quinta-feira, 18 de abril de 2019

Barcelona: A Mochila

Fazer a mochila para Barcelona não foi um desafio, ao contrário do calvário do costume. Como era apenas um fim de semana, só tive duas preocupações: 1) levar conjuntos confortáveis e 2) levar conjuntos adequados para ir trabalhar. Porquê? Porque na sexta-feira fui trabalhar de manhã e depois do almoço segui para o aeroporto sem passar por casa. Na segunda-feira aconteceu-me a mesma coisa, mas ao contrário: fui direta do aeroporto para o trabalho. Como no meu emprego não existem regras rigorosas com a indumentária, não houve problema nenhum em usar sapatilhas ou peças mais descontraídas.


Mas porque normalmente fazer a mala para mim é um suplício, decidi escrever este post, tal como já aconteceu quando fui a Londres, porque achei que poderia ajudar a quem está prestes a ir de férias e só de pensar nesta tarefa, já está a desmotivar - conheço o sentimento!


Caaaalma peeps!


À exceção dos jeans e da carteira, nenhuma das peças que vos apresento aqui em baixo são exatamente as que usei. São o mais semelhantes que encontrei de momento nas lojas e vocês já conseguem ter uma ideia.


Optei por levar um sobretudo quentinho e não me arrependi nada. Apesar de ser meados de março a temperatura estava baixinha e o conforto do casaco ajudou, especialmente porque andei mais tempo na rua do que no interior. Depois, optei por peças simples, que se conjugavam entre si e que fossem práticas e confortáveis.



Na sexta-feira, preferi um coordenado mais confortável por causa da viagem e por ter que alombar com o peso todo da mochila às costas. Esta foi a minha escolha:


No sábado voltei a privilegiar o conforto, já que ia ser o dia em que sabia que iríamos caminhar longos quilómetros - e foi mesmo! Em alguns momentos carreguei o casaco na mão, porque o sol abria e era quentinho, mas no geral não me arrependi nada de o ter levado. Aliás, até acrescentei uns collants opacos pretos. Usei sempre a carteira à cintura para prevenir roubos.

No domingo, as visitas principais estavam feitas e, por isso, foi quase só passeio e alapar nos diferentes bares e restaurantes a depenicar todas as tapas possíveis e imagináveis. Escolhi este conjunto:

Na segunda, dia de regresso, escolhi voltar a usar o vestido de sábado com um casaco de malha por cima, assim com uns desenhos do estilo destes na imagem, porque ia trabalhar à tarde. Aqui já coloquei a alça maior na carteira e usei-a à tiracolo.


Posso dizer-vos que a mochila foi bem levezinha e que me senti confortável com as minhas escolhas. 

Conselhos que vos deixo: 
1) Usem uma carteira pequena, apenas com o essencial e, se possível, à cintura, sempre no vosso ângulo de visão. Esta é uma excelente opção porque para além de dar para colocar à cintura e à tiracolo (tem duas alças), também tem um fecho interior e ainda fecha com a pala e com uma mola. Os carteiristas têm poucas hipóteses. 
2) Levem calçado confortável porque vão andar MUITO a pé. 
3) Levem calças largas porque vão comer MUITO e bem.
4) Não tenham medo de levar um casaco ou uma camisola a mais, só por vias das dúvidas. Normalmente, nunca se arrependem, especialmente para usarem à noite.


Não é preciso inventar mais numa viagem tão curta como esta foi, certo?
Qual é a vossa próxima viagem? ;)




quarta-feira, 17 de abril de 2019

Barcelona



Ora então e Barcelona? Não falas sobre Barcelona? Claro que sim! Cá estou eu para vos contar sobre a minha mini-viagem a terras de nuestros hermanos. Provavelmente sou a única pessoa do mundo que nunca tinha ido a Barcelona. Agora podemos dizer com toda a certeza de que 100% da população mundial já lá foi... Estou a brincar peeps, estou a brincar...


Que dizer desta cidade?


É lindíssima, descontraída, tem boa comida e edifícios maravilhosos. Aliás, acho que o ponto forte da cidade é mesmo a sua construção absolutamente deslumbrante, como se as ruas fossem museus e os edifícios as obras de arte. Claro que toda a arquitetura foi altamente influenciada por Gaudi, mas não só. É original, surpreendente e muito rica. Vale a pena só por isso.


Apesar de tudo, é uma cidade que se vê bem num fim de semana prolongado. Cheguei na sexta à noite e fui embora na segunda de manhã, o que significa que tive todo o sábado e todo o domingo para visitar a cidade. Conseguiria ver muito mais se no domingo os edifícios estivessem abertos. Gostaria de ter visitado o Museu de Arte Contemporânea, que ficava nas traseiras do meu hostel, mas já não deu. Basicamente, só os bares e restaurantes estavam a funcionar, portanto, tomamos a decisão de passar todo o dia a comer e a beber... No fundo, a experimentar a cidade de uma perspetiva diferente e bem mais saborosa. Sou muito a favor de encerrarem o comércio ao domingo porque acho que toda a gente tem direito a descanso e a passar o seu tempo com a família. Do ponto de vista turístico, é um bocado chato porque deixei de visitar alguns locais que gostaria de ter conhecido. Mas tudo bem... Barcelona não vai sair do sítio e eu hei-de voltar.




As comparações com outras cidades são inevitáveis. Barcelona é linda, mas ainda assim não bateu o frenesim de Londres, nem o coolness de Berlim e muito menos a simpatia de Atenas. Todos me diziam que ia querer ficar lá a viver. Nunca senti isso. A meio de domingo já estava pronta para regressar - em parte porque já não sabia como ocupar o tempo, já tinha subido e descido as Ramblas umas 10 vezes! É tudo uma questão muito pessoal e subjetiva, até porque tive um amigo que foi no fim de semana seguinte e ficou apaixonadíssimo pela cidade e por ele ficava lá. E ainda me disse que é 1000 vezes melhor que Londres. Portanto, são opiniões e não se deixem influenciar por elas. O melhor é irem lá e conhecerem por vocês mesmas e depois tiram as vossas próprias conclusões. Certo? ;)


E agora, vamos lá ao que interessa!


Onde fiquei alojada?
Toda a gente me avisou que tudo em Barcelona é caríssimo (visitas, alimentação, estadia, transportes...) e, por isso, escolhi um alojamento mais baratinho e simples, mas perto das Ramblas. À primeira vista confesso que me arrependi de o ter feito. O hostel tem o mínimo de condições necessárias - mínimas, mesmo! -, não tinha cozinha e a casa de banho era partilhada, o que me chateia um bocado, mas se quisesse melhor, pagava, portanto, não me posso queixar. Infelizmente, como a viagem foi marcada apenas com um mês de antecedência, o alojamento (dentro do meu orçamento) estava muito limitado e em todas as opções teria que partilhar casa de banho e, em alguns casos, quarto. Optei pelo Central & Basic Universitat. A primeira impressão foi que estávamos situados num bairro problemático e comecei a ver a minha vida a andar para trás. Depois percebi que tudo não passava de preconceito meu, influenciado por uma experiência má que tivemos à chegada. Aquela zona é conhecida pela street art, pelos graffitis e pelo pessoal de patins e skates. É também uma zona onde habitam e trabalham muitos muçulmanos. No fim de contas, fiquei muito agradada com a localização e todos foram muito amáveis, simpáticos e metidos nas suas vidinhas. Uma lição sobre não julgar nada nem ninguém pelas aparências, não é? E eu que me achava zero preconceituosa... Pois pois... Os pontos negativos, para além de não haver propriamente um grande zelo pela higiene, mas nada de problemático, é o fraco isolamento do quarto, que faz com que o barulho da rua - extremamente movimentada e cheia de barzinhos - dificultasse o sono. Mas o cansaço era tanto que só custou a primeira noite.


O que comi?
Meus senhores, comi tudo. Comi tanto, tanto, tanto, que no domingo fui para a cama enjoada de tanto comer. Quis experimentar de tudo um pouco, inclusive coisas que não gosto, como churros com chocolate quente - até fico enjoada só de pensar... Basicamente, em Barcelona come-se tapas e bebe-se álcool. Não importa se é vinho, cerveja ou sangria, o importante é beber. E não há hora para jantar nem para almoçar, vai-se comendo e bebendo ao longo do dia, o que até é giro. Eu gostei muito desse conceito, mas o problema das tapas é que são altamente calóricas (fritos, salgados e presuntos ibéricos com fartura) e acaba por cansar. O que mais gostei de comer foi o arroz com tinta de choco (arroz preto). Gostei tanto que comi duas vezes! Adorei também os croquetes de jamón ibérico.



Tivemos sorte com os sítios que encontramos para comer. Os preços rondam sempre os 20€ por pessoa, sem abusar nas bebidas. Na última noite, fartinhos de fritos e tapas, passamos por uma pizzaria com um aspeto de babar e lá fomos nós para as pizzas e para um tiramissú para encerrar a viagem em beleza.


Para almoços rápidos, aconselho-vos os 100 Montaditos, que nos salvou antes de irmos à Sagrada Família. É bom e barato e também existem vários em Portugal. Para jantares ou almoços mais simples, mas cheios de pinta, têm os Tapa Tapa. Podem encontrar essa cadeia nas Ramblas, no Passeig de Gàrcia... Se quiserem fugir da comida típica e preferirem uma pizza daquelas bouas-bem-bouas, sugiro a La Poma, nas Ramblas. Por fim, o sítio mais lindo de sempre para comer é o El National, mas sobre ele já vos conto mais ali em baixo. O Mercado de la Boqueria é um bom spot para comer frutinha fresca, tapas e mariscos prontos a comer ou só para visitar, mas está fechado ao domingo.




O que visitei?
Visitei tudo aquilo que queria visitar, apesar de não ter visto tudo o que há para ver em Barcelona. Ou seja, se não voltar lá mais, não me deixa pena, porque o que eu queria muito, muito, muito ver, está visto. Vou descrever tudo o que vi por ordem de preferência:


1. Pavilhão de Exposições Mies Van Der Rohe
Eu sei que não é uma atração muito conhecida e passa despercebida a muita gente - o que é incrível porque chegamos a estar sozinhos lá dentro. O Mies van der Rohe é um dos meus arquitetos favoritos de sempre - podem, aliás, ver o mini e super incompleto post que escrevi sobre ele em 2012 - e existe esta casa-exposição pensada e elaborada por ele em Barcelona. É extraordinário pensar que esta casa foi imaginada e construída em 1929. Sim, leram bem. 1929. Façam-me lá o favor e vão pesquisar "Pavilhão de Exposições Mies Van Der Rohe" ao Google. Era o sítio que eu mais queria ir em Barcelona e quando cheguei lá senti aquele arrepio na espinha que já me é característico em sítios como este - sou uma fascinada com estas coisas, que fazer? - e senti-me em casa. Sentei-me nos sofás, olhei à minha volta, respirei fundo, tirei fotografias, toquei nos materiais, vi de diferentes perspetivas, partilhei a história e os conhecimentos que tinha sobre o arquiteto, li as brochuras, visitei a loja, quis comprar tudo, folheei os livros, imaginei algumas daquelas coisas que estavam à venda na minha casa, sentei-me no banco exterior a admirar a paisagem... No fundo fiz de tudo para prolongar ao máximo a minha estadia naquele lugar absolutamente maravilhoso, histórico, icónico e que ainda passa despercebido à maioria das pessoas. Valeu cada cêntimo e eu sei que se vivesse na cidade, aquele havia de ser o meu spot. Para lá chegar basta ir para a Praça de Espanha e virar à direita na Fonte Mágica. 


2. Museu Picasso
Meujamigos, então e eu ia andar por Barcelona e não ia ver o museu do senhor-incrível? Logo eu, apaixonada por arte e espectadora atenta de Genius? O museu é pequeno mas vale muito a pena para quem gosta do pintor. Não vão com a ideia de que vão encontrar a Guernica por lá. Não vão, ok? A Guernica está no Reina Sofia em Madrid. O valor do bilhete é bem acessível - que choque! - e vale a experiência. Lá vão encontrar, para além dos seus quadros, fotografias pessoais, desenhos, rascunhos e outros acervos. O ponto alto da exposição é o quadro Las Meninas (que vêem na imagem da esquerda) e todos os estudos que lhe antecederam. O próprio edifício também vale a pena ser apreciado. No final, não se esqueçam de passar pela loja! Não precisam de comprar nada, mas tem coisas muito giras e engraçadas - umas caríssimas e outras bem acessíveis. O museu fica situado no Bairro Gótico, já próximo do Parc de la Citudella.


3. A Sagrada Família
Vou ser sincera, não ia com grande expectativa. Eu amo catedrais e, por isso mesmo, entro em tantas quanto posso, portanto achava que não me ia deslumbrar mais do que com aquelas que eu já tinha visto. Enganei-me redondamente. Ir a Barcelona e não ir à Sagrada Família não vale. Se querem um conselho, não façam o que eu fiz, que foi comprar o bilhete na hora. Comprem online e evitem filas de 1 hora (para comprar o bilhete e para entrar no edifício) e ainda conseguem descontos. Eu tive que comprar o bilhete com audioguia porque o mais barato (sem audioguia) estava esgotado. Não fiquei muito agradada com o preço - porque até nem ia com expectativas, lembram-se? -, mas lá paguei. Foi o melhor dinheiro que dei em Barcelona e aconselho-vos também a optarem pelo audioguia (pelo menos 1 bilhete e depois vão partilhando pelo grupo). Fiquei assoberbada com a beleza, com o perfecionismo e em particular com o simbolismo - sou muito impressionável com os simbolismos. Não sou crente, mas as lágrimas vieram-me aos olhos muitas vezes ao ouvir a explicação de determinados pormenores que Gaudi fez questão de imprimir naquele edifício descrito como "A Bíblia esculpida em pedra". Tudo é místico, tudo é absolutamente espiritual ali dentro, mesmo com as centenas de pessoas à volta. Senti-me tão em paz ali dentro, tão feliz que demorei-me umas 2 horas. É um local que gostaria de voltar e de levar pessoas a conhecer. Vale cada cêntimo, vale cada minuto de espera e vale aquela revista toda da segurança que mais parece que estamos num aeroporto. Mesmo que não sejam católicos, visitem. É dos sítios mais abertos a todos os crentes, de qualquer religião que eu já conheci. Por favor, se forem a Barcelona, não percam a Sagrada Família.


4. El National
Se só puderem fazer uma única refeição fora em Barcelona, escolham o El National e eu juro que não se vão arrepender. Não só é dos sítios mais giros que eu vi por lá, como também está cheio de coisas boas e apetecíveis, daquelas que são mesmo uma grande desgraça para a dieta. É um conjunto de vários restaurantes num espaço aberto e lindíssimo, que vale a pena conhecer, nem que seja só de passagem ou para beber um copo no bar. Eu escolhi a La Taperia porque oferecia um menu mais vasto e porque o conceito deles é bem engraçado. Escolhemos as tapas que queremos provar mas não fazemos o pedido, esperamos que o empregado "as cante", isto é, que anuncie as tapas que estão a sair quentinhas da cozinha de forma engraçada. Às vezes é a imitar o Freddie Mercury, por exemplo. Se forem as tapas que nós queremos provar, levantamos o braço e eles pousam o prato à nossa frente. As doses são pequenas, mas a ideia é ir provando de tudo. Repeti aqui o arroz com tinta de choco e fiquei arrepiada com os croquetes de jamón ibérico. O El National fica no Passeig de Gàrcia, muito próximo da Casa Batló.


5. Bosc de les Fades
Outro dos bares giros a incluir na vossa lista é o Bosc de les Fades. As fotografias não fazem jus à originalidade do espaço porque é um sítio bastante escuro. No fundo, é como se estivéssemos a beber um copo ou a lanchar no meio de uma floresta, ou para os fãs de O Senhor dos Anéis, no Shire. A determinada altura as luzes apagam e começa a "trovejar", com direito a sons de chuva e efeitos dos relâmpagos. É muito giro e vale a pena ir conhecer. À noite nunca tivemos hipótese de arranjar mesa, mas no domingo à tarde conseguimos. Fica nas Ramblas, perto do Museu de Cera.


6. Bobby's Free
 Outro super spot! Este espaço nunca me apareceu nas sugestões a visitar em Barcelona, mas foi recomendado por uma amiga. E aqui estou eu a fazer serviço público, não é? Quem é amiga? Hum? Fiquei tão curiosa que tive que ir lá checar. E qual é a melhor cena deste bar? É que é secreto... Da rua parece apenas uma barbearia fancy, mas se entrarmos e acertarmos na password abre-se uma porta secreta com acesso para um outro mundo. Um mundo de malabaristas que fazem cocktails que parecem uma obra de arte, com música ao vivo e boa pinta. Claro que não vos mostrei muitas fotografias do espaço, mas se quiserem conhecer melhor, visitem a página do Bobby's Free. O preço dos cocktails começa nos 9,50€ e vai escalando por aí a cima. Não adorei a minha bebida, mas eu sou mais de um copo de vinho do que destas coisas. Fui pela experiência e valeu muito a pena. Se quiserem conhecer a password atualizada (muda todos os meses), sigam a página de Instagram. A minha foi "Gatsby", que coincidência feliz. Have fun!


Para além de todos os sítios que já vos falei, também fui ao Parc Guell, apesar de não ter conseguido entrar porque os bilhetes estavam esgotados para aquela manhã e o tempo começou a apertar. Valeu pelo passeio no parque envolvente que é muito bonito. 


Desci o Passeig de Gàrcia que é maravilhoso, vi a Pedreira - que edifício imponente - e a Casa Batló, que estava tapada com um andaime porque a fachada está a ser restaurada, mas as visitas continuam a acontecer no interior. É aqui que encontram as lojas de luxo (Chanel, Dior, Fendi, you name it!), mas infelizmente estavam todas fechadas porque era domingo. É também nesta enorme avenida que se encontra o El National. Gostei muito mais desta zona da cidade do que das Ramblas.


Passeamos muito no Bairro Gótico, apesar de não ter muitos registos fotográficos dessa zona - ainda não percebi muito bem porquê. É uma zona lindíssima, cheia de cantos surpreendentes e de História. É também uma zona mais escura e com muitos vendedores de "cenas ilícitas", se é que me entendem. Podem encontrar aqui a Catedral de Barcelona, o Museu do Picasso e muitos, muitos, muitos bares fixes.




A Praça de Espanha é monstruosa. Não estava a contar com a grandiosidade de tudo aquilo. Vale a pena ir lá conhecer o espaço e, se tiverem tempo, visitar o Museu Nacional e o Montjuic. Eu apenas consegui ir ao Pavilhão de Exposições do Mies van der Rohe e depois fomos visitar a Arena de Barcelona, que fica logo ali na rotunda. A antiga arena de touros foi renovada, com a intervenção de Mies van der Rohe (entendem agora o interesse?) e adaptada a um centro comercial que tem uma vista incrível de 360º da cidade no seu piso superior. Como era domingo, as lojas estavam todas fechadas, mas o edifício permanecia aberto para que os turistas pudessem apreciar as vistas. É giro de ver.


Chegados ao Arco de Triunfo - outro monumento imponente - fizemos o caminho todo até ao Parc de la Citudela, que é só dos parques incrível, onde só apetecia estender a mantinha e ficar ali a jiboiar a tarde toda. Adorei o ambiente e a vivência daquele local. É um must-go!


Para terminar as sugestões, o Mercado de la Boqueria é giro, vibrante, cheio de cores e cheirinhos bons, cheio de gente e pessoal simpático. Gostei de visitar e acho mesmo que vale a pena passar por lá, mais que não seja para tirar umas fotos, que ficam sempre incríveis! Ponto negativo para a quantidade descomunal de plásticos para embalar os produtos e as palhinhas/talheres de plástico descartável.



Sobre Barcelona
No geral, gostei muito da cidade e do ritmo dela. Achei a comida deliciosa, mas ao fim do segundo dia já só queria legumes e fruta - too much fritos! Senti-me segura em quase todos os locais e havia muita polícia na zona das Ramblas. Os preços de estadia e alimentação são elevados, no entanto, com alguma paciência e procura, conseguem encontrar outras soluções mais acessíveis. Relativamente aos transportes públicos, não posso falar muito porque só andei de metro e o preço é o normal, como noutra grande metrópole qualquer, e não é difícil de compreender as linhas.


Um ponto negativo é o exagero no preço dos bilhetes para algumas atrações como a Casa Milá, Batló ou até a Sagrada Família. Se para além da Catedral também tivesse entrado nas casas, pagaria, por duas pessoas, cerca de 145€. Uma família de classe média não vai conseguir visitar metade das atrações pagas, o que é uma pena - mais um ponto a favor de Londres, onde grande parte dos museus são gratuitos! Outro ponto desfavorável são os carteiristas. Apesar de não me ter acontecido nada nem de ter visto nada, fui muito avisada por toda a gente que já tinha visitado a cidade, em todos os sitesblogs e, inclusive, os locais. Eu ia preparada, com uma carteira à cintura, protegida com um fecho e uma pala com fecho de mola de íman, mas mesmo assim, sempre de olho aberto. Não me aconteceu nenhuma situação desagradável. Outro ponto desfavorável é a falta de limpeza e os cheiros horríveis em vários pontos da cidade, mesmo nos mais turísticos.




Barcelona é uma cidade maravilhosa, que vale a pena ser explorada.
É uma viagem perfeita para um fim de semana prolongado.
E agora, venha a próxima! ;)




segunda-feira, 15 de abril de 2019

Semana



Ficam aqui algumas inspirações de looks para esta semana que chegou. Ou para outras... 
Bom, para quando precisarem, pronto!


Escusado será dizer que os três primeiros são para embrulhar e mandar entregar na minha casa, certo?


Podem clicar em baixo da imagem para verem as peças. Algumas não estão disponíveis no site, apesar de serem recentes. Em alguns casos, coloquei o link de peças semelhantes.



Trench coat e Sapatilhas Mango | Vestido Zara | Brincos e Carteira Uterque




Casaco, Blusa e Sapatos Zara | Calças e Brincos Mango | Carteira Uterque


Casaco, Botins e Carteira Zara | Calças H&M


Boa semana, cheia de pinta ;)






segunda-feira, 8 de abril de 2019

Festas na Primavera



Looks para festas é um assunto que interessa, não é? A vocês, sempre cheias de eventos e cerimónias... Já eu não vou a uma boda desde 1845... Verdade! Bom, estava eu a dizer que um post sobre looks para festas é um assunto importante por aqui, especialmente nesta altura em que os casamentos, batizados e comunhões começam a bombar - verdade? - mas a Primavera decidiu armar-se em parva e fazer birra.


Calma gente. Há solução para isto!
Mas quem é que a Primavera pensa que é para nos estragar os planos? Hum?


Decidi escrever sobre looks para eventos na Primavera, onde o casaquito e o sapatinho fechado (à exceção de um look) são mais do que bem vindos e, adivinhem, complementam o conjunto! Não passem frio nem usem um casaco qualquer. Vejam o vosso coordenado como um todo. E agora o que não faltam são opções giras de casacos que, não sendo de cerimónia, são perfeitamente adequados para usar por cima de um vestido ou de um conjunto mais formal. Querem ver?


Mas antes de continuar, é importante referir que optei por escolher um coordenado para todos os gostos: vestido, calças, macacão e saia. Apenas repeti o vestido mas diversifiquei no estilo e já vão perceber porquê.


(Cliquem em baixo das imagens para verem as peças)


O primeiro conjunto é um macacão lindo, amarelo, com cheirinho a verão (e que dá para usar e abusar nos meses mais quentes e em diferentes contextos). Está combinado com peças em tons suaves e neutras. Todas elas versáteis e a pedirem para serem usadas várias vezes. É ideal para uma cerimónia mais informal como uma comunhão, um batizado ou um evento cocktail. Se tiverem um jantar da empresa, é muito apropriado.
Trench coat | Macacão | Sandálias | Clutch | Brincos | Cinto


 O look de saia é mais arrojado, mas quem não arrisca não petisca, não é mesmo? Optei por uma série de peças especiais e combinei-as todas. A blusa em folhos é lindíssima, juntamente com o casaco bordado naquele tom raríssimo e espetacular. A saia é uma paixão minha e ando aqui a tentar arranjar justificações para a comprar. O mesmo se passa com aqueles botins! Os tons suaves tornam o look perfeito para batizados, por exemplo. Por causa dos brilhos, pode ser usado em festas de inaugurações.
Casaco | Blusa | Saia | Botins | Clutch | Brincos


O vestido foi amor à primeira vista. Adoro o corte, o modelo e a cor. Decidi conjugá-lo de forma mais "certinha" e ideal, por exemplo, para ser usada num casamento. Mas achavam que ia ser só um basicozinho? Nem pensar! Obviamente que chamei logo o laranja para se juntar à festa e acrescentei esta clutch maravilhosa.


O segundo look com vestido é mais, digamos, diferente... Eu adoro (claro!) e só peca por não ser meu. Usava com todo o gosto e toda contente da vida. Se é para todos os gostos? Não, nem tem que ser. Este conjunto mais boémio (e vocês sabem que há sempre um coordenado destes nos meus posts) é para quem não está nem aí para o que os outros pensam e, por isso, podem usá-lo quando quiserem!


Por fim, não podia faltar a tendência dos fatos. Adoro, quero muito e ando de olho em alguns, mas ainda não investi. Este em particular conquistou-me pela cor. Não sei se assenta bem (desconfio que não) nem se tem grande qualidade, mas a verdade é que é bem giro. Depois é acrescentar acessórios diferentes para dar o upgrade necessário. E esta clutch da Uterque? Hum? Parece uma jóia (e custa o mesmo que uma jóia!)...


Qual é a vossa praia? Contem-me...
Boas festas, gente que tem muitas festas!





terça-feira, 2 de abril de 2019

Summer Time



Sou só eu que já estou com a cabeça mais nestas imagens do que nos relatórios e planos estratégicos? Eu acho que não... Especialmente agora que a chuva e o frio regressaram e eu tive que voltar a optar pelos casacos mais quentes e pelas calças, ao invés da pernoca ao léu, como eu adoro andar.


Já só me apetece falar de férias, estar de férias, escolher destinos de férias e fazer atividades de férias. 


Contem-me lá, para onde vão de férias ou para onde gostavam muito-muito-muito de ir?
Eu chego-me à frente: gostava de conhecer a Nova Zelândia, Zanzibar, Miami e Califórnia, Vietname e Camboja. Não vai acontecer nada disto este ano, pelo menos, segundo as minhas previsões.


Mas eu posso sonhar, que ainda é de graça e é bem fixe. Certo?


Vocês também podem! Contem-me tudo!


Agora vou voltar ao trabalho. 
Tenho um relatório para finalizar.






segunda-feira, 1 de abril de 2019

Vida Boa



Têm sido dias tão cheios e tão intensos que pouco tempo tenho para vir cá ao blog, com grande pena minha. As semanas são preenchidas com trabalho - tanto, tanto trabalho - e com algumas atividades extras, como o desporto e a leitura, aquilo que me dá muito prazer e me permite "desligar". Literalmente, porque agora já não ligo o computador em casa durante a semana. Neste momento estou a fazer mais aquilo que me dá prazer e deixar para lá as obrigações que posso ir adiando - até quando? A vida não é só trabalho, prazos a cumprir e objetivos definidos. Na verdade, a minha vida começou a ficar mais cinzenta quando comecei a fazer mais isso do que aquilo que mais gosto, como ler, ir ao cinema, fazer desporto e escrever aqui no blog. Estou num work in progress a tentar descobrir como equilibrar ambos os mundos. Sabemos bem que a boa vida é maravilhosa, mas os compromissos também devem ser respeitados - e fazem falta! E tive uns tempos em que me esqueci deles quase por completo, o que também não é correto.


O objetivo agora é o equilíbrio.
Ou a mudança de perspetiva. Ou a mudança de vida, quem sabe?


Têm sido semanas cheias, em que o melhor delas são as aulas de pilates e os 30 minutinhos (mínimo) de leitura antes de adormecer. Também há a aula de treino funcional que não tem piada nenhuma no momento, mas depois resulta muito bem a nível da motivação - nunca ninguém se arrependeu de ir treinar, lembram-se de já ter dito isso? Além disso, ando numa formação que me está a despertar sentimentos e pensamentos que estavam aqui adormecidos e voltei a ter a curiosidade e o interesse de saber mais.


Mas os fins de semana têm sido cheios, felizes e muito, muito completos. 


Este que passou, por exemplo, não consegui encostar-me no sofá nem por 5 minutos. Na verdade, só estive em casa para dormir e comer. E isto tem-se repetido há muitos fins de semana. Há 3 semanas estive em Barcelona e na semana passada entre copos com amigos, lanches na Penha, cineclube à noite e jantares bons na esplanada, ainda houve tempo para ver alguns filmes que estava mesmo a precisar, para estimular a criatividade, como a Mary Poppins Return!


Já este fim de semana foi outro nível. O sábado começou cedo e em busca de um presente para a minha amiga que vai ser mãe - pânico só de pensar! Eu - euzinha - andei a pedir opinião sobre qual é o melhor produto para a minha princesa? o que dá mais jeito? o que faz mais falta? E encontrei o que queria, acho eu! Pelo caminho ficou um mundo de coisas para comprar e lhe oferecer no futuro. À tarde foi o Baby Shower e foi uma emoção. Ver aquele momento a acontecer, fazer parte de tudo, assistir àquela felicidade toda foi só das coisas mais maravilhosas que já tive a oportunidade de experienciar - quem diria, não é? Sobre a minha pequena, ainda não consigo escrever nada sobre aquilo que eu sinto. Mas para uma pessoinha que ainda não nasceu, já me tem ensinado algumas coisas importantes. Para a minha Rita, só digo que a felicidade lhe assenta que nem uma coroa.




Depois do Baby Shower fui mudar-me e segui para a festa com um outro grupo onde comemos e bebemos melhor. Estivemos juntos, rimos às gargalhadas, celebramos um aniversário, dançamos... Enfim, uma alegria diferente, mas uma alegria também - estão a ver a esquizofrenia que anda a minha vida?! Na mesma altura que comprei cremes para a muda de fralda, também comprei uma garrafa de vodka. E no meio de toda esta esquizofrenia, há um equilíbrio bonito e engraçado.


O domingo, depois de acordar tarde e almoçar, fui para o parque "recuperar" da noitada, com as mesmas pessoas com quem tinha estado na noite anterior. Claro que a chuva acabou por arruinar o momento-parque mas lá encontramos outros entretenimentos. No final do dia ainda houve tempo para ir ao cinema ver a Captain Marvel e chegar a casa e terminar o meu livro de março!


Agora que venha abril!





quarta-feira, 13 de março de 2019

H&M Studio



Lembram-se de no post anterior vos ter dito que não queria nem saber de lojas e de novas coleções para nem sequer cair em tentação?
Bom, esqueçam lá isso tudo. 


A H&M mostrou a nova coleção Studio, que eu adoro sempre. 


É uma linha bem mais cara do que a principal, mas também é a que, consequentemente, mostra mais qualidade. Os cortes são incríveis, as cores são impecáveis e até os padrões têm outro ar. Gosto sempre dos mil pormenores que acrescentam e que tornam as peças sempre tão únicas, tão especiais e, ainda assim, na maioria dos casos, continuam a ser "básicos". Daqueles básicos-não-tão-básicos que eu adoro... Percebem o que quero dizer?




Esta linha tem as minhas cores do momento - ando muito atraída por estes tons terra - e é perfeita para os dias de sol que estão a chegar. Vestidos lindos e fluidos, shorts estilo safari, mas também há fatos e blusas e peças mais compostas para o dia a dia. Os tons variam entre o branco (pérola?), o caqui/bege (nunca sei definir bem) e o amarelo torrado, já ali a esbarrar no laranja. Depois há padrões zebra e mais abstratos (vêem no vestido da primeira imagem?) que são giríssimos e ainda os metalizados.


Ficam então aqui algumas das minhas peças favoritas desta coleção



Conheçam toda a coleção aqui.


Já cheira a praia, não já?





segunda-feira, 11 de março de 2019

Conversa em Dia



A semana passada foi uma autêntica loucura. 


E posso-vos dizer que a minha sorte foi já ter agendado os três posts que foram publicados ou, caso contrário, não iria escrever absolutamente nada. O Carnaval não estava para acontecer, mas aconteceu à última da hora. E sabem aquelas noites que vocês nem conseguem descrever - em parte, porque também não se lembram - e que nada fazia adivinhar que ia correr assim? I mean, eu só ia beber um café e cheguei a casa de dia. Claro que passei o dia seguinte a "curar" o corpo dos excessos.


O resto da semana - talvez por castigo divino - foi um contínuo atropelo de trabalho que se prolongou para casa, durante a noite, e até mesmo no fim de semana. Not cool.


Falhei ao ginásio todos os dias da semana, o que me fez ficar mais tola do que o costume. 


Preciso urgentemente de libertar estas tensões. E a chuva não ajudou a curar este aborrecimento. E o trabalho que eu vou deixando acumular ali no canto que cresce, cresce, cresce... E eu ignoro-o, claro (inserir emoji de face palm).


O Dia da Mulher passou despercebido aqui no blog, mas não no facebook. Fiz uma compilação de mulheres inspiradoras que me acompanham há mais ou menos tempo e que as tomo como um exemplo. Vão lá ver, por favor ;) E claro que usei a minha t-shit feminista! Quanto aos meus valores feministas, uso-os todos os dias, independentemente da indumentária.


Mas o fim de semana também deu para ver coisas novas, coisas repetidas mas boas e para descansar um pouquinho. O que é que eu vi de novo? Isso é que já é conversa para um outro post.


O que é que eu não vi? Não vejo lojas nem nada que me desvie do caminho do poupar - podemo-nos rir todos em uníssono, porque poupar já não entra no meu vocabulário há muito tempo... Mas não resisto a bons concertos, bons jantares e meia dúzia de experiências que valem mesmo a pena. A roupa tem ficado para última das últimas das prioridades por estes lados, daí a minha falta de inspiração para novos posts sobre looks, que eu sei que vocês preferem. Porque quanto menos pesquiso, menos me sinto tentada, certo? ;) Vou redimir-me em breve, prometo.


Esta sexta-feira terminei o meu mês de ZERO CARNE. 


Nunca vos contei aqui no blog sobre esta experiência porque também não sabia se ia ser capaz de conseguir cumprir à risca, não tanto por achar que não tinha força de vontade para concluir, mas porque eu gosto de comer fora várias vezes e, segundo a minha perceção, ainda existem muitos restaurantes que não estão preparados para este tipo de alimentação. 
Se quiserem saber mais sobre esta minha experiência digam ;)


Esta semana adivinha-se longa e muito, muito trabalhosa. 
Mas o fim de semana vai ser SUPER. Depois conto-vos tudo ;)





quarta-feira, 6 de março de 2019

Green Book



Já vos disse que Green Book foi o meu filme favorito dos Oscars? 
Já? Ups, I did it again...


E que feliz fiquei por vê-lo receber o maior Oscar da noite, totalmente inesperado, totalmente vindo do nada. As minhas fichas estavam todas no Roma, que também era bem merecido, mas nunca imaginei que Green Book fosse o vencedor. Não que não fosse bom - que o é! - mas  porque, tendo em conta a concorrência, havia mais filmes "à Oscar", como A Favorita ou Roma. Não sei se me entendem... Mas vamos lá falar sobre esta história.


Tudo decorre em 1962, nos EUA, altura de segregação e racismo. Tony Lip (Viggo Mortensen) é um típico italiano trabalhador, mas cheio de lábia e sempre pronto a trapaçar o outro. Trabalha como segurança de um bar, até que o patrão o informa que vai ter que encerrar durante 2 meses para obras e Tony vê-se desempregado e com uma família, que ama acima de qualquer coisa, para sustentar. Obrigado a arranjar uma solução para o seu problema, responde a uma oferta de emprego para ser motorista de um Doctor Shirley (Mahershala Ali). Descobre que Doctor Shirley não é médico, mas sim um grande pianista e que é negro. Apesar de Tony se mostrar bastante hesitante e desconfiado - especialmente por Shirley ser negro - aceita o emprego de o conduzir ao longo de 2 meses na sua tour pelo sul racista dos EUA.




A viagem trouxe-lhes muitos problemas, mas também mudanças maravilhosas para ambos os homens que, cada um à sua maneira, estavam cheios de preconceitos e de desconfianças. Nasce uma bonita amizade, sincera, honesta e protetora, ao mesmo tempo que cresce em ambos uma tolerância que não existia antes. Estas maravilhosas transformações acontecem ao longo de muitos pequeninos momentos salpicados ao longo do filme, que são incríveis relatos verídicos de dois bons amigos.




Em Green Book conseguimos ver os dois lados destes homens que, no fundo, retrata muito bem a sociedade de então - e, infelizmente, a de agora também. Don diz-se discriminado pelos brancos por ser negro e discriminado pelos negros por não ter hábitos, comportamentos nem partilhar da cultura negra. Vive num constante conflito pessoal sem nunca se conseguir definir perante si e perante os outros. Apesar de ser um prodígio nos palcos, convidado a aturar em todos os locais emblemáticos e contratado por todos os "brancos ricos e influentes", quando desce do palco é apenas mais um negro. No entanto, Don sempre foi um privilegiado, rico e bem sucedido. 




Por sua vez, Tony é um cidadão de classe média baixa, que tem que trabalhar muito para conseguir dar uma vida confortável aos seus filhos e que tem que passar por várias provações para conseguir uma vida estável, longe da máfia e da cadeia. E a questão é: quem é a vítima aqui? Há uma dualidade tão interessante de explorar que torna todo o filme, todo o guião tão mais rico e incrível.


Neste filme há um sem fim de assuntos a debater, como já perceberam, e inúmeras situações discriminatórias que mexem com as entranhas. Mas ao mesmo tempo é delicioso ver estas duas pessoas, tão distintas entre si, na cultura, no contexto, nos hábitos, a tentar conviver e a deixar crescer uma bonita amizade e a aprender um com o outro.




Não existiria filme sem o MA-RA-VI-LHO-SO trabalho do Viggo - que merecia mesmo o Oscar - e do Mahershala, que venceu o seu segundo Oscar de Melhor Ator Secundário. São ambos atores do caraças, pois conseguiram abandonar-se a eles próprios para assumir personalidades e comportamentos absolutamente distintas das suas. O Viggo teve que encarnar num italiano, que gesticula e que é tão extrovertido e cheio de lábia que é impossível não gostar dele. Mahershala tornou-se num Don cheio de "macaquinhos no sótão", um génio solitário, infeliz, extremamente talentoso e culto, cheio de boas maneiras e etiquetas, mas com a permanente questão do "afinal quem sou eu?" sempre presente no seu inconsciente.


Aconselho a todos a ver, de coração. 
Vão ficar rendidos.


Green Book
de Peter Farrelly
com Viggo Mortensen e Mahershala Ali





terça-feira, 5 de março de 2019

Março



E em pouco tempo o mês de fevereiro voou e levou-me também a "pessoa" mais especial para mim. Mas não é sobre essa perda que vou falar hoje. Hoje vou falar do meu compromisso mensal sobre um livro por mês.


Em janeiro li O Sétimo Selo do José Rodrigues dos Santos, como vos contei aqui.
Em fevereiro optei por um livro mais pequeno, não só porque o mês é igualmente mais curto, como também era época de Oscars e havia uma lista interminável de filmes para ver.Acabei por terminar o meu livro a meio do mês e acrescentei outro mini-livro para complementar a leitura. No fundo, aproveitei a oportunidade para pegar num livro que eu queria ler ao tempo. 




Escolhi O Grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald, um dos clássicos da literatura americana e uma das minhas histórias de amor favoritas. Já perdi a conta da quantidade de vezes que vi o filme em que o meu Leonardo Di Caprio interpreta o próprio do Jay Gatsby, mas o livro, apesar de já o ter começado duas ou três vezes, nunca o tinha terminado. Não é uma leitura tão fácil de ler como O Sétimo Selo, mas é acessível a qualquer pessoa. Aconselho a todos os que gostam de um romance a ler este. Não estejam à espera de um estilo-Nicholas-Sparks, que não vão ter aqui, mas um romance a sério, de literatura, daquelas histórias intemporais.


O segundo livro escolhido, para terminar o mês, foi Os Contos de Beedle O Bardo, de J. K. Rowling, que é precisamente isso: um conjunto de contos infantis para bruxos. Um plus é que no final de cada conto existem as notas de Albus Dumbledore, que interpreta e dá o seu ponto de vista relativamente à história. Maravilhoso!




Para o mês de março tive que recorrer à Fnac e, senhores, é tortura lá ir e sair só com uma saquinha. Ia com a ideia de comprar Sapiens, mas depois achei que não podia adiar mais a compra do livro que escolhi para março. Na caixa, enquanto esperava para pagar, O Deus das Moscas voltou a piscar-me o olho e eu não resisti e trouxe-o também. Para este mês escolhi um dos livros que ando há uma vida para ler: Admirável Novo Mundo, de Aldous Huxley. Alguém já leu? Vamos ver como corre e se eu consigo manter o ritmo. É que esta leitura é bem mais complicada e complexa que as anteriores! Depois conto-vos como foi.


E as vossas leituras, como andam?