segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Super-Victoria


Se já seguem o blog há algum tempo, devem saber que tenho uma mega crush por esta miúda desde 1856. Sigo-a, assim como o resto do mundo, desde as Spice Girls, e fui acompanhando o seu percurso até aos dias de hoje. Acho que foi a única que realmente soube fazer o seu caminho à sua maneira, sem disfarces e sem se encostar à sombra do sucesso de ninguém. Percebeu que as artes performativas ficavam guardadas para as Beckham's private parties,  que a vida de soccer wife (ou Maria Chuteira) não encaixava nela e então decidiu investir naquilo que é realmente boa: na moda.


Claro que se olharmos um bocadinho para trás podemos perceber que nem sempre teve as opções mais fashion - especialmente no que diz respeito ao hairstyle ou à make up! -, mas sempre se distinguiu do resto, mesmo enquanto membro das Spice Girls. A Victoria podia perfeitamente viver uma vida desafogada, cheia de dinheiro e com zero preocupações, mas decidiu arregaçar as mangas da sua blusa de seda e criar o seu próprio império. Só porque é uma mulher extraordinária e um exemplo para os seus filhos. E eu fico muito feliz por isso, porque podemos usufruir das suas brilhantes coleções, lindas, para mulheres reais, com empregos reais e com uma qualidade e execução perfeitas - I mean it, eu já vi com estejólhinhos e posso comprovar. E agora também a sua linha de beleza!


Recentemente, brindou-nos com a sua mais recente coleção Primavera 2020 e está maravilhosa. Vejam algumas peças:







Eu chego-me à frente para dizer que quero praticamente tudo. E quando eu digo tudo, I mean TU-DO. Até aquele vestido e sapatos ULTRA violeta. Inspiro-me várias vezes nos looks da própria no meu dia a dia e, por isso, decidi mostrar-vos a forma versátil que a Victoria se veste. Usa fórmulas  "simples", mas parece sempre a pessoa com mais pinta da sala. Escolhi dois looks mais formais e ótimos para usar no escritório - calculei que desse jeito -, outro ideal para ir jantar fora ou beber um copo com os amigos e ainda um "descontraído", à maneira da Victoria.

Camisa e Sandálias Mango | Calças H&M | Relógio Boutique dos Relógios


Blazer e Body Zara | Calças e Sandálias Mango


Top e Calças Mango | Sapatos Zara | Pendente Parfois


T-shirt Mango | Jeans Aly John | Sapatos Zara | Clutch Bimba y Lola


Qual é o vosso look?





quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Must-See

É indiscutível que eu sou uma fanática por cinema. Adoro filmes, séries e até documentários. Desde que sejam de qualidade e/ou abordem uma temática que me interessa, eu estou nessa. Mas os próximos tempos trazem novidades maravilhosas que eu não quero, de todo perder. Nem quero que vocês percam. Por isso, apontem aí na vossa agenda:

SÉRIES


No campo das séries não podemos ignorar o lançamento da 5ª temporada de Peaky Blinders - que já saiu no Reino Unido - que acontece em outubro, by order of Peaky Blinders, claro. Já não dá para aguentar as saudades da família Shelby, pois não? Ainda por cima, esta temporada vai ter um upgrade: Sam Claflin.



A 17 de novembro voltamos a entrar pela porta da frente do Buckingham Palace e acompanhar o dia a dia da Queen Elizabeth. Estou a falar, claro, de The Crown. Adorei ver a série e aguardo a nova temporada. Desta vez vamos ter um avanço no tempo e Olivia Coleman vai substituir Claire Foy no papel principal de rainha. Mas as boas notícias não acabam aqui... A "minha" Helena Bonham Carter também vai fazer parte do elenco e transformar-se em Princesa Margaret!


Estamos conversados a nível das séries. Vamos falar de filmes:


FILMES


Começo por um que já estreou em agosto e que eu sublinho e risco até furar a página que é OBRIGATÓRIO! Não entendam isto como uma sugestão, mas como uma ordem, um dever cívico. Toda a gente deve ver Once Upon A Time... In Hollywood de Quentin Tarantino. Nunca escondi aqui que sou mega fã deste senhor ao ponto de levar o meu pequeno irmão, há 10 anos, a ver o Sacanas Sem Lei no cinema. Ficou chocado, claro - era tão novinho e não estava pronto para aquela violência -, mas imediatamente convertido a esta religião Tarantiana. Somos seguidores fiéis e claro que já tratamos de ir ao cinema ver a sua mais recente obra de arte. Talvez dedique um post só a este filme. Aqui deixo só mesmo a nota: IDE, MEUS FILHOS, ide e saboreiem o que se faz de melhor no cinema dos dias de hoje.

P.S. Ainda não estás convencida? Olha que entra o Brad Pitt E o DiCaprio. Sim. "E". Ambos "os dois". Estão a dar tudo... É a loucura!



Se há filme que eu estou a fazer risquinhos na parede para assistir é Joker. Tem todos os ingredientes que se pede para que seja um filme do caraças: Joaquin Phoenix, Joaquin Phoenix e Joaquin Phoenix. Pronto... Há outras coisas extraordinárias neste projeto também, tais como ter vencido um Leão de Ouro em Veneza, ter sido ovacionado por 8 minutos no mesmo festival, oferecer-nos uma perspetiva diferente da personagem ao público, torná-la mais real, mais humana e fácil de "acreditar" e, por isso, de nos envolver. Enfim, acho que o Joaquin Phoenix teve um desafio épico: recriar esta mítica personagem que foi brilhantemente desempenhada por Heath Ledger e que eu acreditava ser quase impossível de superar. Pensei isto até anunciarem o nome de Phoenix para o papel. Aí disse logo que ia ser O Joker. E tenho provas escritas!!! Venha de lá outubro para isto!



Eu acho que ainda não tinha dito aqui, mas quando fiquei órfã de série (depois de devorar 4 temporadas de Peaky Blinders em 1 semana) não sabia que fazer. Uma noite lembrei-me de ir cutucar o episódio 1 de Downton Abbey que tinha ficado a meio há algum tempo - não me despertou grande interesse na altura, mas decidi dar-lhe uma segunda oportunidade. Em pouco tempo liguei-me àquela família de verdade e só me apetecia tratar o meu Pai por "Papáah!", como só a Mary consegue pronunciar, e usar luvas até ao cimo do braço. Foi com espanto, pela coincidência, que percebi que o filme de Downton Abbey estava prestes a estrear! Agora aguardo ansiosa para voltar a encontrar-me com os meujamigos todos, como a Mary, a Cora, a Anna, a Daisy e, especialmente, a Tia Violet!



Não é segredo que sou mega fã de Frozen - sou a Elsa! -, da história do Frozen, das personagens do Frozen, das músicas do Frozen, dos brinquedos do Frozen... Já perceberam, não já? Claro que mal posso esperar pela segunda parte desta história! A ver se volto a ser "comidinha de cebolada" com o enredo... Alguém desconfiou das intenções daquele príncipe manhoso no primeiro filme? Eu fiquei em choque!



Last, but not the least, O Pintassilgo. Provavelmente ainda não ouviram falar. Eu própria mal me apercebi que este filme ia acontecer, mas chamou-me a atenção porque eu já li o livro - um pequeno calhamaço de umas 800 páginas, se bem me lembro. Não fiquei apaixonada pela história nem pela escrita, mas lembro-me que gostei e entreteve-me ao longo de uma semana de férias no Algarve. Quero ver para dar imagem àquilo que imaginei na minha mente e para ver obras de arte, que é o que se quer desta vida, né? Isso e uvas docinhas e fresquinhas.





sexta-feira, 6 de setembro de 2019

H&M Studio



Cá estou eu, bianualmente, para vos mostrar a linha H&M Studio que costuma ser um estrondo - à exceção do ano passado, vá. São sempre peças mais originais, com melhores materiais e um preço ajustado a essa realidade. Eu sou muito fã, apesar de nunca ter comprado nada Studio, mas esta coleção está de morrer de tão linda... E a fazer-me vacilar.




O conceito desta coleção é o cenário urbano e a mulher moderna, ativa e cheia de pinta. E se eu acho que as peças estão maravilhosas, então o editorial nem se fala. Apetece mesmo ser aquela mulher ali representada que depois do trabalho vai jantar a um sítio fancy sem antes ir a um bar beber um cocktail com nome exótico vestindo a sua melhor lantejoula escondida pela camisola durante o expediente.




Estou muito entusiasmada com estas botas - se calhar, entusiasmada demais - e com aquele vestidinho preto lindo e perfeito para-todas-as-horas. É isto que eu adoro nestas coleções, é que tudo tem bom ar e tudo parece perfeitamente intemporal e versátil. Dá vontade de perder a cabeça e afinfar na loja online, não é? Ou sou só eu? Fiquem aqui em baixo com as minhas peças favoritas:




Não se esqueçam de ver as peças mais em pormenor e passem os olhos pelas fotografias. Valem a pena.






quarta-feira, 4 de setembro de 2019

4 X 4



Voltamos ao tema "festas" porque tenho reparado que há muito boa gente cheia de festanças que nunca mais acabam. Ora são os amigos que casam, os primos, as bodas de ouro dos avós, batizados, you name it. O meu instagram/facebook anda inundado de outfits de cerimónia. Dei por mim a pensar "Mãe do céu, há carteira que resista a isto?". E depois pus-me a pensar que se andamos todos a pregar a palavra da sustentabilidade, é também nestas alturas que a devemos pôr em prática, correto? Especialmente se temos 2094 festas em que a maioria dos convidados nem sequer são os mesmos. Será que não dá para apostar num vestido e usá-lo de formas diferentes, combiná-lo com estilos e cores diferentes? E não dá para pedir os brincos emprestados à mãe e as carteiras e sapatos às amigas? Eu já fiz isso, naquela altura em que ia a festas, em 1967, quando ainda não era cool pedir coisas emprestadas. Agora é, portanto, siga reutilizar.


Não ia estar aqui a debitar uma teoria sem a colocar em prática, pois não? Claro que não. Por isso, escolhi 4 vestidos todos muito diferentes entre si (um mais romântico e curto, um mais descontraído, um mais divertido e jovem e o último mais clássico e elegante) sem recursos a tons demasiado claros ou aos pretos (para não quebrar "regras" e para vos provar que não é por o vestido ser amarelo que não vão poder usá-lo de várias formas e feitios!). Peguei nessas 4 peças e conjuguei cada uma delas em 4 looks diferentes. Ou seja, de seguida, apresento-vos 16 conjuntos de festa para usar com pinta e elegância, com base em tendências e a pensar na sustentabilidade do Planeta e da nossa carteira.


VESTIDO VERDE ÁGUA
Vestido H&M
O vestido tem um ar romântico e é perfeito para casamentos. Na primeira imagem conjuguei-o com tons mais neutros e escolhi peças elegantes, como os brincos no primeiro look e todas as peças do segundo, peças essas que podem ser usadas com praticamente todas as cores. 
Brincos Mango | Clutch Amarela H&M | Sapatos H&M
Travessão Zara | Clutch Parfois | Sandálias Uterque

Já nesta segunda imagem, optei por um look mais descontraído (para usar em batizados ou comunhões), mas igualmente bonito. Por fim, uma grande tendência: estas bandoletes que parecem jóias (A-DO-RO!) e que fazem a festa toda. 

Brincos Zara | Carteira Aldo | Sapatos Zara
Bandolete Zara | Clutch Parfois | Sandálias Zara


VESTIDO AZUL ESCURO
Vestido H&M
O vestido mais escuro de todos e também o mais simples, pedia acessórios mais wow. Na primeira imagem vemos as sandálias mais divertidas da estação, combinadas com peças mais versáteis e com uma fita acetinada super-tendência. Já no look da direita, mantemo-nos nos tons azuis, combinados com preto (eu sei que há muita gente que se sente mais confortável com os pretos).
 Fita Zara | Brincos Parfois | Clutch Casa Batalha | Sandálias Uterque
Brincos Uterque | Laço Cabelo Stradivarius | Clutch Parfois | Sapatos Mango

Numa onda mais clássica, mas sempre com um twist, o vestido combinado com acessórios dourados e pretos e ao lado, em tons de vermelho-rosa-pêssego que apesar de ser uma combinação inesperada, resulta bem (e esta carteira da Zara a imitar as Bottega?).
Brincos Uterque | Clutch Parfois | Sapatos Zara
Brincos Zara | Carteira Zara | Cinto Parfois | Sandálias Zara


 VESTIDO AMARELO
Vestido H&M
Um dos vestidos mais cool, mais vaporoso e mais fresco de todos. Não é para todos os gostos (por causa da cor e do modelo), mas é para os meus. E amarelo nunca deve ser combinado com cores escuras ou nhecas. É uma cor com vitamina, por isso, temos a obrigação de manter o conceito. Aqui está conjugado com laranjas e dourados (numa versão mais descontraída, para festas na praia, por exemplo, para comunhões, batizados ou outras festas mais simples). À direita, um look mais elaborado e super-fun.
 Travessões e Clutch H&M | Sandálias Aldo
Brincos e Clutch Parfois | Sandálias Mango

Mas e se quiserem algo mais formal? Também se arranja. No conjunto da esquerda, a clutch é a jóia. É romântico, elegante e ainda assim jovem e leve. Do outro lado, um look à casamento real (estas headpieces lembram-me sempre a realeza) que eu gosto, desde que não seja too much e sempre conjugadas com outras peças mais simples - a ideia não é criar um conjunto temático, certo? É também uma ideia para quem prefere usar salto mas não ficar com vertigens!
Brincos Zara | Clutch Bijou Brigitte | Sapatos H&M
Headpiece Parfois | Clutch Uterqüe | Sapatos Zara


VESTIDO AZUL CÉU
Vestido H&M
Se há azul que eu gosto é este. E se há modelo de vestido que eu gosto, é este também: decote cruzado, plissado e com aquele comprimento midi perfeito. Gosto tanto que levei ao extremo a utilidade do vestido. Um look mais simples e versátil - mas quase a fazer lembrar Handmaid's Tale, right? À direita o look que eu usaria sem dúvida: uma clutch que é MA-RA-VI-LHO-SA, umas sandálias e uns brincos simples e um pequeno detalhe com a headpiece. Não era preciso mais nadinha.
Clutch Zara | Cinto Parfois | Sapatos H&M
Headpiece Parfois | Clutch Bijou Brigitte | Brincos Parfois | Sandálias Bimba y Lola

Depois tinha que criar um conjunto mais clássico e elegante, como se fosse para ir a um casamento mais sério. E à direita, um conjunto divertido e inesperado. É bonito mas confortável e jovem ao mesmo tempo.
Fita Zara | Brincos Parfois | Clutch Casa Batalha | Sapatos H&M
Brincos Zara | Clutch Parfois | Sapatos Zara


Qual destes vestidos e conjuntos é mesmo a vossa cara?





segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Who's with me?

Museu do Picasso, Barcelona


Todos os posts neste blog são simplesmente uma perspetiva de quem os escreve. Não tenho qualquer conhecimento científico ou académico sobre moda, decoração, cinema, arte, ambiente... Nada. Sou apenas uma pessoa curiosa e com gostos diversificados que gosta de os partilhar desta forma. Dito isto, deixo claro que esta é a MINHA opinião sobre este assunto e que respeito todas as outras.


Vamos então esclarecer uma coisa: eu gosto de fotografar momentos felizes. Não sou a pessoa que está sempre com o telemóvel pronto para o disparo - devia estar mais vezes, confesso -, mas quando uma coisa é bonita e transmite alguma emoção, por vezes eu filmo ou fotografo. A maioria das vezes não é para partilhar nas redes sociais nem para mostrar a outras pessoas. Levantem a mão as pessoas a quem eu já mostrei as fotografias de viagens - garanto-vos, são quase nulas. Acho sempre que isso é um aborrecimento para quem está a ver e nunca conseguimos transmitir a mesma emoção do que estar no local, portanto, abstenho-me de fazer swipe dos meus álbuns. A maioria das vezes tiro fotografias para mim ou, no máximo, para o blog. E é só. 


Porém, gosto de ser livre para o fazer quando e onde quiser. Essa é a questão.


Em Madrid fui visitar o Museu Reina Sofia, onde está a Guernica. Eu e o meu irmão estávamos mesmo entusiasmados com a ideia de poder ver de perto aquela obra - que ele procurou sem sucesso no Museu do Picasso em Barcelona. No momento em que chegamos à sala, a monumental obra de arte impôs-se sobre nós. Fiquei uns largos minutos a apreciar todos os pormenores em silêncio e a relembrar-me das minhas aulas de História da Arte. Depois percebi que ninguém estava a tirar fotografias e achei aquilo estranho. Olhei à minha volta: zero informação sobre a proibição de fotografia. Pelo sim e pelo não, fui questionar o vigilante ao lado. Disse-me, de forma simpática e cordial, que ali era proibido fotografar aquela peça, bem como em outras salas, mas podia fotografar em algumas. A verdade é que não vi uma única placa ou informação a proibir a captura de imagens.


Bauhaus, Berlim


Noutro dia decidimos ir ao Museu do Prado. Estivemos quase 1 hora na fila ao calor para entrar e a multidão acabou por me desanimar um bocado, bem como ter o tempo limitado (1 hora para ver tooooodo aquele museu). Não ia com intenção de tirar fotografias porque estava mais focada em encontrar as obras que eu queria mesmo ver, entre elas As Meninas de Velázquez, claro. Fiquei fascinada com a dimensão (não sabia que era tão grande) e com todo o espetáculo que estava a ver à minha frente. Eu dou muito valor a estas coisas e vivo aquilo com toda a intensidade possível. 


Fico extasiada a ver obras que estudei apenas nos livros e que de repente se materializam e eu constato que há seres extraordinários no mundo que conseguem criar tais obras de arte. 


Olhei à minha volta e vi várias pessoas a tirar fotografias - uma, inclusivé, com um tablet - e eu decidi fazer o mesmo. Ainda antes de abrir a câmara tive uma voz feminina a gritar-me aos ouvidos "NO PICTURES ALLOWED!!!" e a olhar para o meu telemóvel, quase pronta a arrancá-lo das minhas mãos para se certificar que não consegui nem uma fotografia - que, infelizmente, não consegui. Gritou-me tão alto e foi tão repentino que o meu telemóvel saltou-me das mãos com o susto, só para terem uma ideia. O meu irmão que estava mais atrás relatou-me outro momento semelhante, desta vez com um funcionário a um senhor. O mesmo "crime" e a abordagem igualmente bruta e agressiva. Levei aquilo mesmo a mal. Fiquei mesmo muito magoada com a situação, até porque, mais uma vez, em LADO NENHUM informava que era proibido. Nem em placas, nem no bilhete, nem em avisos à entrada, nem o próprio staff. Nada. Pelo menos de forma visível.


Isto levou-me a pensar que hoje há uma corrente anti-fotografias que me está a começar a enervar, porque assumem que quem tira fotos é fútil e apenas o está a fazer para postar nas redes sociais. E eu irrito-me sempre com preconceitos e com fundamentalismos, sejam eles sobre o que forem e de que forma sejam impostos. Sou sempre apologista do: desde que não prejudique o outro, cada um deve fazer o que quiser sem ser vítima de julgamentos.


Esta situação deixou-me tão desconfortável que fui pesquisar sobre esta proibição das fotos nos museus - não me lembro de ter sido proibida de fotografar num museu anteriormente - e percebi que eu não sou a única revoltada e que o Caso Prado é bastante famoso pela abordagem super agressiva.


Museu do Picasso, Barcelona


Posto isto, decidi pesquisar os motivos que levam os diretores de museus a impedirem os visitantes a fotografarem as obras - ou até o edifício que, para mim, é muitas vezes também uma obra de arte que merece ser apreciada. Então cá vão algumas delas:


1. É proibido fotografar porque... danifica a obra.
A típica justificação. Normalmente referem-se à foto com flash, claro. Mas alguém faz questão de tirar uma foto com flash num espaço interior? Não. Claro que ninguém está interessado em ficar com uma fotografia péssima. Em todo o caso, será que as máquinas de jornalistas, cineastas e fotógrafos contratados são tão absolutamente especiais que não danificam as peças? Hum... Cá para mim isto só pode ter um nome: bruxedo. Agora a sério, já não tem justificação possível.


2. É proibido fotografar porque... assim as pessoas ficam mais atentas às obras.
Irrita-me só de escrever esta frase. Que visão mais redutora da questão. Desde quando é que alguém que dedica tempo a tirar uma fotografia a uma obra vai deixar de a apreciar? Não será o oposto? Não será que vai continuar a apreciá-la mesmo depois de sair do museu, da cidade, do país? Se alguém não tiver intenção de prestar atenção à obra, não o vai fazer quer tire uma fotografia quer não tire. Simplesmente vai passar ao lado. O facto de tirar uma fotografia demonstra, por si só, interesse e atenção. E as pessoas que consideram que devem tirar uma fotografia ao quadro "só para dizer que estiveram ali" e para publicar nas redes sociais têm - admirem-se - o mesmo direito que os outros a fazê-lo! Que choque, não é? A pessoa ser livre de ter este comportamento... Realmente... Desde quando é que isso me vai prejudicar, incomodar, impedir de ver a obra? Não vai, senhores, não vai. Eles tiram a foto e vão à vidinha deles e pronto, sobrevivemos todos. Este preconceito para com as pessoas que fotografam tudo irrita-me. Eu não sou assim, mas também não tenho o direito de criticar nem julgar quem o faça, até porque eles não estão a prejudicar ninguém e cada um é que sabe como prefere abordar a sua visita a um museu ou a outro sítio qualquer.


3. É proibido fotografar porque... quem quiser recordações compra os livros e os postais na loja no final da visita.
E eu compro. É um hábito meu comprar um (ou vários) postais, por vezes livros, dos museus que visito. É a minha recordação, como outras pessoas gostam de comprar um íman de frigorífico. Portanto, esta justificação é absurda porque eu gosto de levar fotos tiradas por mim também. Sabem quantas fotografias tirei no Prado? Zero. E, por isso, sabem o que comprei na loja do Prado? Nada. Uma coisa não invalida a outra e os verdadeiros interessados podem fazer ambas as coisas. Além disso, os postais e os livros não refletem a nossa experiência, não transmitem emoções e sentimentos, não são personalizados. Como é que um amante de arte - assumo que um/uma diretor/a de um museu é apaixonado/a por arte - não entende a importância destas questões?


4. É proibido fotografar porque... assim o Museu pode controlar a sua própria imagem.
Há quem defenda que as fotografias dos turistas podem ser tão feias e de mau gosto - ainda podemos falar sobre mau gosto nos dias de hoje? - que podem desmotivar quem as vê a visitar o museu em questão. Acho, de novo, uma ideia estapafúrdia. Se virem uma fotografia desfocada ou completamente desenquadrada da Mona Lisa vão perder o interesse de a ver ao vivo? Acho difícil. Além disso, se formos por essa perspetiva então não podemos tirar fotografias em viagem, em restaurantes, em parques, em lado nenhum nem a nada para não desmotivar os outros a repetir a nossa experiência, especialmente se os nossos conhecimentos de fotografia forem nulos. É só parvo, não é?  Isto assumindo à partida que tiramos fotografias para postar nas redes sociais - o tal preconceito de que falei. Mas mesmo que seja a verdade, porque não tiram partido das partilhas? Afinal, é publicidade gratuita! Preferem comunicar apenas as imagens institucionais e chatas ou nada? Não é muito mais interessante perceber que o museu tem vida, que cada pessoa interpreta uma obra à sua maneira - e há maneiras tão criativas! Que a partilha poderá levar novos públicos ao museu - públicos que de outra forma não teriam acesso àquela informação - e é uma forma de democratizar o acesso à arte - ou será que é isto que estão a tentar evitar? Hummm... A falta de visão e a estagnação é coisa que me apoquenta e que não combinam nada com a arte.


5. É proibido fotografar porque... não é assim que se aprecia um Museu ou uma Obra de Arte.
Esta é a minha favorita, confesso. A primeira questão que se impõe aqui é: mas quem é que nós somos para definir como é que o outro se deve ou não se deve relacionar com a arte? Que direito temos nós de afirmar o que é certo e o que é errado? Tira-me do sério este pretensiosismo... É como ir ao museu com uma pessoa que me diz "Tu achas piada a isto porque percebes de arte. Eu não percebo nada!" Toda a gente entende arte porque a arte é emotiva e espera-se que crie uma reação em quem está do outro lado. Quando me perguntam sobre um quadro abstrato: "O que é que é isto?" eu respondo sempre "É o que tu quiseres que seja." O que a arte tem de especial é que não tem regras, fronteiras, linhas que separam, não tem limitações à imaginação nem respostas certas ou erradas. O que importa é o que nos faz sentir, mesmo que seja o oposto da intenção inicial do artista. Por isso, dizer que se eu tirar uma fotografia estou a depreciar ou a desrespeitar uma obra de arte deixa-me revoltada. Ninguém tem o direito de limitar a minha experiência e muito menos de me dizer como devo e não devo comportar-me perante uma obra. Está tudo errado.


Museu do Design, Londres


A ideia de que a arte é elitista e que só os intelectuais vão a museus é uma ideia tão do passado que já cheira a mofo, mas parece que há quem persista nisto, o que é uma pena. Eu levo uma visita a um museu muito a sério e é sempre um acontecimento no meu dia que sei que me vai deixar feliz. Tento visitar museus em todos os sítios quando viajo, porque acredito que também é uma forma de conhecer o país e de tornar a experiência mais rica. Respeito totalmente o local, as obras, os artistas e as pessoas que lá trabalham, porém, não sou nada a favor destas políticas. São elas que afastam os públicos da cultura - e todos sabemos o perigo que é quando um povo não tem cultura - e mantém-se a ideia de que num museu "tudo é proibido". Não podemos tirar fotografias, não podemos comer, não podemos beber, não podemos falar alto, não podemos sentar-nos, não podemos andar rápido... É tão desconfortável ter todas estas condicionantes que tornam a experiência super restritiva e muito pouco memorável, ou pior, memorável pelos piores motivos. E aí sim, em vez de estarmos focados nas obras de arte, estamos constantemente a ver se não pisamos o risco e se estamos a transgredir uma regra que nos será gritada ao ouvido.


Esta é outra questão: o staff. Um dos comentários que mais ouvi na minha família foi o quão intimidantes pareciam os colaboradores dos museus que visitamos. Pessoas com caras absolutamente fechadas, "de poucos amigos", diga-se, com um ar muito snob, todos vestidos de fato preto muito formal, que traçam logo ali um entrave enorme a quem os queira abordar. Este staff deveria ser aberto, disponível e prestável para interagir com o público, ceder informações e dados importantes sobre a exposição, o artista ou sobre o museu e não servirem meramente de polícias mais preocupados com quem tira o telemóvel do bolso!


Tate Modern Museum, Londres


Mas voltando à questão inicial, outra das coisas que me aborrece é que 


as obras não são propriedade de quem cria estas regras, especialmente se falarmos em museus públicos, mas sim do povo! 


Por outro lado, também não concordo que se façam sessões fotográficas, que se leve o stick ou tripés e toda uma artilharia pesada para fotografar. É preciso existir cuidados quando falamos em museus, claro que sim, e eu defendo-os com unhas e dentes. Não devemos avançar as barreiras, tocar nas obras, fotografar com flash, comer ou beber perto das peças, encostar, usar mochilas grandes que poderão provocar acidentes, etc. Prevenir sempre e só. Depois disso, é deixar que o museu se torne um espaço de exploração, de descontração, de descoberta do maravilhoso e do mágico.


Tomemos como exemplos museus como o Tate Modern ou o Design Museum em Londres - Londres é sempre um exemplo para mim - em que os espaços têm vida porque são literalmente vividos pelo público que vai lá apenas para trabalhar no computador a usufruir da vista, encontrar-se com amigos, ler um livro, fazer uma pausa do trabalho, you name it. Em particular, o Tate tem uma vida que é um exemplo a seguir, é um museu que aproxima, que educa e que cria uma ligação tão especial com o público que o faz querer voltar. Novos e velhos, estudantes, crianças, pessoas de mobilidade reduzida, londrinos e turistas, pessoas claramente interessadas na arte e curiosos em busca de serem surpreendidos, visitantes sozinhos e grupos de amigos... Cabem lá todos. Farto-me de tirar fotografias no Tate e, adivinhem, nunca me cansei do museu porque já lá fui duas vezes e parece-me que não vou ficar por aqui.


Tate Modern Museum, Londres


Se os governos e entidades querem tornar a cultura mais acessível, aproximem a arte do público. E isso não tem necessariamente que ver apenas com o preço dos bilhetes, mas com a abolição destas regras ridículas e de um staff datado e snob. Isso não vai desvalorizar a arte, o museu ou a cultura no seu todo. Muito pelo contrário! 


Convido todos os museus a tirarem partido das vantagens da era das redes sociais e aproveitem a viagem até ao século XXI. Ficamos todos a ganhar, não acham?

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Pretty, Pretty Woman



Desenhar é uma atividade que me deixa bem disposta e relaxada, apesar de raramente o fazer - o que me deixa chateada comigo própria, por saber que há uma coisa que me faz bem e que eu não a ponho em prática com a frequência que devia. Mas desenhar e imaginar peças de roupa é aquilo que mais gosto. Não é de hoje, é mesmo desde miúda que desenhava os vestidos para as Barbies (que nunca saíam do papel, claro). A moda faz parte de mim e é um mundo que me deixa feliz e inspirada, portanto, é muito frequente andar atrás das grandes Casas, saber o que se anda a produzir, que designers se andam a destacar e como andam as tendências. Não para as aplicar no meu dia a dia - claro que acontece, mas não é uma prioridade -, mas porque eu gosto mesmo de conhecer. É como alguém que vê todos os jogos de futebol que passam na televisão, mas não joga à bola.


Tenho tido uns pedidos para criar vestidos para festas (casamentos e assim). Desenhei 3 há uns tempos, que podem ver aqui, aqui e aqui. Quando a minha tia viu os vestidos e soube que fui eu que os desenhei, disse-me logo que tinha um casamento (com muita, muita, muita antecedência!) e que queria que eu lhe desenhasse um vestido também. Avisei-a que com ela só podia ser uma coisa WOW, porque a minha tia tem muita pinta e gosta de arriscar (é cá das minhas)! Ela já tinha umas ideias: vestido comprido e capa. Também gostava que o vestido fosse vermelho, mas não era um assunto fechado.




Fiz as minhas pesquisas e tive algumas ideias. Desenhei-lhe a visão que ela tinha para o vestido e depois apresentei-lhe mais duas ou três sugestões que, na minha opinião, encaixavam na perfeição com o estilo dela. E isto é importante: conhecer os gostos e adequar. Não há nada pior do que sentirmos que não estamos confortáveis com a nossa escolha, por mais bonito que seja o vestido. Por isso, sugeri-lhe um modelo mais curto, com capa e com o twist - uma mistura de cores que montavam logo o cenário todo. Mas avisei-a que não era para todos os gostos e que ela tinha que estar muito segura da escolha. A minha tia A-DO-ROU a ideia do vestido. Quanto às cores foi-se adaptando à ideia. Daí fomos logo ver tecidos e escolhemos os tons certos de ambas as cores e aí ela ficou convencida! Já o senhor da loja é que torceu o nariz com aquela mistura tão pouco comum.


O resultado final não podia ter ficado mais bonito. É memorável sem ser too much. Tem aquela pinta effortless, sabem? quase minimal. A verdade é que o vestido não tem grandes pormenores e tem um modelo bem clássico e elegante (e versátil também)! Mas a capa por cima e o contraste das cores fazem a festa toda. Fiquei apaixonada pelo resultado final. O que é que vocês acham?


Claro que este resultado só foi possível porque eu conheço a melhor costureira de sempre, a Maria José. É uma profissional incrível, cheia de experiência, bom gosto e ótimos conselhos, já para não falar que é uma querida! Tem um atelier próprio e é um SU-CE-SSO! Esqueçam ir sem aviso e vestidos de cerimónia para os meses de verão, só com marcação com antecedência de largos meses. Vejam os trabalhos dela no Facebook e no Instagram.

(As duas fotografias da esquerda foram tiradas no Atelier e o vestido ainda não estava finalizado)


E se agora me vêm dizer "que no meu entender rosa com vermelho não podia ser", como diz a Capicua, então eu digo-vos que estão muito fora. Só para vos provar, deixo algumas imagens de desfiles FW 2019/2020 de casas como Balenciaga, Marc Jacobs, Prada ou Valentino.





Mas mesmo que não existissem estas tendências, a verdade é que vocês devem usar TUDO aquilo que quiserem usar e serem felizes e sentirem-se muito poderosas com as vossas opções, independentemente do que os outros pensam ou dizem.


Um beijinho à minha Tia cheia de pinta, de bom gosto e que confiou nesta sobrinha tola! ahahah Já estou a pensar no próximo para ti. E já tenho mais um em produção para outra amiga! :)





segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Amazónia



Era impossível não vos falar sobre a tragédia que está a acontecer na Amazónia. Sinto que é fundamental estarmos informados e esclarecidos sobre tudo isto para que possamos tomar atitudes e não apenas partilhar uma fotografia e um hashtag #prayforamazonia. É que rezar não apaga fogos e gostos ou partilhas nas redes sociais nunca fizeram muito na luta pela defesa do ambiente, portanto, está na hora de sabermos mais para fazermos melhor. Foi nesse sentido que mergulhei em artigos, reportagens e textos de opinião para entender melhor a profundidade deste assunto.


A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo, com 5 milhões e meio de quilómetros quadrados e não só é casa da maior biodiversidade registada numa só área no Planeta, como também de vários povos indígenas. Só para terem a noção da sua dimensão, a Amazónia abrange territórios do Brasil, Perú, Colômbia, Bolívia, Venezuela, Equador, Guiana, Guiana Francesa e Suriname. Mais importante que isto: é responsável pela produção de 20% do oxigénio que existe na atmosfera. E está a morrer, logo, estamos todos a morrer.


Fala-se muito da desflorestação da Amazónia, por isso, acho importante iniciarmos por aí e depois irmos desdobrando este assunto noutros temas igualmente importantes. Já sabemos que a desflorestação significa a perda de densidade de floresta, mas porque é que isso é mau? Porque as florestas são importantíssimas para a absorção de GEE (gases efeito estufa) e, por isso, mantêm o nosso Planeta mais habitável. Os registos comprovam que até 2014 a desflorestação diminuiu, porém, com o governo da Dilma os números voltaram a subir e prevê-se que 2019 seja o ano mais catastrófico. Segundo os dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a primeira quinzena de julho registou um desmatamento de 1 000 quilómetros quadrados, mais 68% do que todo o mês de julho de 2018.




Claro que a desflorestação da Amazónia também tem uma percentagem de causas naturais (é muito fácil iniciar um fogo numa área seca e já desflorestada), apesar de ser mínima. Existe também uma grande fatia relacionada com a exploração da madeira, de minérios e petróleo, mas 40% deve-se à exploração dos terrenos para a pecuária (pasto) ou cultivo de soja (já lá vamos!). Existem empresas legais que têm acordos legais com o Governo, que se comprometem a proteger uma percentagem desse terreno, porém, há um sem fim de casos de apropriações ilegais de áreas que resultam em confrontos violentos com as comunidades indígenas que ali habitam.


Tudo isto complicou com o início do governo de Bolsonaro porque este defende uma política mercantilista totalmente ultrapassada (o que não é de admirar) e mostra-se muito pouco preocupado com as questões ambientais. O problema reside na exploração de recursos naturais da Amazónia para desenvolver a economia brasileira (daí já termos ouvido falar de auto-estradas, barragens e outras ideias semelhantes para serem construídas na floresta). O Brasil é um país pobre, em desenvolvimento, cheio de problemas sociais, políticos e económicos. Num país onde a segurança é já quase um mito urbano e a fome é a realidade de milhares de famílias, a proteção da Amazónia não é uma prioridade. Vai daí que em 2008 a Noruega e a Alemanha acharam que estava na hora dos países desenvolvidos se unirem para apoiar e para protegerem um património importante para o Planeta. Criaram então o Fundo Amazónia para apoiar a proteção e o desenvolvimento da floresta através de projetos ambientais ligados a estados, municípios e iniciativas privadas, num valor total de 771 milhões de euros, quase todos doados pela Noruega. Porém, o presidente do Brasil achou por bem extinguir os comités responsáveis pela gestão do fundo e a desrespeitar o acordo inicial, especialmente quando o assunto era a apresentação dos resultados obtidos. A Noruega já avançou que vai cancelar o apoio, o que é compreensível, mas muito preocupante. Entretanto, Emanuel Macron reuniu na cimeira do G7 os 7 países mais ricos do mundo para estabelecer um acordo para a criação de um fundo global para combater os incêndios na Amazónia. Até ao momento que escrevi este post ainda não havia conclusões deste encontro.


Somado a isto, temos um Ministro do Ambiente brasileiro acusado de fraude ambiental (how ironic!), um governo a perdoar multas ambientais e o lobby fortíssimo dos agricultores (que é do interesse do governo porque simboliza mais lucro). Estão aqui todos os ingredientes para dar asneira. Claro que Bolsonaro foi eleito por uma maioria, logo, ele não pode ser a única pessoa responsabilizada por estes atos, mas sim toda a sociedade, especificamente quem votou nele e quem nem sequer votou. Isto leva-nos, no entanto, a questões sociais que estão ligadas aos problemas políticos e ambientais do Brasil e é fundamental compreendê-las.


Infelizmente, o Brasil não tem uma população educada, informada e consciente das suas responsabilidades e das consequências dos seus atos a nível global, porque muitas vezes nem acesso à internet tem. Num país em que é preciso lutar por segurança e comida, as questões ambientais são altamente secundárias na lista de prioridades de um brasileiro. E isso também é compreensível. Sem educação e informação, claramente não se tornaram eleitores conscientes, responsáveis nem esclarecidos (isso já não acontece em países desenvolvidos como Portugal, quanto mais...).




A questão que se impõe é:
O que é que nós podemos fazer para ajudar?

A minha pesquisa sobre este tema deveu-se a esta questão: que raio é que eu posso fazer? Então fui procurar respostas. Depois achei que deveria partilhar isto convosco, que também é uma forma de apoio. Foi com este objetivo que escrevi este post, para partilhar o que é possível fazermos para preservarmos a Amazónia e o nosso Planeta, já que não podemos ir apagar os fogos... E não, não é partilhar uma fotografia no Instagram. Também não é usar um hashtag qualquer. Podemos fazer muito melhor que isso!


1. ASSINAR UMA PETIÇÃO
É a medida mais fácil de pôr em prática. Eu assinei esta petição "Impedir o desmatamento e exploração da Amazónia!". Vocês podem fazer o mesmo ou outra.


2. ESTAR INFORMADO/A
Parece simples, mas não é bem assim. Sejam curiosos, pesquisem, questionem-se, fundamentem as vossas opiniões e comportamentos com informações credíveis, sólidas e claras.


3. VOTAR!!!
Há eleições à porta e nós temos mesmo que nos convencer que votar é uma grande responsabilidade. Já nem falo apenas no ato de votar, mas o de votar em consciência. É cada vez mais imperativo que se conheça os manifestos eleitorais dos partidos, que se estude as suas estratégias e prioridades. Só assim seremos capazes de votar em consciência plena no partido que melhor se adequa àquilo que nós acreditamos.


4. CONSUMIR DE FORMA CONSCIENTE
Estamos um pouco cansados de ouvir isto, mas não se compreende ainda muito bem o impacte que um consumo desenfreado ou pouco esclarecido tem a nível global. Já nem falo apenas de consumir menos, que isso já é óbvio, mas precisamos de consumir bem. Antes de comprarem, percebam de onde vem o produto e tomem uma decisão consciente. Claro que não podemos votar nos Estados Unidos da América, nem no Brasil, nem na Coreia, nem em lado nenhum fora de Portugal. Então é impossível influenciar esses países a tomarem medidas diferentes. A pergunta é: será mesmo impossível? Consumir de forma consciente é, sem dúvida, uma forma de "voto" e isso pode mesmo influenciar políticas de produção, importação/exportação e investimentos. Quando estamos a falar de alimentos é bem mais fácil descobrir a sua proveniência e perceber que os produtos são nefastos para o Planeta, não pela sua constituição, mas pela sua produção. O que nos leva ao quinto ponto:


5. CONSUMIR MENOS CARNE
Este ponto dá pano para mangas e foi por isso que o deixei para o final. É a medida mais importante de todas: consumir menos carne ou excluí-la totalmente da nossa alimentação. Está mais do que provado que a indústria agropecuária é responsável por mais emissões de GEE do que as maiores petrolíferas do mundo. Somado a isto, 40% da área da Amazónia desflorestada serve essa mesma indústria através de pasto e campos de cultivo de soja. Uma curiosidade que descobri com as minhas pesquisas é que existe uma enorme produção de soja no Brasil (e noutras florestas no Planeta) para alimentar os animais, logo, quanto mais crescer o negócio, maior a necessidade de alargar os campos de cultivo. A produção de soja na Europa tem uma regulamentação muito rigorosa. Não existe produção de soja trangénica e a preservação do solo é assegurada (até porque ninguém minimamente esperto quer acabar com o seu próprio negócio, correto?). Aqui está mais um exemplo do que é consumir de forma consciente: escolher soja europeia é mais sustentável (por todos os motivos e mais alguns) do que soja proveniente de outras zonas do mundo, especialmente provenientes de florestas. Os produtores de gado misturam a soja na ração para criar um alimento mais barato e igualmente nutritivo e benéfico para os animais, mas como o negócio da agropecuária é um dos maiores do mundo, a grande maioria da criação de soja destina-se a este fim. Sabendo nós que quase metade da desflorestação da maior floresta tropical se deve à criação de gado para consumo, então há alguma coisa de errado neste quadro. É fundamental tomarmos a consciência, de uma vez por todas, que o consumo exagerado de carne não faz bem ao Planeta nem à saúde de ninguém. Idealmente deveríamos alimentarmo-nos à base de plantas e vegetais, dieta que não traz quaisquer problemas de saúde, muito pelo contrário, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) e nutricionistas. Aconselho-vos a verem o documentário What the Health (2017) e verão todas as vossas dúvidas esclarecidas sobre este assunto. Não é tão in-your-face como o Cowspiracy (que também aconselho), mas dá-nos perspetivas muito claras daquilo que andamos a fazer ao nosso corpo. Se quiserem, posso até um dia falar sobre os vários documentários sobre alimentação / ambiente que já vi... Bom, mas estava a dizer que este tipo de dieta não pode ser imposta de um dia para a noite porque há quem não tenha condições para a adotar. Imaginem uma família brasileira sem acesso à internet ou outros meios de comunicação alargados. Se lhes fosse vedado o acesso à carne, como é que iriam sobreviver de forma saudável sem meios de pesquisa e sem terem conhecimentos sobre alimentos igualmente nutritivos? Iriam acabar por alimentar-se à base de arroz e batata, o que iria trazer outros problemas nutricionais. Não é isso que se pretende, por isso é que é fundamental que este passo seja dado por pessoas esclarecidas, com acesso à informação, a um sistema de saúde competente e à liberdade de escolha. Não digo que devemos todos deixar de comer carne (acho difícil isso acontecer), mas reduzir bastante e consumir de forma consciente, que é como quem diz: diz-me de onde vens, dir-te-ei se te como. A carne portuguesa é muitas vezes criada em pasto e com uma produção mais ou menos sustentável. Então podem perguntar-me se estão a comer carne portuguesa, não estão a contribuir para o desmatamento da Amazónia. Não necessariamente. Esses animais podem estar a ser alimentados por soja brasileira e aí a porca torce o rabo. Questionem o vosso talho sobre os fornecedores, a proveniência da carne, a alimentação dos animais, etc. Nós temos o direito de saber o que metemos no nosso corpo, certo? O consumo consciente é exatamente isto.




O post já vai longo, mas eu tenho ainda a dizer que tenciono pôr em prática tudo aquilo que vos descrevi aqui. Quanto ao consumo, já tenho escrito várias coisas sobre isto. Estou cada vez mais consciente do consumo da indústria da moda e, por isso, fiquei muito feliz com esta notícia. Em questões ambientais estou a criar hábitos sustentáveis, mas há sempre muito mais coisas que deveríamos estar a fazer. Sobre a carne, penso que já partilhei convosco que me comprometi a não comer carne durante um mês (em março ou abril). Nunca vos cheguei a contar essa minha experiência, mas a verdade é que desde o início deste ano que reduzi drasticamente o consumo de carne por questões ambientais. O mês Zero Carne foi passado de forma muito tranquila e quase nem me apercebi desta "restrição", apenas quando ia jantar fora - e custa não comer o meu rico arroz de pato, vá. De resto, zero stress, zero problemas, zero ansiedade, zero sacrifícios. E continuei a fazer exercício e uma vida absolutamente normal. Aumentei o consumo de cogumelos, feijões e grão de bico, bem como de fruta e frutos secos. Hoje em dia como carne, mas de forma muito esporádica - e com tendência a diminuir. O que vos quero dizer com a minha experiência é que não é preciso acordar de manhã e mudar tudo de forma radical nem entrarmos em histeria ou fundamentalismos.


Um passo de cada vez, mas passos sustentados e sustentáveis ;)


Informem-se, consumam de forma consciente, votem e reduzam a carne no vosso dia a dia. São coisas tão simples de fazer tendo em conta os estragos que já fizemos à nossa Natureza...


Espero que este post tenha sido esclarecedor! É também para isso que cá estou.





sexta-feira, 23 de agosto de 2019

News


Estou embrenhada nas novas tendências para a nova estação e estou muito feliz com o que tenho visto. Parece que me leram o pensamento tal é o alinhamento com os meus desejos para os meses de frio. Estou muito entusiasmada pelo o que aí vem, apesar de ainda não ser a altura para começarmos a falar de caxemiras ou de lãs, certo?


Vou continuar a absorver tudo e depois falamos.


Entretanto, já fui espreitar as novas peças das lojas onde costumo comprar - prometi que ia parar de falar de saldos - e ainda sem fugir muito ao tempo ameno, deixo algumas das peças que me aqueceram o coração e que eu quero, definitivamente, dar uma vista de olhos com as mãozinhas - ahahahah.




Estou muito fã destes botins dourados, tão Chanel e tão fora da normalidade. Sou a única? Depois de muito tempo a preferir básicos, voltei à minha normalidade e a dar tudo por umas lantejoulas - seja onde for! - ou um casaco prateado! Pinta máxima.


Que tendência é que vocês aguardam com ansiedade para usar?
E qual é aquela que não querem MESMO que volte?
Contem-me tudo.