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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Berlim



Que maravilha que Berlim foi. É uma capital moderna, prática, funcional e até um bocado fria - e não me estou a referir apenas à temperatura. Os alemães têm um jeito muito próprio de ser e dizer que são antipáticos não é muito simpático da nossa parte. Claro que há gente querida e amável por lá, nós encontramos algumas, mas mais do que isso, os alemães são pragmáticos. Não têm que ser simpáticos connosco só porque existimos e porque estamos ali. Têm que fazer o seu trabalho e fazê-lo bem feito, ponto final. Tudo bem, apesar de no início ser um choque não nos sorrirem de volta.


Mas vamos voltar ao que interessa: a cidade!


Onde fiquei?

Escolhemos o Generator Berlin Mitte: um hostel muito jovem, moderno e animado e cheio de boa onda, perto de Alexanderplatz. Tem uma estação de metro a dois passos de distância, bar/restaurante e condições incríveis. Os preços são simpáticos. Eu partilhei um quarto misto com 4 camas e WC privado e a experiência foi muito boa. Reservamos através da plataforma Hostelworld - que já usei algumas vezes e nunca me falhou!


Onde comi?

No primeiro dia, mal chegamos, fomos ao Sixties Diner. É um sítio super giro e super Pulp Fiction que adorei conhecer. Os hamburguers eram maravilhosos - ou era a fome? - e o pormenor da jukebox onde podíamos escolher as músicas que queríamos ouvir sem sair da nossa mesa foi mesmo giro. Ponto negativo para a funcionária mais antipática de sempre - a única que foi realmente carrancuda. Aconselho pela experiência e pela comida.


No dia seguinte almoçamos no L'Osteria. E que almoço, meus senhores. Para começo de conversa, o restaurante italiano era giríssimo, provavelmente dos mais bonitos e agradáveis onde já estive. Moderno mas sem ser pretensioso. Os funcionários foram agradáveis e disseram logo que uma pizza dava para duas pessoas à vontade - e dá mesmo! As pizzas eram de comer e chorar por mais e a cerveja era maravilhosa... Que belo almoço aquele... Fica afastado do centro e os preços são bem acessíveis - foi mais barato do que o jantar da noite anterior.


O jantar desse dia foi no hostel, mas posso dizer-vos que não vale a pena provar os nachos!


O que visitei?

Começamos o dia no East Side Gallery, onde ficam os 2km do Muro de Berlim. Basta uma curtíssima viagem de metro até lá e percorrer aquele passeio com aquele pedaço de história do nosso lado. Há sempre gente a fotografar, mas não havia multidões. Não contem com um muro enorme e alto. É um muro como todos os outros, mas pintado. Existe também um pedaço pintado pela portuguesa Ana Leonor. Vale a pena passar por lá.


As Portas de Bradenburgo são monumentais. Fica no fim da Unter der Linden, a grande avenida de Berlim. É um bom sítio para tirar a fotografia da praxe. Mais à frente, do lado direito, encontram a Reichstag ou o Parlamento Alemão, que é um edifício monumental, bonito e enquadrado. Nós não entramos, mas existe uma cúpula em vidro que dá para ver Berlim em 360º. Para o fazer, têm que agendar a visita com antecedência, mas a entrada é gratuita. 

Do lado esquerdo de quem vem das Portas de Brandenburgo, encontramos o Denkmal für die ermordeten Juden Europas, ou o Memorial aos Judeus Mortos da Europa. Este deve ser o Monumento aos Judeus mais famoso de sempre. Eu achava que não ia ter qualquer sentimento ali, naquele aglomerado perfeito de quase 3 000 blocos de cimento, mas a verdade é que me senti pequenina, sozinha - é fácil de nos "perdermos" ali - e isolada - é como se a cidade ficasse longe dali, e a verdade é que estávamos bem no centro. Ajudou não estar quase ninguém por perto. Aliás, Berlim estava deserta naquele dia... Não podem mesmo perder essa visita!

Seguimos para o Tiergarten, o jardim mesmo em frente a todos estes monumentos que referi. Descreveram-no como um dos mais bonitos da cidade, mas ou eles não têm muitos jardins ou eu tive azar. Claro que as árvores não estavam verdejantes e havia amontoados de folhas secas em todo o lado... E um sossego... Foi um passeio giro, porque tínhamos que seguir naquela direção, mas acredito que no verão ou na primavera seja algo muito mais bonito.


Se só pudesse ver uma coisa em Berlim seria a Bauhaus. Depois de uns bons 30 minutos a caminhar, demos com o edifício digno de visita e de montes de fotografias, mas batemos com o nariz na porta! Estava abandonado, vazio. Quase que chorei ali mesmo. Depois fiz uma pesquisa no Google que dizia que o Museu estava temporariamente encerrado mas existia um edifício temporário que poderia ser visitado. Mais uns 30 minutos de caminhada - paramos para almoçar a meio - e encontramos aquela pequena loja. Pensei que fosse a entrada para o museu e fui à senhora do balcão perguntar onde podia comprar os bilhetes. Disse-me que não existia museu naquele momento porque para o ano a Bauhaus celebra 100 anos de existência e, por isso, estão a preparar uma abertura em grande. Neste momento só existe aquele espaço, com pouquíssima informação sobre a primeira e maior escola de design de sempre - até me arrepio só de pensar em tudo o que aconteceu no mundo por causa de pessoas como o Walter Gropius, Kandinsky, Klee, Mies van der Rohe, entre tantas outras... - e artigos para compra. Não resisti e comprei um livro sobre a escola e três postais com pinturas de Wassily Kandinsky, que é o meu pintor favorito - a par do Toulouse Lautrec, claro - e que pretendo emoldurar e pendurar numa parede com destaque cá em casa. E ter muito orgulho em tudo isso... A arte faz-me tão feliz... Aconselho vivamente a que pesquisem sobre a escola e, se por acaso forem a Berlim em 2019, não percam esta oportunidade! 


Querem que faça um post sobre a Bauhaus aqui? 
Podem ler um pouquinho do que escrevi aqui em 2012.



Depois desta visita continuamos caminho no sentido inverso. Passamos por Friedrichstrasse, Postdamer Platz, visitamos o Checkpoint Charlie, que vale pelo seu simbolismo - era o ponto de passagem entre a Alemanha ocidental e a oriental, que estava dividida pelo Muro. São tudo pontos de referência que vale a pena conhecer ao longo da caminhada. Que nem custa muito, porque Berlim é uma cidade bonita e que fica toda iluminada no Natal.

Terminamos o passeio de novo em Unter den Linden, e aí procurei a Bebelplatz (de costas para as Portas, à direita) por causa do monumento em memória aos livros queimados pelos nazis. É muito simples e tão simbólico: um vidro no chão que deixa ver prateleiras brancas vazias, simbolizando os livros que foram queimados ali mesmo, por serem considerados perigosos ou ofensivos pelos nazis. Poucas pessoas sabiam essa história. Eu, como amante de livros e de conhecimento, não fiquei indiferente.



Nesse dia seguimos para o hostel, onde comemos e descansamos - devemos ter caminhado uns 20km à vontadinha. No dia seguinte, depois do check-out, seguimos para Alexanderplatz onde visitamos o Mercado de Natal (mais um) e fomos ver o famoso relógio que marca os fusos horários em vários pontos do mundo, incluindo Portugal Continental e Ilhas. Dessa praça apanhamos o autocarro que nos levou até Dresden e daí a Praga.


O que perdi?
Todos os museus em Berlim. Não visitamos a Ilha dos Museus, mas não tivemos mesmo tempo para o fazer. Na minha lista ainda tenho, pelo menos, o Museu de Pérgamo para conhecer, numa próxima.
Também não experimentei nenhuma comida típica de Berlim, que se resumem a salsichas. Mas já comi um cachorro em Frankfurt, portanto... Também não fui a nenhum bar nem a nenhuma loja de artigos em 2ª mão que toda a gente fala e que eu não encontrei em lado nenhum. Ah, e Bolas de Berlim, nem vê-las!


Sobre Berlim


Gostei imenso da cidade, apesar de a achar meio deserta para uma capital europeia, o que não é uma desvantagem, mas não percebi bem o porquê. Senti-me sempre segura em todo o lado, havia postos de polícia em várias avenidas, vários carros patrulha (de manhã e de noite) a passar, tudo bastante seguro. O metro é mais antigo do que, por exemplo, o de Londres, mas funciona bem e o ambiente é muito tranquilo. Há gente a pedir esmolas, mas de forma muito digna e não têm mau aspeto. Por exemplo, vimos um senhor a pedir no metro e depois a sentar-se e a ler o jornal, como uma outra pessoa qualquer. A cidade era limpa e muito organizada. Os monumentos estão bem preservados e tudo tem um aspeto asseado, cuidado e estimado. É uma capital bem mais calma e organizada do que nas outras onde já estive.

Como pontos negativos, anoitece demasiado cedo, tipo às 16h30 é noite cerrada, o atendimento nem sempre é muito bom, os restaurantes que não sejam fast food são carotes. Fica tudo bem mais caro porque em todo o lado somos instigados a pagar a tip. Aliás, os funcionários fazem questão de nos perguntarem quanto é que queremos dar de gorjeta e que o "aceitável" são 10% do valor final. Não gostei dessa atitude.

Em resumo, acho que Berlim é uma cidade magnífica, que ainda vive muito virada para a sua história da II Guerra Mundial e a Guerra Fria - mais de metade da cidade foi destruída e teve que ser erguida de novo. Gostei imenso, senti-me bem e um dia gostava de voltar pelos museus. Se estiverem a pensar numa viagem pela Europa, Berlim deve de estar nos vossos planos. 2 dias são o suficiente para conhecer bem a capital.



quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Começar pelo início


Viagens. Talvez o meu tema favorito de todos.
Gosto de ler, de saber, de conhecer, de pesquisar, de marcar, de planear... E ainda assim gosto de ir meio ao desconhecido, meio de olhos fechados e deixar-me envolver no frenesim do destino escolhido.


Tenho sorte. Este ano consegui conhecer 4 capitais europeias, algo que nem sequer imaginava que pudesse acontecer, especialmente tendo em conta a forma de como metade do meu 2018 correu. Mas cá estou eu a partilhar convosco a minha última viagem do ano. Planeio dividir isto em quatro posts, para não os tornar demasiado extensos e para que vocês consigam ler apenas aquilo que vos interessa sem se aborrecerem. Por isso, cá vai a ordem da divisão: neste post vou falar um pouquinho de tudo, como marquei, como decidi o roteiro, como organizei o tempo entre as diferentes cidades, transportes que utilizei... Bom, mais a parte logística. Depois vou falar individualmente de cada um dos destinos pela ordem da visita: Berlim, Praga e Viena. Vou falar sobre a zona onde fiquei alojada, o que comi, o que visitei, custos, a minha perspetiva sobre a cidade (segurança, organização, limpeza, etc.), o que mais gostei, o que menos gostei e ainda o que faltou fazer.


Estou a esquecer-me de alguma coisa?
Se sim, digam-me!


A viagem começou a ser pensada no início deste ano e desde aí sofreu mil e uma alterações, entre as quais, o destino - que começou na Ásia, passou para África, terminando na Europa mas num registo diferente do que acabou por se tornar. Começamos com 3 elementos, aumentamos para 4 e terminamos com 2. Era para ser feita na última semana de outubro, mas acabou por ser arrastada por mais um mês. Mudar de ideias é normal, faz parte! Bem como a vida das pessoas e a disponibilidade... Portanto, primeiro conselho: não se aborreçam se as coisas não correm bem como vocês querem ou planearam... Vão encontrando alternativas e mantenham a vossa mentalidade aberta.




O Destino
Como disse, o destino não era para ser este que acabamos por fazer. Primeiro pensamos em Malásia, depois Marrocos, ponderamos Itália, Londres, Paris e ainda outros países/cidades. O que nos levou a não escolher estes destinos? O primeiro era por uma questão de tempo: não vale a pena mudar de continente por apenas 7 dias, sabendo à partida que pelo menos 2 dias são perdidos na viagem. Ou seja, se quiserem visitar um destino mais longínquo e que implique muitas horas de viagem, o ideal é reservar uns 12 ou 15 dias. Os outros era mesmo por uma questão dos preços dos voos que não se justificavam. Então, durante as pesquisas por voos baratos, encontramos Berlim. Bom preço, a partir do Porto, na data que queríamos ir. Perfeito! Depois começamos a estudar hipóteses: não queríamos estar 7 dias na mesma cidade - que tédio! Chegamos à combinação perfeita de Berlim (Alemanha), Praga (República Checa) e Viena (Áustria). Podíamos ter escolhido outras cidades dentro de apenas um país, por exemplo, podíamos ter escolhido cidades que não fossem capitais, mas optamos assim, por correr 3 capitais em 7 dias.

Conselhos:
- Se optarem por este tipo de viagem, preparem-se para andar MUITO. Preparem-se para descansar pouco e para absorver tudo muito rapidamente. Se acharem que não se sentem confiantes com esta dinâmica, escolham apenas 1 cidade e explorem-na bem.




Os Transportes
Coordenar esta parte nem sempre é fácil, é um facto. Arranjamos um voo barato para Berlim. Depois fomos pesquisar formas de viajar entre os países e descobrimos que as viagens em transportes públicos são bem acessíveis, mas os preços mudam com MUITA rapidez (passam de 9€ a 40€ num instante). Optamos pelo autocarro de Berlim até Praga e pelo comboio de Praga para Viena. A grande vantagem: preços muito acessíveis. A grande desvantagem: o tempo que demora (4 a 5 horas de viagem). Mas os transportes têm muita qualidade, são confortáveis, quentinhos, dá para dormir, têm wi-fi gratuito... São uma excelente opção para quem quer saltitar de cidade em cidade. No regresso, encontramos outro voo escandalosamente barato, mas para Faro. Daí partimos para o Porto. O grande problema? Chegávamos a Faro às 8h da manhã e só partíamos às 20h. Uma grande seca, especialmente porque estávamos cansadas por já termos passado a noite no aeroporto de Viena. Mas valeu a pena pelo preço dos bilhetes.


Conselhos:
- Se tiverem a liberdade de meter férias quando quiserem, testem escolher várias datas no site da companhia aérea. Por vezes a diferença de preço de um dia para o outro é abismal e convém mesmo perder um pouco de tempo a testar possibilidades. Deixem o plano em aberto e sejam recetivas ao que vier. Será sempre bom!
- Optem pelos transportes públicos. Por norma, são mais baratos, mais seguros e com horários fixos. Deixem os táxis e ubers para emergências ou para situações onde não existem mais opções. Especialmente nas principais capitais europeias, os metros e autocarros funcionam mesmo muito bem e os custos são reduzidos. Em Viena, por exemplo, paguei 2€ e qualquer coisa para usar durante 24 horas aquela linha, a principal e a única que precisamos, à exceção de quando fomos para o aeroporto, que era numa linha diferente.
- Pesquisem sempre os comboios e autocarros para viajar de um país para o outro, especialmente quando as cidades são próximas. Normalmente compensa e bem o preço.




Os Alojamentos
Reforço que os alojamentos devem ser reservados com antecedência, o que não voltou a acontecer e pagamos, literalmente, a conta. Como reservamos tudo na semana antes da viagem, grande parte dos alojamentos já estavam esgotados e os que sobravam ou eram afastados do centro, ou caros ou tinham características que me faziam torcer o nariz. Características como: partilhar quarto com desconhecidos (homens e mulheres), partilhar casas de banho e sítios menos bonitos. Entre todas estas características, tivemos muita sorte, tenho a dizer. Optamos por hosteis nas duas primeiras cidades, onde na primeira partilhamos quarto com mais 2 pessoas e na segunda cidade partilhamos apenas a casa de banho, o quarto era privativo. Em Viena ficamos num hotel mas partilhamos o WC. Ou seja, tínhamos duche e lavatório no quarto, mas a sanita era partilhada pelo piso... Podem-se rir, que eu também me ri! Este foi o mais caro de todos e não compensou, de todo, o valor. Mas, tal como eu disse, devido às nossas reservas tardias, foi o melhor que se arranjou. Quanto aos outros hostels, nada a apontar. O de Berlim era incrível, super jovem, limpinho, giro e cheio de pinta (muito instagramável). O de Praga era mais simples, mais checo. O quarto cheirava a cigarro que tresandava, mas tirando isso, nada a apontar. Tivemos direito a pequeno-almoço, as casas de banho eram modernas e limpas, o quarto tinha o essencial e o edifício era lindíssimo, antigo e cheio de história. A localização era perfeita.

Conselhos:
- Escolham os alojamentos com o máximo de antecedência possível. Não se vão arrepender.
- Antes de reservar, pesquisem as zonas centrais e tentem reservar sempre por esses lados. Eu sei que fica mais caro, por norma, mas vão poupar tempo e dinheiro em transportes... Na maioria dos casos, compensa.
- Não tenham receio de partilhar quarto com estranhos. Na verdade é uma forma de pouparem imenso dinheiro (o preço da cama é muuuuuito mais baixo do que o preço de um quarto, como é lógico). Optem por camaratas de 4 pessoas, por exemplo. Por norma não há problemas, é uma forma de conhecerem pessoal (nós não conhecemos porque só lá íamos dormir e só ficamos 2 noites em cada sítio). E acima de tudo, respeitem o outro. Só isso.




O Roteiro
Visitar 3 cidades em 3 países diferentes em apenas 7 dias não é fácil e implica abdicar de algumas coisas como o descanso, o sono e fazer escolhas. Depois de definirmos as cidades, sossegamos um pouco. Quando dei por mim, já era véspera de partirmos e nós ainda sem roteiro definido. Como íamos ficar tão pouco tempo em cada cidade, não dava para divagar e os dias tinham que ser muito bem aproveitadinhos. Já tinha apontado os principais pontos turísticos de cada destino, mas sabia bem que era impossível conseguirmos ver tudo e, por isso, há que fazer opções. Tracei uma rota de pontos mais interessantes para nós no Google Maps, medi distâncias, calculei tempos e pareceu-me possível. E foi! Não fomos super rigorosas com nada, na verdade íamos em passeio e mudamos de ideias várias vezes, acrescentamos experiências e retiramos outras. Por exemplo, em Praga, preferimos andar de barco do que subir ao Monte Petrin.

Conselhos:
- Levem a lição estudada de casa e façam um rascunho daquilo que gostavam mesmo de ver, mas não se agarrem demasiado a essa ideia. Sejam flexíveis e vão fazendo aquilo que vos apetecer no momento.
- Prefiram experiências a visitas. Sabem aquela ideia de ir riscando todos os "edifícios e monumentos a não perder"? Bom, isso é giro se realmente for a vossa praia. Eu gostaria muito de ter ido a todos os museus possíveis e imaginários daqueles países - muita arte da escola flamenga para ver, meus senhores! - mas tendo em conta o tempo e o facto de não estar sozinha, fez com que isso ficasse para segundo plano. E não me arrependo absolutamente nada. Preferimos experiências como andar de barco, patinar no gelo, comer a comida típica, beber uma cerveja em frente ao Relógio Astronómico, percorrer lojas, visitar mercados de natal... Do que propriamente entrar nos museus e visitar todos os monumentos possíveis e imaginários que não nos dariam grandes recordações. É encontrar um equilíbrio entre ambas as coisas ;)




A Língua e outros "Problemas"
Em Berlim fala-se alemão, em Praga, checo e em Viena, austríaco. Mas o alemão é mais comum entre estas cidades e o inglês vem várias vezes em segundo ou terceiro plano. Aliás, em Viena tivemos bastante dificuldade em compreender placas, menus em restaurantes e avisos, já que estava tudo em austríaco/alemão. O que fazer nestas situações? Ter sempre o Google Tradutor à mão e, para quem tiver queda para as línguas, ir memorizando como se escrevem e dizem algumas palavras. Nós decoramos rapidamente palavras como praça, rua, aeroporto, entrada, saída, nomes da comida, por favor, obrigada,... Etc. É uma ótima forma de irmos compreendendo a língua. A minha vontade de aprender alemão aumentou a 200%! Não se preocupem com isso, vocês vão ficar habituados a tudo. Quanto a saber para onde ir, nada é melhor que o Google Maps. Dá as indicações direitinhas, diz-nos os horários dos transportes, a estimativa do tempo que demoramos... Não há melhor. Em todo o caso, aconselho sempre a andarem com um mapa da cidade e do metro no bolso, porque nunca se sabe e as tecnologias são incríveis até nos falharem!

Conselhos:
- Não paniquem. Conseguem dar conta do recado mesmo sem serem super especialistas em inglês e muito menos em alemão. Eu penso sempre no seguinte: os nossos emigrantes foram para o estrangeiro, alguns quase sem escolaridade, e conseguiram safar-se bem. Eu também consigo! Se do outro lado não falarem inglês com vocês, não há problema nenhum, todos nós falamos a língua universal, que é a língua dos gestos. Apontem, mostrem imagens do que pretendem... Com boa vontade toda a gente se entende!
- Andem sempre com o mapa no bolso e estudem os percursos. Pesquisem antecipadamente quais são as zonas centrais e as zonas a evitar, se existirem.




A Comida e os Costumes
Já sabemos - se não sabem, deviam saber - que não há melhor comida que a nossa. É um facto. Mas às vezes precisamos de sair daqui para o perceber. O importante é que experimentem. Sem medos, experimentem! Vão a restaurantes típicos, comam a comida regional. Evitem os McDonalds e as outras cadeias de fast food. Conhecer um país também é conhecer a sua gastronomia. Mais importante de tudo, respeitem. Respeitem muito a cultura do sítio que estão a visitar. Se não gostarem da comida, fechem o prato e, se vos perguntarem, não digam que não gostam, digam antes que estão satisfeitos. Não há nada mais feito e triste do que percebermos que os outros não estão a respeitar aquilo que nós temos para oferecer e, por isso, não devemos de fazer o mesmo no estrangeiro. Se querem estar noutro país a fazer, a comer e a ver o mesmo que em Portugal, então não saiam daqui, certo? Sejam humildes, experimentem e keep an open mind! Caso contrário, não faz sentido viajar!




A Mala
Se forem na altura do inverno preparem-se para frio de verdade. Frio como eu nunca senti. Depende de qual for a vossa opção de bagagem. Eu escolhi viajar com o mínimo possível e de mochila às costas porque é mais fácil para me movimentar, para entrar e sair dos transportes... Mas este método também tem desvantagens, como tudo na vida. Levamos o peso todo às costas e a certa altura começam as dores e não cabe tanta roupa como numa mala. Mas para este estilo de viagem, é o método que eu aconselho. Como não podia levar muita roupa, escolhi o casaco mais quente que tinha em casa (e impermeável também) e enchi a mochila com camisolas grossas. Levei umas botas quentes (e rasas, claro), umas sapatilhas e uns chinelos de dedo (para tomar banho). Gorro, luvas e cachecóis são peças OBRIGATÓRIAS. Meias quentes também. Em Viena tive que usar uns collants grossos debaixo das calças de ganga para aguentar o frio.

Conselhos:
- Apostem de verdade nas peças mais quentes que tiverem. Escolham camisolas e calças. Um casaco quente é suficiente para 7 dias. O calçado deve ser o mais confortável que tiverem. Lembrem-se: nestas viagens anda-se muito quilómetro...


Não sei se me estou a esquecer de alguma coisa, mas isto é um resumo de tudo o que precisam de saber para começarem a preparar a vossa viagem. Prometo os posts sobre os destinos mais tarde ;)



terça-feira, 2 de outubro de 2018

London is calling you


London, London, London is caaaaaalling you... 
What are you waiting for? What are you searching for?


É assim uma das minhas músicas favoritas do meu querido Clementine. E sabem que mais? Londres estava mesmo a chamar por mim, só que eu não ouvi muito bem...


Sempre quis ir a Londres. Mais do que ir a Paris ou a Nova Iorque, até. Londres é mais a minha cena porque é lá que estão grande parte das minhas referências (cinema, música, arte, museus, monumentos, História...), mas só aos 25 anos é que cheguei lá.


Esta viagem estava planeada há mais de um ano, mas devido a questões pessoais, foi sendo adiada. Agora, aliado à promessa que havia feito ao meu irmão de o levar a Terras de Sua Majestade, também tinha as saudades imensas da minha mate que se mudou para lá no início do ano.


Juntou-se o útil ao agradável.


A ideia era simples: não íamos fazer o turismo convencional. Não íamos correr de um lado para o outro para tentarmos ver tudo em 4 dias. Não. Até porque a minha ideia é voltar lá várias vezes. Então fomos na maior das descontrações, sem plano definido, nem uma lista de sítios imperdíveis, nem sequer com horas marcadas.


Fui numa quinta de manhã cedo (cheguei às 9h) e voltei às 9h da segunda-feira seguinte. E menti. Disse que não ia com nada marcado, mas na verdade tinha 2 planos, que vieram no pacote de presente de aniversário que ofereci ao meu irmão o ano passado, quando ele fez 20 anos (agora já tem 21, vejam bem!). E que planos foram esses?


Uma visita aos estúdios onde foram filmados os filmes do Harry Potter 
(somos suuuuuuper fãs) e um jogo de futebol no estádio do Arsenal.


Não consigo descrever-vos bem o que senti em Londres. Bom, se calhar até consigo... Senti-me em casa. Senti-me feliz ali, enquadrada, como se sempre tivesse feito parte daquela cidade, daquela vida, daquele ritmo e daquela riqueza visual. Era casa. E talvez por isso que sinto saudades como nunca me tinha acontecido. Saudades do metro - mind the gap between the train and the platform - e de todas as estações que já quase que as sabia de cor, das praças, do céu nublado - nunca imaginei dizer isto - e das pessoas, do cheiro e do estilo.


Mas vamos por partes ;)


Quinta-feira 
Chegamos às 9h ao aeroporto de Stansted mas só de lá saímos depois das 10h por causa do border control. Não estava a contar e o tempo começou a escassear. Às 14h30 tínhamos que estar nos Warner Bros. Studio Tour para a visita ao local onde foram filmados os filmes do Harry Potter. E chegar lá não é fácil, nem rápido, nem barato. Depois de apanharmos as nossas mochilas fomos diretamente para o comboio que nos ia levar até ao centro de Londres (47 minutos de viagem). Depois, em Liverpool Station, compramos o passe de metro (Oyster) e seguimos em direção a Euston Square. Lá trocamos de linha até Watford Junction e depois dessa estação, apanhamos o autocarro da tour que nos levou direitinhos aos estúdios - acho que disse tudo direitinho! Tudo isto foi feito às escuras - não sabíamos como funcionava o metro, para onde tínhamos que ir, mas tivemos ali uma lição intensiva - e sempre a correr, porque as horas estavam a passar. Chegamos ao destino às 14h30.




Não pretendo fazer-vos grandes spoilers, mas posso garantir-vos que esta visita vale cada pence. Quer sejam grandes fãs como eu ou apenas curiosos. Estamos a comprar um bilhete para um mundo novo, mágico onde há surpresas em cada esquina. É tudo muito organizado, muito tranquilo e todo o staff está altamente preparado para responder a todas as nossas questões harrypotteanas - believe me, eu pus-los à prova - e são todos extremamente simpáticos.




Lá é possível ter uma série de experiências com apoio das tecnologias e de equipamentos digitais, como tirar fotos interativas, entrar na Floresta Proibida - e, jeezz, até eu me assustei! - e ainda poder beber a tradicional Butterbear! É verdade, caros colegas, ela existe, eu bebi e é deliciosa!



Mas não vou falar mais desta experiência.
O ideal é fazer um post sobre isto e quem não quiser spoilers, não lê. Fácil, certo? ;)


Depois de sairmos de Watford tivemos que fazer toooooda uma viagem de regresso, chegando a casa da minha amiga que nos acolheu à hora do jantar. Depois de enchermos a barriguinha com praticamente a primeira refeição quente do dia, fomos descansar, que o dia tinha sido longo.


Sexta-feira
Acordamos já sozinhos em casa - o pessoal tinha saído para ir trabalhar - e nós levantamo-nos com calma, sem pressas, fizemos um bom pequeno-almoço para aguentar bem o dia, arranjamo-nos e saímos à descoberta. Metemo-nos no metro e saímos numa estação qualquer. O objetivo era andar a explorar a cidade a pé. Chegamos a Picadilly e começou a chover. "Bem-vindos a Londres", pensei. Mas ninguém pareceu importar-se muito com a chuva. Nós aproveitamos e abrigamo-nos numa das dezenas de lojas de souvenirs, enorme e cheia de coisas e coisinhas relacionadas com a cidade e com Inglaterra no geral. O que mais achei graça foi à loiça com fotografias do Casamento Real ou da Rainha ou do William e da Kate... Mesmo muito engraçado perceber que há mesmo um público para aquilo!




Depois fomos andando até chegar ao Buckingham Palace que é bem mais pequeno do que eu esperava, mas os jardins à volta e os portões são lindíssimos. Seguimos caminho até Westminster que cobrava 25€ (mais ou menos) por pessoa para fazer a visita. Thanks, but no, thanks. Ainda havia muita viagem para fazer e não me apetecia gastar logo ali 50€. Mais à frente tive a minha surpresa: o edifício do Parlamento. Fiquei completamente abismada com a grandiosidade e com a arquitetura. Vale a pena fotografar aquela obra de arte arquitetónica, mesmo com o Big Ben tapadinho - está em obras! Continuamos a nossa caminhada junto ao rio Tamisa, do outro lado do London Eye, subimos até encontrarmos a Trafalgar Square - que tive mesmo muita pena de não conseguir ver melhor, mas é definitivamente uma das minhas primeiras paragens na próxima visita.


A minha amiga aconselhou-nos uma pastelaria ótima em Chinatown e lá fomos nós, conhecer mais um cantinho. Compramos os bolinhos asiáticos e viemos para a Leicester Square lanchar, mesmo em frente à estátua de Shakespeare. Ficamos à espera das minhas amigas, vindas do trabalho. Tínhamos combinado ir beber um copo. Enquanto esperamos fomos visitar a loja dos M&M que tooooda a gente adora. Eu não achei particular graça. Do outro lado encontrava-se a loja da Lego e essa sim, vale a pena. Demoramo-nos um bocado porque estava a ficar bem frio e nós não estávamos devidamente agasalhados (eu levava um impermeável, uma camisola, uma t-shirt e um lenço, mas mesmo assim, muito frio!!!).




Quando o grupo se juntou seguimos para Covent Garden e fizemos um mini rally dos pubs. Ao todo bebemos 1,5 litros de Guiness - das melhores coisas da vida - com batatas fritas e muuuuuita conversa super interessante pelo meio. Às 23h já estávamos com fomeca e decidimos ir ao Mac.


Sábado
Como estava de chuva, decidimos que era o dia perfeito para visitar o Tate Modern Museum, o que eu mais queria visitar - o único que, na verdade, fazia questão de visitar. Metemo-nos no metro e lá fomos nós, para o outro lado do Tamisa. Aviso à tripulação: o Tate é gi-gan-te! Estivemos lá dentro umas 2 ou 3 horas e vi 25% do edifício e só visitamos as exposições temporárias. Deixamos as permanentes para outra altura. Fizemos quilómetros lá dentro e no fim, para dar descanso às pernas, descemos até ao bar para lanchar. Não sem antes subir ao último piso e admirar a vista maravilhosa de Londres, assim, cinzenta e linda. O lanche foi muito tradicional: chá Earl Grey com leite - nhami! - e brownie.


Quando saímos do edifício a chuva persistia e cada vez com maior intensidade. Compramos guarda-chuvas e fizemos caminho pela Millenium Bridge até à catedral de São Paulo (que estava fechada!). Depois as minhas amigas disseram-me "Tens meeeesmo que ver a Tower Bridge!" e então traçamos o caminho no Google Maps - o nosso maior companheiro de viagem -, apanhamos o autocarro e lá fomos nós. Senhores, vale MESMO a pena ir conhecer a Tower Bridge. É como se estivéssemos num conto de fadas, lindo de morrer... Tiramos fotos, vimos a vista e seguimos caminho... Não nos podíamos atrasar!




E qual foi a paragem seguinte?
Jantar num dos restaurantes do Jamie Oliver!

Yes, fomos mesmo e foi uma experiência que nunca mais na vida vou esquecer e sei, com certeza, que vou repetir sempre que puder. Vou falar mais do jantar num outro post.


Domingo
Mais um dia chuvoso em Londres, mas nem por isso nos demoveu a pôr pés ao caminho. Ia ser um dia cheio de emoções fortes! Começamos por visitar Camden Market e, se já ouviram falar, sabem que lá é um mundo à parte. Passava fácil o meu dia inteiro ali, a vasculhar as lojinhas de roupa em segunda mão - mas cara na mesma - os materiais mais alternativos e as lojas mais esquisitas de sempre. Tudo interessante e novo e fresco e cheio de boa onda. E sim, podem mesmo comprar roupa de vampiro em Camden... E isso nem sequer é o mais esquisito que vão encontrar por lá!


Almoçamos comida tailandesa que estava muito boa e super picante! E o cheirinho? Huumm...


Depois, perto das 14h seguimos viagem para mais uma experiência do caraças:
Fomos ver o Arsenal vs. Everton ao Emirates Stadium!


Foi uma experiência memorável e um ambiente super civilizado, tranquilo e muito animado.
E o Arsenal marcou 2 golos, é preciso que se diga...




No final, a fome já apertava e convinha comer bem porque o dia seguinte ia ser durinho. Então voltamos a Covent Garden - eu já disse que adorei essa zona de Londres? - para visitar uma pizzaria ma-ra-vi-lho-sa! Eu não sei se foi da fome, mas acho que nunca mais me vou esquecer da pizza - a mais simples do mundo, que eu não sou de grandes aventuras na pizza! - do Franco Manca. Já para não falar que o restaurante é giro que se farta... Ficamos satisfeitos, com a barriguinha cheia e o espírito alegre.


Segunda-feira
Começamos a manhã às 5h, à porta do metro, prontos para apanhar o primeiro transporte do dia até uma estação, mudar de linha até Liverpool Station e aí apanhar o comboio até ao aeroporto. Depois foi só sentar no avião e dormir toooooooda a viagem - mesmo antes do avião descolar! Yep, eu sou dessas sortudas...


Chegamos a casa a horas do almoço e foi assim que terminou a nossa aventura por terras de Sua Majestade.
E já estou a pensar quando é que vou voltar ;)



segunda-feira, 24 de julho de 2017

grécia | os preparativos

Perguntaram-me como é que aconteceu todo o processo antes de pôr os pezinhos no avião. Bom, foi tudo muito pacífico, na verdade. Envolveu bastante pesquisa, claro que sim, porque não queríamos perder nada de importante, nem nos queríamos meter por caminhos estreitos. Mas vamos por partes:

O destino
Como já disse num post em baixo, escolher o destino das férias foi bastante aleatório. Quase tanto como fazer girar o globo e apontar para um sítio à sorte. Mas mesmo depois de termos decidido, ainda houve um dia de ponderação. A Croácia era o plano B, caso já não houvesse "espaço" para nós na Grécia por irmos em julho e por já estarmos a comprar tudo em cima da hora. Não foi o caso e correu tudo pelo melhor.

Os voos
Estivemos vários dias a ver preços de voos e escalas, na esperança que ficassem mais baratos ou que apanhássemos alguma oportunidade. Não aconteceu. E antes que subissem mais, compramos. Porto - Milão e Milão - Atenas. Mas se quiserem um conselho, por vezes mais vale gastar mais um pouco e comprar voos diretos do que perder um dia inteiro na viagem. É tudo uma questão de prioridades.

O Roteiro
Depois dos voos comprados, não havia nada a fazer. Íamos mesmo para a Grécia. Faltava saber o que íamos visitar nesse país com mais de 6000 ilhas (!!!) e ainda um vasto, importante e interessante território continental. A decisão foi difícil. Já tínhamos definido que Santorini e Mykonos eram paragens obrigatórias. Depois começamos por pesquisar em vários blogs, fóruns, sites, artigos e imagens os pontos mais importantes do país. Fizemos uma lista com todos aqueles que gostaríamos de visitar e concluímos que Creta tinha que entrar no roteiro. É uma ilha cheia de história, cheia de tudo, que vale mesmo a pena visitar. Depois disso, começamos a distribuir as visitas pelos dias que tínhamos disponíveis e chegamos à conclusão que teríamos que excluir uma das ilhas. Não dava para fazer Creta-Santorini-Mykonos e ainda Atenas. Não dava porque não íamos ter tempo para conhecer convenientemente nenhuma delas e, por isso, tivemos que abdicar de uma. Riscamos Mykonos da equação porque, segundo o que lemos, é semelhante a Santorini mas com o dobro dos turistas e com um custo de vida duplamente mais alto. Decisão tomada e sem arrependimentos.

Definimos que em Creta iríamos descer a Samaria (das melhores experiências da minha vida!) e visitar Elafonisi. Ainda queríamos conhecer a Balos Lagoon e a Vai Beach. E eu ainda estava a torcer para visitar Spinalonga. Mas era impossível. Creta é GIGANTE e não dava para conhecer toda a costa em apenas 4 dias. Impossível. Mesmo se ficássemos por lá os 10 dias, ia ser muito difícil conseguirmos visitar tudo. Limitámo-nos então à zona Oeste da ilha que é riquíssima e ainda está quase intocável pelo Homem, uma surpresa para mim. Mas sobre isso, posso falar noutro post.

Em Santorini concordamos que íamos descansar. Se pudéssemos visitávamos o vulcão e íamos ver o pôr-do-sol a Oia. Não fomos com nada definido nem "horas marcadas".

Em Atenas, como só íamos ficar um dia, CLARO que íamos à Acrópole.

O Alojamento
Foi a "preocupação" seguinte. Depois de termos definido o roteiro, era importante escolhermos sítios estratégicos para ficarmos alojadas. Começamos por pesquisar a geografia das cidades, bem como pontos importantes (aeroporto, porto, estação de autocarros...) e também perceber onde é que havia praia e diversão. Tudo para poupar nos transportes - temos que ser espertas.

Em Creta fizemos opções mais lógicas. Ficamos a primeira noite num hotel, já que aterrávamos por volta da meia-noite e meia e íamos diretas para lá. No dia seguinte viajávamos para outra cidade. Por isso, esse hotel tinha mesmo que ficar perto do aeroporto (15 minutos de taxi) e da estação de autocarros (10 minutos a pé). Tivemos o bónus de também ficar bem no centro da cidade e de toda a animação, mas praia, nem vê-la. Havia mar ao lado mas nada de areal. Na segunda cidade fomos ainda mais lógicas: precisávamos de um bom sítio para descansar (iam ser dias duros), onde houvesse uma cozinha para fazermos as refeições e tinha que ficar próximo da estação de autocarros. Não era necessário que ficasse no centro, porque não íamos ter a oportunidade de sair à noite. Escolhemos um apartamento, o melhor de todos, com uma localização perfeita. Ficamos lá duas noites. Ao quarto dia, regressamos ao hotel onde ficamos na primeira noite. Chegamos lá às 23h30. Foi tomar um banho quente e ir dormir. No dia seguinte, às 9h30 dirigímo-nos ao o porto (que ficava a 15 minutos a pé) para apanhar o ferry para Santorini.

Em Santorini alugamos um quarto num hostel. Foi o pior porque não correspondia exatamente ao que mostravam nas fotografias. Por fora era lindo, estava bem localizado, tinha uma vista do caraças, tínhamos uma varanda e um terraço privado e ainda uma piscina e um alpendre para tomar o pequeno almoço (que era gratuito) com vista para o mar. Mas os quartos eram pequenos, a casa de banho não estava assim tãaaaao limpa como devia e nem vestígios de cozinha. Nada. Nem comunitária. Tivemos que almoçar e jantar fora durante os 3 dias que ficamos em Santorini. 

Já em Atenas, alugamos um studio numa área que nos pareceu central. E era MESMO. Ficava junto ao Parlamento, numa zona muito movimentada e junto ao metro que nos levava para qualquer lugar. O studio ficava num prédio de escritórios. Tinha sido adaptado e agora era um quarto com algum equipamento de cozinha (quase nada) e uma casa de banho. Não tinha vista nenhuma, mas era confortável e serviu perfeitamente para dormir 2 noites.

Reservamos os alojamentos através do Booking e do Hostelworld e não tivemos qualquer problema.

Os transportes
Nas ilhas os únicos transportes públicos que existem são os autocarros. Todos eles têm boas condições, ar condicionado e vidros escuros. Há taxis (que não têm taxímetro) e o que não falta são carros, motas ou moto 4 para alugar. Já em Atenas, sendo a capital, já estão a ver que têm um sem fim de transportes que podem escolher. Nós andamos de metro e de elétrico. Não usamos o taxi por conselho de um amigo que fizemos em Santorini e que era natural de Atenas. Disse-nos que eles costumam "roubar" os turistas, que o preferível era usar o metro.

Bom, mas quanto a isto não têm que se preocupar. Há transportes para todo o lado e a todas as horas. Não stressem, não tentem comprar antes do tempo. É tudo muito tranquilo e normal, como se estivéssemos em Portugal.

Já os ferrys, bom, os ferrys foram a facada no orçamento. Há poucas empresas a fazer o transporte e como há poucas (ou nenhumas) alternativas, toda a gente tem que embarcar para sair ou entrar na ilha. É por isso que eles carregam bem nos preços. Mas descansem que ao menos são de excelentes condições e não vão nem notar que estão a navegar. Por acharmos mais seguro, compramos as viagens em Portugal com alguma antecedência. Aconselho a fazerem o mesmo, visto que são às centenas e centenas de turistas a embarcar e há poucas viagens por dia. Correm o risco de não terem lugar e terem que esperar para o dia seguinte para conseguirem embarcar. Fizemos duas viagens de ferry: Creta-Santorini que durou 2 horas e Santorini-Atenas que durou 8 looooooongas horas. Tão longas que li um livro inteiro na viagem.

A Mala
Parecendo que não, a mala faz parte da preparação de uma viagem e tem toda uma influência na mesma. Nós escolhemos viajar de mochila às costas. Era mais prático, era mais seguro (não ia para o porão) e era o nosso estilo. Foi a melhor opção. Se soubessem a pena que tinha de algumas alminhas a subir e descer as escadas de Santorini de trolley... As únicas coisas que comprei em específico para a viagem foram: a mochila (40L na Decathlon) e umas sapatilhas de trail (bendita a hora que perdi o amor ao meu dinheiro e investi nelas!). Na mochila meti biquinis, dois calções de ganga, uns calções brancos, várias t-shirts e tops, dois vestidos de dia e dois vestidos para a noite. Para calçar, levei as sapatilhas, umas Havaianas e umas sandálias rasas. Para além disso, e da roupa interior, levei dois pares de brincos, dois batons (não usei nenhum, como seria de esperar), uma mochila para usar durante o dia e uma carteira pequena para a noite. Só. Quanto aos líquidos, compliquei o que não tinha complicação. Bastava levar um creme de rosto e um pouco de água micelar para limpar a cara ao fim do dia. O resto comprei lá (champô, protetor solar, gel de banho, creme hidratante...).

Bom, mas levem o mínimo possível porque não vale a pena grandes produções e porque vão alombar com tudo às costas. Ao fim de um dia inteiro de mochila posta já vão estar a desejar ter tirado dos 5 vestidos que já não usam desde 2010 e que acharam por bem trazer. Mas não poupem nos livros. Mesmo. Podem levar dois ou três.


Bom, penso que não me esqueci de nada, que já referi tudo aquilo que fomos preparando antes do dia D. Acima de tudo pesquisem bem, definam prioridades e não vão com orçamentos apertados. Permitam-se a pequenos luxos como ir jantar fora, visitar um sítio que não estava nos vossos planos ou fazer algumas compras... As viagens também são isso mesmo. Mas acima de tudo vão com a intenção de conhecer o máximo que conseguirem. Só assim vão tirar partido do vosso investimento.

Talvez faça posts sobre cada uma das ilhas e dos sítios que visitei para esclarecer mais algumas dúvidas. Parece que ainda ficou tudo por dizer. Parece-vos bem? :)


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sexta-feira, 21 de julho de 2017

grécia


As minhas férias foram especiais. Claro que foram. Quem diria, há um ano atrás, que agora iria estar a contar esta experiência na primeira pessoa? Realmente a minha vida tem dado voltas muito interessantes...

Tinha o objetivo de fazer uma viagem este ano, mas ainda não tinha pensado muito nisso. Não tinha nenhum sítio em particular que me apetecesse muito ir. Gosto de tantos destinos, pretendo visitar tantos sítios, mas nunca tinha pensado por onde havia de começar. E quando assim é, qualquer destino é perfeito.


Foi então que num dia de trabalho duro e sério, a Grécia não me saía da cabeça. E não me perguntem porquê. Foi mais ou menos como quando acordamos com uma música na cabeça - normalmente super irritante - e passamos todo o dia a cantarolar. Foi isso que me aconteceu. Quando cheguei a casa mandei mensagem a uma amiga a dizer mais ou menos isto: "E Grécia, não?". Ela disse "Bora". E assim foi.

Em pouco tempo começamos a ver ilhas, escolher roteiros, sítios para visitar, preços, acessibilidades, transportes... Compramos as viagens. Agora não havia nada a fazer. Depois foi, aos poucos, com muita pesquisa, ir construindo o roteiro completo.


Fomos com alojamentos, voos e ferrys comprados. O resto logo se via. Íamos com um plano e com informações úteis (horários dos autocarros - único meio de transporte público das ilhas que visitamos - preço dos locais que queríamos visitar,...). No final correu tudo como planeamos, sem sobressaltos. Mas a viagem foi uma autêntica maratona. Foram 10 dias de correria de um lado para o outro, de mochila às costas e cá-vamos-nós-para-mais-uma-aventura. E foi tão bom...

Posso dizer que dei o meu melhor para conhecer o máximo dos sítios onde ficamos alojadas, mas a verdade é que tirando Santorini, não conseguimos ver nem metade. Mas do que vimos posso dizer-vos que fiquei apaixonada pelo país, pelas pessoas, pela cultura, pelas paisagens, pela comida...


Se quiserem saber o roteiro da minha viagem, se tiverem alguma questão, qualquer coisa, digam! 
Não vou escrever mais sobre isso se não vos interessar. Não vos quero aborrecer com assuntos que não vos interessam para nada ;)


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