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segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Wonder Woman Wannabe



Antes de 2020 acabar, refleti sobre coisas que tenho mesmo muitas saudades de fazer. Claro que em primeiro lugar vieram as viagens, logo a seguir as festas e jantares com amigos, andar sem máscara para todo o lado, ter liberdade para sair à hora que quiser, para onde quiser, com quem quiser e regressar quando me apetecer... E de ir ao cinema. É pá, tinha mesmo vontade da sensação de ir ao cinema. Antes da pandemia ia, em média, 1 vez por mês. Ali nos meses de verão não ia - a silly season não acontece só nos telejornais, não é? -, mas no inverno ia mais do que 1 ou 2 vezes, portanto, equilibravam-se as contas. Também sou (era) frequentadora assídua do Cineclube da minha cidade. Domingo que é domingo termina no Grande Auditório do Vila Flor a ver um filme, normalmente daqueles bem-bons. No final do ano consegui ir ver Listen, o que fez aumentar a minha vontade de regressar ao cinema. A semana passada decidi ir ver a Wonder Woman 84, que a par do Batman é a minha heroína favorita da DC. Senti-me super segura nessa experiência, até porque estava sozinha na sala, juntamente com a minha companhia, o que não deixou de ser triste também...


* O próximo parágrafo contém Spoilers*


Sobre o filme, tenho que pôr o dedo na ferida. Se o WW de 2017 foi maravilhoso e, depois dos Batmans do Nolan, é o melhor filme que a DC já fez, o de 2020 foi péssimo. A Gal Gadot está LINDA de morrer, com um corpo perfeito, com carisma e uma pinta de invejar (já lá vamos). O Chris Pine está igual a si mesmo, só que mais velho e o Pedro Pascal bem caricato, à sua medida. Os efeitos especiais estão bastante bons e há todo um cenário à anos 80, tal como o título já fazia adivinhar. Então o que é que correu mal? A história do filme é tão boring, porque já a vimos em vários contextos, que chega a ser SUPER previsível. Há várias cenas tão absurdas que até custa ver. I mean, a cena do fogo de artifício é gira e tal, mas 100% descontextualizada. O filho de Max que aparece no final de tudo no jardim da Casa Branca (why?! how?!) e depois há o rapaz descendente da civilização Maia que caiu ali de pára-quedas, um avião militar que consegue com um depósito voar de DC até ao Cairo... Mas para mim, a pior parte foi a Barbara Minerva (Chetaah) não ter tempo suficiente para desenvolver a sua personagem de forma convincente. Passou de super sweet e altruísta para uma vilã sem escrúpulos e egoísta. Não fez sentido. E há MUITOS outros detalhes que não vou enumerar aqui. Os atores que participaram no filme fizeram todos um trabalho muito decente, mas o script estava péssimo e não havia volta a dar. Ah e uma questão: se um avião se tornar invisível ao olho humano, deixa de emitir um sinal GPS para ser localizado?! Hmm...



Ainda assim, aconselho-vos a ver, até porque a mensagem do filme - que acaba por se perder no meio de tanta parafernália de acontecimentos e mess generalizada - é bonita e apropriada para o tempo que vivemos, se bem que ficou ali na superfície. E ver a Gal Gadot naquele micro-fato pode dar-nos alguma motivação para treinar braços e pernas, sabem? É sempre um plus.


Mas nem tudo foi mau. Nem pensar! Uma das coisas que mais me chamou à atenção foram os looks de Diana Prince inspirados nos anos 80 e na anterior Mulher Maravilha, mas muito adequados a 2021. Tenho mesmo que falar naquele vestido de gala LINDO, branco, e que já li algures ser um Chanel vintage. Maravilhoso e com bom stylist (a pulseira é o toque perfeito). À exceção desse vestido e do fato dourado incrível que usa no final, os looks de Diana são sempre simples, discretos, elegantes e muito confortáveis, tudo o que queremos, não é? E o melhor de tudo? Dão quase para um closet cápsula! Como gostei tanto, decidi recriá-los:







Agora podemos tornar-nos numa amostra de Diana Prince aka Wonder Woman. Mas lembrem-se que não basta imitar as roupas. É preciso que se inspirem também na postura, cultura, inteligência, integridade, no altruísmo, no sentido de justiça e de sacrifício para o bem estar do outro. Can you do it? ;) 



O mundo precisa de mais Mulheres Maravilha por aí. Vamos lá tornar o mundo melhor um bocadinho? Uma sugestão para começar: ir votar no domingo e lutar contra o grande vilão. Não, o vilão não é o Ventura, mas todos os ideais que ele e muita gente - cada vez mais, aparentemente - defendem.


Sticky&Raw



quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

2020: O Grande Best Of!

Gosto sempre de fazer um best-of do que vi durante o ano para mais tarde recordar. 2020 foi bem fraquinho em termos de cinema e grandes produções porque esteve tudo parado, as datas de estreia foram adiadas para 2021 e até 2022... Um tormento para quem, como eu, gosta de bons produtos. Isto para vos dizer que não esperem um grande resultado final desta minha "avaliação". Gostaria muito de incluir também a minha review de livros, mas tenho que ser sincera: 2020 deve ter sido o ano que menos livros li. Uma vergonha. E não foi porque não tinha nada de jeito para ler ou falta de tempo... Nop! Foi mesmo falta de vontade. Aconteceu-vos o mesmo? A modos que este ano terminei de ler Sapiens logo no início de janeiro, li Mulherzinhas (antes de ter estreado o filme), O Tatuador de Auschwitz e comecei a ler 1984 que, muito vergonhosamente, ainda não terminei, apesar de estar a gostar mesmo muito. Em lista de espera assim de imediato tenho A Vida Mentirosa dos Adultos e A Cor Púrpura. Têm sugestões para me dar? Estou muito curiosa com Normal People, série e livro. Já vi o primeiro episódio, mas deixei ficar porque quero ler o livro primeiro.

Mas vamos lá ao que interessa:

BEST OF DE FILMES QUE VI EM 2020
Sempre o Diabo foi o filme que mais me marcou este ano. Não acho que tecnicamente tenha sido o melhor que vi ou aquele com uma história mais mirabolante, mas foi o que me deixou a pensar. Não lhe dei grande importância quando acabei de ver, mas nos dias seguintes dava por mim a encaixar peças, a entender referências e a refletir sobre a mensagem. E isso, meus amigos, para mim é um grande filme. Apesar de achar que não serve todos os gostos (bastante pausado em tempos e diálogos), as interpretações são francamente maravilhosas e tenho mesmo que destacar o meu Robert Pattinson que esteve BRI-LHAN-TE! Quero muito escrever um post sobre este filme, portanto, não me vou alargar muito, mas gostava de o ver conseguir uma ou duas nomeações para os Oscars.

Esta semana consegui, finalmente, ver Listen da Ana Rocha com a Lúcia Moniz como protagonista. Que filmaço, minha gente. Que filmaço. É muito duro, muito deprimente e sufocante, mas tem uma interpretação maravilhosa da atriz, a cadência de acontecimentos é excelente (não há cenas a mais nem a menos e tudo acontece ao ritmo certo) e a história é marcante. O meu Eu, Daniel Blake de 2020.

Como as produções deste ano não me deixaram com água na boca (e olhem que vi Tenet, por exemplo) virei-me para os clássicos e comprometi-me em ver 1 ou 2 por mês. Foi nesta lógica que vi Os Condenados de Shawshank, Léon: O Profissional, e A Princesa Mononoke. O primeiro não é tecnicamente rico, mas tem interpretações, uma história e um plot twist que merece todo o destaque que tem (é o filme mais bem cotado pelo IMDb). O segundo foi um filme que já me tinham falado, que eu já tinha visto a passar por mim várias vezes, mas nunca me tinha decidido a ver. Ainda bem que vi, porque dentro dos filmes de ação, Léon: O Profissional é muito competente. Por fim, o "meu" Miyazaki. Os filmes dele têm que ser vistos em dias certos, para compreendermos as mensagens subtis que nos vai dando ao longo da história e para conseguirmos aguentar o peso que trazem. Não escondo que o Castelo Andante e A Viagem de Chihiro são os favoritos até ao momento, mas A Princesa Mononoke toca no meu ponto fraco: a proteção do Planeta, da Natureza e de todas as espécies... Aconselho MUITO!

Como menção honrosa, deixo a nota de Klaus, que eu já falei sobre ele aqui. É o filme de animação que eu vou levar para sempre comigo. Vi outros filmes maravilhosos como Shining (uma vergonha ainda não ter visto antes, eu sei), Os 7 de Chicago (do I smell Oscar nomination?) e outros bem jeitosos que gostei muito de ver. Mas estes foram os destaques.


BEST OF DE SÉRIES QUE VI EM 2020
Definitivamente este ano foi full of series, tal como meio mundo, acredito. Houve um mês que vi 7! Juro. Claro que com a Netflix isto é um mimo e também é por isso que me tenho desleixado à grande na leitura, algo que quero mudar em 2021. Bom, mas vamos lá às melhores séries que vi em 2020: Tenho mesmo que começar com Sherlock. Falei tudo sobre esta série aqui e é uma das minhas favoritas.

Logo a seguir tenho que destacar a nova temporada de The Crown. Que toda a série está maravilhosamente bem feita, não é novidade, e estes novos episódios vieram confirmar o que já sabíamos. Duas grandes surpresas do ano foram Sex Education que aconselho vivamente. É didática, tem as "lições de moral" certas e passadas com a linguagem perfeita para atingir o público, boas interpretações, boa história e está tecnicamente bem feita. A segunda, foi A Coisa Mais Linda, aquela série que comecei a ver sem uma única expectativa e que me arrebatou. Também falei sobre ela aqui. Por fim, O Gambito de Dama. Não me viciou nem me deixou intrigada como as outras, mas está tão bem feita, tudo tão na medida certa que vale mesmo a pena ver.


BEST OF DE DOCUMENTÁRIOS QUE VI EM 2020
Olhando para trás, vejo imensos documentários criminais, sobre serial killers e coisas muito pouco recomendáveis para quem é impressionável (neste momento, por exemplo, estou a ver O Estripador, um documentário sobre o assassino de prostitutas dos anos 70 em Inglaterra). Mas não tenho qualquer dúvida que o documentário que mais me apaixonou foi Democracia em Vertigem. É um documentário brilhante sobre o governo de Lula e Dilma e o início da ascensão de Bolsonaro. Claro que, como sempre, é apenas uma perspetiva, um ponto de vista e não deve ser tomado como verdade absoluta, mas ainda assim está muito bem argumentado, muito bem escrito e defendido e eu estava a torcer para que vencesse o Oscar. 

O segundo preferido do ano, Onde á está você, João Gilberto, também se passa no Brasil, só que o autor não é brasileiro, mas sim um alemão que ficou apaixonado pelo trabalho de João Gilberto e embarca na missão de o encontrar. Para chegar até ele, entrevista amigos, familiares, colegas de trabalho, sempre com conversas riquíssimas e momentos dignos de registo. Claro que gostei muito porque eu própria também sou muito fã do artista, claro! Mas mesmo para quem não é, aconselho porque a história é muito caricata. 

The Last Dance deve ter sido um dos maiores sucessos da Netflix deste ano, é um facto, mas eu sou muito fã de Michael Jordan desde miúda, por isso, fiquei imediatamente interessada. Não sei como é que esta "panca" com o Jordan começou, mas lembro-me de ter posters dele e de a minha avó me ter oferecido uma bola de basquete para treinar como o Michael Jordan... Claro que sei o Space Jam de cor, não é? Bom, mas sobre o documentário, é pá, vale muito a pena. Para quem gosta do mundo do desporto, da competição e da superação, então este é obrigatório. 

Se gosto de documentários relacionados com crimes, claro que tenho mesmo que destacar Jeffrey Epstein: Filthy Rich. É difícil de ver, eu acho, mas também acho que é mais do que necessário que estas histórias se partilhem. Por fim, na mesma medida que gosto de saber sobre crimes, gosto também de saber sobre alimentação e o melhor documentário que vi este ano sobre o assunto foi The Game Changers. Aconselho a todos.


Ficou muito filme, muita série, muito documentário - e especialmente muitos livros -, por ver. Que venha 2021 e que traga o regresso das produções, as estreias e, claro, a noite dos Oscars!


Sticky&Raw



segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

We don't speak english here, sir!

Conhecer novas línguas é uma coisa que gosto mesmo muito de fazer e gostava de poder investir mais tempo a aprender italiano, por exemplo, ou alemão! Também por isso, no cinema a língua nunca foi um entrave para mim. Tanto vejo uma série francesa como um filme árabe com o mesmo entusiasmo, mas sei que a maioria das pessoas não vai além do inglês/americano, o que é uma pena. Tal como diz Bong Joon-ho, o realizador coreano que criou Parasitas, quando ultrapassarmos a barreira da língua, vamos começar a conhecer coisas maravilhosas. E é exatamente isso que eu acredito. 

Já tinha escrito um texto sobre filmes incríveis em língua não inglesa e agora decidi escrever sobre séries boas faladas em italiano, alemão e português do Brasil. Experimentem ir além do que é "comum" e vão encontrar verdadeiras relíquias!


Baby 
Itália

A história de Baby passa-se no meio escolar com Ludo e Chiara como melhores amigas e personagens principais. A escola que frequentam é considerada de elite, onde a grande maioria dos estudantes são de classe alta, muito ricos e cheios de posses. É também neste meio que vamos começando a encontrar todos os podres: droga, traição, ciúme, desonestidade e muito, muito pior. 

Ludo é um espírito livre, super carente por nunca ter conseguido conquistar o coração do pai, e procura nos homens essa atenção que nunca teve... os chamados daddy issues, né? Também procura uma forma fácil de ganhar dinheiro para ajudar a mãe que tem um estilo de vida, claramente, num patamar demasiado superior face às suas posses... Mas as aparências são para manter. Já Chiara é a menina perfeita: excelente aluna, a melhor atleta da equipa, linda, educada... Mas muito frustrada com a vida perfeita que leva. Não lhe falta nada e sente que lhe falta tudo. Quando conhece Ludo e, mais tarde, Damiano a sua vida dá uma volta de 180º e nunca mais nada voltará a ser o que foi. Damiano é "o novo aluno" na escola de elite. É um rebelde, um bad boy sem amigos e que deixa as miúdas todas caídas por ele. É filho de um diplomata e vive uma vida de luxo cheia de regras que não o demovem de cometer loucuras, e tal como Chiara, falta-lhe atenção. Estes três acabam por se envolver com Fiore, um criminoso da noite - e um gatssssoooo - e aí tudo muda. Ao entrar num mundo paralelo de dinheiro, poder e sexo, os adolescentes vão ver-se obrigados a fazer escolhas que vão influenciar para sempre as suas vidas.

A série tem 3 temporadas, é falada em italiano a 100% e é ligeiramente baseada numa história verídica de uma rede de prostituição descoberta em Roma que envolvia estudantes de uma escola de elite e até alguns pais.

Apesar de não ser uma obra de arte, a série está bem montada, as personagens são muito bem construídas e cativantes e o encadeamento das cenas está bem feito. É boa para ver entre séries densas e complexas. Aconselho nem que seja só para aprender um pouquinho de italiano!


Dark 
Alemanha

Já sei que fui a última pessoa no Planeta a ver Dark e aviso já que tenho uma opinião polémica. Minto... Eu comecei a ver Dark em 2017, quando saiu a 1ª temporada, e adorei o primeiro episódio. Só quando me apercebi qual era realmente o assunto é que desanimei e ao terceiro episódio, desisti. Estava a contar com uma série mais de serial killers do que propriamente de viagens no tempo. Já tinha dito aqui várias vezes que esse assunto não me é nada cativante, mas a verdade é que adorei a cinematografia da série. As cenas são lindíssimas, a luz, a escolha das cores, tudo tão estruturado e tão bem pensado que me fez ponderar "olha... talvez veja!". 

Não aconteceu em 2017, mas em 2020 dei-lhe uma segunda oportunidade. E agora vem a parte dramática: confesso que terminei a série a custo, não porque a série é má - I mean, a série é maravilhosa -, mas o tema é mesmo muito entediante para mim. Sempre me disseram que Dark é um típico "come-caco" e é, mas também não achei assim tãaaaaaaaao complexa quanto isso. É difícil acompanhar no início porque não conhecemos as personagens e os seus eus passados e futuros, mas depois de percebermos isso, não é tão complexo assim. Quanto ao final, prometeram-me algo épico e eu achei um belo final, o melhor final que a série podia ter, but yet, not my cup of tea.

Bom, para quem nunca viu a série deve pensar que estou a escrever palavras à toa, porque nada disto faz sentido, não é? Entendo! Vou fazer só aqui um mini-mini-mini resumo da série, porque se contar mais, faço spoiler e eu não sou dessas. A história acontece numa pequena vila na Alemanha onde todos se conhecem. É quando Mikkel, uma criança, desaparece no meio da floresta, junto a uma gruta muito misteriosa, que tudo começa a adensar-se. Para onde foi Mikkel? Será que o desaparecimento dele está ligado ao desaparecimento do seu tio que aconteceu muitos anos antes? E o que é que esconde essa gruta? Bom, não vos posso responder a estas perguntas, mas aconselho a que vejam a série. É também uma ótima maneira de testarem a vossa capacidade com aqueles exercícios de parentesco tipo "Se a filha de Maria é mãe do meu filho, qual é o meu grau de parentesco com Maria?". Entendem a confusão. Pronto, são 3 temporadas disto. Enjoy.

Vamos então esclarecer: Dark é uma série do caraças! SUPER bem feita, imagens lindas, bons atores e uma história muito coerente e bem defendida. Mas o tema não é a minha cena, portanto, não é das minhas séries favoritas. Se viagens no tempo, Stranger Things e essas coisas são a vossa cena, então vejam que isto é mesmo muito bom.

Dark tem 3 temporadas e é falada em alemão.


A Coisa Mais Linda
Brasil

E agora para algo totalmente diferente... Se ainda não conhecem a Maria Luíza, ou Malú para os amigos, não sei de que estão à espera. Ao contrário de Dark que não era a minha cena, A Coisa Mais Linda tocou-me ali naquele pontinho do meu coração que o faz fraquejar sempre: a Bossa Nova. Uma série inteira dedicada à emancipação da mulher, à coragem e resiliência e a Bossa Nova sempre presente como personagem e como banda sonora. 

Enganam-se se acham que A Coisa Mais Linda é soft e branda e ligeirinha para se ir vendo... Não é malta. Fala de assuntos bem sérios como a discriminação de género, a violência doméstica e o fosso entre classes que existe no Brasil e em todo o mundo com mais ou menos destaque. A Coisa Mais Linda é desafio. Desafio ao conservadorismo, ao patriarcado, ao formalismo e à exigência da sociedade para com a mulher, de ser sempre perfeita, de se comportar, de seguir as regras e as ordens dos homens na sua vida, primeiro os pais, depois os maridos. Tudo isto é aligeirado por uma banda sonora linda, por paisagens brasileiras que me fazem até ponderar visitar o Brasil um dia (não sei se sabem, mas costumo dizer que o Brasil é o último país que gostava de visitar) e pelo sotaque mais meigo e alegre que há.

A história acontece no Brasil no final dos anos 50. Malú é uma menina linda e rica, que vive uma vida de luxo em São Paulo, protegida do "mundo real". Tudo perfeito, até que o seu marido decide abandoná-la para ir viver com outra mulher. Com o desgosto, e contra tudo e todos, Malú pega numa mala cheia de coragem e decide ir para o Rio de Janeiro. Depois de um encontro bem caricato com Chico, um cantor lindo e boémio, Malú decide abrir um bar de Bossa Nova. O que ela não pensava é que ia ser tão difícil alcançar esse sonho. Mas quantas mais dificuldades se atravessam no seu caminho, mais pessoas maravilhosas vai conhecendo e mais força ganha para seguir em frente. Malú começa a tornar-se a mulher que sempre foi, mas que nunca a permitiram ser. Nesse caminho transformador, acaba também por encorajar outras mulheres que se tornam suas amigas e este desenvolvimento pessoal e a busca do "eu" para além do que "esperam de mim" é inspirador.

Como estes temas são tão importantes para mim, gostei tanto da série que consumi de forma ávida as suas 2 temporadas. Talvez por isso nem consigo ser racional e objetiva com a minha descrição. Gostei tanto e acho uma série tão bonita, honesta e despretensiosa que merece ser vista por todos. É impossível acabarem A Coisa Mais Linda e sentirem-se igual ao que eram antes de a começarem a ver. Acho que é uma ótima sugestão para acabarem o vosso 2020 de uma forma mais leve e esperançosa! Vão por mim ;)

Ah! E para concluir, não se esqueçam de ouvir a banda sonora... De nada!

A série tem 2 temporadas e, felizmente, ainda não acabou. É falada em português do Brasil.


Sticky&Raw


terça-feira, 10 de novembro de 2020

3 Séries para ver no Confinamento

Vamos lá pensar positivo. Ficar em casa nos próximos 2 fins de semana pode ser bem útil para nós. Podemos descansar, aproveitar para dar início às decorações de Natal, organizar algumas coisas e até para pôr em dia algumas séries.

Sugiro-vos 3 que vos vão agarrar ao ecrã e nem vão dar conta do confinamento. Juro! E olhem que há sugestões para todos os estilos! Vejam lá as minhas sugestões:

Gambito de Dama
1 Temporada 7 Episódios

Elisabeth Harmon, mais conhecida por Beth, fica órfã e é encaminhada para uma instituição. É lá que lhe é apresentado o xadrez e rapidamente fica obcecada com o jogo. Depois de ser adotada por uma família disfuncional, Beth foca-se mais nesse talento e começa a entrar em torneios... E a sair sempre vencedora. Mas a vida não é fácil, a personalidade vincada não ajuda e os traumas de infância vêm ao de cima ao mesmo tempo que conhece o sucesso.

Se acham que o xadrez é uma coisa aborrecida, então convido-vos mesmo a ver esta mini série, baseada na obra de Walter Tevis, com o mesmo nome e a tentar resistir à vontade de, no fim dos episódios, ir aprender a jogar. Para além de ter uma história muito coerente, os momentos de tensão e de darkness das personagens são equilibrados com a emoção e as atitudes sassy de Beth que nos divertem. Os cenários e guarda roupa são maravilhosos, os diálogos muito dignos e cada personagem me parece mais interessante que a anterior, porque não desvendam demasiado, deixam muito entrelinhas, mas conseguimos compreender perfeitamente o que estão a pensar e a sentir. Belas interpretações!

Conseguem ver a temporada toda num dia. Fácil, fácil.


O Alienista
2 Temporadas 18 Episódios

Confesso que comecei a ver esta série por causa dos 3 protagonistas: Daniel Bruhl, Luke Evans e Dakota Fanning. Um elenco bem porreiro daria, por certo, uma série jeitosa. Não contava era gostar tanto. Dentro da área de entretenimento, tem muita qualidade: uma história que agarra, bons atores, suspense, algumas cenas macabras... Um thriller/mistério bem à moda de Sherlock Holmes (não o Sherlock do Cumberbatch, mas dos outros).

A série não tem absolutamente nada que ver com aliens, apesar de o título "induzir em erro". Este era o nome dado aos psicólogos/psiquiatras/pessoas que estudam a mente, antes de existir a palavra correta. Estamos a falar do século XIX em que se chamavam "alienistas" a quem estudava e tratava pessoas com "comportamentos alienados", como a depressão, a sociopatia, psicopatia, compulsão e outros transtornos mentais. Um grupo de indivíduos com características e conhecimentos muito distintos juntam-se para encontrar um serial killer e toda a ação se desenrola nesta investigação e perseguição.

É uma série bem porreira para devorar de uma só vez, com uma mantinha no sofá. Isto, se não forem muito impressionáveis, claro.



Emily in Paris
1 Temporada 10 Episódios

Já todos conhecem a famosa Emily Cooper, a marketeer americana que se muda para Paris por causa de uma proposta de trabalho irrecusável, numa agência publicitária. Resumindo muito rapidamente, Emily é a nova Carrie Bradshaw, mas mais fraquita. Houve uma grande polémica sobre o facto de não refletir a realidade, porque nenhuma miúda em início de carreira pode viver a vida que ela leva em Paris ou vestir-se de Haute Couture de cima a baixo. Claro que não. Mas esta série não é para ser real. É para entrarmos neste mundo de fantasia maravilhoso em que podemos sonhar e ficar entretidas por umas horas. Só isso. Não pretende ser mais nada. E a série é bem leve e entretem mesmo muito bem.

Vi a temporada toda em 2 dias - o que é muito tempo, tendo em conta que os episódios são bem curtos, mas na altura ainda não havia a necessidade de confinamento. É muito divertida, é inspiradora (tem um guarda roupa interessante, mas também nada que me tivesse feito cair para o lado de amores) e mostra a cidade de Paris, que é um grande plus. Outra parte interessantíssima para mim foram as cenas em que se aborda estratégias de marketing e de influência digital. Como trabalho na área, gostei de ver.

Recomendo Emily in Paris para descontraírem e irem sonhando com uns outfits mais out of the box para quando pudermos todos circular livremente por aí.


Gostaram das sugestões? E vocês, que séries andam a ver para vos livrar do boredom do confinamento?



Sticky&Raw
 

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

A notável Ruth Bader Ginsburg



Gostava de ter publicado este texto mais cedo, mas não consegui. A morte da juíza Ruth Bader Ginsburg deixou uma marca enorme em todas as pessoas que, de alguma forma, conheciam o seu trabalho e a importância que teve para os direitos humanos, especialmente, os direitos das mulheres. Apesar de aparentemente ter pedido, como último desejo, que não se nomeasse uma substituta para o seu lugar antes das eleições, Donald Trump não deixou escapar a oportunidade de colocar mais uma conservadora no Supremo Tribunal. Amy Coney Barrett vai ocupar o lugar de uma personalidade notável e, assim, votar para o lado conservador em temas fraturantes para a sociedade. Ficamos todos a perder em todos os níveis.


Mas vamos focar-nos na vida desta maravilhosa mulher que, de uma forma discreta e profissional, mudou a mentalidade e a legislação de uma das maiores potências mundiais.


“Eu sabia que estava a falar para homens que achavam que não existia discriminação sexual e o meu trabalho foi mostrar-lhes que existe mesmo.”


Ruth perseguiu o sonho de iniciar a carreira de advocacia, mesmo quando as mulheres ainda não tinham espaço sequer para sonhar algo semelhante. Em 1956 ingressou no curso de Direito da Universidade de Harvard. Era 1 das 9 mulheres do curso, entre uma turma de 500 e onde um professor lhes perguntou “Como justificam terem tirado o lugar de homens qualificados?”. Em 1959, depois de concluir os estudos, nenhuma firma de advogados lhe ofereceu trabalho, justificando que “não contratam mulheres”. Sofrendo na pele a discriminação de género, fez desta luta o seu caminho e a sua missão, parando apenas a 18 de setembro de 2020, triste dia da sua morte, aos 87 anos.


A juíza teve uma carreira notável, repleta de sucessos e de desbravamento de caminho, rumo a uma Lei mais justa e equalitária para todas as pessoas. Apesar de tímida, discreta e introvertida, nunca lhe faltou força e voz para defender homens e mulheres, sendo ela própria o exemplo de que é possível contornar o sistema e ensinar-lhe uma lição. 




Iniciou a carreira de ensino em 1963, tornando-se uma das menos de 20 mulheres a lecionar Direito nos EUA. Recebia menos do que os seus colegas homens porque “o seu marido já era bem remunerado”. Em 1970 co-fundou o primeiro jornal de direito dos EUA a focar-se nos direitos das mulheres, o “Women’s Rights Law Reporter”. 2 anos depois, co-fundou o projeto dos Direitos das Mulheres, na União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) que defendeu mais de 300 casos de discriminação em 1974, sendo que Ruth participou e venceu vários.


Em 1993 foi nomeada pelo Senado para a Suprema Corte, a maior conquista da sua carreira, onde permaneceu até à sua morte. Foi a segunda mulher na História a conseguir este feito.



Mantinha uma relação muito próxima com o conservador Antonia Scalia, Juiz da Suprema Corte, mostrando-nos que mesmo não concordando com os ideais do outro (Ruth era liberal, caso ainda não se tenham apercebido), é possível sermos respeitosos e convivermos harmoniosamente. Apesar de discordarem em questões políticas, partilhavam vários interesses e hobbies, o que os aproximou e tornou as negociações, consequentemente, mais fáceis. Mais uma lição de diplomacia e de cidadania.


“Homens e mulheres são pessoas com a mesma dignidade e devem contar com equidade perante a Lei.”


Em 1999 foi diagnosticada com cancro do cólon e em 2009 com cancro do pâncreas. Em todos estes momentos, manteve-se ativa, mesmo durante os tratamentos, e nunca deixou de trabalhar, inclusive, contratou um personal trainer para se obrigar a manter ativa. Em 2018, depois de uma queda onde fraturou 3 costelas, encontraram nódulos malignos nos pulmões.  Ainda no hospital, votou contra as restrições a pedidos de asilo a imigrantes propostas por Trump. Este voto foi decisivo. Em 2019 o cancro do pâncreas regressa e foi o motivo da sua morte a 18 de setembro de 2020, em sua casa. Viveu um casamento feliz, ao lado de um homem que compreendia a sua grandeza e sempre a apoiou, ao longo de 56 anos, até à morte de Martin em 2010. Teve uma filha (Jane) e um filho (James).


Tornou-se um ícone pop e a sua imagem foi espalhada um pouco por todo o mundo, sendo o epicentro da fama, os EUA, onde foi a responsável direta pelo fim da discriminação de género em várias áreas da legislação.




A história desta heroína do século XXI merece ser contada e recontada a todos os que estão cá e todos os outros que hão-de vir e está muito bem retratada na primeira pessoa no inspirador documentário “RBG” (2018), nomeado para a categoria de Melhor Documentário nos Oscars 2019, e que é de visualização obrigatória! Foi também contada no filme “Uma Luta Desigual” (2018), em que Ruth foi interpretada por Felicity Jones.


Para mim será sempre uma das minhas notáveis, como já referi aqui no blog.
Rest in power, Ruth.




terça-feira, 24 de março de 2020

Elementar



Anda uma pessoa aqui sempre presente há anos a sugerir-vos o melhor que há para ver, ler, ir e vestir e vocês são incapazes de retribuir... Acho uma desfeita tremenda. A semana passada fiquei em choque: como é que foi possível ao longo de tanto ano decorrido não haver uma única alma que se levantou, que se tivesse chegado à frente e me tivesse avisado. Ninguém. E isso dói, sabem? Ao longo de todos estes anos, que eu sempre achei que existia aqui uma relação de carinho e amizade, não houve uma pessoa que me oferecesse duas chapadonas bem dadas nas fuças por ainda não ter visto Sherlock. I mean, quem precisa de inimigos, né?


Como assim eu só vi Sherlock a semana passada, hum? 


Como? Tanta série e filme manhoso que já vi sem necessidade e Sherlock nunca me chamou a atenção. Como? E agora que acabou, que faço eu à minha vida? Quem é que poderá substituí-lo? Ajudem-me porque eu não estou a saber lidar.


Eu tenho um problema - talvez #Freudexplica, não sei - que quando gosto mesmo muito de alguma coisa, seja o que for, eu não consigo parar de gostar. E gosto muito intensamente. A minha sorte é que não gosto assim de tanta coisa desta forma, tá? Tenham calma. Com as séries e com os livros acontece-me algumas vezes. Quando gosto mesmo muito, não consigo parar de ver e ler e fico muito apegada às personagens e às histórias. O problema é que quando acaba - e acaba muito rapidamente porque eu não consigo parar - parece que é um amigo que vai para longe e com quem muito provavelmente vou deixar de ter contacto. Aconteceu-me isto recentemente com Peaky Blinders e agora, numa escala mais pequena, com Sherlock.




Não é especialmente o meu tipo de série, mas tenho que dar a mão à palmatória: que série do caraças! Entretem, faz-nos rir, põe-nos a pensar e a tentar descobrir pistas, ensina-nos algumas coisas, faz-nos desejar sermos mais inteligentes e, claro, faz-nos também apaixonar pelo autista/sociopata Sherlock Holmes - ou sou só eu?! De verdade que fiquei completamente fixada na personagem principal por toda a sua complexidade e por não ser propriamente boa pessoa. Eu sou sempre mais apologista dos vilões ou dos anti-heróis do que dos bonzinhos. São sempre tão mais interessantes... E interessante podia ser o nome do meio de Sherlock. E isto é mesmo curioso, termos uma ligação assim com uma personagem, mas não propriamente com o ator. Por exemplo, acho que o Sherlock é um gatsooo, mas o ator não - god no!!! Na mesma medida que casava fácil com o Tommy Shelby e não queria nada com o Cillian Murphy. Isto acontece só comigo? Não sei, mais uma vez, talvez #Freudexplica. Ou talvez isto se explique por eu estar sempre mais interessada no intelecto e na personalidade do que propriamente na parte física (que em ambas as personagens, à exceção do penteado, é exatamente igual entre o ator e a personagem que interpreta).


Para além de Sherlock Holmes, fiquei muito apaixonada pela série por se passar em... LONDRES! 


E adivinhem quem ficou com umas saudades terríveis daquela cidade fantástica? Eu. E não adianta dizerem "Ah mas ainda em fevereiro estiveste lá, é impossível teres saudades!". Chiu, eu é que sei e digo-vos que tenho saudades de Londres todos os dias. E agora tenho mais 2 spots para visitar na minha próxima estadia - que eu queria que fosse em maio, mas não me parece porque #coronavirus, né? Mas a sério, vejam Londres através da série e não se vão desiludir.


Mas vamos ser profissionais e siga fazer uma crítica construtiva à série.
Se não quiserem spoilers, fiquem por aqui. Mas duvido que queiram ficar ;)


Sherlock


A série decorreu entre 2010 e 2017. É ligeiramente diferente das outras séries porque cada episódio tem 1h30 de duração - que eu papei a uma velocidade pouco recomendável, até porque quando dei por mim e já não havia mais Sherlock para ninguém *snif* - e todos foram pensados como se fosse um filme. Parece que os episódios quaaaase que não estão interligados, mas no final percebemos que estão e estão muito bem cosidos uns aos outros. Sherlock tem 4 temporadas e 13 episódios (3 temporadas com 3 episódios e 1 temporada com 4).

A história é baseada nos livros de Arthur Conan Doyle mas reinterpretada. As aventuras de Sherlock Holmes e o seu fiel companheiro Dr. John Watson acontecem em Londres dos tempos modernos, mas não se enganem, todos os episódios têm referências à obra original! É quase como uma caçada às pistas escondidas nos cenários e aos detalhes que as personagens vão dizendo. Tecnicamente, tudo está muito bem construído, bem montado e obriga a que o espectador esteja constantemente atento. Isto porque a dinâmica de acontecimentos é muito rápida, porque o Sherlock fala MUITO rápido e porque tudo parecem peças de puzzle que nos vão dando ao longo da narrativa e que, normalmente, se encaixam no final do episódio. Os atores foram escolhidos a dedo para o papel, especialmente os três principais (Benedict, Martin e Mark). I mean, produção e atores britânicos, né? Nunca falham.



Sherlock Holmes (Benedict Cumberbatch - já consigo dizer o nome dele quase sem me enganar!) é um químico/detetive (consultor) mestre na teoria da dedução, o que faz com que apenas com a observação consiga avaliar uma série de aspetos da vida da pessoa - creepy, mas muito interessante. É claramente um sobredotado com zero aptidões sociais - que vão crescendo muuuuito lentamente quando encontra em John o seu primeiro amigo -, mas sem grande cultura geral. E isto é tão incrível: Sherlock descobre todos os mistérios e sabe sempre como se desenvencilhar de todos os problemas e parece sempre a pessoa mais inteligente e superior da sala, mas não sabe quem é Madonna ou Margaret Thatcher e não conhece o Sistema Solar. Segundo ele, não ocupa o seu cérebro com informações insignificantes e que nada contribuem para a sua vida, o que vai de encontro à minha "teoria" de que ser inteligente não é a mesma coisa que ser culto ou interessante. É egoísta, egocêntrico, arrogante, inconveniente e cheio de traumas de infância. Tem qualquer coisa de autista e é absolutamente imprevisível, o que nos garante algumas gargalhadas bem altas, como nesta cena em que se recusa a vestir-se, mesmo estando em Buckingham Palace. É também um viciado em substâncias ilícitas, como seria de esperar. Está sempre bem vestido e quase que conseguimos cheirar o perfume incrível que tem (imagino eu).




John Watson (Martin Freeman) é um soldado e médico que regressa a Londres ferido em combate numa missão no Afeganistão e encontra-se à procura de alojamento. Um amigo informa-o que conhece uma pessoa que procura um companheiro para dividir casa e apresenta-os. É assim que Sherlock e John se conhecem e começam a partilhar o 221B Baker Street, um apartamento simpático  alugado à querida e muito peculiar Mrs. Hudson. John é claramente um homem atormentado pela guerra - o suposto ferimento numa perna que o leva a usar uma muleta é imediatamente identificado por Sherlock como psicossomático. É uma pessoa decente, de grandes valores morais, amigo leal e desenvolve uma amizade com Sherlock da forma como nunca ninguém o conseguiu fazer. É o seu grande companheiro de aventuras que são descritas e publicadas no seu famoso blog. Ao longo do desenvolvimento do rumo da sua vida, Sherlock encontra-se sempre presente, em melhores ou piores fases. John descobre o amor ao lado de Mary, que não é bem o que aparenta ser. Uma curiosidade interessante: os atores eram, efetivamente, um casal na vida real e têm 2 filhos em comum. Divorciaram-se em 2016.




Mycroft Holmes (Mark Gatiss) começa por nos ser apresentado como o arqui-inimigo de Sherlock que tenta corromper John a fornecer-lhe informações sobre o seu recente colega de casa em troca de dinheiro (claro que a proposta foi rapidamente recusada). Mais tarde, John conta a Sherlock o encontro que teve com Mycroft este diz-lhe que é a pessoa mais perigosa e poderosa de Inglaterra. Mycroft é, afinal, o irmão mais velho de Sherlock, com quem não tem uma relação fácil. Mas não se enganem... É mesmo a pessoa mais perigosa e poderosa de Inglaterra e apesar de raramente o admitir, tem um sentimento de proteção enorme para com o irmão. É igualmente brilhante - há várias referências que indicam que é "o irmão inteligente" - e trabalha para o Governo britânico, o que se torna muito útil quando tem que safar o irmão de situações, digamos, complexas. É anti-social, muito solitário e vê no irmão o seu único "amigo" ou a única pessoa que o compreende, mesmo sem nunca o admitir.




Há outras personagens muito interessantes na série, como a Mrs. Hudson - que merecia uma série só dela -, a Mary Watson ou a Molly Hooper - que não aparece na história original e estava previsto que só entrasse numa cena, mas a atriz fez um trabalho tão notável que ficou até ao fim da série. Quanto aos vilões, claro que Jim Moriarty é o mais temível por ser tão brilhante como Sherlock, mas com a psicopatia elevada ao cubo.




Depois há aquela história toda Sherlock-Irene Adler que é maravilhosa. Ela, uma mulher lindíssima e inteligente na mesma proporção, que ganha a vida a ser dominatrix de gente importante, acaba por se interessar por Sherlock, mesmo numa situação pouco propícia a isso. Por sua vez, Sherlock tem zero jeito para relações sociais, muito menos amorosas - como comprova a personagem de Molly, a eterna apaixonada - e depara-se com sentimentos e emoções que nunca tinha experienciado  A cena em que ele decifra o código do cofre e ainda o código para ter acesso ao seu telemóvel é só incrível e que eu só entendi mais à frente - que é como quem diz, quando fui ler sobre a série, claro. O código de 4 números é 7437, que nos teclados dos telemóveis antigos formam a palavra SHER (de SHERlock), mas o segundo sentido é sherLOCK. Lock de fechado/selado, entendem? Não é brilhante? E todo o "romance" à volta destes dois é tão out do que estamos habituados a ver por aí que acaba por ser entusiasmante - e por nunca existir um desfecho concreto, claro.




Um fun fact da série, para além de John e Mary serem mesmo um casal, é que os atores que fazem de pais de Sherlock e Mycroft (na imagem em cima) são os pais na vida real de Benedict Cumberbatch. Outro aspeto interessante (para mim) é que entre 2012 e 2014, os dois atores principais da série estiveram a gravar a trilogia Hobbit. Martin Freeman era Bilbo, o hobbit, a personagem principal, e Benedict deu voz e corpo a Smaug (o dragão) e ao Necromancer.

Acreditam agora quando eu digo que investigo tudo ao pormenor? E sabem o que faço quando acabo de ver uma série que adoro por amor? Volto a ver o primeiro episódio para me recordar como tudo começou e os detalhes que fui perdendo. O primeiro episódio foi revisto. Um dia revejo o resto.




Agora preciso de outra série verdadeiramente viciante. Any ideias? Não vale coisas do sobrenatural ou viagens no tempo tipo Dark e Stranger Things. Já tentei e não-obrigada. Comecei a ver Sons of Anarchy, mas parece-me um investimento demasiado longo e não me cativou, nem ao quarto episódio, logo, vou abandonar. Gosto de vários estilos, desde que tenha uma boa história, uma boa produção e boas personagens. Difícil? É o mínimo que podem fazer por mim, já que andam há 10 anos a esconder-me esta série.

Help!





sábado, 7 de março de 2020

Super Women

É impossível não vir aqui para falar do Dia da Mulher. É das datas que mais prezo e mais me alegra celebrar. Mas celebrar convenientemente, com factos, alteração de comportamentos e perspetivas, com reflexões e inspirações e não com flores e vouchers para 1 hora no spa. Queremos igualdade, queremos ser ouvidas e ter acesso às mesmas oportunidades e não ser superiores e ultrapassar os homens. Não tenham medo, não é isso que se pretende ;)


Decidi assinalar e celebrar o Dia da Mulher aqui no blog de uma forma que me diz muito: através do cinema. 


Juntei então 10 filmes com histórias de mulheres poderosas! A maioria deles é inspirado em pessoas reais, o que torna tudo muito mais inspirador. Amanhã é um bom dia para ver ou rever alguns da lista...



MULHER MARAVILHA

A Mulher Maravilha é Diana (Gal Gadot), uma guerreira amazona com um coração puro, que se junta aos humanos para os ajudar a travar uma grande guerra. No meio de esquemas e manipulações às quais Diana não estava preparada para enfrentar, descobre a sua verdadeira missão no mundo e o seu poder é, finalmente, revelado. Wonder Woman é muito mais do que um filme de super-heróis. É uma história de humanidade, de generosidade de determinação e da luta pelo que é correto que não deixa ninguém indiferente.



OCEAN'S 8

Num registo mais cómico e soft, Ocean's Eight conta-nos a história de 8 mulheres que se unem com o único propósito de serem bem sucedidas no assalto do século durante a MET Gala. O elenco é de luxo e maioritariamente feminino: Cate Blanchett, Sandra Bullock, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Sarah Paulson, Rihanna, Mindy Kaling, Awkwafina, etc. Contem com algumas gargalhadas, com cenas intensas, com esquemas bem montados e com um grupo de ladras que compreende que quando se unem, só dá bom resultado (ou mau, depende do ponto de vista!).



MAD MAX
A ESTRADA DA FÚRIA

Para quem gosta de filmes mais futuristas, Mad Max é um filme de excelência por si só, mas temos mesmo que destacar o papel de Charlize Theron, ou Furiosa. Esta rebela-se contra o "regime" e lidera um grupo de mulheres em busca de melhores condições de vida, longe daquele inferno desértico e árido e de ideologias patriarcais.



KILL BILL
VOL. 1 E VOL. 2

Beatrix Kiddo (Uma Thurman) é uma assassina contratada e apaixonou-se pelo homem errado, que também era o seu "patrão": Bill. Depois de ter sido traída pelos seus colegas a mando dele, Beatrix inicia uma busca frenética por vingança, custe o que custar. Um dos filmes mais intensos e icónicos de Tarantino.



00:30 HORA NEGRA

Iniciamos agora as histórias reais. Maya (Jessica Chastain) é uma agente da CIA que tem como uma das primeiras missões da sua carreira a captura do homem mais procurado do mundo: Osama Bin Laden. A busca trona-se obsessão, até que a sua paciência é recompensada e são reveladas evidências do paradeiro dele, mas Maya é a única que acredita a 100% nisso. Estará errada? Um filme realizado por Kathryn Bigelow, a primeira mulher a vencer um Oscar na categoria de Melhor Realizador com o filme "Estado de Guerra" em 2010. Portanto, é um filme duplamente feminista!



AS SUFRAGISTAS

A história inspiradora de mulheres trabalhadoras e nada privilegiadas de uma sociedade britânica cada vez mais radical, que se rebela e luta pelo direito ao voto da mulher. É o melhor filme para se ver no Dia da Mulher e reviver tudo aquilo pelo que temos vindo a reivindicar e que, por vezes, tomamos como certo. Além disso, o filme tem como estrelas Meryl Street, Helena Bonham Carter e Carey Mulligan.



BATALHA DOS SEXOS

A mítica Batalha dos Sexos ocorreu numa das partidas de ténis mais vistas de sempre (90 milhões de espectadores em todo o mundo), em 1973, entre a então atual campeã mundial feminina, Billie Jean King (Emma Stone) e o ex-campeão mundial Bobby Riggs (Steve Carell). Esta "batalha" esbordou as linhas do campo de ténis, pois foi um confronto de ideologias e uma luta intensa contra o machismo e um grito de revolta contra o patriarcado que assombrava os eventos desportivos e de alta competição. Ao mesmo tempo, serviu como ponto de partida para auto-descobertas e abertura de novas portas e de novas oportunidades. Inspirador!



ELEMENTOS SECRETOS

Este filme quase que dispensa apresentações, mas vou resumir em poucas linhas tudo aquilo que estas figuras representam. Uma equipa de mulheres afro-americanas é contratada pela NASA para integrar no U.S. Space Program. As descobertas feitas por estas mentes brilhantes, em tempos de segregação e discriminação de género, foram tão extraordinárias que conseguiram levar os EUA mais longe (ir ao espaço e acabar com algumas barreiras raciais). Estas mulheres são Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson) - que faleceu o mês passado, com 101 anos! -, Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe).



LIVRE

Cheryl (Reese Witherspoon) embarca numa busca pelo seu "eu" numa caminhada solitária de mais de 1000 quilómetros, com nenhuma preparação física, mas determinada em dar um novo rumo à sua vida e lutar contra fantasmas. Esta aventura vai ensiná-la a lidar com os perigos que uma mulher sozinha enfrenta, e com todas as outras dificuldades do percurso, mas no fim, tudo faz sentido.



RBG

Por fim, mas não menos importante, o documentário que conta a história absolutamente inspiradora de Ruth Baden Ginsburg, Juíza da Suprema Corte dos EUA, que lutou contra o preconceito e discriminação e se tornou um ícone. O documentário esteve nomeado para os Oscars de 2019 e eu nunca mais me vou esquecer desta história e desta mulher brilhante e absolutamente poderosa, que lutou contra todas as mentes tacanhas e pequenas e se sagrou campeã mundial de inteligência, discrição, sensatez e elegância. Depois podem ver a versão filme com "Uma Luta Desigual", mas não é a mesma coisa. Vejam esta história e deliciem-se!


Por fim, uma nota especial para esta série que eu nunca me vou cansar de sugerir:


HANDMAID'S TALE

Fundamental, obrigatória! Todas as pessoas, especialmente as mulheres, deviam ver esta série para perceberem onde é que podem chegar determinadas ideias, determinadas atitudes, ameaças, ideologias... E quão simples é irmos caindo nestas novas "normas". Let's rise!
Vejam!


Feliz Dia da Mulher,
suas Extraordinárias!