quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Pretty, Pretty Woman



Desenhar é uma atividade que me deixa bem disposta e relaxada, apesar de raramente o fazer - o que me deixa chateada comigo própria, por saber que há uma coisa que me faz bem e que eu não a ponho em prática com a frequência que devia. Mas desenhar e imaginar peças de roupa é aquilo que mais gosto. Não é de hoje, é mesmo desde miúda que desenhava os vestidos para as Barbies (que nunca saíam do papel, claro). A moda faz parte de mim e é um mundo que me deixa feliz e inspirada, portanto, é muito frequente andar atrás das grandes Casas, saber o que se anda a produzir, que designers se andam a destacar e como andam as tendências. Não para as aplicar no meu dia a dia - claro que acontece, mas não é uma prioridade -, mas porque eu gosto mesmo de conhecer. É como alguém que vê todos os jogos de futebol que passam na televisão, mas não joga à bola.


Tenho tido uns pedidos para criar vestidos para festas (casamentos e assim). Desenhei 3 há uns tempos, que podem ver aqui, aqui e aqui. Quando a minha tia viu os vestidos e soube que fui eu que os desenhei, disse-me logo que tinha um casamento (com muita, muita, muita antecedência!) e que queria que eu lhe desenhasse um vestido também. Avisei-a que com ela só podia ser uma coisa WOW, porque a minha tia tem muita pinta e gosta de arriscar (é cá das minhas)! Ela já tinha umas ideias: vestido comprido e capa. Também gostava que o vestido fosse vermelho, mas não era um assunto fechado.




Fiz as minhas pesquisas e tive algumas ideias. Desenhei-lhe a visão que ela tinha para o vestido e depois apresentei-lhe mais duas ou três sugestões que, na minha opinião, encaixavam na perfeição com o estilo dela. E isto é importante: conhecer os gostos e adequar. Não há nada pior do que sentirmos que não estamos confortáveis com a nossa escolha, por mais bonito que seja o vestido. Por isso, sugeri-lhe um modelo mais curto, com capa e com o twist - uma mistura de cores que montavam logo o cenário todo. Mas avisei-a que não era para todos os gostos e que ela tinha que estar muito segura da escolha. A minha tia A-DO-ROU a ideia do vestido. Quanto às cores foi-se adaptando à ideia. Daí fomos logo ver tecidos e escolhemos os tons certos de ambas as cores e aí ela ficou convencida! Já o senhor da loja é que torceu o nariz com aquela mistura tão pouco comum.


O resultado final não podia ter ficado mais bonito. É memorável sem ser too much. Tem aquela pinta effortless, sabem? quase minimal. A verdade é que o vestido não tem grandes pormenores e tem um modelo bem clássico e elegante (e versátil também)! Mas a capa por cima e o contraste das cores fazem a festa toda. Fiquei apaixonada pelo resultado final. O que é que vocês acham?


Claro que este resultado só foi possível porque eu conheço a melhor costureira de sempre, a Maria José. É uma profissional incrível, cheia de experiência, bom gosto e ótimos conselhos, já para não falar que é uma querida! Tem um atelier próprio e é um SU-CE-SSO! Esqueçam ir sem aviso e vestidos de cerimónia para os meses de verão, só com marcação com antecedência de largos meses. Vejam os trabalhos dela no Facebook e no Instagram.

(As duas fotografias da esquerda foram tiradas no Atelier e o vestido ainda não estava finalizado)


E se agora me vêm dizer "que no meu entender rosa com vermelho não podia ser", como diz a Capicua, então eu digo-vos que estão muito fora. Só para vos provar, deixo algumas imagens de desfiles FW 2019/2020 de casas como Balenciaga, Marc Jacobs, Prada ou Valentino.





Mas mesmo que não existissem estas tendências, a verdade é que vocês devem usar TUDO aquilo que quiserem usar e serem felizes e sentirem-se muito poderosas com as vossas opções, independentemente do que os outros pensam ou dizem.


Um beijinho à minha Tia cheia de pinta, de bom gosto e que confiou nesta sobrinha tola! ahahah Já estou a pensar no próximo para ti. E já tenho mais um em produção para outra amiga! :)





segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Amazónia



Era impossível não vos falar sobre a tragédia que está a acontecer na Amazónia. Sinto que é fundamental estarmos informados e esclarecidos sobre tudo isto para que possamos tomar atitudes e não apenas partilhar uma fotografia e um hashtag #prayforamazonia. É que rezar não apaga fogos e gostos ou partilhas nas redes sociais nunca fizeram muito na luta pela defesa do ambiente, portanto, está na hora de sabermos mais para fazermos melhor. Foi nesse sentido que mergulhei em artigos, reportagens e textos de opinião para entender melhor a profundidade deste assunto.


A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo, com 5 milhões e meio de quilómetros quadrados e não só é casa da maior biodiversidade registada numa só área no Planeta, como também de vários povos indígenas. Só para terem a noção da sua dimensão, a Amazónia abrange territórios do Brasil, Perú, Colômbia, Bolívia, Venezuela, Equador, Guiana, Guiana Francesa e Suriname. Mais importante que isto: é responsável pela produção de 20% do oxigénio que existe na atmosfera. E está a morrer, logo, estamos todos a morrer.


Fala-se muito da desflorestação da Amazónia, por isso, acho importante iniciarmos por aí e depois irmos desdobrando este assunto noutros temas igualmente importantes. Já sabemos que a desflorestação significa a perda de densidade de floresta, mas porque é que isso é mau? Porque as florestas são importantíssimas para a absorção de GEE (gases efeito estufa) e, por isso, mantêm o nosso Planeta mais habitável. Os registos comprovam que até 2014 a desflorestação diminuiu, porém, com o governo da Dilma os números voltaram a subir e prevê-se que 2019 seja o ano mais catastrófico. Segundo os dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a primeira quinzena de julho registou um desmatamento de 1 000 quilómetros quadrados, mais 68% do que todo o mês de julho de 2018.




Claro que a desflorestação da Amazónia também tem uma percentagem de causas naturais (é muito fácil iniciar um fogo numa área seca e já desflorestada), apesar de ser mínima. Existe também uma grande fatia relacionada com a exploração da madeira, de minérios e petróleo, mas 40% deve-se à exploração dos terrenos para a pecuária (pasto) ou cultivo de soja (já lá vamos!). Existem empresas legais que têm acordos legais com o Governo, que se comprometem a proteger uma percentagem desse terreno, porém, há um sem fim de casos de apropriações ilegais de áreas que resultam em confrontos violentos com as comunidades indígenas que ali habitam.


Tudo isto complicou com o início do governo de Bolsonaro porque este defende uma política mercantilista totalmente ultrapassada (o que não é de admirar) e mostra-se muito pouco preocupado com as questões ambientais. O problema reside na exploração de recursos naturais da Amazónia para desenvolver a economia brasileira (daí já termos ouvido falar de auto-estradas, barragens e outras ideias semelhantes para serem construídas na floresta). O Brasil é um país pobre, em desenvolvimento, cheio de problemas sociais, políticos e económicos. Num país onde a segurança é já quase um mito urbano e a fome é a realidade de milhares de famílias, a proteção da Amazónia não é uma prioridade. Vai daí que em 2008 a Noruega e a Alemanha acharam que estava na hora dos países desenvolvidos se unirem para apoiar e para protegerem um património importante para o Planeta. Criaram então o Fundo Amazónia para apoiar a proteção e o desenvolvimento da floresta através de projetos ambientais ligados a estados, municípios e iniciativas privadas, num valor total de 771 milhões de euros, quase todos doados pela Noruega. Porém, o presidente do Brasil achou por bem extinguir os comités responsáveis pela gestão do fundo e a desrespeitar o acordo inicial, especialmente quando o assunto era a apresentação dos resultados obtidos. A Noruega já avançou que vai cancelar o apoio, o que é compreensível, mas muito preocupante. Entretanto, Emanuel Macron reuniu na cimeira do G7 os 7 países mais ricos do mundo para estabelecer um acordo para a criação de um fundo global para combater os incêndios na Amazónia. Até ao momento que escrevi este post ainda não havia conclusões deste encontro.


Somado a isto, temos um Ministro do Ambiente brasileiro acusado de fraude ambiental (how ironic!), um governo a perdoar multas ambientais e o lobby fortíssimo dos agricultores (que é do interesse do governo porque simboliza mais lucro). Estão aqui todos os ingredientes para dar asneira. Claro que Bolsonaro foi eleito por uma maioria, logo, ele não pode ser a única pessoa responsabilizada por estes atos, mas sim toda a sociedade, especificamente quem votou nele e quem nem sequer votou. Isto leva-nos, no entanto, a questões sociais que estão ligadas aos problemas políticos e ambientais do Brasil e é fundamental compreendê-las.


Infelizmente, o Brasil não tem uma população educada, informada e consciente das suas responsabilidades e das consequências dos seus atos a nível global, porque muitas vezes nem acesso à internet tem. Num país em que é preciso lutar por segurança e comida, as questões ambientais são altamente secundárias na lista de prioridades de um brasileiro. E isso também é compreensível. Sem educação e informação, claramente não se tornaram eleitores conscientes, responsáveis nem esclarecidos (isso já não acontece em países desenvolvidos como Portugal, quanto mais...).




A questão que se impõe é:
O que é que nós podemos fazer para ajudar?

A minha pesquisa sobre este tema deveu-se a esta questão: que raio é que eu posso fazer? Então fui procurar respostas. Depois achei que deveria partilhar isto convosco, que também é uma forma de apoio. Foi com este objetivo que escrevi este post, para partilhar o que é possível fazermos para preservarmos a Amazónia e o nosso Planeta, já que não podemos ir apagar os fogos... E não, não é partilhar uma fotografia no Instagram. Também não é usar um hashtag qualquer. Podemos fazer muito melhor que isso!


1. ASSINAR UMA PETIÇÃO
É a medida mais fácil de pôr em prática. Eu assinei esta petição "Impedir o desmatamento e exploração da Amazónia!". Vocês podem fazer o mesmo ou outra.


2. ESTAR INFORMADO/A
Parece simples, mas não é bem assim. Sejam curiosos, pesquisem, questionem-se, fundamentem as vossas opiniões e comportamentos com informações credíveis, sólidas e claras.


3. VOTAR!!!
Há eleições à porta e nós temos mesmo que nos convencer que votar é uma grande responsabilidade. Já nem falo apenas no ato de votar, mas o de votar em consciência. É cada vez mais imperativo que se conheça os manifestos eleitorais dos partidos, que se estude as suas estratégias e prioridades. Só assim seremos capazes de votar em consciência plena no partido que melhor se adequa àquilo que nós acreditamos.


4. CONSUMIR DE FORMA CONSCIENTE
Estamos um pouco cansados de ouvir isto, mas não se compreende ainda muito bem o impacte que um consumo desenfreado ou pouco esclarecido tem a nível global. Já nem falo apenas de consumir menos, que isso já é óbvio, mas precisamos de consumir bem. Antes de comprarem, percebam de onde vem o produto e tomem uma decisão consciente. Claro que não podemos votar nos Estados Unidos da América, nem no Brasil, nem na Coreia, nem em lado nenhum fora de Portugal. Então é impossível influenciar esses países a tomarem medidas diferentes. A pergunta é: será mesmo impossível? Consumir de forma consciente é, sem dúvida, uma forma de "voto" e isso pode mesmo influenciar políticas de produção, importação/exportação e investimentos. Quando estamos a falar de alimentos é bem mais fácil descobrir a sua proveniência e perceber que os produtos são nefastos para o Planeta, não pela sua constituição, mas pela sua produção. O que nos leva ao quinto ponto:


5. CONSUMIR MENOS CARNE
Este ponto dá pano para mangas e foi por isso que o deixei para o final. É a medida mais importante de todas: consumir menos carne ou excluí-la totalmente da nossa alimentação. Está mais do que provado que a indústria agropecuária é responsável por mais emissões de GEE do que as maiores petrolíferas do mundo. Somado a isto, 40% da área da Amazónia desflorestada serve essa mesma indústria através de pasto e campos de cultivo de soja. Uma curiosidade que descobri com as minhas pesquisas é que existe uma enorme produção de soja no Brasil (e noutras florestas no Planeta) para alimentar os animais, logo, quanto mais crescer o negócio, maior a necessidade de alargar os campos de cultivo. A produção de soja na Europa tem uma regulamentação muito rigorosa. Não existe produção de soja trangénica e a preservação do solo é assegurada (até porque ninguém minimamente esperto quer acabar com o seu próprio negócio, correto?). Aqui está mais um exemplo do que é consumir de forma consciente: escolher soja europeia é mais sustentável (por todos os motivos e mais alguns) do que soja proveniente de outras zonas do mundo, especialmente provenientes de florestas. Os produtores de gado misturam a soja na ração para criar um alimento mais barato e igualmente nutritivo e benéfico para os animais, mas como o negócio da agropecuária é um dos maiores do mundo, a grande maioria da criação de soja destina-se a este fim. Sabendo nós que quase metade da desflorestação da maior floresta tropical se deve à criação de gado para consumo, então há alguma coisa de errado neste quadro. É fundamental tomarmos a consciência, de uma vez por todas, que o consumo exagerado de carne não faz bem ao Planeta nem à saúde de ninguém. Idealmente deveríamos alimentarmo-nos à base de plantas e vegetais, dieta que não traz quaisquer problemas de saúde, muito pelo contrário, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) e nutricionistas. Aconselho-vos a verem o documentário What the Health (2017) e verão todas as vossas dúvidas esclarecidas sobre este assunto. Não é tão in-your-face como o Cowspiracy (que também aconselho), mas dá-nos perspetivas muito claras daquilo que andamos a fazer ao nosso corpo. Se quiserem, posso até um dia falar sobre os vários documentários sobre alimentação / ambiente que já vi... Bom, mas estava a dizer que este tipo de dieta não pode ser imposta de um dia para a noite porque há quem não tenha condições para a adotar. Imaginem uma família brasileira sem acesso à internet ou outros meios de comunicação alargados. Se lhes fosse vedado o acesso à carne, como é que iriam sobreviver de forma saudável sem meios de pesquisa e sem terem conhecimentos sobre alimentos igualmente nutritivos? Iriam acabar por alimentar-se à base de arroz e batata, o que iria trazer outros problemas nutricionais. Não é isso que se pretende, por isso é que é fundamental que este passo seja dado por pessoas esclarecidas, com acesso à informação, a um sistema de saúde competente e à liberdade de escolha. Não digo que devemos todos deixar de comer carne (acho difícil isso acontecer), mas reduzir bastante e consumir de forma consciente, que é como quem diz: diz-me de onde vens, dir-te-ei se te como. A carne portuguesa é muitas vezes criada em pasto e com uma produção mais ou menos sustentável. Então podem perguntar-me se estão a comer carne portuguesa, não estão a contribuir para o desmatamento da Amazónia. Não necessariamente. Esses animais podem estar a ser alimentados por soja brasileira e aí a porca torce o rabo. Questionem o vosso talho sobre os fornecedores, a proveniência da carne, a alimentação dos animais, etc. Nós temos o direito de saber o que metemos no nosso corpo, certo? O consumo consciente é exatamente isto.




O post já vai longo, mas eu tenho ainda a dizer que tenciono pôr em prática tudo aquilo que vos descrevi aqui. Quanto ao consumo, já tenho escrito várias coisas sobre isto. Estou cada vez mais consciente do consumo da indústria da moda e, por isso, fiquei muito feliz com esta notícia. Em questões ambientais estou a criar hábitos sustentáveis, mas há sempre muito mais coisas que deveríamos estar a fazer. Sobre a carne, penso que já partilhei convosco que me comprometi a não comer carne durante um mês (em março ou abril). Nunca vos cheguei a contar essa minha experiência, mas a verdade é que desde o início deste ano que reduzi drasticamente o consumo de carne por questões ambientais. O mês Zero Carne foi passado de forma muito tranquila e quase nem me apercebi desta "restrição", apenas quando ia jantar fora - e custa não comer o meu rico arroz de pato, vá. De resto, zero stress, zero problemas, zero ansiedade, zero sacrifícios. E continuei a fazer exercício e uma vida absolutamente normal. Aumentei o consumo de cogumelos, feijões e grão de bico, bem como de fruta e frutos secos. Hoje em dia como carne, mas de forma muito esporádica - e com tendência a diminuir. O que vos quero dizer com a minha experiência é que não é preciso acordar de manhã e mudar tudo de forma radical nem entrarmos em histeria ou fundamentalismos.


Um passo de cada vez, mas passos sustentados e sustentáveis ;)


Informem-se, consumam de forma consciente, votem e reduzam a carne no vosso dia a dia. São coisas tão simples de fazer tendo em conta os estragos que já fizemos à nossa Natureza...


Espero que este post tenha sido esclarecedor! É também para isso que cá estou.





sexta-feira, 23 de agosto de 2019

News


Estou embrenhada nas novas tendências para a nova estação e estou muito feliz com o que tenho visto. Parece que me leram o pensamento tal é o alinhamento com os meus desejos para os meses de frio. Estou muito entusiasmada pelo o que aí vem, apesar de ainda não ser a altura para começarmos a falar de caxemiras ou de lãs, certo?


Vou continuar a absorver tudo e depois falamos.


Entretanto, já fui espreitar as novas peças das lojas onde costumo comprar - prometi que ia parar de falar de saldos - e ainda sem fugir muito ao tempo ameno, deixo algumas das peças que me aqueceram o coração e que eu quero, definitivamente, dar uma vista de olhos com as mãozinhas - ahahahah.




Estou muito fã destes botins dourados, tão Chanel e tão fora da normalidade. Sou a única? Depois de muito tempo a preferir básicos, voltei à minha normalidade e a dar tudo por umas lantejoulas - seja onde for! - ou um casaco prateado! Pinta máxima.


Que tendência é que vocês aguardam com ansiedade para usar?
E qual é aquela que não querem MESMO que volte?
Contem-me tudo.





quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Menorca

Cala Turqueta

Este post já está atrasado alguns meses, mas não esperem mais. Ele chegou. Na semana em que terminou abril e começou maio estive de férias em Menorca. Este destino não era o plano A, nem o B e penso que também não seria sequer o F... Porém, surpreendeu-me tanto que já só penso em voltar um dia.


Menorca é o paraíso para quem aprecia a easy-life, sem luxos, sem pressas, sem complicações. É um destino perfeito para usufruir de praias lindíssimas, algumas selvagens, de descanso total e de pores do sol mágicos. Aviso a tripulação que quem quer noitadas, bares e restaurantes fancy e super-instagramáveis, Menorca não é o vosso spot. Lá vive-se de forma simples, sem coisas a mais e tudo é mais natureza e paz do que cidade ou confusão. Mas vamos ao que interessa:


 Onde fiquei alojada?


Ficamos muito bem alojadas num aparthotel em Cala Blanca, perto de Ciutadella. Era um sítio simples e tranquilo, com uma vista privilegiada para a piscina e para aquele mar azul. Tínhamos um mini mercado ao lado onde comprávamos pão fresco todas as manhãs e um irish pub em frente ao mar que oferecia um por do sol bem bonito. Tínhamos também uma espécie de fórum comercial, com pequenas lojas tradicionais e uma pizzaria take-away com pizzas deliciosas (que nos desenrascaram numa noite em que chegamos da praia às 21h e com zero vontade de cozinhar) e um chef super atencioso que nos fez um desconto sem motivo nenhum! Acho que não podíamos ter escolhido melhor. Não esperem muita oferta luxuosa. Podem encontrar alguns hotéis nas cidades ou perto da praia Cala Galdana (a maior e mais povoada e também concessionada). Mas o meu conselho é alugarem uma casa/apartamento/aparhotel que vos permita confecionar refeições (especialmente para levarem para a praia) e aproveitem a vida simples.


O que comi?

Es Cranc, Fornells 

Menorca pertence a Espanha, portanto as tapas são incontornáveis. Na mesma media, o marisco é uma preciosidade da ilha, especialmente em Fornells, uma vila de pescadores onde pudemos experimentar a caldereta de marisco, que foi só das refeições mais felizes de sempre. Não pudemos comer a de lagosta, que era a nossa intenção e que tem muito boa fama na ilha, mas valeu na mesma. Quanto a supermercados, é super fácil desenrascar qualquer coisa num mini mercado local, mas se se quiserem deslocar mais um pouco, podem sempre encontrar vários Lidls ou Mercadonas. A nossa rotina no que diz respeito à alimentação foi seguir a regra do leve e prático. Fomos às compras no primeiro dia e trouxemos praticamente tudo para a semana inteira (muito à base de frutas, legumes, leguminosas e iogurtes). Compramos tupperwares para guardarmos a comida e levarmos para a praia. Ainda hoje me dão imenso jeito! Tomávamos sempre o pequeno almoço em casa, preparávamos o almoço e snacks leves (umas sandes, saladas frias com feijão ou grão de bico, massa fria, palitos de cenoura, fruta, galetes de milho, etc.) que metíamos à mochila e seguíamos em busca das praias mais lindas. No fim do dia, jantávamos em casa ou em restaurantes.


As praias

Cala Morell

As praias são absolutamente idílicas (a maioria) e muito melhores do que vemos nas fotografias. Porém, não vão ao engano: algumas das praias são selvagens e, por isso, não existem casas de banho, espreguiçadeiras, guarda-sóis, nadador salvador, bares, massagens, bolas de berlim ou qualquer outro tipo de infraestrutura ou negócio. Zero! E isso dá-lhes um encanto extra, na minha opinião. Já para não falar que algumas são de difícil acesso, que implica caminhar ao longo de alguns quilómetros em caminhos mais ou menos difíceis.

A praia mais turística é, talvez, a Cala Galdana, que nós não visitamos. As minhas duas favoritas foram a Cala Turqueta (porque aquele azul e aquela paz é de outro mundo) e Binibequer, uma praia pequeníssima mas muito bonita e pitoresca. As praias do norte da ilha são mais ventosas, mas igualmente bonitas.

No norte conhecemos a Cala Morell (que não é nada de especial, mas onde dormi um soninho profundo de tão cansada que estava da viagem!) e a La Vall que parece uma cópia das praias na nossa Costa Vicentina, lindíssima e com metade das ondas. Tentamos muito ir à Cala Pregonda mas não demos com o caminho e isso custou-nos algumas histórias hilariantes para contar!

La Vall e Cala Morell
Cala Macarella (se não me engano) e Cala en Porter

Já no sul da ilha, onde estão as praias mais paradisíacas, conhecemos a Cala Turqueta (gostamos tanto que fomos lá parar duas vezes!), a Es Talaier que apenas se acede a pé, segundo um local nos informou (caminhamos ao longo de 1 hora no meio do nada, com cabras selvagens a correr ao nosso lado, para chegarmos à praia. Estendermos a toalha e começou a chover torrencialmente. Vidas!). Estivemos também bem estateladas na Cala en Porter, muito bonita, acessível de carro e, por isso, com mais gente. O mesmo aconteceu na Cala Macarella, uma das praias mais famosas da ilha que tem bares, WC's e muito mais gente (talvez por isso, não foi das minhas favoritas). Ainda tivemos tempo para descontrair sem mais ninguém na Cala Mitjana e, por fim, quando estávamos em modo-passeio, conhecemos, sem contar, a praia de Binibequer (que tem um pequeno bar, apesar de estar fechado quando lá fomos e é de fácil acesso) e a Platja de Punta Prima (mais turística e caricata por causa do farol como imagem de fundo).

Ficaram tantas, mas mesmo tantas praias por ver que eu acho que mesmo que se lá estivesse 15 dias não ia conseguir fazer um check a todas... O que é bom, assim tenho motivos para voltar.

Cala Turqueta e Cala Mitjana
Binibequer


Conselhos: 
1) Selecionem praias que gostavam mesmo de visitar e percorram uma de manhã e uma à tarde. Assim vão conseguir ver o máximo e, ao mesmo tempo, aproveitarem para relaxar em cada uma delas.
2) Sempre que possível e se quiserem, desloquem-se a pé entre as praias. Existem trilhos e a caminhada, apesar de ser dura, especialmente com o calor, é lindíssima, de uma tranquilidade que só a natureza selvagem nos pode oferecer.
3) Levem comida e água suficiente para aguentarem o dia todo porque será difícil encontrar locais de venda;
4) Não levem demasiada tralha. Para além de vos atrapalhar nas caminhadas, não vão precisar de mais do que uma toalha, um livro, comida e um guarda sol (se acharem necessário, mas muitas vezes existem árvores para se abrigarem nas horas de maior calor).
5) Não danifiquem o ecossistema. Caminhem nos trilhos já preparados para a passagem, não apanhem flores nem plantas, não alimentem os animais selvagens, não levem "souvenirs" das praias para além de boas recordações e de fotografias épicas.


Aspeto super positivo: como era época baixa as praias estavam praticamente desertas e chegamos mesmo a ser as únicas pessoas no areal, o que é surreal tendo em conta aquele paraíso. Porém, a temperatura estava amena e nem sempre convidava a grandes aventuras no mar.


Aspeto negativo: apanhamos uma praga de algas em algumas praias. Eu tenho muito nojo de algas (prefiro-as enroladas em arroz com salmão dentro, mas isso sou eu, né?) e havia pelo menos uma praia onde era impossível entrar no mar. As restantes, se me distraísse muito e conseguisse ultrapassar aquela linha à beira da areia, então estava tudo bem.


As cidades e vilas

Binibeca (vila)

Menorca tem duas cidades principais: Maó (ou Mahon), que é a capital, e Ciutadella. Cada uma numa ponta oposta da ilha. Nós ficamos alojadas na segunda, apesar de termos aterrado no aeroporto da primeira. Em menos de 1 hora estávamos a chegar a casa. Yep, a ilha é tão pequenina que dá para percorrê-la toda de uma ponta a outra em pouco mais de 1 hora.

Ciutadella foi a cidade que mais gostei de conhecer, com um centro histórico muito bonito e tudo tão bem estimado que parecia que não vivia lá ninguém, que era apenas para ver. É um ótimo sítio para encontrar lojas de comércio tradicional (menorquinas é o que não falta em Menorca!) e outras mais globais, bem como restaurantes e barzinhos que servem tapas e cervejas. O ambiente é ótimo, com movimento mas sem grandes confusões (porque, relembro, fui na época baixa) e à noite as luzes da cidade dão-lhe um ar tão querido que apetece ficar por ali.

Maó é semelhante, mas com mais movimento, com muito mais comércio, especialmente de grandes empresas e lojas que todos conhecemos. A marina é bem bonita. Passamos uma tarde a passear pela cidade, num dia cinzento demais para arriscar ir para a praia. Não tenho fotos de nenhuma destas  duas cidades.


Binibeca (vila)

Fomos à vila de Fornells para jantar, em busca da caldereta de lagosta e encontramos uma vila de pescadores extremamente bem cuidada, mas não se via uma alminha a passar e quando encontramos o restaurante apercebemo-nos que para além de nós, só estava um casal estrangeiro numa sala enorme. Foi caricato, mas soube bem aquela exclusividade e calma, longe das confusões que eu acredito que existam nos meses altos. Quanto à cidade em si, não posso dizer muito porque estava tudo fechado e meio escuro, mas gostaria de voltar.

Por fim, e como estamos a falar de vilas, fomos conhecer Binibeca. O nosso voo partia às 17h e decidimos passar a manhã a conhecer a vila, almoçar num restaurante típico (tapas, claro!) e depois seguir para o aeroporto a partir daí. Binibeca é obrigatório para quem quer ter um cheirinho das ilhas gregas. É uma vila pequenina mas muito pitoresca e toda caiada. Pode ser um bom sítio para encontrar alojamento.

Para além da única estrada que liga todas estas cidades/vilas e ainda mais algumas, o resto dos caminhos são quase sempre feitos em terra batida, especialmente os que vão dar às praias. E são  tão estreitas que parece que só têm um sentido (mas têm sempre dois!). São caminhos maravilhosos, mesmo como se vê nos filmes. Andamos quilómetros sem ver uma alma a passar...


As Noites


Se vão em busca de noches locas então aviso-vos que Menorca não é o vosso destino. O único bar que eu tive conhecimento foi o épico Cova d'en Xoroi (mas confesso que também não pesquisei muito mais). Este bar fica numa gruta numa encosta de uma falésia e contado ninguém acredita. Foi um pôr do sol lindíssimo, com uma Pomada na mão, a bebida típica da ilha (gin Xoriguer, feito na ilha, limão e gelo) e uma vista incrível. É caro entrar nesse bar, mas vale a pena!


Sobre Menorca


Não consigo descrever Menorca em palavras e muito menos em fotografias (o meu telemóvel tem uma câmara péssima), por isso aconselho-vos a irem lá visitar e a verem com os vossos próprios olhos as praias paradisíacas que temos a pouco mais de 2 horas de distância de avião.

É praticamente obrigatório alugarem um carro porque os transportes são praticamente inexistentes e se quiserem visitar as praias, só de carro. O aluguer é barato (se não entrarem em grandes excentricidades, claro), mas a caução e o seguro (facultativo) são elevados. Nós alugamos online e a empresa fez o transporte dos seus clientes do aeroporto até ao stand (10 minutos). Aí informaram-nos que íamos ficar com um Fiat 500, que não era o que tínhamos alugado, mas aceitamos. O carro era o ideal para Menorca: pequeno e económico.




Quanto ao tempo, como ainda fomos em abril não estavam temperaturas abrasadoras. No último dia choveu sempre, mas ainda conseguimos aproveitar as praias nos restantes. Numa próxima talvez escolha os fins de junho/inícios de julho ou setembro. Parece-me impossível aproveitar Menorca nos meses mais altos porque as praias são demasiado pequenas e os estacionamentos muito limitados para tantos turistas. A experiência ia sair defraudada certamente.

A ilha é muito segura (até vimos vários polícias a patrulhar), tranquila e pacata. Quanto aos preços, parecem-me muito razoáveis para a qualidade que oferecem (e refiro-me, claro, à natureza). É um ótimo destino idílico mas acessível.




Mais dois conselhos que deixo, para terminar, é que não se limitem a ficar numa praia apenas. Explorem a ilha, conheçam tudo o que vos for possível e - segundo os locais - quanto mais difícil é chegar a uma praia, mais vale a pena. Por fim, andem sempre com um mapa da ilha à mão para identificarem as praias e fazerem o roteiro do dia.





terça-feira, 20 de agosto de 2019

Keep Cool



Sabemos bem o difícil que é trabalhar com temperaturas elevadas - apesar de este verão estar uma tristeza pegada - e a dificuldade que é escolher um outfit profissional e fresco o suficiente para aguentar o dia. Eu sei, eu sei! Eu também tenho problemas sempre que tento escolher a roupa para usar no dia seguinte, numa altura em que só me apetece shorts de ganga + blusas fluidas ou vestidos esvoaçantes. Claro que não são apropriados para o local de trabalho, apesar de na minha empresa sermos bastantes descontraídos. Ainda assim é preciso distinguir.


Fui à minha base de dados de inspiração infinita aka Pinterest e escolhi alguns exemplos bons para replicarmos nos meses quentes. Apesar de eu ser 100% vestidos e saias no verão (e nas outras estações também), sei que muita gente não tem essa ideia e, por isso, dei destaque às calças brancas - aquele must de verão no escritório - e as suas diferentes facetas. Escolhi looks com tecidos frescos e leves, cores claras, calçado confortável, porque sei bem o que é chegar ao fim do dia com os pés inchados e enfiados numas sandálias de tiras. Aliado aos outfits, todos eles têm pormenores únicos e peculiares que elevam o coolness que todas queremos ter, seja nos acessórios, nas carteiras, nos óculos de sol ou nos penteados que parecem feitos em 30 segundos mas que resultam na perfeição!




Já não se usa estar desconfortável. Já não se usa mesmo! Deixem de lado os preconceitos e usem um vestido mais fluido de vez em quando, levem umas sandálias abertas ou até mesmo uns chinelos para o escritório, prendam o cabelo, usem fitas ou bandoletes (eu! eu! eu!). Tudo o que vos fizer sentir mais à vontade, sem ser, claro, à vontadinha!


Mantenham-se frescas e sempre cool ;)
(got it?)





quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Over Now



Bom, as férias are kind of over now (*snif, snif, snif*), pelo menos as de verão. Impõe-se agora, até ao final do mês, um novo alinhamento. Quem segue o meu blog há algum tempo sabe que o meu mês da mudança sempre foi setembro. Um hábito que veio dos anos letivos e que ainda persiste. É preciso definir metas, redefinir objetivos e construir sonhos.


A minha semana de férias em família foi maravilhosa, como é sempre. Desta vez não fomos para a praia, mas sim para uma cidade, conhecer novos sítios, culturas, gastronomia,... Tudo aquilo que eu amo e que eu acho que consegui transmitir - o meu objetivo secreto era esse. Depois fomos relaxar e aproveitar o silêncio, já em Portugal. No dia em que regressei tive uma festa de anos que serviu para dar aquele shake-shake - too much shake-shake, na verdade - e sacudir o modo zen em que eu vinha.


Segunda foi dia de regresso ao trabalho. Não me importo de trabalhar em agosto. É tudo bem tranquilo, não há trânsito, não há muita gente na rua logo de manhã cedo, os serviços estão todos a meio gás e eu gosto dessa calma - porque sei que é temporária, né?


Agora avizinham-se tempos de trabalho duro, com projetos novos a lançar, eventos para organizar e toda uma lista de To Dos com urgência. Mas está tudo bem... Este vai ser o período em que eu pretendo organizar melhor o meu tempo - quantas vezes digo isto aqui no blog? - e seguir em frente.


Entretanto, gostava que me fossem dando feedback daquilo que gostavam mesmo muito que eu partilhasse por aqui. Já tenho encomendados posts sobre os livros que ando a ler - por falar nisso, quem segue o instagram do blog? É que quem não segue anda a perder algum conteúdo... - e claro que vou escrever sobre as viagens. Falta-me contar-vos sobre Menorca, Madrid e Londres, de novo. Estou a esquecer-me de algum assunto muito importante que queiram mesmo que eu escreva? Contem-me tudo!


Se estiverem de férias, aproveitem TUDO!






sábado, 3 de agosto de 2019

Hit the road

but I will comeback!




Vai começar a minha semana de férias em família!

Metade do tempo vamos estar a conhecer uma cidade nova e outra metade vamos esforçar-nos muito para não fazer nenhum e participarmos no campeonato do "papo para o ar", que também precisamos muito! O ano passado não fomos passar férias, por motivos pessoais, e não estamos habituados a isso. Acho que este ano vamos desforrar-nos!


Eheh Alegria!


Regresso na semana seguinte com mais dicas de viagem ;)
Vão acompanhando as vidas desta que vos escreve (ahahah) no instagram!





quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Eco Férias



O ambiente sempre foi um assunto muito importante para mim. Não especificamente o ambiente em si, mas o consumo exagerado e inconsciente, particularmente da água. Desde que li o livro Diário das Minhas Viagens da Angelina Jolie em 2007, tinha eu 14 anos, que me apercebi que a água que eu tinha na torneira não era uma coisa banal. Era um luxo. Já falei sobre isso aqui neste post e não queria repetir-me. Por favor, vão lá ler esse texto também ;)


Devido ao meu trabalho, à responsabilidade que todos nós temos e ao conhecimento que fui absorvendo, estou a transformar-me numa autentica defensora do ambiente. Sem fundamentalismos nem julgamentos, mas sempre atenta e sempre consciente das coisas que me rodeiam. Poderei fazer um post sobre as minhas dicas no dia a dia, pode ser que vos dê novas ideias! E o ideal era criarmos aqui uma partilha de conhecimentos, o que acham? ;)


Mas este não é o meu propósito de hoje. 


Com a chegada do mês de agosto é importante falarmos de férias sustentáveis. 


Sim, porque não basta fazer a reciclagem em casa e depois ir de férias e esquecer todos esses hábitos, certo? O Turismo Sustentável é uma forma de encarar as viagens. Tal como o nome indica, pretende que a pegada ecológica de um viajante seja muito reduzida. Isto é, sempre que viajamos para outros países (ou mesmo dentro do nosso país), é importante compreender o contexto, questionar e, acima de tudo, respeitar e preservar o ecossistema. Eu deixo algumas dicas para ajudar:




DICAS PARA AS COMPRAS

- Levem um saco de pano. Digam não aos sacos de plástico descartável e façam-se sempre acompanhar por um saco de pano (ou de plástico reutilizável) na mochila para todas as eventualidades. Sabiam que um saco de plástico descartável demora mais de 400 anos a decompor-se?

- Levem uma garrafa reutilizável. Optem sempre por encher uma garrafa (preferencialmente reutilizável) do que comprar engarrafada. Há muitos países onde beber água da torneira é seguro e até apresenta mais qualidade (como em Portugal). Mas claro que se forem viajar para a Índia, por exemplo, este comportamento é totalmente desaconselhado. Pesquisem primeiro antes de lá chegarem.

- Comprem artesanato. Toda a gente gosta de levar uma lembrança para casa quando vai de férias, certo? E porque não optar pelo artesanato feito com produtos locais e pelas mãos das pessoas locais? É a lembrança mais genuína e valiosa que podem comprar. E assim estão a preservar a economia e a cultura local. Tenham em atenção para que essas lembranças não sejam feitas com materiais retirados da natureza como corais, chifres de animais e outros exemplos. Se for o caso, não comprem! 




DICAS PARA O ALOJAMENTO

- Digam não às trocas diárias de toalhas e roupas de cama. Independentemente do sítio em que ficarem alojadas, não se esqueçam de referir que não querem que os lençóis e toalhas de banho sejam trocadas diariamente. O impacto que esse hábito tem nas comunidades envolventes é enorme. Há hotéis a consumir mais energia e água num mês do que as comunidades vizinhas durante o ano. Afinal de contas, quantas vezes mudam os lençóis da vossa cama durante a semana?

- Piscinas em zonas desérticas? Huumm... Se escolherem um país onde a água é vista como um bem escasso e precioso (Cabo Verde, por exemplo) e o hotel onde vão ficar alojados tem piscina, então perguntem-se de onde vem aquela água. Provavelmente das reservas das comunidades envolventes. É injusto, não é?  Optem por resorts/alojamentos sem piscina ou com piscina de água salgada.

- Poupem como se estivessem em casa. Não é por não estarmos em casa que podemos deixar luzes ligadas, o ar-condicionado a funcionar mesmo quando não está ninguém ou tomar banhos de imersão. Sabemos que “já está pago”, mas a fatura final é encaminhada para o nosso ambiente, que é partilhado por TODOS nós. Em férias, já sabem, façam como se estivessem em casa.

- Escolham alojamentos centrais. Se escolherem um alojamento muito próximo dos sítios que querem visitar, vão poupar dinheiro no transporte, porque vão conseguir ir a pé para todo o lado. O Planeta também vai beneficiar com esta atitude. 




DICAS PARA AS REFEIÇÕES

- Comam em bares e restaurantes locais. Para além de ficarem a conhecer a gastronomia, vão proporcionar uma ajuda na economia local. Além disso, por norma, sítios menos turísticos são sempre mais acessíveis. Evitem as grandes cadeias de restauração.

- Prefiram produtos da época e regionais. Tal como devem fazer em casa, escolher produtos da época é mais sustentável e saudável. Se os produtos forem regionais, melhor ainda, já que o processo de transporte e distribuição dos mesmos é inexistente ou reduzido. Por exemplo, se estiverem no centro da Europa, a probabilidade de terem um peixe fresco no menu é reduzida e, se houver, sabem que este é congelado e importado. Ao comer produtos locais, vão evitar muitas emissões de gases efeito estufa provocados pela produção e distribuição.




DICAS PARA O TRANSPORTE

- Sempre que possível, prefiram os transportes públicos. Se andar de transporte individual aqui polui, noutra zona qualquer, polui na mesma medida. Optem sempre pelo metro, comboios, autocarros ou tuk-tuks. Veja qual é o transporte mais utilizado pelos locais e repitam o exemplo.

- Andem a pé ou de bicicleta. Se puderem deslocar-se sem recorrer a transportes movidos a energia ou combustível, melhor para o Planeta.

- Privilegiem as empresas locais. Em vez de comprarem a grandes empresas e multinacionais, escolham pequenas lojas para comprar packs de excursões, guias turísticos locais, transportes locais, etc. Vão estar a ajudar a economia local, mais uma vez. Por vezes, poderão não ter a experiência mais luxuosa, mas será uma experiência autêntica.




DICAS PARA O LAZER

- Não vão a atrações com animais em exibição. Esqueçam os jardins zoológicos, shows de golfinhos, circos, as fotografias com aves, macaquinhos, cobras ou passeios de elefante. Claro que, infelizmente, estas atividades já estão muito enraizadas em determinadas culturas, mas é necessário perceber que os animais sofrem de maus-tratos e exploração para conseguirem comportar-se daquela forma tão pouco natural. Não compactuem com estas práticas! Por outro lado, existem os chamados Santuários de Animais, como os de elefantes na Tailândia (Elephant Nature Park), onde se encontram animais que foram resgatados de locais como, por exemplo, os mencionados em cima. Podem conhecê-los num ambiente livre e muito próximo ao seu habitat natural. Há também a possibilidade de fazer voluntariado por 7 dias. Outra opção são os safaris em que os turistas usam jipes protegidos por uma espécie de jaulas e visitam os locais onde estão os animais selvagens, sem perturbar as suas dinâmicas nem alterar o ecossistema.

- Preservem o património natural. Se fizerem trails ou caminhadas, não se desviem dos caminhos que já existem. Assim vão proteger o ecossistema e ajudar no crescimento da vegetação local.

- Atenção ao que levam e ao que trazem. Há a típica frase “não tire mais do que fotografias e não deixe mais do que pegadas”. Claro que é tentador levar alguma recordação do sítio onde estiveram a passar férias, como conchas, pedras ou areia, mas já pensaram o que seria se toda a gente o fizesse? Esse comportamento não é sustentável e, por isso, levem só fotografias convosco. Por outro lado, não deixem mais do que aquilo que não podem evitar. Não deixem lixo, não danifiquem o património cultural ou natural. Respeitem o local que estão a visitar!

- Valorizem a cultura local. Conheçam as suas tradições, costumes e respeitem as diferenças. Não julguem nem critiquem se alguém agir de forma diferente da vossa. Afinal, estão numa cidade/país que não é o vosso, aprendam com isso!




DICAS PARA OS COMPORTAMENTOS

- Viajem em épocas baixas. Esta medida é boa para todos. Vão conseguir pagar muito menos pela mesma experiência e vão promover a economia local durante todo o ano, e não apenas nas épocas altas.

- Não imprimam bilhetes. Parece um detalhe insignificante, mas já pensaram se toda a gente passasse a mostrar o ingresso digitalmente (no telemóvel) em vez de o imprimir?

- Não deixem um rasto de lixo. Há países que têm graves problemas com a gestão e tratamento dos resíduos. Se visitarem um país desses, evitem ao máximo fazer lixo e quando o fizerem, se possível, guardem-no convosco até se poderem desfazer dele em zonas mais propícias.

- Paguem o preço justo. Percebam quanto é que vale o trabalho dos locais (artesãos, taxistas, etc.) e não tentem reduzir o preço dos mesmos.


- Não ofereçam dinheiro às crianças. Apesar de partir o coração vê-las a pedir dinheiro, estamos a prejudicar mais do que a ajudar, se contribuirmos com uma esmola. As crianças são retiradas da escola para se dedicarem a pedir dinheiro nas ruas e quanto mais lucro obtiverem, menor a possibilidade de voltarem a estudar e de terem uma vida de uma criança normal.


São pequenos passos que nos tornam cidadãos melhores e mais conscientes. Claro que ainda não faço algumas destas coisas e que muitas delas não fazia porque nunca tinha refletido sobre elas. Espero que este post vos tenha alertado para algumas situações e que promovam novos hábitos! Não há desculpas! A proteção do ambiente nunca pode tirar férias!