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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Menorca

Cala Turqueta

Este post já está atrasado alguns meses, mas não esperem mais. Ele chegou. Na semana em que terminou abril e começou maio estive de férias em Menorca. Este destino não era o plano A, nem o B e penso que também não seria sequer o F... Porém, surpreendeu-me tanto que já só penso em voltar um dia.


Menorca é o paraíso para quem aprecia a easy-life, sem luxos, sem pressas, sem complicações. É um destino perfeito para usufruir de praias lindíssimas, algumas selvagens, de descanso total e de pores do sol mágicos. Aviso a tripulação que quem quer noitadas, bares e restaurantes fancy e super-instagramáveis, Menorca não é o vosso spot. Lá vive-se de forma simples, sem coisas a mais e tudo é mais natureza e paz do que cidade ou confusão. Mas vamos ao que interessa:


 Onde fiquei alojada?


Ficamos muito bem alojadas num aparthotel em Cala Blanca, perto de Ciutadella. Era um sítio simples e tranquilo, com uma vista privilegiada para a piscina e para aquele mar azul. Tínhamos um mini mercado ao lado onde comprávamos pão fresco todas as manhãs e um irish pub em frente ao mar que oferecia um por do sol bem bonito. Tínhamos também uma espécie de fórum comercial, com pequenas lojas tradicionais e uma pizzaria take-away com pizzas deliciosas (que nos desenrascaram numa noite em que chegamos da praia às 21h e com zero vontade de cozinhar) e um chef super atencioso que nos fez um desconto sem motivo nenhum! Acho que não podíamos ter escolhido melhor. Não esperem muita oferta luxuosa. Podem encontrar alguns hotéis nas cidades ou perto da praia Cala Galdana (a maior e mais povoada e também concessionada). Mas o meu conselho é alugarem uma casa/apartamento/aparhotel que vos permita confecionar refeições (especialmente para levarem para a praia) e aproveitem a vida simples.


O que comi?

Es Cranc, Fornells 

Menorca pertence a Espanha, portanto as tapas são incontornáveis. Na mesma media, o marisco é uma preciosidade da ilha, especialmente em Fornells, uma vila de pescadores onde pudemos experimentar a caldereta de marisco, que foi só das refeições mais felizes de sempre. Não pudemos comer a de lagosta, que era a nossa intenção e que tem muito boa fama na ilha, mas valeu na mesma. Quanto a supermercados, é super fácil desenrascar qualquer coisa num mini mercado local, mas se se quiserem deslocar mais um pouco, podem sempre encontrar vários Lidls ou Mercadonas. A nossa rotina no que diz respeito à alimentação foi seguir a regra do leve e prático. Fomos às compras no primeiro dia e trouxemos praticamente tudo para a semana inteira (muito à base de frutas, legumes, leguminosas e iogurtes). Compramos tupperwares para guardarmos a comida e levarmos para a praia. Ainda hoje me dão imenso jeito! Tomávamos sempre o pequeno almoço em casa, preparávamos o almoço e snacks leves (umas sandes, saladas frias com feijão ou grão de bico, massa fria, palitos de cenoura, fruta, galetes de milho, etc.) que metíamos à mochila e seguíamos em busca das praias mais lindas. No fim do dia, jantávamos em casa ou em restaurantes.


As praias

Cala Morell

As praias são absolutamente idílicas (a maioria) e muito melhores do que vemos nas fotografias. Porém, não vão ao engano: algumas das praias são selvagens e, por isso, não existem casas de banho, espreguiçadeiras, guarda-sóis, nadador salvador, bares, massagens, bolas de berlim ou qualquer outro tipo de infraestrutura ou negócio. Zero! E isso dá-lhes um encanto extra, na minha opinião. Já para não falar que algumas são de difícil acesso, que implica caminhar ao longo de alguns quilómetros em caminhos mais ou menos difíceis.

A praia mais turística é, talvez, a Cala Galdana, que nós não visitamos. As minhas duas favoritas foram a Cala Turqueta (porque aquele azul e aquela paz é de outro mundo) e Binibequer, uma praia pequeníssima mas muito bonita e pitoresca. As praias do norte da ilha são mais ventosas, mas igualmente bonitas.

No norte conhecemos a Cala Morell (que não é nada de especial, mas onde dormi um soninho profundo de tão cansada que estava da viagem!) e a La Vall que parece uma cópia das praias na nossa Costa Vicentina, lindíssima e com metade das ondas. Tentamos muito ir à Cala Pregonda mas não demos com o caminho e isso custou-nos algumas histórias hilariantes para contar!

La Vall e Cala Morell
Cala Macarella (se não me engano) e Cala en Porter

Já no sul da ilha, onde estão as praias mais paradisíacas, conhecemos a Cala Turqueta (gostamos tanto que fomos lá parar duas vezes!), a Es Talaier que apenas se acede a pé, segundo um local nos informou (caminhamos ao longo de 1 hora no meio do nada, com cabras selvagens a correr ao nosso lado, para chegarmos à praia. Estendermos a toalha e começou a chover torrencialmente. Vidas!). Estivemos também bem estateladas na Cala en Porter, muito bonita, acessível de carro e, por isso, com mais gente. O mesmo aconteceu na Cala Macarella, uma das praias mais famosas da ilha que tem bares, WC's e muito mais gente (talvez por isso, não foi das minhas favoritas). Ainda tivemos tempo para descontrair sem mais ninguém na Cala Mitjana e, por fim, quando estávamos em modo-passeio, conhecemos, sem contar, a praia de Binibequer (que tem um pequeno bar, apesar de estar fechado quando lá fomos e é de fácil acesso) e a Platja de Punta Prima (mais turística e caricata por causa do farol como imagem de fundo).

Ficaram tantas, mas mesmo tantas praias por ver que eu acho que mesmo que se lá estivesse 15 dias não ia conseguir fazer um check a todas... O que é bom, assim tenho motivos para voltar.

Cala Turqueta e Cala Mitjana
Binibequer


Conselhos: 
1) Selecionem praias que gostavam mesmo de visitar e percorram uma de manhã e uma à tarde. Assim vão conseguir ver o máximo e, ao mesmo tempo, aproveitarem para relaxar em cada uma delas.
2) Sempre que possível e se quiserem, desloquem-se a pé entre as praias. Existem trilhos e a caminhada, apesar de ser dura, especialmente com o calor, é lindíssima, de uma tranquilidade que só a natureza selvagem nos pode oferecer.
3) Levem comida e água suficiente para aguentarem o dia todo porque será difícil encontrar locais de venda;
4) Não levem demasiada tralha. Para além de vos atrapalhar nas caminhadas, não vão precisar de mais do que uma toalha, um livro, comida e um guarda sol (se acharem necessário, mas muitas vezes existem árvores para se abrigarem nas horas de maior calor).
5) Não danifiquem o ecossistema. Caminhem nos trilhos já preparados para a passagem, não apanhem flores nem plantas, não alimentem os animais selvagens, não levem "souvenirs" das praias para além de boas recordações e de fotografias épicas.


Aspeto super positivo: como era época baixa as praias estavam praticamente desertas e chegamos mesmo a ser as únicas pessoas no areal, o que é surreal tendo em conta aquele paraíso. Porém, a temperatura estava amena e nem sempre convidava a grandes aventuras no mar.


Aspeto negativo: apanhamos uma praga de algas em algumas praias. Eu tenho muito nojo de algas (prefiro-as enroladas em arroz com salmão dentro, mas isso sou eu, né?) e havia pelo menos uma praia onde era impossível entrar no mar. As restantes, se me distraísse muito e conseguisse ultrapassar aquela linha à beira da areia, então estava tudo bem.


As cidades e vilas

Binibeca (vila)

Menorca tem duas cidades principais: Maó (ou Mahon), que é a capital, e Ciutadella. Cada uma numa ponta oposta da ilha. Nós ficamos alojadas na segunda, apesar de termos aterrado no aeroporto da primeira. Em menos de 1 hora estávamos a chegar a casa. Yep, a ilha é tão pequenina que dá para percorrê-la toda de uma ponta a outra em pouco mais de 1 hora.

Ciutadella foi a cidade que mais gostei de conhecer, com um centro histórico muito bonito e tudo tão bem estimado que parecia que não vivia lá ninguém, que era apenas para ver. É um ótimo sítio para encontrar lojas de comércio tradicional (menorquinas é o que não falta em Menorca!) e outras mais globais, bem como restaurantes e barzinhos que servem tapas e cervejas. O ambiente é ótimo, com movimento mas sem grandes confusões (porque, relembro, fui na época baixa) e à noite as luzes da cidade dão-lhe um ar tão querido que apetece ficar por ali.

Maó é semelhante, mas com mais movimento, com muito mais comércio, especialmente de grandes empresas e lojas que todos conhecemos. A marina é bem bonita. Passamos uma tarde a passear pela cidade, num dia cinzento demais para arriscar ir para a praia. Não tenho fotos de nenhuma destas  duas cidades.


Binibeca (vila)

Fomos à vila de Fornells para jantar, em busca da caldereta de lagosta e encontramos uma vila de pescadores extremamente bem cuidada, mas não se via uma alminha a passar e quando encontramos o restaurante apercebemo-nos que para além de nós, só estava um casal estrangeiro numa sala enorme. Foi caricato, mas soube bem aquela exclusividade e calma, longe das confusões que eu acredito que existam nos meses altos. Quanto à cidade em si, não posso dizer muito porque estava tudo fechado e meio escuro, mas gostaria de voltar.

Por fim, e como estamos a falar de vilas, fomos conhecer Binibeca. O nosso voo partia às 17h e decidimos passar a manhã a conhecer a vila, almoçar num restaurante típico (tapas, claro!) e depois seguir para o aeroporto a partir daí. Binibeca é obrigatório para quem quer ter um cheirinho das ilhas gregas. É uma vila pequenina mas muito pitoresca e toda caiada. Pode ser um bom sítio para encontrar alojamento.

Para além da única estrada que liga todas estas cidades/vilas e ainda mais algumas, o resto dos caminhos são quase sempre feitos em terra batida, especialmente os que vão dar às praias. E são  tão estreitas que parece que só têm um sentido (mas têm sempre dois!). São caminhos maravilhosos, mesmo como se vê nos filmes. Andamos quilómetros sem ver uma alma a passar...


As Noites


Se vão em busca de noches locas então aviso-vos que Menorca não é o vosso destino. O único bar que eu tive conhecimento foi o épico Cova d'en Xoroi (mas confesso que também não pesquisei muito mais). Este bar fica numa gruta numa encosta de uma falésia e contado ninguém acredita. Foi um pôr do sol lindíssimo, com uma Pomada na mão, a bebida típica da ilha (gin Xoriguer, feito na ilha, limão e gelo) e uma vista incrível. É caro entrar nesse bar, mas vale a pena!


Sobre Menorca


Não consigo descrever Menorca em palavras e muito menos em fotografias (o meu telemóvel tem uma câmara péssima), por isso aconselho-vos a irem lá visitar e a verem com os vossos próprios olhos as praias paradisíacas que temos a pouco mais de 2 horas de distância de avião.

É praticamente obrigatório alugarem um carro porque os transportes são praticamente inexistentes e se quiserem visitar as praias, só de carro. O aluguer é barato (se não entrarem em grandes excentricidades, claro), mas a caução e o seguro (facultativo) são elevados. Nós alugamos online e a empresa fez o transporte dos seus clientes do aeroporto até ao stand (10 minutos). Aí informaram-nos que íamos ficar com um Fiat 500, que não era o que tínhamos alugado, mas aceitamos. O carro era o ideal para Menorca: pequeno e económico.




Quanto ao tempo, como ainda fomos em abril não estavam temperaturas abrasadoras. No último dia choveu sempre, mas ainda conseguimos aproveitar as praias nos restantes. Numa próxima talvez escolha os fins de junho/inícios de julho ou setembro. Parece-me impossível aproveitar Menorca nos meses mais altos porque as praias são demasiado pequenas e os estacionamentos muito limitados para tantos turistas. A experiência ia sair defraudada certamente.

A ilha é muito segura (até vimos vários polícias a patrulhar), tranquila e pacata. Quanto aos preços, parecem-me muito razoáveis para a qualidade que oferecem (e refiro-me, claro, à natureza). É um ótimo destino idílico mas acessível.




Mais dois conselhos que deixo, para terminar, é que não se limitem a ficar numa praia apenas. Explorem a ilha, conheçam tudo o que vos for possível e - segundo os locais - quanto mais difícil é chegar a uma praia, mais vale a pena. Por fim, andem sempre com um mapa da ilha à mão para identificarem as praias e fazerem o roteiro do dia.





quinta-feira, 18 de abril de 2019

Barcelona: A Mochila

Fazer a mochila para Barcelona não foi um desafio, ao contrário do calvário do costume. Como era apenas um fim de semana, só tive duas preocupações: 1) levar conjuntos confortáveis e 2) levar conjuntos adequados para ir trabalhar. Porquê? Porque na sexta-feira fui trabalhar de manhã e depois do almoço segui para o aeroporto sem passar por casa. Na segunda-feira aconteceu-me a mesma coisa, mas ao contrário: fui direta do aeroporto para o trabalho. Como no meu emprego não existem regras rigorosas com a indumentária, não houve problema nenhum em usar sapatilhas ou peças mais descontraídas.


Mas porque normalmente fazer a mala para mim é um suplício, decidi escrever este post, tal como já aconteceu quando fui a Londres, porque achei que poderia ajudar a quem está prestes a ir de férias e só de pensar nesta tarefa, já está a desmotivar - conheço o sentimento!


Caaaalma peeps!


À exceção dos jeans e da carteira, nenhuma das peças que vos apresento aqui em baixo são exatamente as que usei. São o mais semelhantes que encontrei de momento nas lojas e vocês já conseguem ter uma ideia.


Optei por levar um sobretudo quentinho e não me arrependi nada. Apesar de ser meados de março a temperatura estava baixinha e o conforto do casaco ajudou, especialmente porque andei mais tempo na rua do que no interior. Depois, optei por peças simples, que se conjugavam entre si e que fossem práticas e confortáveis.



Na sexta-feira, preferi um coordenado mais confortável por causa da viagem e por ter que alombar com o peso todo da mochila às costas. Esta foi a minha escolha:


No sábado voltei a privilegiar o conforto, já que ia ser o dia em que sabia que iríamos caminhar longos quilómetros - e foi mesmo! Em alguns momentos carreguei o casaco na mão, porque o sol abria e era quentinho, mas no geral não me arrependi nada de o ter levado. Aliás, até acrescentei uns collants opacos pretos. Usei sempre a carteira à cintura para prevenir roubos.

No domingo, as visitas principais estavam feitas e, por isso, foi quase só passeio e alapar nos diferentes bares e restaurantes a depenicar todas as tapas possíveis e imagináveis. Escolhi este conjunto:

Na segunda, dia de regresso, escolhi voltar a usar o vestido de sábado com um casaco de malha por cima, assim com uns desenhos do estilo destes na imagem, porque ia trabalhar à tarde. Aqui já coloquei a alça maior na carteira e usei-a à tiracolo.


Posso dizer-vos que a mochila foi bem levezinha e que me senti confortável com as minhas escolhas. 

Conselhos que vos deixo: 
1) Usem uma carteira pequena, apenas com o essencial e, se possível, à cintura, sempre no vosso ângulo de visão. Esta é uma excelente opção porque para além de dar para colocar à cintura e à tiracolo (tem duas alças), também tem um fecho interior e ainda fecha com a pala e com uma mola. Os carteiristas têm poucas hipóteses. 
2) Levem calçado confortável porque vão andar MUITO a pé. 
3) Levem calças largas porque vão comer MUITO e bem.
4) Não tenham medo de levar um casaco ou uma camisola a mais, só por vias das dúvidas. Normalmente, nunca se arrependem, especialmente para usarem à noite.


Não é preciso inventar mais numa viagem tão curta como esta foi, certo?
Qual é a vossa próxima viagem? ;)




quarta-feira, 17 de abril de 2019

Barcelona



Ora então e Barcelona? Não falas sobre Barcelona? Claro que sim! Cá estou eu para vos contar sobre a minha mini-viagem a terras de nuestros hermanos. Provavelmente sou a única pessoa do mundo que nunca tinha ido a Barcelona. Agora podemos dizer com toda a certeza de que 100% da população mundial já lá foi... Estou a brincar peeps, estou a brincar...


Que dizer desta cidade?


É lindíssima, descontraída, tem boa comida e edifícios maravilhosos. Aliás, acho que o ponto forte da cidade é mesmo a sua construção absolutamente deslumbrante, como se as ruas fossem museus e os edifícios as obras de arte. Claro que toda a arquitetura foi altamente influenciada por Gaudi, mas não só. É original, surpreendente e muito rica. Vale a pena só por isso.


Apesar de tudo, é uma cidade que se vê bem num fim de semana prolongado. Cheguei na sexta à noite e fui embora na segunda de manhã, o que significa que tive todo o sábado e todo o domingo para visitar a cidade. Conseguiria ver muito mais se no domingo os edifícios estivessem abertos. Gostaria de ter visitado o Museu de Arte Contemporânea, que ficava nas traseiras do meu hostel, mas já não deu. Basicamente, só os bares e restaurantes estavam a funcionar, portanto, tomamos a decisão de passar todo o dia a comer e a beber... No fundo, a experimentar a cidade de uma perspetiva diferente e bem mais saborosa. Sou muito a favor de encerrarem o comércio ao domingo porque acho que toda a gente tem direito a descanso e a passar o seu tempo com a família. Do ponto de vista turístico, é um bocado chato porque deixei de visitar alguns locais que gostaria de ter conhecido. Mas tudo bem... Barcelona não vai sair do sítio e eu hei-de voltar.




As comparações com outras cidades são inevitáveis. Barcelona é linda, mas ainda assim não bateu o frenesim de Londres, nem o coolness de Berlim e muito menos a simpatia de Atenas. Todos me diziam que ia querer ficar lá a viver. Nunca senti isso. A meio de domingo já estava pronta para regressar - em parte porque já não sabia como ocupar o tempo, já tinha subido e descido as Ramblas umas 10 vezes! É tudo uma questão muito pessoal e subjetiva, até porque tive um amigo que foi no fim de semana seguinte e ficou apaixonadíssimo pela cidade e por ele ficava lá. E ainda me disse que é 1000 vezes melhor que Londres. Portanto, são opiniões e não se deixem influenciar por elas. O melhor é irem lá e conhecerem por vocês mesmas e depois tiram as vossas próprias conclusões. Certo? ;)


E agora, vamos lá ao que interessa!


Onde fiquei alojada?
Toda a gente me avisou que tudo em Barcelona é caríssimo (visitas, alimentação, estadia, transportes...) e, por isso, escolhi um alojamento mais baratinho e simples, mas perto das Ramblas. À primeira vista confesso que me arrependi de o ter feito. O hostel tem o mínimo de condições necessárias - mínimas, mesmo! -, não tinha cozinha e a casa de banho era partilhada, o que me chateia um bocado, mas se quisesse melhor, pagava, portanto, não me posso queixar. Infelizmente, como a viagem foi marcada apenas com um mês de antecedência, o alojamento (dentro do meu orçamento) estava muito limitado e em todas as opções teria que partilhar casa de banho e, em alguns casos, quarto. Optei pelo Central & Basic Universitat. A primeira impressão foi que estávamos situados num bairro problemático e comecei a ver a minha vida a andar para trás. Depois percebi que tudo não passava de preconceito meu, influenciado por uma experiência má que tivemos à chegada. Aquela zona é conhecida pela street art, pelos graffitis e pelo pessoal de patins e skates. É também uma zona onde habitam e trabalham muitos muçulmanos. No fim de contas, fiquei muito agradada com a localização e todos foram muito amáveis, simpáticos e metidos nas suas vidinhas. Uma lição sobre não julgar nada nem ninguém pelas aparências, não é? E eu que me achava zero preconceituosa... Pois pois... Os pontos negativos, para além de não haver propriamente um grande zelo pela higiene, mas nada de problemático, é o fraco isolamento do quarto, que faz com que o barulho da rua - extremamente movimentada e cheia de barzinhos - dificultasse o sono. Mas o cansaço era tanto que só custou a primeira noite.


O que comi?
Meus senhores, comi tudo. Comi tanto, tanto, tanto, que no domingo fui para a cama enjoada de tanto comer. Quis experimentar de tudo um pouco, inclusive coisas que não gosto, como churros com chocolate quente - até fico enjoada só de pensar... Basicamente, em Barcelona come-se tapas e bebe-se álcool. Não importa se é vinho, cerveja ou sangria, o importante é beber. E não há hora para jantar nem para almoçar, vai-se comendo e bebendo ao longo do dia, o que até é giro. Eu gostei muito desse conceito, mas o problema das tapas é que são altamente calóricas (fritos, salgados e presuntos ibéricos com fartura) e acaba por cansar. O que mais gostei de comer foi o arroz com tinta de choco (arroz preto). Gostei tanto que comi duas vezes! Adorei também os croquetes de jamón ibérico.



Tivemos sorte com os sítios que encontramos para comer. Os preços rondam sempre os 20€ por pessoa, sem abusar nas bebidas. Na última noite, fartinhos de fritos e tapas, passamos por uma pizzaria com um aspeto de babar e lá fomos nós para as pizzas e para um tiramissú para encerrar a viagem em beleza.


Para almoços rápidos, aconselho-vos os 100 Montaditos, que nos salvou antes de irmos à Sagrada Família. É bom e barato e também existem vários em Portugal. Para jantares ou almoços mais simples, mas cheios de pinta, têm os Tapa Tapa. Podem encontrar essa cadeia nas Ramblas, no Passeig de Gàrcia... Se quiserem fugir da comida típica e preferirem uma pizza daquelas bouas-bem-bouas, sugiro a La Poma, nas Ramblas. Por fim, o sítio mais lindo de sempre para comer é o El National, mas sobre ele já vos conto mais ali em baixo. O Mercado de la Boqueria é um bom spot para comer frutinha fresca, tapas e mariscos prontos a comer ou só para visitar, mas está fechado ao domingo.




O que visitei?
Visitei tudo aquilo que queria visitar, apesar de não ter visto tudo o que há para ver em Barcelona. Ou seja, se não voltar lá mais, não me deixa pena, porque o que eu queria muito, muito, muito ver, está visto. Vou descrever tudo o que vi por ordem de preferência:


1. Pavilhão de Exposições Mies Van Der Rohe
Eu sei que não é uma atração muito conhecida e passa despercebida a muita gente - o que é incrível porque chegamos a estar sozinhos lá dentro. O Mies van der Rohe é um dos meus arquitetos favoritos de sempre - podem, aliás, ver o mini e super incompleto post que escrevi sobre ele em 2012 - e existe esta casa-exposição pensada e elaborada por ele em Barcelona. É extraordinário pensar que esta casa foi imaginada e construída em 1929. Sim, leram bem. 1929. Façam-me lá o favor e vão pesquisar "Pavilhão de Exposições Mies Van Der Rohe" ao Google. Era o sítio que eu mais queria ir em Barcelona e quando cheguei lá senti aquele arrepio na espinha que já me é característico em sítios como este - sou uma fascinada com estas coisas, que fazer? - e senti-me em casa. Sentei-me nos sofás, olhei à minha volta, respirei fundo, tirei fotografias, toquei nos materiais, vi de diferentes perspetivas, partilhei a história e os conhecimentos que tinha sobre o arquiteto, li as brochuras, visitei a loja, quis comprar tudo, folheei os livros, imaginei algumas daquelas coisas que estavam à venda na minha casa, sentei-me no banco exterior a admirar a paisagem... No fundo fiz de tudo para prolongar ao máximo a minha estadia naquele lugar absolutamente maravilhoso, histórico, icónico e que ainda passa despercebido à maioria das pessoas. Valeu cada cêntimo e eu sei que se vivesse na cidade, aquele havia de ser o meu spot. Para lá chegar basta ir para a Praça de Espanha e virar à direita na Fonte Mágica. 


2. Museu Picasso
Meujamigos, então e eu ia andar por Barcelona e não ia ver o museu do senhor-incrível? Logo eu, apaixonada por arte e espectadora atenta de Genius? O museu é pequeno mas vale muito a pena para quem gosta do pintor. Não vão com a ideia de que vão encontrar a Guernica por lá. Não vão, ok? A Guernica está no Reina Sofia em Madrid. O valor do bilhete é bem acessível - que choque! - e vale a experiência. Lá vão encontrar, para além dos seus quadros, fotografias pessoais, desenhos, rascunhos e outros acervos. O ponto alto da exposição é o quadro Las Meninas (que vêem na imagem da esquerda) e todos os estudos que lhe antecederam. O próprio edifício também vale a pena ser apreciado. No final, não se esqueçam de passar pela loja! Não precisam de comprar nada, mas tem coisas muito giras e engraçadas - umas caríssimas e outras bem acessíveis. O museu fica situado no Bairro Gótico, já próximo do Parc de la Citudella.


3. A Sagrada Família
Vou ser sincera, não ia com grande expectativa. Eu amo catedrais e, por isso mesmo, entro em tantas quanto posso, portanto achava que não me ia deslumbrar mais do que com aquelas que eu já tinha visto. Enganei-me redondamente. Ir a Barcelona e não ir à Sagrada Família não vale. Se querem um conselho, não façam o que eu fiz, que foi comprar o bilhete na hora. Comprem online e evitem filas de 1 hora (para comprar o bilhete e para entrar no edifício) e ainda conseguem descontos. Eu tive que comprar o bilhete com audioguia porque o mais barato (sem audioguia) estava esgotado. Não fiquei muito agradada com o preço - porque até nem ia com expectativas, lembram-se? -, mas lá paguei. Foi o melhor dinheiro que dei em Barcelona e aconselho-vos também a optarem pelo audioguia (pelo menos 1 bilhete e depois vão partilhando pelo grupo). Fiquei assoberbada com a beleza, com o perfecionismo e em particular com o simbolismo - sou muito impressionável com os simbolismos. Não sou crente, mas as lágrimas vieram-me aos olhos muitas vezes ao ouvir a explicação de determinados pormenores que Gaudi fez questão de imprimir naquele edifício descrito como "A Bíblia esculpida em pedra". Tudo é místico, tudo é absolutamente espiritual ali dentro, mesmo com as centenas de pessoas à volta. Senti-me tão em paz ali dentro, tão feliz que demorei-me umas 2 horas. É um local que gostaria de voltar e de levar pessoas a conhecer. Vale cada cêntimo, vale cada minuto de espera e vale aquela revista toda da segurança que mais parece que estamos num aeroporto. Mesmo que não sejam católicos, visitem. É dos sítios mais abertos a todos os crentes, de qualquer religião que eu já conheci. Por favor, se forem a Barcelona, não percam a Sagrada Família.


4. El National
Se só puderem fazer uma única refeição fora em Barcelona, escolham o El National e eu juro que não se vão arrepender. Não só é dos sítios mais giros que eu vi por lá, como também está cheio de coisas boas e apetecíveis, daquelas que são mesmo uma grande desgraça para a dieta. É um conjunto de vários restaurantes num espaço aberto e lindíssimo, que vale a pena conhecer, nem que seja só de passagem ou para beber um copo no bar. Eu escolhi a La Taperia porque oferecia um menu mais vasto e porque o conceito deles é bem engraçado. Escolhemos as tapas que queremos provar mas não fazemos o pedido, esperamos que o empregado "as cante", isto é, que anuncie as tapas que estão a sair quentinhas da cozinha de forma engraçada. Às vezes é a imitar o Freddie Mercury, por exemplo. Se forem as tapas que nós queremos provar, levantamos o braço e eles pousam o prato à nossa frente. As doses são pequenas, mas a ideia é ir provando de tudo. Repeti aqui o arroz com tinta de choco e fiquei arrepiada com os croquetes de jamón ibérico. O El National fica no Passeig de Gàrcia, muito próximo da Casa Batló.


5. Bosc de les Fades
Outro dos bares giros a incluir na vossa lista é o Bosc de les Fades. As fotografias não fazem jus à originalidade do espaço porque é um sítio bastante escuro. No fundo, é como se estivéssemos a beber um copo ou a lanchar no meio de uma floresta, ou para os fãs de O Senhor dos Anéis, no Shire. A determinada altura as luzes apagam e começa a "trovejar", com direito a sons de chuva e efeitos dos relâmpagos. É muito giro e vale a pena ir conhecer. À noite nunca tivemos hipótese de arranjar mesa, mas no domingo à tarde conseguimos. Fica nas Ramblas, perto do Museu de Cera.


6. Bobby's Free
 Outro super spot! Este espaço nunca me apareceu nas sugestões a visitar em Barcelona, mas foi recomendado por uma amiga. E aqui estou eu a fazer serviço público, não é? Quem é amiga? Hum? Fiquei tão curiosa que tive que ir lá checar. E qual é a melhor cena deste bar? É que é secreto... Da rua parece apenas uma barbearia fancy, mas se entrarmos e acertarmos na password abre-se uma porta secreta com acesso para um outro mundo. Um mundo de malabaristas que fazem cocktails que parecem uma obra de arte, com música ao vivo e boa pinta. Claro que não vos mostrei muitas fotografias do espaço, mas se quiserem conhecer melhor, visitem a página do Bobby's Free. O preço dos cocktails começa nos 9,50€ e vai escalando por aí a cima. Não adorei a minha bebida, mas eu sou mais de um copo de vinho do que destas coisas. Fui pela experiência e valeu muito a pena. Se quiserem conhecer a password atualizada (muda todos os meses), sigam a página de Instagram. A minha foi "Gatsby", que coincidência feliz. Have fun!


Para além de todos os sítios que já vos falei, também fui ao Parc Guell, apesar de não ter conseguido entrar porque os bilhetes estavam esgotados para aquela manhã e o tempo começou a apertar. Valeu pelo passeio no parque envolvente que é muito bonito. 


Desci o Passeig de Gàrcia que é maravilhoso, vi a Pedreira - que edifício imponente - e a Casa Batló, que estava tapada com um andaime porque a fachada está a ser restaurada, mas as visitas continuam a acontecer no interior. É aqui que encontram as lojas de luxo (Chanel, Dior, Fendi, you name it!), mas infelizmente estavam todas fechadas porque era domingo. É também nesta enorme avenida que se encontra o El National. Gostei muito mais desta zona da cidade do que das Ramblas.


Passeamos muito no Bairro Gótico, apesar de não ter muitos registos fotográficos dessa zona - ainda não percebi muito bem porquê. É uma zona lindíssima, cheia de cantos surpreendentes e de História. É também uma zona mais escura e com muitos vendedores de "cenas ilícitas", se é que me entendem. Podem encontrar aqui a Catedral de Barcelona, o Museu do Picasso e muitos, muitos, muitos bares fixes.




A Praça de Espanha é monstruosa. Não estava a contar com a grandiosidade de tudo aquilo. Vale a pena ir lá conhecer o espaço e, se tiverem tempo, visitar o Museu Nacional e o Montjuic. Eu apenas consegui ir ao Pavilhão de Exposições do Mies van der Rohe e depois fomos visitar a Arena de Barcelona, que fica logo ali na rotunda. A antiga arena de touros foi renovada, com a intervenção de Mies van der Rohe (entendem agora o interesse?) e adaptada a um centro comercial que tem uma vista incrível de 360º da cidade no seu piso superior. Como era domingo, as lojas estavam todas fechadas, mas o edifício permanecia aberto para que os turistas pudessem apreciar as vistas. É giro de ver.


Chegados ao Arco de Triunfo - outro monumento imponente - fizemos o caminho todo até ao Parc de la Citudela, que é só dos parques incrível, onde só apetecia estender a mantinha e ficar ali a jiboiar a tarde toda. Adorei o ambiente e a vivência daquele local. É um must-go!


Para terminar as sugestões, o Mercado de la Boqueria é giro, vibrante, cheio de cores e cheirinhos bons, cheio de gente e pessoal simpático. Gostei de visitar e acho mesmo que vale a pena passar por lá, mais que não seja para tirar umas fotos, que ficam sempre incríveis! Ponto negativo para a quantidade descomunal de plásticos para embalar os produtos e as palhinhas/talheres de plástico descartável.



Sobre Barcelona
No geral, gostei muito da cidade e do ritmo dela. Achei a comida deliciosa, mas ao fim do segundo dia já só queria legumes e fruta - too much fritos! Senti-me segura em quase todos os locais e havia muita polícia na zona das Ramblas. Os preços de estadia e alimentação são elevados, no entanto, com alguma paciência e procura, conseguem encontrar outras soluções mais acessíveis. Relativamente aos transportes públicos, não posso falar muito porque só andei de metro e o preço é o normal, como noutra grande metrópole qualquer, e não é difícil de compreender as linhas.


Um ponto negativo é o exagero no preço dos bilhetes para algumas atrações como a Casa Milá, Batló ou até a Sagrada Família. Se para além da Catedral também tivesse entrado nas casas, pagaria, por duas pessoas, cerca de 145€. Uma família de classe média não vai conseguir visitar metade das atrações pagas, o que é uma pena - mais um ponto a favor de Londres, onde grande parte dos museus são gratuitos! Outro ponto desfavorável são os carteiristas. Apesar de não me ter acontecido nada nem de ter visto nada, fui muito avisada por toda a gente que já tinha visitado a cidade, em todos os sitesblogs e, inclusive, os locais. Eu ia preparada, com uma carteira à cintura, protegida com um fecho e uma pala com fecho de mola de íman, mas mesmo assim, sempre de olho aberto. Não me aconteceu nenhuma situação desagradável. Outro ponto desfavorável é a falta de limpeza e os cheiros horríveis em vários pontos da cidade, mesmo nos mais turísticos.




Barcelona é uma cidade maravilhosa, que vale a pena ser explorada.
É uma viagem perfeita para um fim de semana prolongado.
E agora, venha a próxima! ;)




quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Viena



No dia do Amor, parece-me apropriado falar-vos sobre a minha viagem a Viena, e assim encerrar os posts sobre viagens - por enquanto ;)
Parece-vos bem?


Viena encantou-me como eu não achei que seria possível, especialmente porque a conheci coberta de neve e isso torna tudo muito mais especial. Foi o desfecho perfeito para a nossa viagem de 8 dias - 3 capitais europeias. Porém, foi também a cidade que conhecemos menos, por três motivos: 1) porque ficamos menos tempo do que nas outras cidades; 2) porque estávamos estafadas e 3) porque estava a nevar e nós decidimos que tínhamos mesmo que aproveitar a neve e deixar para lá as visitas-super-importantes que podemos fazer em qualquer altura. Portanto, não contem com grandes dicas desta cidade - oooh - mas com algumas fotos catitas ;)




Onde fiquei?
Foi o sítio onde tivemos mais dificuldade em arranjar alojamento. Era tudo bastante mais caro do que nas outras cidades e porque já estava tudo bem esgotado. Sobrou-nos o Odeon Hotel, um pouco desviado do centro (íamos de metro, mas era apenas uma estação de distância). O Hotel tinha uma particularidade muito engraçada: o chuveiro e o lavatório estavam dentro do quarto, mas a sanita era partilhada pelo piso. Nunca tinha visto mas adaptámo-nos. O hotel era porreirinho, tinha o necessário e ficava próximo de vários cafés e restaurantes. Acabamos por ficar só 1 noite porque a segunda foi passada no aeroporto (o voo partiu às 6h da manhã e só havia transportes públicos para o aeroporto até às 23h do dia anterior).


O que comi?
Na noite em que chegamos, deixamos as mochilas no quarto e fomos em busca de comida. Queríamos uma simples torrada e um cappuccino para aquecer as mãos - o frio era quase insuportável.  Entramos num bar muito movimento - porque os restaurantes já estavam fechados -, cheio de bom ambiente e cheio de grupos de amigos. Acabamos por comer uma mista e beber uma cerveja.



No dia seguinte, acordamos com uma Viena coberta de neve! Foi uma alegria para nós, como devem imaginar, que estávamos há uma semana a torcer para que isto acontecesse. Tomamos um pequeno almoço muito típico nosso (eles comem muitos bolos logo de manhã e eu não aprecio isso), dois pães com manteiga e dois cappuccinos e deixamos lá uns 18€. Portanto, estão a ver como estava ali a situação...




Depois de termos patinado no gelo e visitado o Mercado de Natal mais incrível e gigante que eu já vi (Rathaus Market), fomos experimentar os longo, que não sabíamos o que era, mas havia filas enormes e toda a gente estava a comer isto. Basicamente é uma fartura espalmada que sabe a queijo e alho (tipo pizza). Nada de incrível, principalmente quando começa a arrefecer.




Ao final da tarde lanchamos num café muito típico e muito Viena. Experimentamos os bolos típicos: eu comi a Sacher Torte, conhecido pelo melhor bolo de chocolate do mundo (eu achei enjoativo, como todos os bolos de chocolate do mundo, mas bom) e a minha amiga experimentou a Apfelstrudel, uma tarte de maçã.


O que visitei?
Como já vos disse, visitei muito pouco e tirei muito poucas fotografias porque era praticamente impossível tirar as luvas sem que começássemos a sentir os dedos a ficarem roxos e dormentes - juro que nunca senti frio como em Viena. Mas ainda fiz umas coisas giras ;)




Começamos o dia com neve na janela e a primeira reação foi ir para o sítio com mais neve possível. Chegamos a Praterstern (mesmo pertinho do nosso hotel) e ficamos ali um momento a divertirmo-nos na neve, a tirar fotografias e a visitar a roda gigante mais antiga da Europa! Depois metemo-nos no metro e seguimos para o centro de Viena.




Visitamos logo a Catedral de St. Stephen que é maravilhosa, mas que eu gostei mais de a ver por fora do que por dentro. O único inconveniente da neve, foi não podermos ver as telhas coloridas do edifício. Depois fomos andando pelas ruas todas daquela zona cheias de lojas de marca e de coisas maravilhosas. Havia muita gente às compras, por causa do Natal, e em cada praça havia mercados de Natal, árvores de Natal, luzes, enfeites, coches puxados por cavalos... Um conto de fadas. Eu aproveitei para comprar um presente de Natal para a minha mãe quando visitei a loja principal da Swarovski (que é original da Áustria), com 3 pisos!


O ponto alto do dia foi quando chegamos à Rathaus (Câmara Municipal) e ao maior e mais bonito mercado de Natal que vimos. Estivemos lá horas a visitar, a comer e, claro, a fazer patinagem no gelo. Foi uma experiência única, maravilhosa, que jamais vou esquecer! Afinal, não é todos os dias que podemos dizer que patinamos no gelo, em Viena, enquanto que nevava... Foi mágico.




Depois também andamos pela cidade e visitamos o Memorial aos Judeus e a Casa da Ópera, claro.


O que perdi?
Perdi o resto da cidade, mas especialmente os palácios de Schonbrunn e Belvedere e todos os museus que gostava de ter visitado, mas infelizmente não conseguimos ver mais. É que tudo isto que vos escrevi em cima aconteceu tudo no mesmo dia e, no final da tarde, regressamos ao hotel para pegar na nossa mochila (que eles guardaram sem nos cobrar nada) e seguimos de metro até ao aeroporto, onde passamos a noite.


Portanto, se forem a Viena, com certeza que vão conseguir ver muito mais coisas do que eu consegui ver. Mas tenho a certeza de que aproveitamos muito bem a cidade e a neve e levamos memórias connosco que nunca iremos esquecer.




Sobre Viena
Viena foi a cidade mais cara de todas (Berlim e Praga), especialmente na alimentação. As refeições baseiam-se muito em fritos, mas com bom aspeto. Em Viena tudo é chique e elegante e clássico. Os cappuccinos são servidos numa bandeja de prata, acompanhado por um copo de água. E isto acontece em qualquer lado, desde o café da esquina ao café mais fancy.


O frio é horrível, cortante, seco e é impossível andar na rua sem cachecol, gorro, luvas e um casaco super quente. Eu usei a minha camisola mais quente com outra quente e de manga comprida por baixo (normalmente só uso t-shirts) e ainda tive que usar uma meia calça por baixo das calças e outras meias grossas. Se forem nesta altura, não se poupem em roupa e calçado quente!


Senti-me sempre bastante segura em todos os cantos da cidade. O maior problema é que as placas ainda estão escritas apenas em alemão/austríaco e isso é cá um imbróglio... Nem vos conto o tempo que tivemos à procura da saída da estação de metro quando chegamos a Viena... E os menus nos restaurantes? Zero inglês. Valeu-nos o Dr. Google Tradutor, claro. Mas não se preocupem, os austríacos são muito simpáticos, falam inglês e ajudam-nos com tudo - acreditem, foi a cidade onde estávamos sempre a pedir indicações porque estava tudo em alemão. Por isso, vão prontos para isso, mas não se preocupem que tudo se resolve ;)


Viena é uma cidade lindíssima, mágica, romântica e elegante.
Vale mesmo a pena a visita!


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quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Praga



Se me perguntarem qual foi a minha cidade favorita das três que visitei na minha última viagem, digo-vos - a custo, confesso - que foi Praga. E isso vê-se pela quantidade surreal de fotografias guardadas. Não é mais bonita, nem mais elegante, nem mais cosmopolita, nem mais limpa ou mais segura do que as outras duas, mas foi a que mais me surpreendeu. Senti que a própria cidade era um monumento só, uma cidade de conto de fadas, cheia de surpresas em cada esquina. Adorei tudo em Praga: a arquitetura, o urbanismo meio esquizofrénico, as pessoas, o ambiente, o Natal, a zona do rio, até a comida, mas principalmente a cerveja - e bebeu-se muita cerveja, senhores!


Mas vamos por partes como da outra vez?


Onde fiquei?


Em Praga as nossas opções foram igualmente limitadas, mas podemos dizer que não nos correu nada mal. Ficamos no Cosmopole Hostel, bem localizado, modesto, mas muito pitoresco, como aliás era toda a cidade. O único defeito: apesar de termos um quarto privativo com duas camas, a casa de banho era partilhada. Isto fez-me alguma confusão no início, mas depois quando lá cheguei percebi que não havia problema nenhum. Os balneários eram mistos mas muito limpinhos e privados. Era como se houvesse várias casas de banho completas dentro de um espaço só. Nós entrávamos, fechávamos a porta à chave e tínhamos um WC completo só para nós. Tudo muito tranquilo e nunca houve qualquer problema. Foi uma ótima experiência! Foi talvez o alojamento mais barato e ainda tínhamos incluido o pequeno-almoço que era bem composto e servido no rooftop que tinha uma vista de outro mundo para a cidade... E ainda nos guardaram a mochila durante uma manhã de borla (no hostel de Berlim, por exemplo, pagava-se à hora). Aconselho, se estiverem a pensar ir a Praga.


Onde comi?


No primeiro dia em Praga, jantamos no U Budovce - não me perguntem como é que isto se pronuncia nem o que quer dizer. Fomos atraídas pelo ambiente e pela música jazz ao vivo. Fica numa rua um pouquinho escondida na Cidade Velha. Queríamos comida típica, quentinha e boa. Comemos Goulash, talvez o ex libris da gastronomia checa, húngara e por aí fora. Já tinha experimentado em Portugal num restaurante checo, mas não comi com dumplings. E eu queria muito experimentar dumplings. Em resumo, o prato é um estufado num molho bem rico em sabores - que é como quem diz: picaaaaante!!! -, acompanhado com os tais dumplings que me sabe e parece, nada mais nada menos que pão de forma sem côdea. Tudo combina e tudo sabe bem! Começamos com uma sopa de tomate quentinha e boa e eu juro que era menina para emborcar uma panela daquilo, meus senhores... E as saudades que eu já tinha deste pitéu que me conquistou o coração na Polónia há muitos e bons anos atrás? Que delícia... Para acompanhar, a bela da cerveja preta, claro, em tamanho XXL, que eu acho que não existe outro por aquelas bandas.


O almoço no dia seguinte foi no restaurante dentro do Castelo de Praga, o Kavárna a Restaurante Na Baste - ahahahahah nem tento! Não liguem muito ao site, está desatualizado. O restaurante fica dentro do Castelo de Praga e para quem quer explorar o local, aconselho. A comida é muito boa e os preços não são exagerados, como seria de esperar naquela zona, além disso o espaço é muito bonito e agradável! Nós queríamos comer algo checo, por isso foi a nossa opção, mas certamente que se quiserem algo mais barato (pizzas ou street food) vão encontrar fora do perímetro. Eu comi pato com dumplings, desta vez em duas variáveis: com e sem ervas aromáticas. Gostei muito, mas achei que a minha experiência de gastronomia checa tinha mesmo que parar por ali - aquilo é comida muito potente!


Nesse dia ao jantar, depois de muuuuuuitos quilómetros percorridos, encontramos um restaurante muito apetecível mesmo no segundo centro de Praga. Escolhemos a Pizzaria Coloseum, porque já não dava para comer mais comida checa. Foi um cabo dos trabalhos dar com a entrada para o restaurante, já que fica dentro de um centro comercial, no 1º piso, com uma vista fixe para a Praça Venceslau - o centro nevrálgico das compras e do consumo em Praga. A minha amiga pediu pizza, que estava bem boa, e eu pedi, claro, risotto com presunto - que estava tão salgado que me ofereceu um herpes no dia seguinte - mas que eu gostei muito. A minha amiga acompanhou com uma cerveja e eu com um copo de vinho tinto - risotto é com vinho, certo? ;) - e terminamos com um tiramissú que estava bem bom. Voltamos para o hostel cansadas mas de barriga aconchegada!


O que visitei?


Mal chegamos a Praga, perto das 18h, fomos logo visitar a Cidade Velha (Staré Mesto) onde fica o famoso Relógio Astronómico. Vimos as figuras a passar, espetáculo que decorre a todas as horas e que junta vários turistas para o curto espetáculo. Passeamos pelas ruas daquele centro histórico lindo, maravilhoso e cheio de decorações natalícias - aliás, estavam a decorar a gigantesca árvore de natal e o mercado de natal! Fizemos um pequeno reconhecimento, jantamos pela zona e retomamos ao nosso hostel que o dia seguinte ia ser duro.


No dia seguinte, decidimos visitar o Castelo de Praga, em Malá Strana, e para isso, atravessamos a Charles Bridge, que é uma das pontes mais famosas da Europa e é lindíssima. Conseguimos conhecer melhor o seu significado no dia seguinte, quando fizemos uma espécie de "visita guiada", mas falamos disso mais à frente.


 O Castelo de Praga não é apenas um Castelo tradicional, nem nada que se pareça. É um enorme grupo de edifícios, entre eles Museus que explicam a história da cidade, jardins, igrejas e, claro, a grande e magnifica Catedral de S. Vito, que é de visita o-bri-ga-tó-ri-a. A entrada no Castelo é gratuita, mas paga-se para entrar em alguns edifícios e monumentos. Os preços não são elevados e um bilhete dá entrada para várias dependências. Nós não tivemos tempo de visitar tudo, por isso escolhemos apenas o bilhete para visitar a Rua do Ouro e a Basílica de St. George. Mas se vocês forem com tempo para visitar tudo, aproveitem bem o vosso bilhete! 


Dentro do próprio recinto havia um Mercado de Natal - pareciam cogumelos! - e aproveitamos para descansar as pernas a beber um chocolate quente. Logo na praça do mercado, visitamos a Basílica de St. George e daí continuamos até à Rua do Ouro. É uma rua onde existem várias casinhas minúsculas e coloridas e é tão pitoresco que parecem de bonecas. Mas a verdade é que naquelas casas habitavam ourives (daí o nome da rua) e outros funcionários do Castelo. Mais tarde, teve um inquilino famoso. Kafka mudou-se para o nº 22. Atualmente servem de lojas de comércio artesanal e museu. Terminamos a visita ao Castelo de Praga nas masmorras, com máquinas de tortura medonhas e alguns esqueletos pelo meio. 


A viagem de regresso é maravilhosa devido à vista panorâmica sobre a cidade. Ah, esqueci-me de dizer: subir até ao Castelo não é para meninos, mas vale bem a pena ;)

Pelo caminho de regresso visitamos a Igreja de St. Nicholas que apesar de se pagar a entrada (2,50€, acho!) vale bem a pena para quem gosta de arte sacra ou simplesmente arquitetura, como eu. O interior da igreja é magnifico, todo em mármore branco e rosa e tem um ambiente tranquilo e longe dos empurrões dos turistas.


Antes de voltarmos a atravessar a ponte para o outro lado da margem do rio Vltava visitamos o Muro em homenagem a John Lennon, sem antes passarmos por um novo Mercado de Natal. Aí foi impossível tirar fotografias de jeito porque o pessoal amontoava-se naquele meio metro de muro e fazia autênticas sessões fotográficas! De regresso ao centro de Praga, já na outra margem, seguimos caminho até à zona judaica, Josefov. Infelizmente, quando lá chegamos já não conseguimos apanhar o cemitério aberto, mas ainda o vimos por uma frinchinha de um portão. Seguimos pela rua Parízska e admiramos toda uma panóplia de montras que vão desde Chanel, a Gucci, Chloé, Cartier... Bom, já perceberam.


A este ponto, já era noite cerrada e nem 17h eram. Faltava-nos ver a Praça Venceslau e lá fomos, sempre a entrar nas lojas para nos aquecermos quando o frio nos incomodava demais - quando começou a ficar vento foi duro. A Praça Venceslau é gigante, tipo a Avenida dos Aliados, mas muito, muito maior - ou pelo menos, foi a minha perceção. Entramos em várias lojas - e aproveitei para comprar a prenda de natal para o meu pai - e depois, já vencidas pelo cansaço e pela fome, decidimos que precisávamos urgentemente de uma cadeira e de comida. E nem 19h eram, vejam bem! Mas os checos jantam bastante cedo, para nosso espanto. O que faz todo o sentido, porque como escurece tão cedo, parece sempre que já é tardíssimo. Depois de comermos e bebermos bem, com uma bela vista, decidimos que ainda era cedo para ir para a cama e voltamos à Praça da Cidade Velha para bebermos uma cerveja e celebrar o Pinheiro à nossa maneira - se não sabem o que é o Pinheiro de Guimarães, têm mesmo que pesquisar. No final, voltamos para o quentinho do nosso hostel para descansar.


No último dia em Praga, acordamos com o objetivo de ir conhecer Praga... pelo rio. E lá fomos nós, à procura de empresas que estivessem a vender ingressos. Por 11 ou 12€ fizemos uma viagem de 50 minutos de barco, com direito a guia local, audio-guia em português (e uns phones!), uma bebida quente e um bolo. É uma experiência que eu aconselho MESMO porque ficamos a conhecer Praga numa perspetiva diferente. E sempre podemos ver os belos patos e cisnes que habitam o rio! No final, regressamos ao hostel para recolher as nossas mochilas e seguimos caminho para a estação de comboios, para daí partir para o nosso último destino: Viena.




O que perdi?
Claro que como só ficamos 1 dia e pouco, houve escolhas que nos vimos obrigadas a fazer. Infelizmente não consegui visitar toooodas as igrejas, toooodos os museus, tooooodos os edifícios super importantes. Mas conseguimos conhecer grande parte da cidade, do ritmo, dos hábitos... No fundo, eu gosto de sossegar o espírito e, por vezes, só sentar-me num café a aproveitar o momento. E não há nada de errado com isso, pois não? Gostava de ter entrado no cemitério judeu e a uma sinagoga. Não visitamos museus nem subimos ao monte de Petrin. Também não passamos junto da Casa Dançante.




Sobre Praga
Praga surpreendeu-me por ser tão pitoresca. É uma cidade cheia de movimento e cheia de vida. O que vale mesmo a pena fazer é passear pelas ruas e "perdermo-nos" no tempo - o que não é difícil. Quanto aos preços, foi a cidade mais acessível de todas, muito semelhante à nossa realidade, até porque a moeda não é o euro, mas sim a Coroa Checa. Não se preocupem, quando lá chegarem, basta ir a uma caixa ATM e levantar dinheiro. Por norma também aceitam multibanco, mas convém sempre andar com dinheiro na carteira - um dos restaurantes que fomos não tinha. Ah, também tenham em atenção que há sítios que "exigem" gorjeta.

Apesar de ser a cidade mais "pobre" a nível de estilo de vida dos habitantes, senti-me sempre bastante segura, mesmo durante a noite. Questionei o rececionista do nosso hostel sobre a segurança da cidade e ele, de forma sensata, disse-me que à partida não há problemas, mas convém termos cuidado. E é isso mesmo que vos digo: relaxem, mas tenham o olho aberto, em Praga e em todo o lado, mesmo 1na vossa cidade.

Existem transportes públicos e são muito usados pelos locais, mas um turista não precisa usar porque consegue percorrer todo o centro da cidade a pé e, convenhamos, é a parte gira da viagem.

Quando falei do estilo de vida mais "pobre", também me referia à grande quantidade de sem-abrigos que vi em Praga. Muitos. Demais. E partia-me o coração vê-los a pedir daquela forma: de joelhos no chão, cabeça baixa e as mãos estendidas. Não falavam, não olhavam para nós, só estavam ali. Foi o único ponto negativo da visita.

Apanhei temperaturas muito baixinhas e a noite é realmente gelada. Por isso, se forem a Praga nos próximos tempos, levem um casaco bem quente, como este que se vê nas fotos e que eu usei TOOOODOS os dias. Além disso, não se poupem nos gorros, luvas e cachecóis. Não se vão arrepender.

Vale tão a pena ir a Praga!