.




DICAS PARA O TRANSPORTE

- Sempre que possível, prefiram os transportes públicos. Se andar de transporte individual aqui polui, noutra zona qualquer, polui na mesma medida. Optem sempre pelo metro, comboios, autocarros ou tuk-tuks. Veja qual é o transporte mais utilizado pelos locais e repitam o exemplo.

- Andem a pé ou de bicicleta. Se puderem deslocar-se sem recorrer a transportes movidos a energia ou combustível, melhor para o Planeta.

- Privilegiem as empresas locais. Em vez de comprarem a grandes empresas e multinacionais, escolham pequenas lojas para comprar packs de excursões, guias turísticos locais, transportes locais, etc. Vão estar a ajudar a economia local, mais uma vez. Por vezes, poderão não ter a experiência mais luxuosa, mas será uma experiência autêntica.




DICAS PARA O LAZER

- Não vão a atrações com animais em exibição. Esqueçam os jardins zoológicos, shows de golfinhos, circos, as fotografias com aves, macaquinhos, cobras ou passeios de elefante. Claro que, infelizmente, estas atividades já estão muito enraizadas em determinadas culturas, mas é necessário perceber que os animais sofrem de maus-tratos e exploração para conseguirem comportar-se daquela forma tão pouco natural. Não compactuem com estas práticas! Por outro lado, existem os chamados Santuários de Animais, como os de elefantes na Tailândia (Elephant Nature Park), onde se encontram animais que foram resgatados de locais como, por exemplo, os mencionados em cima. Podem conhecê-los num ambiente livre e muito próximo ao seu habitat natural. Há também a possibilidade de fazer voluntariado por 7 dias. Outra opção são os safaris em que os turistas usam jipes protegidos por uma espécie de jaulas e visitam os locais onde estão os animais selvagens, sem perturbar as suas dinâmicas nem alterar o ecossistema.

- Preservem o património natural. Se fizerem trails ou caminhadas, não se desviem dos caminhos que já existem. Assim vão proteger o ecossistema e ajudar no crescimento da vegetação local.

- Atenção ao que levam e ao que trazem. Há a típica frase “não tire mais do que fotografias e não deixe mais do que pegadas”. Claro que é tentador levar alguma recordação do sítio onde estiveram a passar férias, como conchas, pedras ou areia, mas já pensaram o que seria se toda a gente o fizesse? Esse comportamento não é sustentável e, por isso, levem só fotografias convosco. Por outro lado, não deixem mais do que aquilo que não podem evitar. Não deixem lixo, não danifiquem o património cultural ou natural. Respeitem o local que estão a visitar!

- Valorizem a cultura local. Conheçam as suas tradições, costumes e respeitem as diferenças. Não julguem nem critiquem se alguém agir de forma diferente da vossa. Afinal, estão numa cidade/país que não é o vosso, aprendam com isso!




DICAS PARA OS COMPORTAMENTOS

- Viajem em épocas baixas. Esta medida é boa para todos. Vão conseguir pagar muito menos pela mesma experiência e vão promover a economia local durante todo o ano, e não apenas nas épocas altas.

- Não imprimam bilhetes. Parece um detalhe insignificante, mas já pensaram se toda a gente passasse a mostrar o ingresso digitalmente (no telemóvel) em vez de o imprimir?

- Não deixem um rasto de lixo. Há países que têm graves problemas com a gestão e tratamento dos resíduos. Se visitarem um país desses, evitem ao máximo fazer lixo e quando o fizerem, se possível, guardem-no convosco até se poderem desfazer dele em zonas mais propícias.

- Paguem o preço justo. Percebam quanto é que vale o trabalho dos locais (artesãos, taxistas, etc.) e não tentem reduzir o preço dos mesmos.


- Não ofereçam dinheiro às crianças. Apesar de partir o coração vê-las a pedir dinheiro, estamos a prejudicar mais do que a ajudar, se contribuirmos com uma esmola. As crianças são retiradas da escola para se dedicarem a pedir dinheiro nas ruas e quanto mais lucro obtiverem, menor a possibilidade de voltarem a estudar e de terem uma vida de uma criança normal.


São pequenos passos que nos tornam cidadãos melhores e mais conscientes. Claro que ainda não faço algumas destas coisas e que muitas delas não fazia porque nunca tinha refletido sobre elas. Espero que este post vos tenha alertado para algumas situações e que promovam novos hábitos! Não há desculpas! A proteção do ambiente nunca pode tirar férias!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

O Feminismo e a ignorância-mórbida

Andava no outro dia pelo facebook - cada vez mais inútil devido à estupidez humana - e deparei-me com a seguinte "notícia"



Reparem que escrevi "notícia" entre aspas. Não foi por acaso. Vamos então analisar, apenas por esta imagem, aquilo que está mal aqui. 


Primeiro, o meio de comunicação. Como é que um jornal como o Diário de Notícias anda a partilhar "notícias" do Delas? Eu já sei que não é a primeira vez e que esta prática é mais comum do que o desejado, mas essa realidade surpreende-me todos os dias. 


Segundo, o título, que nada ou pouco diz. Quer dizer, até diz muito se ficarmos atentos ao pormenor do "assume", como se fosse uma grande revelação. Mas vamos lá fingir que isso foi apenas uma escolha fraca da palavra. Continuamos... I mean, onde está aqui a notícia, pessoal? Eu até compreendia que isso poderia ser notícia por ser um membro da família real, que é conservadora, ainda por cima um homem, mas depois olhei para a fotografia escolhida. 


Chegamos ao ponto terceiro, a fotografia escolhida. Fiquei tão chateada, mas tão chateada com isto, que nem imaginam. Nela vemos o Harry a fazer um gesto com as mãos que, descontextualizado, aparenta ser o que chamam de "gestos femininos". Então temos um homem que "assume" ser feminista e apresenta-se na foto com uma posição "feminina". 


O propósito é óbvio: confundir o leitor e provocar a discussão. 


Conceitos como feminista e feminino estão aqui misturados e remexidos e isto deixa-me enojada. Todo este circo montado no meu feed e eu só penso "como é que é possível?". Isto apela à descriminação, à intolerância, à ignorância. Podem achar que sou eu a exagerar, mas acho mesmo que é assim que se começa a criar pequenos Bolsonaros-Trump-raio-que-os-partam. Se não pudermos contar com os meios de comunicação social para esclarecer, para nos ajudar a compreender conceitos, a sermos mais tolerantes, a conhecermos diferentes perspetivas... Então servem para quê?


Servem para quê?!


Faço questão de não abrir nenhuma destas porcarias que me aparece no feed para não lhes dar os clicks que lhes pagam estas notícias. Mas também não preciso de saber o que está no interior para saber que nada tem que ver com o que eles "querem dizer" com o título e com a imagem escolhidos. 


Mas agora vocês dizem "Ah estás a exagerar! O pessoal não é parvo e pensa pela própria cabeça. Sabem bem o que é o feminismo e compreendem bem o que está por detrás deste clickbite". E aí eu respondo-vos, "não, não sabem". Há uma grande comunidade altamente ignorante - para não dizer estúpida - no facebook, especificamente nos comentários. Gente que está a empurrar de lá para fora os mais esclarecidos. Os estúpidos normalmente vencem os espertos pelo cansaço. E como por norma começam a restar apenas os estúpidos, os comentários começam a ficar cada vez piores, mais assustadores. Foi para comprovar a minha teoria que os fui ler. Reparem nisto:






"Não jogo nos outros clubes", "crise de identidade", "Que vergonha. Credo!", "Isso é princesa", "Feminismo é o cancro do século XXI", "casou para esconder a homossexualidade" ou "jeito não lhe falta" são alguns comentários que podemos ler aqui. Havia mais, mas não continuei.


Já conseguimos perceber a ignorância, a intolerância e a pobreza de tudo que há nestas pessoas?


Mas serão os únicos culpados por estes pensamentos/comentários retrógradas, ofensivos, estúpidos, ignorantes e intolerantes? Eu digo que não. Digo que quando contamos com meios de comunicação como este que difundiu esta "notícia", não podíamos ter uma sociedade diferente. É impossível termos uma cultura digna, respeitosa, tolerante enquanto que o Correio da Manhã e outros que tais forem os jornais mais lidos no país.


Eu faço questão de não abrir estas coisas. Faço questão de me focar apenas naquilo que é informação e que me vai tornar melhor pessoa ou mais culta. O resto é barulho de fundo feito e escrito para os tolos. Por favor, não sejam tolos. Procurem informação de qualidade, leiam muito mas leiam bem, bom, do melhor que encontrarem. Confirmem as fontes antes de acreditarem em tudo o que vos ponham à frente e, acima de tudo, se não perceberem um conceito, pesquisem primeiro. Não comentem, não julguem, não assumam uma posição de forma ignorante.


E antes de terminar este post gigante, mas que tinha mesmo que existir tenho mesmo que dizer:
Todos nós deveríamos ser feministas!


Sê-lo no real sentido da palavra, sem fundamentalismos e sem preconceitos. 
E ser feminista é tão simples como exigir e lutar por direitos iguais entre homens e mulheres.


Am I right?