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terça-feira, 22 de maio de 2018

fim-de-semana

Mais uma moedinha, mais uma voltinha. Tive direito a outro super fim-de-semana cheio de coisas bonitas e com cheio a verão!

Começou com um concerto especial num sítio especial. Ouvi peças de Edward Elgar e Beethoven tocadas pela Orquestra de Guimarães. Que bonito que foi... E que bom ver aquele espaço cheio, com pessoas de todas as idades a assistir!

O sábado de manhã começou cedo, comigo no sofá, de pijama, a comer cereais e a ver o casamento real (ahahaha). Juro. Depois tive que abandonar. Entreguei-me à missão de encontrar O vestido. O meu vestido do coração. Apaixonei-me por ele há 1 mês, mas como era caro como tudo, decidi não comprar, ponderar. Arrependo-me tanto disso, pá! Está encomendado mas não está fácil. Na loja, ninguém me deu notícias durante toda a semana e então decidi ir a outra loja. Também não tinha. Filho da mãe, a fazer-se de difícil! Depois, como ainda fui passear por perto da loja onde o tinha visto da primeira vez, lá fui perguntar se havia notícias. Disseram-me que estava a caminho de uma outra loja num outro ponto qualquer do país e que deveria chegar na próxima semana. O que significa que vai haver um dia em que vou sair do trabalho e enfiar-me na autoestrada na esperança de conseguir apanhar a loja aberta, para experimentar O vestido e perceber se, efetivamente, fomos feitos um para o outro. É uma canseira ter ideias fixas e paixões intensas, digo-vos.

A tarde serviu para passear pela cidade, chupar um gelado e apanhar um pouquinho de sol. Foi bom. Logo após o jantar, voltei a arranjar-me para sair para um outro concerto. Conhecem o Erland Oye? Deviam! Foi o segundo melhor concerto que vi este ano. Maravilhoso, surpreendente, cheio de energias positivas... Ficava ali mais 3 horas na boa a ouvi-lo cantar e tocar. Incrível! Fui de coração cheio e super inspirada para casa. Que noite bem passada...

O domingo foi bem mais tranquilo, em casa, a organizar o roupeiro (fora com os casacos de pelo e acolchoados) e a escrever no blog, que também já era tempo!

E o vosso fim-de-semana também foi super?


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quarta-feira, 28 de março de 2018

ben is an alien


Fui ver o Benjamin Clementine no Auditório Municipal de Viana do Castelo e acho que ainda não tenho palavras para vos descrever o espetáculo que ele deu. Para começo de conversa, ainda estou a martirizar-me por ter perdido a oportunidade de o ver no Paredes em Agosto. Tinha companhia, boleia, bilhete... Mas não fui porque tinha outros compromissos. Parva.

Já ouço Benjamin há uns tempos (antes do Paredes, claro), mas depois da minha amiga ter ido e me ter descrito o concerto acho que ainda fiquei mais fã. Quando soube que ele vinha cá fiquei entusiasmada, mas depois voltei a pensar que tinha responsabilidades e que o mais certo era não poder ir. Entretanto os bilhetes esgotaram. Fiquei mesmo triste, de verdade. Mas a vida seguiu.

A semana passada, essa mesma amiga disse-me "Tenho um bilhete para o Clementine, queres vir?". COMO ASSIM SE QUERO??? Quero sim!!! E pronto, quando dei por mim já estava em Viana, ansiosa para o ver.

Podia tentar descrever-vos o concerto, mas é impossível. E lamento informar-vos, mas o Spotify ou o YouTube ou as rádios onde as músicas dele passam não fazem jus ao talento enorme que aquela pessoa tem... Nem ao seu humor e loucura. Sempre que tiver oportunidade, vou ver o Benjamin. Foi o concerto mais bonito que já vi, não o mais espetacular (eu já vi a Madonna duas vezes pessoal, fim de conversa) mas aquele em que me senti arrepiada de início ao fim. Aquela voz... Meu deus, aquela voz! É incrível o que ele faz com ela, com o piano e com o público. Foi soberbo. E a interação dele com o público foi de rir. Extraordinário. Que incrível que é o Benjamin e que ele consiga permanecer fiel a si próprio, ao seu estilo tão pessoal, tão íntimo.

Pensei que fosse chorar, porque quando vejo algo tão bonito fico emocionada (sim, eu emociono-me com quadros ou esculturas ou edifícios... yep! Who knew?!) mas no caso do Benjamin eu sentia-me tão feliz, tão arrebatada, tão boquiaberta com todo o ambiente que só conseguia estar calada. Menos quando tocou, por exemplo, a Nemesis, a música de Guimarães, ou quando ele pedia que cantássemos com ele "I'm an alien just passing by (in Portugal)" ou "Porto Belo" ou "I'm sending my condolences to fear / I'm sending my condolences to insecurities". Ou quando ele continuava a insistir que pronunciávamos mal "IN-SE-CU-RI-TIES!".  Foi uma risota! Mas depois, noutros momentos, ficava a observar e a aquecer o meu coraçãozinho. Que bonito que é o Benjamin... 

E que eu possa sempre ir vê-lo e acompanhar o seu trabalho.

Estou (ainda mais) rendida.


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terça-feira, 27 de março de 2018

get green


Nos últimos tempos tenho andado bastante sensibilizada para as questões da sustentabilidade e comportamentos eco-responsáveis. Claro que isso está diretamente ligado com a minha área de trabalho - sou mais suscetível a estas questões - mas sei também que o ambiente sempre foi um foco de preocupação para mim. Apesar de tudo, pouco ou nada fazia por ele. Apenas tinha como preocupação a poupança da água, especialmente depois de ler o livro da Angelina Jolie há mais de 10 anos atrás que se chama Diário das minhas Viagens e que relata a sua experiência nos campos de refugiados em países como Serra Leoa, Camboja, Vietname e Equador (2001 e 2002). Se não leram, então aconselho-vos a ler. Marcou-me para sempre. Depois de perceber a disponibilidade de água (ou falta dela) em alguns países, nunca mais consegui deixar a torneira correr, nem tomar banhos demorados (10 minutos na loucura). Os dentes são escovados com água no copo e torneira fechada, a loiça é lavada com água na pia, a descarga é sempre dada pela metade e raramente consigo deixar água nas garrafas - faço os possíveis para beber até ao fim ou, se não conseguir, uso-a para regar um vaso ou canteiro próximo. São hábitos já entranhados. Há anos que os tenho. Mas nos dias de hoje não basta poupar água. 

Hoje é preciso mais, 
MUITO MAIS!!!

Há uns tempos comecei a fazer a separação dos resíduos. Não fazia há mais tempo porque não tinha equipamentos (ecopontos) nas proximidades que me permitissem depositar o meu lixo. E pegar no carro para ir descarregar é muito pouco ecológico.

P.S. Aprendi também que é praticamente impossível sermos 100% ecológicos. Precisamos é de saber olhar para as nossas opções e escolher aquela que é a mais sustentável.

 Mal colocaram os conjuntos a pouca distância da minha casa, fui ao Ikea comprar três caixas destas e comecei a fazer a separação. Sou quase a mestra de casa e é recorrente virem ter comigo perguntar "isto é no amarelo ou no azul?", "isto é plástico?", "isto é reciclável?". Às vezes dou por mim a inspecionar o saco indiferenciado (e chego a resgatar um ou outro plástico que não pertence ali). Ao início foi complicado, não vou mentir. Introduzir hábitos em casa não é uma tarefa fácil, até porque é bem mais prático mandar tudo para o caixote do lixo. Mas agora está tudo mais controlado e já todos vemos essa tarefa como "normal".

Outra coisa que comecei a fazer, talvez por paranóia hábito é olhar em todas as direções para perceber onde existe um ecoponto em espaços públicos. Quando não existe volto a meter a minha embalagem ao bolso ou à carteira e despejo mal encontre um ou só o faço em casa. Não acho que esta atitude esteja incorreta ou até que dê tanto trabalho quanto isso. É um gesto pequeno que vai fazendo a diferença.

Dou por mim, várias vezes, a recusar sacos, talões e outras embalagens absolutamente desnecessárias. Digo sempre na caixa que temos que ser mais sustentáveis e, a maioria das vezes, recebo um sorriso tímido de quem pensa "chiça, nunca me lembro disso!". Agora, nos restaurantes, também peço sempre para levar para casa a comida que sobrou. Os meus pais não acharam grande piada ao início. Ainda existe o estigma de que quem leva comida para casa é sovina ou necessitado ou outra coisa qualquer, que eu nunca percebi muito bem. Eu não podia estar em mais desacordo com essa perspetiva e peço sempre para levar. Claro que depois faço mais resíduos por levar uma embalagem para casa (que vai diretamente para o ecoponto amarelo, claro) mas quando me pergunto o que causa mais impacte, a resposta é sempre "comida boa no lixo". Então trago-a comigo e fico com mais uma refeição pronta para comer.

Não sou um exemplo. 
Estou MUITO longe disso. 

Mas sinto-me cada vez mais responsável pelo nosso ambiente e sinto que posso fazer sempre mais um bocadinho.

Talvez por isso que há uns tempos para cá comecei a refletir sobre a roupa que visto. É certo que há aquelas questões sociais sobre a exploração infantil, escravatura, falta de condições de trabalho e afins. Isso é todo um outro problema que se liga indiretamente ao ambiente. Mas foquei-me mesmo na sustentabilidade da minha roupa e percebi que apesar de ter uma ou outra peça exemplar, a maioria não o é.

Depois comecei a procurar e percebi que a oferta ainda é reduzida, a preços superiores e pouco acessível a quem não gosta de comprar online antes de experimentar (EU!). Voltei a refletir sobre o que posso eu fazer para ser mais sustentável sem alterar drasticamente os meus hábitos - sou pouco dada a fundamentalismos. Cheguei a algumas conclusões e decidi partilhar convosco.


O que fazer?
Comprar MENOS | É o primeiro ponto para termos uma atitude mais ecológica. O consumo desenfreado - de roupa ou de outra coisa qualquer - é altamente prejudicial para o nosso ambiente. Comprar menos permite-nos comprar melhor e ao comprar melhor significa que, à partida, a peça terá uma duração maior que peças de menor qualidade. Se vai durar mais, mais tempo vai passar até termos a necessidade de substituir essa peça por outra. É uma excelente oportunidade para darmos aquele upgrade ao nosso closet.

DAR o que já não nos serve | Um roupeiro cheio de roupa não significa, necessariamente, que temos muito para vestir - todas as mulheres sabem disso. É importante, de vez em quando, irmos selecionando peças que já não fazem o nosso estilo, que já não nos servem ou que não vamos ter mais oportunidade de usar e doá-la a instituições ou distribuir por amigas.

VENDER online | Se quiserem rentabilizar o processo de cima, podem sempre colocar as peças à venda no OLX ou CustoJusto, em grupos do Facebook ou algo parecido. Vão livrar-se de peças que já não querem e ainda ganhar uns trocos.

Comprar LOCALMENTE | Ao apoiarmos o comércio local estamos a ser sustentáveis (não se esqueçam que a sustentabilidade tem três pilares: económico, social e ambiental). "Então porquê?" perguntam-me vocês. Por dois motivos primordiais: 1) porque estamos a gerar receitas no nosso meio e a apoiar a economia local e 2) porque esses artigos, normalmente, são produzidos também localmente, logo não existe o problema do transporte e distribuição que causam uma grande percentagem de poluição neste processo. Escolham aquelas lojas catitas que todas as cidades têm e vão beneficiar com peças diferentes de todas as outras pessoas, o que também é um luxo.

ENTREGAR nas lojas | Se têm peças de roupa ou outros tecidos que já estão estragados, entreguem-nos nas caixas que existem em lojas como a Zara ou a H&M e ainda recebem um vale de desconto. Esses tecidos são reciclados e aproveitados para criar novas peças.

Escolher LINHAS Sustentáveis | Hoje em dia as marcas têm linhas ecológicas e, nem por isso, mais dispendiosas. A Mango tem a Commited, a Zara a Join Life e a H&M a Conscious Collection. Sou fã das três e tento sempre optar por peças destas linhas. É só olhar para as etiquetas para identificar as peças.


Eu sei que me estou a alargar,
MAS TENHO MUITO PARA VOS DIZER 
SOBRE ESTE TEMA!

Bom, mas vamos supor que não têm acesso às linhas destas marcas e querem mesmo peças de boa qualidade e com tecidos, à partida, ecológicos. Primeiro, devem fazer uma pesquisa de mercado para perceberem o que querem, o que precisam e o que existe pelas lojas. Há determinados materiais que são mais sustentáveis que outros e, na dúvida, devem optar por eles. Ler a etiqueta é cada vez mais importante nos dias de hoje. Fiz uma pesquisa superficial e aliei a esta os conhecimentos que já tinha anteriormente e cheguei à seleção de 5 matérias-primas de excelência, que vão de encontro aos meus gostos e à sustentabilidade que é exigida:

Algodão Orgânico | É diferente do algodão convencional porque a sua produção é mais sustentável (menos 46% da poluição provocada). O facto que ser orgânico implica também que siga regras criteriosas de produção para que seja certificado e estas regras são as mesmas em todo o mundo.

Lã e Seda Ecológica | Estes dois materiais são mais sustentáveis porque têm um processo de criação e transformação manual e natural. O tingimento é feito com corantes naturais (café, por exemplo) e juntamente com a fiação manual, constituem uma fonte de rendimento a várias comunidades (lembram-se de eu dizer que a sustentabilidade é uma ligação da sociedade com o ambiente e com a economia?).

Linho | Para além de resultar num tecido lindo, com uma cor e textura nobre, é também uma ótima opção para os dias quentes de verão. A produção deste material é, ainda assim, mais ecológica que a do algodão orgânico porque gasta 20 vezes menos água, necessita de quantidades mínimas de fertilizantes e ainda gasta pouca eletricidade, já que recorre a condições naturais como o sol ou a chuva. Para além disso, todos os resíduos produzidos durante o processo são recorrentemente reutilizados na produção de outros materiais em diferentes indústrias (papel, por exemplo).

Fibra de PET | É o único produto sintético da lista e não há nada de errado nisso. Esta fibra é o resultado da transformação de garrafas de plástico. Sabemos que o plástico é, por si só, um dos maiores problemas a nível da poluição global e esta solução não responde só a este problema como o transforma também num recurso sustentável. Maravilha! Todo o processo, desde a recolha das garrafas até à sua transformação, também é uma fonte de rendimentos para várias populações. É já possível combinar estas fibras com fibras de algodão, que resulta num tecido resistente e durável.


No nosso dia a dia podemos começar a estar mais atentas a estas questões da sustentabilidade, quer na roupa como nas outras coisas. Podemos começar pelo princípio e escolher peças das linhas que falei em cima. Eu tomei a liberdade de fazer uma pequena seleção de algumas peças que são sempre úteis nos nossos closets.

Claro que não sou parva e sei muito bem que essas linhas nem sempre são assim tão completas quanto isso (não há grandes acessórios ou calçado sustentável, por exemplo) mas é um ponto de partida para um hábito. Por exemplo, se quiserem uma t-shirts branca sabem que têm à vossa escolha 2 345 mil modelos de diferentes marcas. Eu sugiro que procurem t-shirts sustentáveis. Ou seja, a ideia não é irem já a correr para as lojas para comprar as peças que eu vou sugerir. A ideia é que, se precisarem de alguma peça, equacionem sempre, em primeiro lugar, comprar a opção mais ecológica. 

Por exemplo, eu queria um blazer novo. O meu está a ficar um nadinha estragado (já tem 8 ou 9 anos!), ainda vai dando umas voltinhas, mas precisava de renovar esta peça. Encontrei vários - como devem imaginar - e a vários preços. Selecionei dois: um verde escuro e um cinzento mas eram ambos caros (perto dos 100€) e eu não queria dar tanto dinheiro por uma peça que eu sei que não a ia usar tantas vezes quanto isso. Esperei pelos saldos e ambos baixaram para 50%. Fiquei ali com dúvidas sobre qual dos dois preferia até que percebi que um deles era da linha Commited (Mango) e o outro não. Está fácil de perceber qual foi o que veio comigo, não está? Agora tenho um blazer supimpa em lã orgânica e adoro - e uso mais do que estava à espera porque a qualidade é, realmente, notória. É isso que eu peço: na dúvida, escolham o mais ecológico possível.

Fiz a seguinte seleção:
Impermeável 69,99€ H&M Consious Collection | Blazer 59,95€ Zara Join Life | Blusa 59,99€ H&M Consious Collection | Top 5,95€ Zara Join Life | Conjunto lingerie 14,99€ (sutiã) e 9,99€ (cueca) H&M Consious Collection | Bolsa 19,99€ H&M Consious Collection | Jeans 29,99€ H&M Consious Collection | Calças pretas 19,95€ Zara Join Life | Camisola 19,99€ H&M Consious Collection | Shorts 19,99€ H&M Consious Collection | Vestido 49,99€ H&M Consious Collection | Camiseiro 29,95€ Zara Join Life

Mas há mais peças bonitas e sustentáveis de onde veio esta seleção, querem ver?


Casaca de Ganga 39,99€ H&M Consious Collection | Sutiã 17,99€ H&M Consious Collection | Clutch 39,99€ H&M Consious Collection

 Desodorizante 5,99€ H&M Consious Collection | Top 24,99€ H&M Consious Collection | Calções 14,99€ H&M Consious Collection 

T-shirt 5,95€ Zara Join Life

T-shirt 5,95€ Zara Join Life | Calças 29,95€ Zara Join Life | Bálsamo 6,99€ H&M Consious Collection
Creme de corpo/rosto 7,99€ H&M Consious Collection
Impermeável 29,95€ Zara Join Life | Top preto 9,99€ H&M Consious Collection | Top estampado 12,99€ H&M Consious Collection | Leggins 19,99€ H&M Consious Collection |


Nada do que escrevi aqui é novidade ou a descoberta da pólvora. Claro que não! O que eu pretendo é que seja uma chamadinha de atenção, um momento para refletir sobre estas questões e ponderar algumas opções. Mudar os nossos hábitos drasticamente não é recomendável - como já disse, os fundamentalismos nunca resultam comigo - e, por isso, abordar o problema de forma gradual, irmos pesquisando soluções que se adaptem às nossas condições e estilos de vida é o caminho mais sensato.

Prometo que o post está a terminar! Eu sei, já não era sem tempo, mas acho cada vez mais importante chamar a atenção para estas questões e, mesmo sabendo que o meu alcance é reduzidíssimo, se apenas 1 pessoa ler e ficar a pensar então my job here is done! ;)

Antes de fazerem compras, pensem de forma sustentável e façam sempre a melhor escolha para o nosso Planeta!


Sticky&Raw
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terça-feira, 6 de março de 2018

ainda os oscars


Se me acompanharam no facebook, sabem que estive a comentar quase ao minuto os prémios que iam sido atribuídos em todas as categorias até às 5 da manhã. O que foi muito engraçado, principalmente porque às 7 horas já estava a pé e pronta para um dia de trabalho pela frente que só terminou à meia-noite, comigo KO na caminha. Acontece.

Já vos falei da red carpet e de toda aquela mornice que desfilou em LA antes da cerimónia. Tão morno que só elegi 2 favoritos. Dois! 

A cerimónia em si foi igualmente morna, sem grandes momentos de entretenimento. O apresentador esteve muito bem, os discursos foram engraçados, mas aqui destaca-se Frances McDormand que pôs toda a gente a aplaudir. Os momentos de música foram também rápidos e giros, mas nada que fique na memória.

Por isso, o que eu quero mesmo falar-vos é dos vencedores (e derrotados) da noite.

Melhor Design de Produção | Melhor Caracterização | Melhor Guarda Roupa

A Forma da Água | A Hora Mais Negra | A Linha Fantasma
Vi todos os nomeados da primeira categoria e acho que o prémio foi injustamente para A Forma da Água. Apesar de ser um filme com grande qualidade, neste caso o justo vencedor, na minha opinião, que vale zero neste caso, seria Blade Runner 2049. Quem viu o filme compreende que não é uma obra de arte a nível de argumento ou de interpretações, mas é-o em questões técnicas. É uma delícia ver aquele filme por tudo o que vai acontecendo em frente aos nossos olhos. Já na segunda categoria, apenas vi um dos três nomeados e foi esse mesmo, A Hora Mais Negra, que levou o Oscar para casa. Mesmo sem termo de comparação, gostei que assim fosse porque, se não consigo reconheço um ator que eu conheço muito bem (não sendo eu super-fã de Harry Potter e Batman) num papel, é porque a caracterização está no ponto! Na última categoria, de todos os 5 nomeados apenas não tinha visto um filme (Victoria & Abdul) e digo-vos que este Oscar foi muito, mas mesmo muito, bem entregue a A Linha Fantasma.

Melhor Edição Sonora | Melhor Mistura Sonora | Melhor Banda Sonora | 
Melhor Canção Original
Dunkirk | Dunkirk | A Forma da Água | Coco
Nas categorias de Melhor Edição Sonora e Melhor Mistura Sonora, dos 5 filmes falta-me ver Baby Driver e tenho a dizer-vos que se Dunkirk não levasse esses dois Oscars eu metia-me em LA em dois tempos e andava a distribuir estalos gratuitamente a todos os júris. Dunkirk vive do som e ele é uma personagem tão bem construída como qualquer outro ator no filme. Foram dos dois Oscars mais merecidos da noite, na minha opinião. Já quanto à Banda Sonora e Canção Original, os vencedores foram A Forma da Água e Coco. Se com o primeiro até concordei (apesar de me chegar à frente com a minha preferência por Johnny Greenwood em A Linha Fantasma), com o segundo não posso dizer o mesmo. Mistery of Love deveria ganhar o Oscar porque sim (e aqui não consigo mesmo ser imparcial, pronto, admito).

Melhor Fotografia | Melhor Montagem | Melhores Efeitos Especiais
Blade Runner 2049 | Dunkirk | Blade Runner 2049
O Oscar de Melhor Fotografia foi, na minha perspetiva, muito bem entregue a Blade Runner 2049 por tudo aquilo que já disse em cima (desta categoria só não vi, ainda, Mudbound). Na segunda, foi Dunkirk que levou a estatueta, somando assim, três Oscars. E muito bem. Não acreditava que também nesta categoria, os restantes nomeados tivessem grandes hipóteses. Excelente atribuição (só não vi Baby Driver neste grupo). Por fim, Blade Runner 2049 levou o seu segundo e último Oscar da noite pelos fantásticos efeitos especiais. Mais uma categoria muito bem entregue.

Melhor Curta de Animação | Melhor Filme de Animação
Dear Basketball | Coco
Em ambas as categorias não tenho muito a dizer já que na primeira vi apenas o vencedor, Dear Basketball (na véspera da cerimónia) e fiquei muito surpreendida, pela positiva, com a qualidade do texto e da própria animação. Foram uns 4 minutos muito bonitos. Na segunda ainda não vi nenhum, mas segundo as opiniões de outros, o Oscar foi muito bem entregue a Coco (que vou ver muito em breve).

Melhor Curta Metragem | Melhor Documentário | Melhor Curta Documental
The Silent Child | Icarus | Heaven is a Traffic Jam on the 405
Não vi nenhum dos nomeados destas três categorias (eu disse que este ano me baldei forte para os Oscars) e, por isso, não tenho opinião. Os vendedores foram The Silent Child, Icarus e Heaven is a Traffic Jam on the 405.

Melhor Filme Estrangeiro
Uma Mulher Fantástica
Levei uma facada no coração. Sabia bem que Uma Mulher Fantástica (Chile) tinha grandes probabilidades de receber o Oscar, mas esperava que essa opinião existisse enquanto que o júri ainda não tivesse visto O Quadrado (Suécia). Fiquei apaixonada por este segundo filme, sendo talvez o meu segundo favorito deste ano (primeiro vem o Call Me By Your Name, claro!). Já era suposto ter visto o filme vencedor no grande ecrã mas, mais uma vez, baldei-me porque não me apetecia sair de casa. Bom, parece que fiz mal.

Melhor Argumento Original | Melhor Argumento Adaptado
Foge | Chama-se pelo Teu Nome
Da primeira categoria, faltam-me dois e da segunda só vi dois (isto está bonito, está). Na primeira, não tinha mesmo ideia nenhuma sobre quem seria o vencedor, mas sabia que 3 Cartazes à Beira da Estrada era o meu favorito - achei o argumento tão humano, tão genuíno que parecia quase uma história real. Mas a escolha de Foge não me surpreendeu pela originalidade do filme, como já disse num texto antes. No segundo grupo, vi o que tinha que ver - Call Me By Your Name. E quase que verti uma lágrima...

Melhor Ator Secundário | Melhor Atriz Secundária
Sam Rockwell | Allison Janney
Sem surpresas nenhumas, Sam Rockwell (3 Cartazes à Beira da Estrada) e Allison Janney (Eu, Tonya) levaram os Oscars para casa. Totalmente merecido!

Melhor Ator | Melhor Atriz
Gary Oldman | Frances McDormand
Também sem grande woooow, Gary Oldman (A Hora Mais Negra) e Frances McDormand (3 Cartazes à Beira da Estrada) foram os absolutamente merecidos vencedores da noite.

Melhor Realizador | Melhor Filme
Guillermo del Toro | A Forma da Água
Ambos os Oscars vão para a mesma morada. Infelizmente. Se por um lado concordei plenamente que Guillermo del Toro fosse o justo vencedor por ter sido o Melhor Realizador (ainda assim acho que não olhamos com olhos de ver para o Paul Thomas Anderson e a sua A Linha Fantasma), por outro, ainda estou para perceber como e onde é que A Forma da Água é o Melhor Filme do ano, principalmente competindo com 3 Cartazes à Beira da Estrada ou Dunkirk - e até mesmo Call me by your name. Como? Não me conformo.


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domingo, 4 de março de 2018

previsões para os oscars

Como prova de como tenho andado meeeesmo muito ocupada, este é o primeiro post sobre os Oscars que faço (sem ser os Play). E isso acontece quando? No preciso dia dos Oscars... Yep, nem parece meu, eu sei...

Também andei a baldar-me forte este ano. Falta-me ver quase tudo. Mas vou avançando com algumas previsões sobre as principais categorias. Cá vão elas:

Melhor Filme
Apesar de não ter visto ainda o Lady Bird ou o The Post, acredito que 3 Cartazes à Beira da Estrada vai levar para casa o Oscar de Melhor Filme. Na minha opinião, quem ganhava isto limpinho, limpinho era Call me by your name, mas sei que é muito difícil isso acontecer...

Melhor Realizador
O Guillermo del Toro deve ganhar o Oscar de Melhor Realizador com o filme A Forma da Água.  Não será mal entregue, não senhor, mas eu também não me importava nadinha que o grande Christopher Nolan ganhasse com o seu Dunkirk (que está uma pequena obra de arte). Desta categoria só me falta mesmo ver o Lady Bird.

P.S. se gostaram muito de A Forma da Água, então têm MESMO que ver O Labirinto do Fauno, do mesmo realizador, mas 1000 vezes melhor - talvez por saber do que ele era capaz que fiquei ligeiramente desiludida com este filme.

Melhor Atriz
A Frances McDormand fez questão de não dar hipóteses a mais ninguém nesta categoria. Hoje o Oscar quase de certeza que vai para ela. E vai muito bem. Mas a Margot Robbie (Eu, Tonya) não lhe facilitou nada a vida. Mais um trabalho extraordinário de uma atriz talentosa.

Melhor Ator
O Gary Oldman também fez questão de fechar esta categoria quando se apresentou em A Hora Mais Negra como Winston Churchill. Confesso que ainda considerei que o Daniel Day-Lewis iria roubar-lhe o lugar, mas depois de ver A Linha Fantasma percebi que não ia acontecer. Apesar do seu trabalho fenomenal, Gary Oldman não deu hipóteses à concorrência. Nesta categoria deixo duas notas: 1) tenho um carinho muito especial pelo trabalho do Timothée Chalamet e 2) ainda não vi o filme do Denzel Washington.

Melhor Atriz Secundária
Das cinco nomeadas, ainda não vi dois filmes (Mudbound e Lady Bird), mas tenho para mim que a Allison Janney - a terrível e odiada mãe da Tonya - vai levar o Oscar para casa. Mas devo dizer que adoro todos os trabalhos da Octavia Spencer e este em particular (A Forma da Água) não foi exceção. 

Melhor Ator Secundário
Nesta categoria a minha opinião está muito dividida e, por isso, não consigo tomar uma decisão a 100%. Como não vi o The Florida Project (quero mesmo muito ver este filme) nem All the Money in the World, torna-se ainda mais difícil escolher. Porém, como já vi mais de metade do trabalho dos nomeados, arrisco-me a chegar-me à frente com um nome: Sam Rockwell. Porque adorei o trabalho dele e porque conseguiu mesmo chegar até mim, deixar-me uma mensagem.


Concordam comigo?


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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

séries

Ando a falar-vos constantemente de filmes espetaculares e outros que são só bons... O que não ando a falar é das séries incríveis que ando a acompanhar. Eu. A acompanhar séries. Ah ah ah. Mas é verdade, verdadinha.

Já vos falei aqui várias vezes que raramente me entrego a séries. É, prefiro filmes. As séries implicam um relacionamento sério, um compromisso, coisas em que eu não sou grande coisa a gerir. E eu conheço-me. Demoro a adaptar-me, desisto ao 4º episódio se nada me puxar para continuar a ver (foi assim que disse adeus a séries como Orange is the new black ou Westworld). Mas quando gosto, senhores, ai quando eu gosto... Fico viciada! Louca! Ansiosa para voltar a enfiar-me em frente ao computador e clicar em play vezes e vezes sem conta... Foi o que me aconteceu com Game of Thrones, Breaking Bad, Narcos ou Prison Break.

Ficar viciada em séries dá-me sempre muito pouco jeito porque:
- Não faço mais nada de útil a não ser mentir para mim mesma com um "só mais um episódio".
- Não me deito a horas dignas de quem trabalha no dia seguinte por causa da mentira do primeiro ponto;
- Deixo de ver filmes extraordinários porque "vou só ver um episódio antes do filme". Nunca chego ao filme. Nem nunca há "só um episódio".
- Quando a série acaba fico com um vazio em mim. Ando ali a moer, cheia de tristeza e a sentir-me desamparada.
- Mesmo quando acaba a temporada, torno-me uma stalker de todo o tamanho a vasculhar tudo o que é fotos, mitos urbanos, boatos, fofocas, só para acalmar a minha ansiedade... Não é bonito.

Bem, mas não foi para vos falar dos meus defeitos/paranóias que cá vim. Nop. Vim mesmo para vos contar o que ando a ver e aconselhar-vos a nem se chegarem perto. Caso contrário começam a sofrer os mesmos sintomas que eu... Quem avisa...

Cá vai a minha lista do que tenho visto desde o início do ano - é curta, eu sei, mas para quem tem os hábitos de séries como eu e tendo em conta que ainda só vamos a meio do segundo mês do ano, não estamos mal:

Black Mirror
Vi a última temporada - já tinha visto as anteriores - e não sei que vos diga. É só das melhores coisas que andam por aí. Verdade. E digo-vos eu, a miss-esquisitinha-que-nunca-gosta-de-nenhuma-série. Já vos falei de Black Mirror aqui e não pretendo repetir-me. Acho mesmo que esta série é revolucionária. Aborda os assuntos certos, põe a mão na ferida e fica ali, a escarafunchar - adoro este termo - até doer quase de forma insuportável. Mostra-nos uma realidade possível a curto prazo. Uma realidade que nunca é agradável a longo prazo. A última temporada não é a melhor bolacha do pacote, quando comparamos com as anteriores, mas ainda assim é melhor do que 90% das coisas que vejo na televisão. É mesmo uma série obrigatória para todos os amantes da tecnologia e da comunicação. O último episódio, "Black Museum" foi o meu favorito e aquele que é o mais inteligente e, ao mesmo tempo, o mais assustador de todos - talvez por estarmos cada vez mais próximos do tempo em que poderá vir a ser uma realidade. E nada é mais assustador do que a realidade.

Handmaid's Tale
Toda a gente andava a falar disto e eu fui espreitar. Prendeu-me no primeiro episódio, mas não fui capaz de ver o segundo. Pensei que fosse porque não estava habituada às personagens, que ainda não tinha criado ali uma relação. Depois apercebi-me que isso me aconteceu porque o assunto é tão tenso, o drama é tão horrível, tão duro, tão sinistro e tão POSSÍVEL que me deixava honestamente transtornada. Mas não de uma forma negativa. Ficava transtornada porque pensava que aquela ideia não é assim tão surreal ou longínqua, tendo em conta os grupos radicais e extremistas que se têm revelado. Handmaid's Tale conta-nos a história de uma mulher que, de um momento para o outro é separada do marido e da filha, enclausurada junto de outras mulheres e obrigada a obedecer a uma "Tia" e ao seu "Comandante" e restante família que lhe foi atribuída. O seu propósito é de reproduzir. Yep. Numa era em que a fertilidade tinha afetado gravemente os nascimentos, estas mulheres - férteis - eram violadas para "dar" uma criança a famílias ricas. As mulheres deixaram de ter qualquer papel importante na sociedade para além de servir os (seus) homens. Tudo em nome de uma suposta religião, que vamos percebendo, não passa de balelas - não é sempre assim? A série mostra-nos, numa perspetiva extrema, do que é que ideias fundamentalistas e algum poder são capazes de fazer. Além do argumento ser extremamente interessante e revoltante (chega ao ponto de me dar náuseas), a parte técnica é extraordinária. O código de cores, os diálogos, as expressões faciais, os planos certos. Tudo parece uma obra de arte em constante movimento e alteração. É mesmo, mesmo muito bom e todos os prémios que tem recebido são altamente merecidos. Agora é só esperar pelo final de abril para ver como é que tudo se vai desenrolar...

Suits
Comecei a ver Suits por nada de especial. Ninguém me recomendou. Ninguém me falou nela. Não tinha feito pesquisas. Num dia - da semana passada - não me apetecia ver um filme, mas as minhas séries estavam em dia. Queria algo que não fosse demasiado dramalhão nem demasiado soft. Lembrei-me de Suits - não me perguntem porquê. Vi o primeiro episódio. E o segundo. E o terceiro. E em menos de 1 semana já estou a terminar a 2ª temporada. Entendem quando eu digo que fico mesmo viciada nisto? Tanto que ainda não vi mais nenhum filme? Suits acontece num dos melhores escritórios de advogados em Manhattan. Harvey Spectre é o melhor dos melhores, em tudo. É o mais gatão, o mais pintas, o mais esperto, o mais tudo-e-tudo-e-tudo. Mike Ross é o mais inteligente e ingénuo. Conquista a confiança de Harvey que arrisca tudo o que é mais precioso para ele, pelo miúdo - a sua reputação e integridade. Toda a série se baseia em casos que vão aparecendo e sendo resolvidos pelos vários advogados da firma e das suas próprias estórias. A trama adensa-se mas não como nas outras séries. É tudo bem mais tranquilo mas cheio de voltas e reviravoltas. No final ficamos sempre aliviados por ver os babes a saírem de mais um imbróglio dos grandes ilesos. Estou coladona nesta série, minha gente. CO-LA-DO-NA. O guarda-roupa é perfeito, as personagens são construídas na perfeição, a informação vai ficando mais clara com o tempo, os diálogos são inteligentes e cheios de referências interessantes... Enfim, estou apaixonada. Vou continuar a ver... Vocês também deviam. Ou não... Se querem continuar a ter vida, não comecem a ver Suits.
Ah, acho que agora quero começar a ser advogada...

E vocês, o que andam a ver?


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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

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Mais quatro filmes riscados da lista super-extensa dos Oscars de 2018. Entre eles, o meu favorito, talvez, do ano! Vamos a isso?

Eu, Tonya
7,7 IMDb
Antes de ver este filme dizia que o Oscar de Melhor Atriz ia limpinho para a Frances. Depois de ver a interpretação espetacular da Margot, vacilei. Se for ela a próxima dona da estatueta, ficará muito bem entregue.

Eu, Tonya conta-nos a história real de Tonya Harding, uma rapariga americana pobre, que vive no seio de uma família disfuncional, com um pai ausente e uma mãe abusadora e negligente. Tonya cresce sem auto-estima, sem saber como é amar e ser amada. É má estudante e o seu único talento especial é a patinagem no gelo. É nele que se concentra praticamente desde os quatro anos de idade, muitas vezes obrigada pela mãe. Daí às grandes competições nacionais foi um instante - de facto, o seu talento era enorme - e depois, os Olímpicos. Harding casou muito jovem com um homem também abusador e violento - tal como a sua mãe - para fugir da vida que tinha desde pequena. Não mudou para melhor. Entre fins da relação e recomeços, Tonya continuava firme na patinagem, mas nunca foi considerada como uma das melhores - apesar de aplicar todos os movimentos na perfeição - porque a sua figura pouco esguia e um estilo mais rebelde não encaixavam no perfil que os júris pretendiam para uma patinadora de alta competição. Também no meio onde era a melhor, continuava a ser uma persona non grata. Tudo começa a descambar quando o seu marido - idiota e pouco dado à inteligência - decide dar um empurrãozinho e, juntamente com o seu (ainda mais idiota) melhor amigo, lesionam a concorrente direta de Tonya. As investigações decorreram e determinaram que Tonya beneficiou deste acontecimento - apesar de defender que não tinha conhecimento de nada - e, por isso, foi expulsa definitivamente da patinagem e proibida de participar em qualquer competição dessa modalidade. Este caso foi altamente polémico nos anos 90. Estamos a falar dos Jogos Olímpicos e de duas das melhores atletas de patinagem no gelo.

O filme está contado quase como se fosse um documentário, baseado nas entrevistas feitas às personagens principais (Tonya, mãe, ex-marido e o melhor amigo deste). A montagem está muito bem feita e a informação é muito clara e concisa - gosto quando não me perco em informações. O filme está mesmo muito bom, cheio de humor negro e de drama, também. Mas a grande ovação vai para a incrível Margot que fez um PAPELÃO! Desde a caracterização às competências atléticas, a miúda acertou em cheio, e digo-o porque no final de ver o filme fui ao YouTube comparar e, de facto, foram muito fiéis à realidade.

Gostei muito de Eu, Tonya e senti pena dela. Segundo o que é descrito no filme, ela era uma menina inocente, farta de sofrer na vida, que nunca soube o que era o amor próprio nem de outra pessoa. A patinagem era o seu escape e o seu único talento. Tirar-lhe isso foi quase como assinarem-lhe uma sentença de invalidez vitalícia. Sem isso, ela era apenas uma miúda sem dinheiro, sem estudos e sem nenhuma competência ou aptidão especial. Percebi também que temos evoluído bastante desde os anos 90 - apesar de ainda haver MUITO para fazer - e que o papel da mulher na sociedade e em grupos mais restritos já não é tão homogéneo. Vamos começando a aceitar a diversidade que existe e, só assim, é que conseguimos evoluir. Acho que todos nós perdemos muito com a saída de Tonya da modalidade. Acho que ela poderia ter feito coisas extraordinárias. Mas não se preocupem, ela acabou por dar a volta ;)

Chama-me pelo teu nome
8,3 IMDb
Dos melhores filmes que já vi. Acho que vai ser o meu Capitão Fantástico de 2018.

Aqui vemos a história de um intenso e verdadeiro amor de verão. O jovem Elio vai com os seus pais passar o verão à casa de férias algures no norte de Itália. O seu pai é professor e arqueólogo que acolhe um estudante durante as férias para o ajudar nas investigações. Oliver chegou cheio de confiança e com uma certa arrogância. Um americano típico. Não agradou Elio logo no início. À medida que o tempo vai passando os dois vão sendo obrigados a aproximarem-se um do outro até não conseguirem mais separar-se. E dá-se assim uma das histórias de amor mais bonitas que vi no cinema.

Até à primeira meia hora (45 minutos, vá) de filme não consegui compreender muito bem se aquilo ia ser um filmão do caraças ou se ia descambar para o maior flop dos últimos tempos, disfarçado de filme independente, filosófico e pseudo-coiso. Fiquei ali meio na desconfia para descobrir para qual dos lados se vai virar. E não podia virar-se de melhor maneira... Aqueles minutos finais dão toda uma nova perspetiva sobre tudo o que se passou ao longo daquelas 2 horas repletas de imagens de uma coisa a que eu chamo paraíso (tenho uma paixão por paisagens italianas assim) e uma série de experiências pelo caminho.

Call me by your name podia descambar rapidamente para o brejeiro e ordinário. Em vez de tudo isso, é genuíno e muito cru mas ainda assim poético e utópico. Não há cá filosofias nem planos estrategicamente trabalhados para explorar os momentos mais intensos. Não. É o ser humano tal e qual como ele é. São as experiências e a busca interior e as dúvidas sobre a descoberta da sexualidade duras e cruas, ali expostas no ecrã. Tal e qual como nos acontece na vida comum. Sem floreados. Mas a vida humana, e particularmente as relações pessoais, têm qualquer coisa de mágico, não é? Têm ali umas pitadinhas de pequenos milagres diários que dão toda uma nova camada às nossas experiências, vivências e perspetivas. E é nisso que o filme é poético: tem uma magia permanente de nos mostrar a vida e os relacionamentos como são e deixá-los simplesmente ser. Acontecer. Sem medos ou receios do fim anunciado.

Este filme fez-me parar para pensar: quanto tempo me permiti ceder às minhas emoções? quanto tempo me permiti a sentir-me triste, magoada, frustrada e aceitar isso como um processo duro mas necessário para a transição? Que mania a minha de me mostrar sempre muito superior aos sentimentos e de achar que nada realmente me afeta quanto tudo, na verdade, me dói, quase de forma física. Quando vi o filme chorei. Chorei muito. Porque eu gostava que alguém me tivesse dito o que disseram ao Elio. E gostava de ter tido a coragem que ele teve de abraçar aquela dor horrível, ter tempo e predisposição para ficar ali a sofrer e, só depois, seguir em frente...

Em Call me by your name sabemos como tudo vai terminar - mais coisa menos coisa - mas somos levados pela intensidade daquele amor de verão, genuíno, puro, inocente e, tal como as personagens, quase que nos esquecemos que o fim está próximo e a vida tem que voltar a ser feita. Longe do paraíso. Fora das temperaturas quentes de verão onde se usa o mínimo de roupa possível e não há problema em andar descalço todo o dia e dormir de noite com a janela aberta. Levamos aquele murro no estômago, tal como eles levam com a perceção do quão efémera foi aquela relação linda. É tempo de seguir em frente. É tempo de "suck it up and embrace the pain".

Queria escrever-vos um texto mais composto e profissional sobre este filme. Mas ainda estou a digerir as emoções. Aqui está um trabalho fenomenal a nível de fotografia, cenários, produção e, sobretudo, de realização. É um filme para vermos de longe a longe, para nos fazer lembrar de algumas coisas que precisamos que sejam relembradas com alguma frequência - temos tendência para nos esquecermos do mais importante - e para voltarmos a acreditar. Oiçam também a banda sonora. Está em loop por aqui há uns bons dias.

O Armie Hammer já me tinha conquistado num filme improvável - Os Agentes da U.N.C.L.E. - e cada vez me surpreende mais com as suas interpretações. Mas não foi nomeado. Estou a torcer pelo pequeno Elio (Timotheé Chalamet) para que leve o Oscar de Melhor Ator, que bem merece - parece-me improvável, principalmente por concorrer com Daniel Day-Lewis e Gary Oldman, mas ainda assim, há que ter esperança -, que a canção Mistery of Love leve o galardão para Melhor Canção Original (está em loop) e que Call me by your name seja o Moonligh de 2018. Estou a torcer muito.

O Quadrado
7,6 IMDb
Vi este filme no grande ecrã. Ia sem grande expectativa até porque não fui ler nada sobre o filme, nem sobre os atores e nem prestei atenção ao trailer. Não gosto de saber muito antes. Gosto de ser surpreendida e de interpretar as coisas à minha maneira, sem me guiar por críticas ou opiniões de outros. Gosto de ir ao cinema e ser uma tela em branco.

No caso de O Quadrado (nomeado para Melhor Filme Estrangeiro - sueco) foi amor à primeira vista. Mesmo. Foi um prazer ver este filme no grande ecrã e estou a torcer para que vença o seu galardão. Mas vamos lá por partes.

Christian é o curador de um Museu de Arte Contemporânea que se prepara para inaugurar uma promissora exposição chamada "O Quadrado". A premissa dessa instalação é fabulosa - não vou contar, têm que ver - mas as coisas correm mal na comunicação desta exposição e o Museu e o seu curador vêem-se em apuros. Christian é um bom cidadão, consciente das suas ações, responsável, amável, generoso e bondoso. Pai extremoso de duas crianças, divorciado e rico.

O filme tem vários ângulos para explorar: 
a comunicação - até onde podemos ir? o que é a liberdade de expressão e qual o seu limite? há limite para a liberdade de expressão? 
a arte - o que é a arte? a arte deve incomodar? se for demasiado fraturante é considerada necessária/serviço público ou um atentando? a arte deve ser mais do que bela? uma obra de arte vale por si só ou vale porque está dentro de um museu, que lhe confere uma aura artística e de aceitação?  
o altruismo - o que é ser altruista? fazemos o bem porque somos altruístas ou porque é politicamente correto? somos sempre altruístas ou somos quando nos convém ser? será que não ganhamos nada em sermos altruístas? e quando há situações em que essa característica é essencial, será que temos a lucidez para o ser?
herói/vilão - somos só um? somos uma mistura dos dois? vamos intercalando de acordo com a situação, o contexto e o nosso estado de espírito?

Haveria muito mais a refletir, até porque este filme é um ensaio sociológico da nossa comunidade, da nossa sociedade politicamente correta, cheia de falsos valores, que aponta o dedo com a mesma facilidade que dita palavras elogiosas. Pessoas que frequentam determinado espaço e convivem com determinadas pessoas porque lhes dá uma aura mais intelectual, superior... Mas interiormente há um vazio. E a arte, quando todos dizem que deve ser fraturante, ninguém a aceita quando o é. Apontam o dedo e dizem que foi longe demais. Adoro filmes que mostrem diferentes perspetivas de uma situação. Que mostrem outras realidades, outros pensamentos e outras formas de estar. Gosto particularmente quando não há um herói nem um vilão. Gosto quando o ser humano é o centro de tudo, no seu melhor e no seu pior.

O Quadrado deveria ser OBRIGATÓRIO.

A Hora Mais Negra
7,4 IMDb
Não tenho muito para dizer sobre A Hora Mais Negra para além da brilhante interpretação e caracterização de Gary Oldman. Está tão, mas tão boa que não consegui identificar o ator. Só nas minhas pesquisas é que percebi que era o agente amigo do Batman - grande parte das minhas referências no cinema baseiam-se em filmes de super-heróis, sorry about that! -, sabiam disso? Eu não sabia e fui apanhada de surpresa e, ao mesmo tempo, fez-me admirar muito mais o seu trabalho.

Não posso dizer que é um filme desinteressante. Isso não o é. Aliás, nada do que é contado sobre a II Guerra Mundial é desinteressante ou com ausência de conteúdo. Mas aqui o que se destaca, sem sombra de dúvidas, é a impressionante interpretação de Gary Oldman de uma das personalidades britânicas mais famosas de sempre: Winston Churchill. Todo o trabalho maravilhoso do ator, aliado ao fantástico poder da caracterização, fazem-nos esquecer que há uma pessoa debaixo daquele manto todo de profissionalismo. Vale a pena por isso. E vale a pena dar-lhe um Oscar - mas não vou falar muito porque ainda não vi todos os trabalhos dos outros nomeados (faltam-me 2: Denzel Washington e Daniel Day-Lewis). Apesar de tudo, continuo a torcer pelo Timotheé, é importante referir.

Quanto ao resto do filme, achei-o interessante mas nada épico. Dentro do género, o Dunkirk dá-lhe 10 a 0. Ora ainda bem que estamos a falar de Dunkirk, porque é precisamente sobre este episódio da História da II Guerra Mundial que este Darkest Hour se debruça. Neste filme vemos a história contada do outro lado da margem, as decisões políticas, os jogos de poder, as ponderações, tudo. Em Dunkirk vemos os soldados, os inimigos e a incrível resiliência do ser humano. É giro ver os dois. Como em tudo, há sempre dois lados. Mas se tiverem mesmo que escolher um ou outro, vejam Dunkirk. Sem dúvida.


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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

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Chegou a minha altura favorita do ano no que ao cinema diz respeito. O meu único dilema é escolher o melhor filme para ver. Até agora, tenho deixado para o fim aqueles que eu acho que vou gostar mais (The Post e The Shape of Water). Assim, cá estou eu para mandar alguns bitaites sobre os filmes que estão nomeados para as mais variadas categorias na cerimónia que vai acontecer no domingo, dia 4 de março. Vamos a isso?

3 Cartazes à Beira da Estrada
8,3 IMDb
Vi este filme antes da maioria dos outros filmes nomeados. E disse "este é o vencedor". Ou, pelo menos, para a Frances McDormand vai ser limpinho, limpinho... Entretanto já vacilei um bocadinho. Vi o Eu, Tonya e, confesso, não me importava nada que a Margot levasse a estatueta. Mas voltando ao filme.

3 Cartazes à Beira da Estrada não é um drama nem é uma comédia. É uma mistura perfeita entre os dois. Uma mãe muito revoltada pela passividade da polícia que nunca se empenhou em descobrir o violador e assassino da sua filha adolescente, decide alugar três outdoors gigantes, junto a uma estrada e deixar a sua mensagem de forma clara e inequívoca. Claro que essas frases não foram bem recebidas pela pequena comunidade de Ebbing, muito menos pela polícia que era incompetente e desleixada. Mildred (a personagem principal) desempenha um papel de mulher de luta, de coragem, cheia de raiva e de sofrimento, que depois dessa tragédia passou a sobreviver em modo piloto automático. Pelo caminho encontramos o chef da Polícia, Willoughby, amigo de longa data de Mildred. Outra personagem maravilhosa que nos oferece cenas cómicas e outras dramáticas. Mas sempre num equilíbrio perfeito, sem descambar. E que difícil deve ser isso... Depois há também o agente Dixon que é um palerma, um incompetente e um imaturo. Durante o filme vai evoluindo, vai crescendo e vai aprendendo e dando lições.

Todas as personagens estão tão bem caracterizadas, tão claras, tão factuais que parecem reais. Quase que podíamos fazer um filme sobre cada uma delas, porque cada uma tem um background que explica sempre os seus comportamentos e perspetivas. Essa profundidade e complexidade de cada uma delas é o que torna o filme tão incrível: são pessoas como nós. Mesmo. Não há bons e maus na história - apesar de nos parecer que sim, no início. Durante o decorrer do filme conseguimos empatizar com a Mildred e também chega ao ponto de quase desejarmos que alguém a prenda. O mesmo com os polícias incompetentes - tanto desejamos que tudo lhes corra mal na história, como no minuto seguinte estamos a pedir desculpa por tudo o que pensamos deles... Como na vida, não é? Quantas vezes formamos opiniões precipitadas sobre as pessoas que nos rodeiam e depois nos arrependemos? É o que nos acontece nesta história. E isso é do caraças...

Bom, mas resumindo, que filme maravilhoso. Que construções incríveis. Que profundidade e que dicotomias combinadas na perfeição... Gostei mesmo muito desta história tão original e tão humana. É para ver gente!

Não é o meu filme favorito até agora, mas é o segundo.

Um Desastre de Artista
7,8 IMDb
Um Desastre de Artista é um filme baseado no livro homónimo escrito por Greg Sestero que conta a história das filmagens de The Room. Este filme atingiu o nível de culto por ser considerado "o melhor pior filme de sempre" pela incoerência da história e não só. No centro de tudo isto está o misterioso Tommy Wiseau, um homem que ninguém sabe de onde vem, quantos anos tem e nada de realmente significativo sobre a sua vida. Jura a pés juntos que é americano mas descobriu-se que as suas origens são da Europa de Leste, e mais não se sabe. Tommy tinha o sonho de ser uma estrela e criar um filme épico, um clássico cinematográfico. Então, com a ajuda do seu (ainda) melhor amigo Greg, financiou, produziu e atuou no seu próprio projeto - The Room. Mas o seu génio não era, de todo, compatível com a maioria dos restantes elementos da equipa e todas as histórias de set foram descritas no livro Um Desastre de Artista. Estreou em 2003 e, inicialmente, foi um flop de bilheteira, só estando em exibição em duas salas de cinema de LA. Porém, tornou-se um filme de culto e ainda hoje passa com frequência em todo o mundo (incluindo em Portugal) em sessões especiais.

Confesso que desconhecia por completo o The Room. Nunca tinha ouvido falar no filme, no livro nem no Tommy Wiseau. Na adaptação de Um Desastre de Artista, James Franco interpreta o papel de Tommy e o seu irmão, Dave, o de seu melhor amigo, Greg. Tudo começa com o inicio da amizade de ambos e termina na estreia do projeto ambicioso dos dois. Durante o processo somos confrontados com um homem que tem tanto de amigo e carinhoso como de arrogante e violento. Acima de tudo, Tommy é um sonhador que acredita que tudo é possível e que põe as mãos à obra. A história é contada de uma forma muito dinâmica e interessante, o que nos faz quer sempre saber o que vai acontecer a seguir. É essencialmente cómica e divertida, cheia de piadas certas na hora certa. Mas não nos podemos desviar: o trabalho é do James Franco. Interpreta o papel de uma forma tão credível que quase nos abstraímos que é ele que está ali. Quase que olhamos e não conseguimos identificar o Franco mais velho. E isso é de ator.

Um Desastre de Artista é um filme divertido, bem caracterizado, bem escrito e cheio de dinâmicas interessantes. É outro que deve ser visto.

Blade Runner 2049
8,2 IMDb
Meses que aguardei por este filme, senhores. MESES! Não consegui vê-lo no cinema e aguardei que viesse para o Cineclube. Veio em novembro. Quando ia tirar o bilhete informaram-me que houve um problema com a fita e que não iam exibir o Blade mas sim o Arrival (do mesmo realizador). Pena, já tinha visto e não me apetecia ver de novo. Voltei para casa com a promessa deles de que voltariam a passar. Aconteceu no primeiro domingo de janeiro.

Como vos hei-de dizer... A nível técnico é maravilhoso. É mesmo. É original, cheio de efeitos especiais perfeitos, cheio de pormenores acertados (e o que eu adoro os pormenores neste tipo de filmes) e com um cenário que é um agrado para os nossos olhos. Sabem o que aconteceu n'O Renascido em que em qualquer que fosse o segundo em que fizéssemos pause tornava-se numa excelente fotografia? É o que acontece com este filme: cada frame é uma pequenina obra de arte. Merece cada uma das nomeações aos Oscars nas categorias mais técnicas.

Mais do que isso, não.

O conteúdo não é, de todo, original ou surpreendente ou sequer inesperado. É até bastante previsível. Não há grande conteúdo, na verdade. Há muito pouco que extrair dali para além do deleite visual. A interpretação do Ryan Gosling não é nada de que me venha a recordar no futuro. A certo ponto achei até que o filme era quase chato - só não o foi por causa dos elementos visuais que estiveram sempre a distrair-me. Nem mesmo a interpretação do Jared Leto se fez notar por aí além. Desculpem, mas é a minha opinião. Talvez por ter visto, ultimamente, filmes bem melhores, esta foi a minha perceção. Talvez se daqui a uns meses o voltar a ver já não ache isto que vos estou a dizer... Quem sabe?

Ainda bem que não está nomeado para melhor filme, realizador ou atores, nem sequer argumento. Não seria merecido, ao contrário do que o realizador veio a público dizer. Mas merece cada uma das nomeações em categorias técnicas. Não posso dizer que merece ganhar, porque ainda não vi os restantes - mas competindo, por exemplo, com o Star Wars, dá-lhe 10 a 0 de olhos fechados e uma mão atrás das costas!

Get Out
7,7 IMDb
Já vi o Get Out há tanto tempo que já nem me lembrava que o tinha visto até ter lido o título entre os nomeados.

É a história de um rapaz negro que namora com uma rapariga branca e que vão visitar os pais desta durante um fim-de-semana. As coisas começam a parecer muito estranhas, mas só ele é capaz de as ver. Até que chega a altura em que lhe é desvendado o grande e maquiavélico segredo daquela família e daquela comunidade. Não vos posso contar mais, se não depois não tem piada.

Não sou muito de filmes de terror, mas sempre ouvi falar tão bem deste e gostei tanto da atuação do Daniel Kaluuya num dos primeiros episódios de Black Mirror (um dos meus favoritos) que assisti ao filme, numa das vezes que passou num TVCine. E gostei muito. Gostei principalmente por desfazer aquele mito de que um filme de terror tem que ser previsível e meio parvo. Este não o é. Agora sempre que alguém me disser "Não há nenhum filme de terror de qualidade!" - aquilo que eu sempre disse - eu vou dizer "Ai não? Então é porque ainda não viste o Get Out!". E vou também mencionar o Fragmentado que foi também um grande filme que vi em 2017. Já viram? Mas deviam!

Não é que seja beeeeeem beeeeem um filme de terror. É mais um thriller cheio de suspence e mistério. De jogos psicológicos. E é horrível e desconcertante. A interpretação do Daniel está no ponto e merece ter sido nomeado para melhor ator. Mas, no fundo, todos os outros atores estiveram muitíssimo bem nos seus papéis.

Mesmo que não gostem de filmes de terror, acho que vale mesmo a pena ver este. Vale mesmo. Vão por mim.


Esta foi a primeira remessa de filmes nomeados para os Oscars. Dentro de poucos dias trago-vos mais quatro - entre eles, o meu eleito até ao momento. Mas também gostava muito de saber a vossa opinião sobre estes e outros filmes que vos apeteça falar e mencionar. Venham de lá as vossas críticas e sugestões :)


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