quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Super Cápsula


Há tanto tempo que queria fazer este post... Uma coleção cápsula com cor e padrão e tudo de bom para um inverno que se quer quentinho, mas animado! Cada peça foi escolhida a dedo e gostava de ter cada uma delas, ou versões mais... digamos... "ricas" delas. Realço o meu amor pelo vestido florido, a versão low cost da saia a imitar pele, o top e blusa e os botins... E tudo o resto, basicamente. Que belas peças que aqui estão...

Não me limitei a selecionar um conjunto de 16 peças, mas também conjuguei-as de várias formas e feitios para vos comprovar que podemos estar em bom em qualquer altura, usando só um pouquinho de criatividade. Além disso, misturei peças mais acessíveis com outras de ótima qualidade, como os casacos, o calçado e a carteira, aquelas que serão usadas mais vezes e, por isso, convém terem uma maior durabilidade, certo? Estou a pensar bem?


BlusaTop


Eu adoro estes jogos de imaginação e criatividade, de pensar como posso rentabilizar as peças nos mais diferentes cenários sem que pareça desapropriado. E é precisamente isso que devemos fazer no nosso dia a dia: jogar com as cartas que temos, que é como quem diz, usar a roupa que temos no roupeiro de forma criativa e divertida.


Versão office, em bom!
E a prova comprovada de que não precisamos de ser hiper formais para estar elegantes.
Além disso, para estar bem não precisamos de andar desconfortáveis nem passar frio - sabem aquela história de "quem tem brio, não tem frio"? já era... Vamos privilegiar o conforto sem descuidar da pinta, pode ser? Vejam como:





Mood fim de semana on!
Outro caso a ter em atenção: andar "casual" não é, de todo, sinónimo de andar desleixada.
Quantas vezes deixamos esse espírito de desleixe apoderar-se das nossas pessoinhas? Quando damos por nós já estamos ali no limite, quase a sairmos de casa com as calças de fato de treino. Não podemos deixar que isso aconteça. Sim, podemos relaxar um pouco, usar peças muito mais casuais e descontraídas, podemos até não usar maquilhagem (é o que eu faço!), mas manter a pinta, ok? Alguns destes exemplos servem também para usar em trabalhos mais informais (eu usaria todos!).





A little party never kill nobody
Por fim, e não menos importante, até porque estamos na época delas: as festas.
E quem diz festas diz jantares, cocktails, saídas à noite, festas e festinhas mais ou menos formais. Há para todos os gostos e para todas as circunstâncias.








Espero que este post tenha sido útil.
O propósito também era dar-vos algumas ideias para o dia a dia e até para as festas que se avizinham.
Deixem feedback ;)

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Welcome back!



Pânico! Os cardigans voltaram em força. 


É uma super tendência, caso ainda não tenham reparado. E agora vou dar-vos 2 minutos para respirarem fundo, porque eu sei que vocês despacharam os vossos casaquinhos de malha todos - sim, aqueles todos que tinham no closet, um de cada cor - há uns 10 anos... Eu sei porque eu também me incluo nesse clube. Não que me arrependa de o ter feito - credo, que ninguém aguentava tanto casaco de malha fraca igual -, mas a verdade é que agora começamos a olhar para eles de outra forma.


Ai vocês ainda não acham que um cardigan pode ser uma tendência? 
Então leiam este texto até ao fim e depois falamos.


Claro que não estamos aqui a falar do típico casaquinho de malha que faz "pandâ" com a camisola de gola alta - jeezzz!!! Isso para mim está ali muito próximo do Croc. Não. Estamos mesmo a falar de casacos com personalidade, tipo este aqui da coleção Leandra X Mango que era a luz dos meus olhos e voou que nem promoção da Ryanair... RIP.



São vidas difíceis amores, bem sei. Agora não há propriamente nenhum que me aqueça o coração, mas nada que me aborreça porque eu ainda tenho e uso alguns casacos de malha que fui deixando ficar no meu closet. Não estou totalmente out!


Isto de falar e não mostrar provas do que estou a dizer não é muito esclarecedor nem convincente. E se a minha palavra não chega, tenho que chegar algumas imagens à frente, como estas da Chanel, umas das marcas haute couture que explorou bastante esta peça e reinventou-a na coleção Ready-to-wear Fall 2019.




Mas não foi a única, que seria... Alberta Ferreti, Marni, Victoria Beckham ou Marc Jacobs foram outras marcas que olharam para esta peça e pensaram "Olha, porque não?" e plim, criaram uma tendência quentinha, cheia de pinta e muito útil para o nosso dia a dia, não acham? Vá, vamos dizer todas em coro: "OBRIGAAAAADA!!!"




Mas e como é que isto funciona no street style?, perguntam-me vocês. Funciona muito bem, quer na meia estação, com uns casacos em algodão, por exemplo, ou nas alturas mais frias, por baixo de um sobretudo ou blazer ou até por cima de camisolas igualmente quentes. Eu sou bem fã dos oversized - como sempre, não é?, vocês até já estavam a prever que eu escrevesse isto - porque acho que dá uma grande pinta ao conjunto e não fica a parecer too much granny. Se bem que o granny look é cada vez mais apetecível...




Porém, devo deixar aqui uma ressalva para os looks que vemos aqui em baixo. Adoro ver um blazer por cima, como se o cardigan fosse o antigo colete masculino, sabem? Acho a ideia bem gira e muito fácil de explorar. Outra mais difícil é o cardigan por dentro das calças. Yep, isso mesmo. Como se fosse uma blusa. E não podem ficar muito surpreendidas porque já vi isto a acontecer na Massimo Dutti no ano passado, por exemplo, - experiência que correu muitíssimo bem, por sinal. Um cardigan por cima de outro carigan é um talento que só poucas pessoas no mundo possuem e Olivia Palermo é, claramente, uma delas. Não acho que resulta sempre bem, mas quando resulta, cuidado aí! Por fim, uma ideia mais comum, o cardigan oversize com um cinto para demarcar as linhas.




Como podem ver, o cardigan é quase como o bacalhau, dá para usar de 1001 maneiras. Espero que se tenham inspirado e que vão a correr ao fundo do roupeiro sacar dos vossos casaquitos de malha e dar-lhes uma nova vida. Eu já fui buscar os meus ;)





sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Outwear



É oficial: chegou o frio. Ontem foi o primeiro dia que senti frio, senti a minha garganta a dar sinal e os meus pés não tinham forma de aquecer - mesmo com meias quentinhas. Apercebi-me que levei um casaco demasiado fino para a temperatura que se fazia sentir, especialmente porque só tinha uma camisa por baixo... Não foi esperto da minha parte, não...


O meu casaco favorito é um blusão acolchoado todo estampado (podem ver no instagram), mas acho sempre que ainda não está frio suficiente para o usar... Depois do frio de ontem, adivinhem lá que casaco estou a usar hoje ;)


Portanto, senti que era uma necessidade chegar-me à frente com sugestões de casacos maravilhosos para usar este inverno. Estamos a falar de sobretudos quentinhos, mas finos, como se quer. Falamos também de blusões acolchoados que são a minha perdição e ainda de gabardines que são perfeitas para usar por cima de, por exemplo, blazers de fazenda quentinhos.


A juntar a esta seleção, achei giro escolher uma cor em particular: o bege. Engraçado que era uma cor que eu detestava há uns anos. Achava que só os "betos" é que usavam bege - e era verdade, vocês sabem que sim! Hoje em dia, não só adoro como é das minhas cores neutras e básicas favoritas, a par do cinza. É verdade que estou a ceder ao navy - que tinha um pequeno ódio porque detesto as combinações comuns tipo navy-branco-vermelho, mas admito que amo de paixão um navy-preto ou um navy-azeitona, por exemplo - e ando a namorar casacos mais escuros. Posso dizer-vos que tenho muitos - mesmo muitos - casacos e sobretudos pretos só tenho um que uso muito raramente.


 Porém, de momento, apeteceu-me mostrar-vos os bege e todos os tons à volta dele, ali quase a tocar no castanho e no canela e de vos declarar que ando vidrada no tom caramelo. É tão estranho estar atraída por esta paleta de cores...



H&MMangoCosMassimo DuttiZara


Estão comigo na obsessão por esta tendência ou estou sozinha?





quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Le Suit II



Acho difícil ainda não terem dado de caras com uma das maiores tendências da estação nas lojas de fast fashion - e noutras não tão fast. É que para além de dar muito nas vistas - pelos melhores motivos, creio -, a tendência dos fatos tem vindo a crescer e a desenvolver desde o verão.




Já não é aborrecido, já não existe em apenas 3 cores, já não está destinado apenas a homens nem a pessoas que trabalham em bancos ou são advogados... Hoje o fato é um statement e está totalmente democratizado.




Podem escolher a cor, o material, o padrão - muito padrão! -, o corte que vos favorece mais... Podem conjugá-lo com sapatilhas, botas, stilettos - whatever - e podem usar tops, camisas, t-shirts, camisolas, camisolões, hoodies ou absolutamente nada por baixo do blazer. Your choice!




O fato hoje já pode ser um símbolo de descontração - com modelos mais oversized e com padrões interessantes -, pode ser uma peça perfeita para festas e eventos formais - vivam os fatos em lantejoulas e em veludo! - e no meio de tudo isto, continuam a ser peças sofisticadas, com modelos mais elegantes, clássicos e muito masculinos. 




Eu não consigo escolher apenas um estilo. Gosto de TO-DOS! Apaixonei-me por um deles há muito tempo. É oversize - claro! - e é todo estampado - óbvio! - e acho-o muito divertido. Adoro usá-lo e existem dezenas de combinações possíveis. Neste momento, é o meu look preferido para qualquer ocasião. Se quiserem saber qual é o fato em questão, espreitem este post.




A escolha é vossa, minhas meninas. O que é que vai ser?





quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Le Suit



Fatos. 

A nova moda queridinha das runways e do street style. É uma solução elegante, clássica, cheia de pinta e é, claramente, um statement, especialmente no guarda-roupa feminino. É uma apropriação da força, do poder e do sucesso profissional, normalmente - e erradamente - sempre associados ao homem, associados, desta vez, ao universo feminino, muitas vezes com um twist maravilhoso. 




Eu sou fã desde o primeiro dia, até porque se contrariarmos o fato preto/cinza/castanho/bege aborrecido e com linhas demasiado ultrapassadas, eu já estou contente. Hoje existem modelos para todos os gostos e o fato foi reinventado. Já não está exclusivamente associado ao trabalho (escritório), mas também a festas e eventos formais que exigem um "Hey! Cheguei!"


Vejam os exemplos de como casas como Alexander McQueen, Chanel, Marc Jacobs, Prada, Dior ou Givenchy desafiaram as leis e criaram fatos 2.0, fatos com efeito-wow, fatos de cortes fenomenais que apetecem muito!




Que maravilha! E sabem o que é melhor do que modelos novos, frescos, cheios de pinta? É que já não há regras. Não precisam de ter reuniões, não precisam de usar "obrigatoriamente" a camisa branca ou os stilettos. Podem apostar em sapatilhas, t-shirts, botas grossas e masculinas, bodies, chinelos, o que quiserem. Mesmo. O que quiserem.


Daqui a pouco mostro-vos o fato no street style, para verem a pintaça que dá e talvez se inspirarem a ir comprar um... Só para sentir o efeito power ;) 





segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Helena



No início do verão, a minha amiga Helena informou-me que tinha um casamento em setembro e que gostava que eu lhe desenhasse um vestido. Já tinha andado a ver nas lojas - físicas e online -, mas não tinha encontrado nada que lhe aquecesse o coração. Gostava de ir em bom - quem não? - e ir ao seu estilo, sem ligar a tendências ou imitar o que se vê nas Zaras do mundo. Com ela não podia ser de outra forma.


Apesar de não ter uma ideia concreta do que queria, sabia que gostava de uma cor mais escura, sem que fosse preto, e sugeriu de imediato o verde escuro. Eu bati palminhas e disse logo que concordava e que gostava muito da ideia. Sou mais de cores vivas ou estampados em festas, mas não sendo, o verde é sempre uma excelente opção. Aliás, não foi a primeira vez que desenhei um vestido a pensar nessa cor, como podem ver neste post. A mesma cor e estilos TÃO distintos.




Depois decidiu que gostava de ter um vestido em renda e volumoso. Comecei a fazer as minhas pesquisas e encontrei um modelo que a Helena considerou um bom ponto de partida (o branco da primeira imagem). Depois foi ir construindo tudo, detalhe a detalhe, até que a minha amiga se transformasse numa princesa dos tempos modernos.


Ficou decidido colocarmos um forro nude, em vez de verde, para ser mais leve e jovem. Inicialmente, as costas do vestido seriam abertas em V, mas depois a Helena quis uma pequena gola em renda - tão ela! - e fechou-se o decote. O cinto, o corte, os pormenores na parte da frente, o volume da saia, o comprimento... Tudo foi pensado e discutido ao pormenor.




No dia da festa, a minha amiga era a mais linda, porque estava fiel ao seu estilo. Estava uma princesa sem floreados. Como de resto, é sempre!





quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Up!



CHEGUEI!


Na verdade já cheguei na segunda-feira à noite (perto da meia-noite, para ser mais precisa). A viagem foi fantástica e não sei se acompanharam no instagram - you should! - mas por aí já tiveram um cheirinho das coisas bonitas que vi. Vim inspiradíssima, vim cheia de novas ideias, com uns moods na cabeça, com uma nova crush de paleta de cores e com novas marcas e estilos debaixo de olho - os nórdicos são outro assunto, não são?


Porém, parece que fui atropelada por um camião. Juro que sim. Segunda cheguei a casa depois da 1 da manhã, ainda estive a arrumar algumas coisas da mala, preparei as coisas para o dia seguinte, tomei um banhinho quentinho e enfiei-me na caminha. Dormi demasiado rápido e no dia seguinte siga para o trabalho às 9h e prontinha para responder aos 2039 emails e avançar com serviço que ficou uma semana em stand by. Fora o trabalho ainda há mais trabalho e outros assuntos e marcações a fazer, reuniões e compromissos. Ou seja, ainda não consegui descansar - que as minhas férias normalmente são mais cansativas do que os meus dias de trabalho e, por norma, preciso sempre de descansar quando chego! Ahahaha


Vim só aqui para vos dizer que tenho muito para contar e tenho muita vontade de escrever. Vou esperar pelo fim de semana para atualizar o blog e andar com outros assuntos. E para descansar...





sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Frio


Parece que chegou mesmo o frio e a chuva... Venham eles (especialmente o frio, claro) que nós temos montes de novas tendências que eu estou de-se-jo-sa de usar! Já comecei a escrever uns 3 posts sobre isto, mas ainda não estão como eu gosto e ainda não consegui finalizar. A verdade é que as lojas começam agora a receber as melhores peças e eu prefiro esperar para ver o que aí vem!


Quem já tem saudades de vestir o sobretudo e calçar a bela da bota? Eu já! E estou neste momento a desforrar-me de frio!


segunda-feira, 14 de outubro de 2019

There she goes...



Esta semana foi caótica. Tão caótica que nem tive oportunidade de passar por aqui... O fim de semana passado terminou com trabalho, a semana não deu descanso e este fim de semana foi super. No sábado fartei-me de fazer coisas que tinha pendentes (compras, agendamentos, tratamentos, etc.) e ainda fui jantar a um sítio mesmo porreiro. No domingo, o dia começou cedo e com trabalho e terminou comigo a preparar uma mala de viagem. E eu detesto fazer malas, mas é por um bom motivo, não me posso queixar! :)


Portanto, neste momento que me leem, o mais certo é eu já estar dentro de um avião com destino ao frio. Dou mais novidades no Instagram do blog. Vão acompanhando! Eu estou muito entusiasmada com esta viagem de 1 semana. Alguém adivinha o destino? ;)


terça-feira, 8 de outubro de 2019

I want YOU... to VOTE!



Ponderei muito sobre se devia ou não escrever este post sobre as Eleições Legislativas, mas acho que este blog deve tornar-se cada vez mais um veículo de mensagem sociais em que eu acredito - e que vocês se podem identificar ou não - e não apenas falar de assuntos que eu adoro (moda, cinema, decoração), mas que não influenciam ou esclarecem de forma significativa os outros. Acho mesmo que aqui pode caber um pouquinho de tudo. Este blog não tem expressividade nenhuma, não chega às massas e também não influencia ninguém, mas eu acredito que se houver uma pessoa a ler estes textos pode, pelo menos, refletir.


E refletir sobre uma situação é o que eu espero do outro e de mim própria.


Portanto, aqui estou eu a falar de política, assunto sobre o qual eu não domino, nunca dominei e não me interesso particularmente. Mas tenho estado cada vez mais atenta ao que se vai passando e nestas eleições estive, honestamente, muito indecisa. Primeiro porque havia 21 partidos! 21! Eu não consegui ler os manifestos de todos eles. Cheguei a sábado e decidi que tinha que optar por aqueles em que eu estava inclinada a votar e assim foi - sim, porque eu não tenho partido, da mesma forma que não tenho religião ou outras crenças fixas! Tomei a minha decisão em consciência. Conheço o partido em que votei, as ideias que defende,... Não posso dizer que concordo com TUDO, mas com a maioria.


Este ano existiram trabalhos verdadeiramente notáveis na área do jornalismo para descomplicar este assunto e para que o eleitorado se sentisse mais informado e capaz de decidir. O Público e a Renascença são exemplos excelentes dos meios de comunicação social que são ainda o que nos salvam neste meio de jornalismo de sarjeta. Ao mesmo tempo, criou-se a plataforma Política para Todos, do qual me socorri vezes sem conta. Tivemos humoristas como o Guilherme Geirinhas a falar sobre estas "coisas chatas com humor". Tivemos o Ricardo Araújo Pereira a entrevistar os candidatos no seu programa "Gente que não sabe estar" e até a Joana Marques no seu "Extremamente Desagradável" ou o "Uma Campanha Alegre", ambos da RR. Isto para não falar dos tradicionais debates televisivos e dos tempos de antena.


Informação não faltou, minha boa gente. Informação da boa, daquelas que nos davam a papinha toda feita e ainda nos divertiam, mas nem assim conseguimos baixar a abstenção. Na verdade, os números aumentaram quando comparados com 2015 e isso deixa-me muito chateada porque eu não consigo compreender o porquê deste desinteresse. Não peço que leiam os manifestos eleitorais de todos os partidos. Não peço que sejam 100% conscientes na votação. Nem sequer peço que votem num partido. Podem chegar lá e votar em branco.


Caraças, mas votem...


Tenho ouvido várias pessoas a dizerem-me: "Votar para quê? Eles são todos iguais!" ou "Ó, nem me chateio com isso. Não ganho nada em votar...". Primeiro, acho absurdo alguém que se queixa que o país está mal servido no que à política diz respeito, não ir votar. Meus amigos, isso não é um ato rebelde nem uma forma de protesto. Isso é só estúpido. Protesto é ir e votar em branco, mas exercer o nosso direito sem nunca abdicarmos dele. Vocês entendem que há pessoas a morrer no mundo a lutar para exercerem este direito que nós, descaradamente, tomamos como certo? Ainda para mais, estar descontente e não mexer o rabo do sofá para mudar um bocadinho do país é só burro. Desculpem, mas é. É desculpa de mau pagador. O voto é uma das poucas armas que o povo tem a seu favor e nós, tristes, desperdiçamos e entregamos, literalmente, o ouro ao bandido. São também as pessoas que não votam que passam a vida a reclamar do governo, dos impostos, das taxas, da corrupção. Só me apetece armar-me em Bruno Aleixo e dizer: "Não votaste, pois não? ENTÃO CALA-TE!". E a segunda afirmação, só merece um valente par de estalos. Tenho ouvido muito isto de que é preciso beneficiar quem vota, para aliciar os cidadãos e reverter os números da abstenção. Eu não digo que isso não iria resolver parte do problema, mas irrita-me que isso seja uma verdade. É a mesma história que "eu só começo a reciclar quando tiver benefícios com isso". Minha gente, o benefício é vivermos num Planeta habitável. Espantem-se! A lógica com o voto é a mesma. Vocês não precisam de receber nada em troca, só precisam de ir à urna uma vez por ano (e às vezes nem isso) para votar, dar a vossa opinião. Só. Demora-vos uns 2 minutos, se ainda estiverem a ponderar em quem votar. Era o que faltava ganharmos alguma coisa com isto. No futuro queremos o quê? Um subsídio para quem diz "Bom dia, Por favor e Obrigado"? Poupem-me.


Não vos vou mentir, estas eleições deixaram-me muito abalada. 




Os números da abstenção foram chocantes e ainda por cima temos agora um partido fascista no Parlamento. Isto é um pesadelo para mim, que nunca acreditei que em Portugal isto fosse acontecer novamente. Eles defendem TUDO aquilo que eu mais abomino. Posso enumerar algumas das ideias que defendem: a castração química de pedófilos, a proibição constitucional da eutanásia, a pena perpétua, a proibição do casamento homossexual, a reavaliação da presença de Portugal na ONU, a extinção do cargo de Primeiro Ministro (cujas funções devem passar para o Presidente), o fortalecimento das fronteiras e um reforço da carga policial nesse sentido (me-do!) ou a desresponsabilização do Estado por assuntos como Saúde, Educação ou Transportes. Já estão em pânico como eu? Acredito que grande parte dos votos neste partido (mais de 66 mil!!!) deveram-se ao cabeça de lista, André Ventura. É comentador de futebol na CMTV e, portanto, tem alguma visibilidade. Acredito mesmo que algumas pessoas - e eu quero acreditar que foi a maioria - não defende os ideais do Chega - nem os conhece, sequer -, mas reconheceu o rosto e até concorda com alguns bitaites sobre futebol e deu-lhe o voto. É esta a minha esperança, que estas 66 mil pessoas se apercebam do que fizeram e que ponderem melhor nas próximas eleições. Ainda falta referir que aqui está uma prova de como o "jornalismo" rasca, sujo, imoral (CM) pode trazer consequências MUITO graves para um país.

Por fim, não posso deixar passar em branco a ascensão de partidos pequeninos, que defendem minorias (Livre, Iniciativa Liberal e PAN). É um alívio ver que podemos estar a acordar para novas opções mais próximas do povo, da realidade do país e das mudanças da sociedade. É um avanço enorme termos uma Assembleia onde "cabemos" todos ao elegermos, por exemplo, uma mulher negra e gaga - com uma campanha muito interessante. É um grande UFA! saber que teremos no Parlamento partidos a defender o fim das touradas e dos animais em circos, a defender o ambiente, as minorias étnicas, os homossexuais, partidos feministas - no REAL conceito e não no conceito "Capazes"... Enfim, partidos que defendem a inclusão, a diferença e a inovação. Vou ficar de olho nestes três, sem nunca desviar a atenção do outro...




O post já vai longo e eu prometi que não me ia alargar muito sobre este tema, porque não me sinto confortável a falar sobre política. Porém, como já tinha dito, desta vez eu estudei muito bem a minha lição, como também tinha dito que ia fazer no post sobre a Amazónia, lembram-se? Eu não me esqueci!


Eu sei que este post não vos vai fazer ir votar - até porque quando houver novas eleições já nem eu me vou lembrar que escrevi este texto -, mas espero que vos faça refletir.


E, por favor, votem. Por favor!